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quarta-feira, setembro 02, 2015

Um estudo sobre a palavra “vinho” na Bíblia

Que tipo de vinho Deus recomenda?
Existem várias palavras na Bíblia que são traduzidas como vinho ou bebida forte:

Oinos: vinho embriagante ou vinho doce (puro suco da uva)
Yaín: vinho embriagante ou vinho doce (puro suco da uva)
Shekar: bebida embriagante
Tyrosh: vinho fresco recém-espremido da uva; o puro suco da uva

Algumas pessoas pensam não haver vinho não fermentado. Porém, isso não procede. A Enciclopédia Judaica, por exemplo, declara que o vinho fresco antes da fermentação era chamado yayin-mi-gat (vinho de tonel).[1] Em Lamentações 2:12, fala-se de um vinho (yaín) como alimento de bebês de colo; tal vinho só poderia ser o puro suco da uva.

O escritor e filosofo grego Aristóteles utiliza a palavra oinos para descrever o suco fresco da uva.[2] Ateneu, escritor grego nascido no Egito, fala sobre vinho (oinos) sendo pego no campo.[3]

Yaín (heb.) e oinos (gr.) são palavras genéricas que significam todos os tipos de vinhos que existem, sejam os embriagantes ou os não fermentados. Logo, para identificarmos quando está se tratando de um ou de outro tipo de vinho, deve-se, sobretudo, avaliar o contexto literário e o contexto social da época. Mas voltemos à pergunta principal: Qual o tipo de vinho abençoado por Deus?

Só há um tipo de vinho que é bênção do Senhor: tyrosh, o puro suco da uva recém-espremida. Isaías 65:8 diz: “Assim diz o Senhor: Como quando se acha vinho (tyrosh) num cacho de uvas, dizem: Não o desperdices, pois há bênção (bêrakah) nele...” Bêrakah, além de “bênção”, quer dizer: “louvor a Deus”, “prosperidade”, “acordo de paz”.

Em Provérbios 3:10, tyrosh aparece como símbolo de bênção e prosperidade: “E se encherão fartamente os teus celeiros e transbordarão de vinho (tyrosh) os teus lagares.” Também em Deuteronômio 11:14: “Darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal e o vosso vinho (tyrosh) e o vosso azeite.”

Todos os vinhos embriagantes e as demais bebidas fortes são tidas como mortíferas (Pv 23:29-32) ou alvoroçadoras (Pv 20:1; Ef 5:18) e impróprias para o consumo daqueles que seguem a sabedoria e a justiça (Pv 23:20, 31, 32 e Pv 31:4).

Provérbios 23:29 e 30 afirma que os “ais”, os “pesares”, as “pelejas”, as “queixas”, as “feridas sem causa” e os “olhos vermelhos” são para dois tipos de pessoas: os que se demoram perto do vinho e para os que buscam (chaqar) o vinho misturado (nesse caso, o embriagante).

A palavra hebraica chaqar, além de “buscar”, também significa “pesquisar”, “analisar”, “investigar”, “procurar”, “esquadrinhar”, “examinar detalhadamente”; em outras palavras, todos aqueles males listados no versículo 29 também são para os que procuram consumir bebida embriagante.

Avaliando esses termos e aspectos da Palavra de Deus, fica fácil concluir que, quando a Bíblia afirma: “O vinho (yaín) que alegra (samach) o coração do homem...” (Sl 104:15), ou: “...come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho (yaín)”, ou coisas semelhantes, está se referindo ao puro suco da uva (tyrosh), pois é neste que habita a alegria verdadeira e a bênção do Senhor.

(Gabriell Stevenson, Apologética XXI)

Referências:
[1] Sanh, 70a
[2] Aristóteles, Metereologia, 387.b.9-13
[3] Ateneu, Banquete, 1.54

quarta-feira, junho 08, 2016

Papa defende o consumo de vinho

Garrafas de vinho de presente
Segundo nota no site da revista Veja, depois de saudar casais que celebram 50 anos de matrimônio, o papa Francisco disse nesta quarta-feira que “não se pode encerrar uma festa de casamento bebendo chá”. “Seria uma vergonha. O vinho é necessário para uma festa”, afirmou o chefe da Igreja Católica na tradicional audiência geral, no Vaticano, diante de 20 mil fiéis que lotaram a Praça São Pedro. Francisco também elogiou os casais que estão há meio século juntos e ressaltou que eles são exemplos para os jovens. “Esse sim é que é o vinho bom da família, o vosso é um testemunho que os jovens casais devem aprender. Obrigado pelo vosso testemunho”, disse. Durante seu discurso na audiência geral, o papa também recordou trechos do Evangelho e falou sobre o primeiro sinal de misericórdia de Jesus nas bodas de Caná e sobre a transformação da água em vinho. De acordo com o sumo pontífice, o primeiro milagre de Jesus “indica a transformação da antiga Lei de Moisés no Evangelho portador da alegria”. “Em Caná os discípulos de Jesus se tornam a sua família e nasce a fé da Igreja. Àquelas núpcias todos nós somos convidados, para que o vinho novo não venha mais a faltar”, comentou o líder.

Acho que o papa Francisco nunca deve ter visto uma festa de casamento que acaba em bebedeira e briga. Acho que não levou em conta os muitos alcoólicos com a vida e a família destruídos, e que começaram bebendo “com moderação”. E também acho que não estudou a Bíblia direito, pois, do contrário, não iria sugerir que Jesus teria dado vinho fermentado aos convidados da festa, sendo que Deus, no Antigo Testamento, condena o uso de bebida alcoólica.

Antes de voltar à Bíblia e à declaração do papa, é bom lembrar que, na primeira atualização de diretrizes sobre álcool no Reino Unido em 20 anos, especialistas advertem claramente que nenhum nível de consumo regular de vinho é isento de riscos. Em 1995, a diretriz dizia que beber pequenas quantidades de álcool, especialmente vinho tinto, poderia reduzir doenças do coração para homens com mais de 40 anos e mulheres pós-menopáusicas. No entanto, as novas disposições, divulgadas recentemente, afirmam que a evidência que sustenta efeitos protetores agora é mais fraca do que era na época do relatório de 1995.

Levando isso em conta juntamente com todos os riscos agudos e crônicos conhecidos para a saúde devido ao consumo de bebida alcoólica, mesmo em níveis baixos, confirma-se a conclusão do estudo de que não há justificativa para a recomendação de beber vinho por motivos de saúde, nem para começar a beber por razões de saúde. Muito pelo contrário, afinal, o risco de desenvolver câncer, por exemplo, aumenta com qualquer quantidade consumida regularmente.

John Holmes, pesquisador sênior da Universidade de Sheffield, disse que os chamados benefícios do álcool para a saúde podem ter sido “substancialmente superestimados”. Hoje se sabe que, no caso do vinho, o que faz bem são substância contidas na uva. E o suco puro não fermentado carrega essa vantagem sem as desvantagens do álcool.

Voltando à Bíblia, existem várias palavras nela traduzidas como vinho ou bebida forte, como oinos, vinho embriagante ou vinho doce; shekar, bebida embriagante; e tyrosh, vinho fresco recém-espremido da uva, ou seja, o puro suco da uva. A Enciclopédia Judaica informa que o vinho fresco antes da fermentação era chamado yayin-mi-gat (vinho de tonel). O livro de Lamentações (2:12) fala de um vinho (yaín) como alimento de bebês de colo, e esse só poderia ser o puro suco da uva.

O hebraico yaín e o grego oinos são palavras genéricas que representam todos os tipos de vinho, tantos os embriagantes quanto os não fermentados. Logo, para identificar quando se trata de um ou de outro tipo de vinho, devem-se avaliar os contextos literário e social da época.

O fato é que só há um tipo de vinho recomendado na Bíblia, e se trata do tyrosh, o puro suco da uva recém-espremida. Em Provérbios 3:10, tyrosh aparece como símbolo de bênção e prosperidade: “E se encherão fartamente os teus celeiros e transbordarão de vinho (tyrosh) os teus lagares.” Também em Deuteronômio 11:14: “Darei as chuvas da vossa terra a seu tempo, as primeiras e as últimas, para que recolhais o vosso cereal e o vosso vinho (tyrosh) e o vosso azeite.”

Todos os vinhos embriagantes e as demais bebidas fortes são tidos como mortíferos (veja, por exemplo, Pv 23:29-32) ou alvoroçadores (Pv 20:1; Ef 5:18) e impróprios para o consumo daqueles que seguem a sabedoria e a justiça (Pv 23:20, 31, 32 e Pv 31:4).

Quando às bodas de Caná, evento relatado em João 2, Cristo não poderia ter produzido vinho alcoólico, cujo efeito sobre muitos dos convidados, após beberem “fartamente” (palavra utilizada pelo próprio texto), certamente seria aquele descrito em Provérbios. Ele estaria trazendo para Si, em última instância, a responsabilidade pela intoxicação alcoólica daquelas pessoas. Além disso, o Senhor não poderia contrariar o ensino que o Espírito posteriormente transmitiria por meio de Paulo: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” (1Co 3:16, 17).

É bom lembrar, também, que o suco puro da uva é um símbolo utilizado por Cristo para o Seu sangue, cujo derramamento nos dá vida e nos purifica de todo o pecado. Segundo o falecido teólogo Renato Groger, “há, no milagre efetuado em Caná (o primeiro do ministério público de Jesus), um significado teológico extraordinário ligado à morte do Salvador e à mudança por ela operada na vida daqueles que O aceitam. Assim, definitivamente, o vinho produzido pelo Senhor era um suco de uva de qualidade tão excepcional que impressionou o mestre-sala e chamou a atenção do público para o ministério do Senhor”.

O papa diz que “não se pode encerrar uma festa de casamento bebendo chá”. Pois eu já participei de muitas festas “regadas” a suco e a chá. E quer saber? São muito melhores do que aquelas nas quais se consome álcool. Nas festas sem álcool, as pessoas conversam umas com as outras de maneira clara. Elas se alegram de maneira genuína e não por causa de estados alterados de consciência.

Creio que o papa não foi feliz com a afirmação que fez, ainda que quisesse exaltar a importância da família. De qualquer forma, o vinho da uva não é pior que o vinho da prostituição mencionado em Apocalipse 18:3. Quem lê entenda. Mas tem que estar sóbrio para compreender...

Michelson Borges

quarta-feira, novembro 02, 2016

Vinho pode impedir doença incurável (só que não)

Propaganda enganosa e irresponsável
[O título original desta matéria é “Composto do vinho pode impedir doença incurável em mulheres”, mas basta você todo o texto para perceber que se trata de propaganda enganosa. Será que houve “financiamento” por parte dos produtores de vinho? – MB]

O vinho já foi ligado a incontáveis benefícios à saúde, desde a prevenção contra o câncer até a perda de peso. Agora, cientistas da Polônia e dos Estados Unidos descobriram que uma substância encontrada na bebida pode impedir que mulheres desenvolvam a síndrome do ovário policístico (SOP). A doença é conhecida por ser uma das principais causas de infertilidade entre mulheres. Ela se desenvolve quando os níveis de hormônios esteroides, como a testosterona, estão altos e causam a formação de cistos. Os sintomas mais comuns são ganho de peso, excesso de pelos no rosto, acne e até ausência do período menstrual. O estudo revelou que um composto natural do vinho tinto, chamado resveratrol, pode reduzir a quantidade desses hormônios no organismo. Essa substância, encontrada na casca de uvas e em nozes, é conhecida por ter propriedades anti-inflamatórias. [Portanto, não é própria do vinho, mas da uva.]

O estudo foi feito com 30 mulheres que tinham ovários policísticos. Elas foram divididas em dois grupos: um tomou suplementos que continham 1.500 miligramas de resveratrol e o outro recebeu pílulas de placebo. [Note que elas tomaram pílulas da substância contida na uva, não taças de vinho.] As participantes tomaram os comprimidos diariamente durante três meses e doaram amostras de sangue no início e no fim do estudo. Além disso, elas receberam um teste de tolerância à glicose para medir o risco de diabetes. Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Os níveis de testosterona das mulheres que tomaram o resveratrol caíram em 23,1%, enquanto aumentaram em 2,9% no caso das voluntárias que receberam placebo.

Os níveis de sulfato de dehidroepiandrosterona (DHEAS), outro hormônio que o corpo pode converter em testosterona, também tiveram um declínio de 22,2% no grupo das mulheres que tomaram o suplemento. Já as participantes que ganharam a pílula de placebo tiveram um aumento de 10,5% na quantidade de DHEAS em seu sangue.

Houve também uma redução no risco de diabetes entre as mulheres que tomaram o resveratrol. Elas se tornaram mais sensíveis à insulina, sendo que os níveis desse hormônio em seu sangue caíram 31,8%.

Essa não é a primeira vez que o resveratrol foi associado a benefícios para a saúde. Em 2006, um estudo publicado na renomada revista científica Nature revelou que a substância natural poderia estender a vida de ratos.

Apesar de interessantes, ambas as pesquisas não afirmam que uma taça de vinho por dia irá aumentar seu tempo de vida ou proteger as mulheres contra as doenças. Isso porque o resveratrol é encontrado em baixas quantidades na bebida. Para chegar a uma quantidade de duas pílulas de 250 miligramas da substância, seria preciso beber mais de mil garrafas de vinho tinto por dia. [E aí está a mentira deslavada: o vinho não faz bem, pelo contrário, por ser uma bebida alcoólica, faz mal. E é de uma irresponsabilidade sem tamanho induzir as mulheres a beber vinho como se fosse um “santo remédio”. O título até poderia ser: “Mais um artigo fajuto em defesa do vinho”]


Leia mais sobre a mentira do vinho aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, dezembro 15, 2016

Vinho branco pode causar câncer de pele

É melhor evitar
O consumo de álcool já foi relacionado a alguns benefícios, mas também a prejuízos para a saúde. Entre os riscos, o mais grave talvez seja o desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Agora, um estudo publicado recentemente no periódico científico Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention aponta para a associação entre a ingestão de bebida alcoólica, mesmo de forma moderada, e o aumento da probabilidade de um tipo inesperado de tumor: o melanoma – a forma mais mortal de câncer de pele. Em sua pesquisa, pesquisadores da Universidade Brown, nos Estados Unidos, concluíram também que o vinho branco tem maior impacto sobre o risco de melanoma, em comparação com outras bebidas como vinho tinto, cerveja ou licor. As informações são da rede americana CNN. Segundo os autores, cerca de 3,6% dos casos de câncer no mundo são associados ao álcool. Embora a relação entre a substância e alguns tipos de câncer, como os do trato digestivo, seja mais fácil de explicar, já que há um contato direto entre a bebida e o tecido da região, em outros, como o de mama e o de pele, as razões permanecem obscuras.

Eunyoung Cho, coautora do estudo, tem uma teoria. Segundo ela, o álcool possui um composto chamado acetaldeído, que pode danificar o DNA e evitar sua reparação em todo o corpo. “É um cancerígeno bem conhecido, de modo que poderia ser um mecanismo muito geral sobre como o álcool se relaciona com o câncer em outros locais.”, disse. 

No novo estudo, Eunyoung e seus colegas analisaram dados de três grandes estudos envolvendo 210.252 participantes. Todos forneciam informações sobre consumo de álcool, local de residência e histórico de saúde – incluindo detalhes sobre queimaduras solares e bronzeamento. Durante um período de acompanhamento de 18 anos, 1.374 pessoas (menos de 1% de todos os participantes) foram diagnosticadas com melanoma invasivo.

Os resultados mostraram que cada dose de álcool por dia (o equivalente a 12,8 gramas de álcool puro ou uma cerveja, uma taça de vinho ou um shot de licor forte) estava associada a um aumento de 14% no risco de melanoma. Quando os pesquisadores analisaram individualmente cada tipo de bebida, o vinho branco se destacou das demais. Cada taça da bebida por dia estava associada a um aumento de 13% na probabilidade de melanoma, enquanto outras formas de álcool não afetaram o risco de forma significativa estatisticamente.

Embora os autores não tenham se aprofundado no porquê disso, Eunyoung explica que pesquisas anteriores mostraram que o vinho tem níveis mais altos de acetaldeído em comparação com outras bebidas. Como o vinho tinto tem uma quantidade maior de antioxidantes, é provável que isso compense os riscos gerados pelo acetaldeído, ao contrário do vinho branco, que tem menos substâncias benéficas.

“Outras bebidas alcoólicas mostraram alguma correlação positiva, mas não alcançaram significância estatística. Por enquanto, eu diria que o álcool em geral está relacionado [ao melanoma], e eu gostaria de ressaltar que o vinho branco está particularmente associado a isso”, afirmou a autora.

Ao analisarem as taxas de melanoma em diferentes partes do corpo, os pesquisadores se depararam com outra surpresa. As pessoas que bebiam 20 gramas ou mais de álcool por dia (um pouco menos de duas doses) eram apenas 2% mais propensas a ser diagnosticadas com melanomas da cabeça, pescoço, braços ou pernas do que os não bebedores. Mas tinham um risco 73% maior de serem diagnosticados com melanomas do tronco – uma parte do corpo frequentemente coberta pela roupa.

“Há uma hipótese de que os melanomas em diferentes locais do corpo podem ter diferentes fatores de risco. Com base nesses resultados, eu poderia supor que esse tipo de câncer está menos relacionado à exposição solar e mais relacionado a um mecanismo biológico do álcool em prejudicar ou impedir o reparo do DNA”, disse Eunyoung.

(Veja)

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quinta-feira, maio 08, 2008

Desvendando o Apocalipse: a queda de Babilônia

Este grande acontecimento - a queda de Babilônia - ocupa lugar importante na profecia bíblica. Foram preditos mais de cem detalhes a respeito da queda da Babilônia literal. Muito antes que isso acontecesse, a Bíblia identificou os poderes que marchariam contra Babilônia, quem comandaria os exércitos, como a cidade seria tomada e quais as condições na cidade no tempo da invasão.

No capítulo 18, a profecia trata, em primeiro lugar, de um grande esforço para advertir o povo de Deus acerca da iminente queda da Babilônia espiritual. Em segundo lugar, o capítulo trata da condenação da “grande Babilônia” e do imenso espanto que isso causará aos que serão condenados com ela. Mas a Babilônia “mãe” não cairá sozinha. Suas filhas serão igualmente desmascaradas e destruídas.

Apocalipse 18:1: “Depois destas coisas vi descer do céu outro anjo que tinha grande autoridade, e a terra foi iluminada com o seu esplendor.”

Ao anjo é dada grande autoridade por causa da importância da sua mensagem. Este anjo anuncia uma poderosa obra religiosa de âmbito universal. É uma mensagem própria para o fim dos tempos, por duas razões:

1) o anúncio da queda da Babilônia e de sua condenação;

2) a iminência do derramamento das sete pragas descritas no capítulo 16.

A queda da Babilônia é um evento público. A fim de que Seu povo esteja preparado para essa tremenda crise que virá, Deus está enviando Sua última mensagem de misericórdia. Todo o mundo será iluminado com a luz dessa mensagem.

Apocalipse 18:2: “Ele clamou com poderosa voz: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e guarida de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e detestável.”

Por ocasião da mensagem do terceiro anjo, a “mãe” e suas filhas serão denunciadas como igrejas caídas. E o pior: como “morada de demônios e guarida (coito) de todo espírito imundo”. Seus ensinos são denunciados como resultantes da união espiritual (coito) com demônios e espíritos imundos. Se a pomba é o emblema do Espírito Santo, as aves imundas são emblemas da Babilônia espiritual.

Apocalipse 18:3: “Pois todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela, e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância da sua luxúria.”

Suas falsas doutrinas constituem o vinho da sua prostituição com o qual embriaga as nações da Terra. As falsas doutrinas são comparadas ao vinho porque entorpecem a mente e, assim, afetam a capacidade de discernir e de raciocinar de uma pessoa. Tal como o vinho, as falsas doutrinas retiram da pessoa sua capacidade de discernir o erro.

Não fosse pela ação danosa desse vinho que mantém as nações embriagadas, multidões seriam convencidas e convertidas pelas verdades claras contidas na Palavra de Deus. Mas o vinho da Babilônia é chamado de “vinho da ira”. Por quê? O vocábulo grego thumos significa ira, ódio, raiva. É uma raiva criada pelas falsas doutrinas. Assim, quando os reis da Terra bebem desse vinho são instigados pela cólera a irem contra os que não concordam com as heresias. Por isso, aquele que se nega a beber o vinho da Babilônia está marcado para pagar por sua ousadia.

Apocalipse 18:4: “Ouvi outra voz do céu dizer: Sai dela, povo Meu, para que não sejas participante dos seus pecados, para que não incorras nas suas pragas.”

Apocalipse 18:5: “pois os seus pecados se acumularam até o céu, e Deus Se lembrou das iniqüidades dela.”

A expressão “sai dela” é um imperativo, ou seja, uma ordem. Babilônia não pode ser reformada, de acordo com as Escrituras. Só há um remédio: separar-se completamente dela. Assim como Ló foi chamado para fora de Sodoma, antes que ela fosse destruída por fogo e enxofre (Gn 19:14-29), assim o povo de Deus é dirigido por uma voz que vem do Céu dizendo-lhe para sair de Babilônia, antes que ela caia.

Quando a velha Babilônia do rio Eufrates estava perto de ser destruída pelos juízos de Deus, o Senhor enviou a Seu povo (Israel), que nela ainda estava, um solene aviso e conselho: “Fugi do meio de Babilônia...” (Jr 51:6). Os juízos de Deus estão prestes a cair na forma das sete últimas pragas, e todos os que se recusarem a separar-se de Babilônia e de seus pecados serão destruídos com ela. Esta é a “voz do Céu” que ilumina toda a Terra: “Sai dela, povo Meu.”

Deus tem, e sempre teve, um povo em Babilônia. Mas a Sua mensagem tem iluminado toda a Terra através da “voz do Céu”. Porém, muitos que ficaram impressionados foram impedidos de compreender completamente a verdade, ou de lhe prestar obediência. Agora, os raios da luz penetram por toda a parte. A verdade pode ser vista em toda a sua clareza, e os sinceros filhos de Deus certamente se desvencilharão das amarras que os têm retido. Laços de família, relações na igreja, serão impotentes para detê-los. A verdade vale mais do que tudo.

Deus tem filhos honestos e sinceros em Babilônia que apenas não receberam o conhecimento da verdade. Estão servindo a Deus no erro. Os honestos que têm sido impedidos de ouvir a verdade acabarão por recebê-la.

Quando os que “não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade”, forem abandonados para que recebam a operação do erro e creiam na mentira (2Ts 2:10-12), a luz da verdade brilhará então sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la e os filhos do Senhor atenderão ao chamado: “Sai dela, povo Meu.”

Assim, quando as pragas começarem a cair, não restará um justo sequer em Babilônia, como não restou em Sodoma.

Ao ser a questão da obrigatoriedade da guarda do domingo amplamente divulgada, fazendo aproximar-se o fato há tanto tempo posto em dúvida, o apelo para a fuga de Babilônia produzirá um efeito que antes não seria possível produzir. Os que forem levados aos tribunais defenderão destemidamente a verdade de Deus e muitos dos que os ouvirem serão levados a guardar os mandamentos de Deus. Assim, a luz chegará a milhares que, de outra forma, nada saberiam dessas verdades.

A obediência à Palavra de Deus será considerada rebeldia. Pais exercerão sua autoridade sobre os filhos crentes; patrões serão severos com empregados fiéis a Deus. Aqueles que se recusarem a guardar o domingo serão presos. O que agora possa parecer muito improvável deixará de ser quando o Espírito Santo Se retirar da Terra.

Apocalipse 18:6: “Tornai a dar-lhe como ela vos tem dado; retribui-lhe em dobro conforme as suas obras. No cálice em que vos deu de beber, dai-lhe a ela em dobro.”

Apocalipse 18:7: “Quanto ela se glorificou, e em luxúria esteve, foi-lhe outro tanto de tormento e pranto. Diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e de modo algum verei o pranto.”

Ela se orgulha de não ser viúva sem poder e abandonada, mas de ser rainha soberana. Seu desejo é sempre reinar, reinar sobre todas as consciências. Orgulhosa, ela pensa que está assentada não somente em um lugar elevado, mas também seguro. Tem grande capacidade de comando sobre muita gente.

Apocalipse 18:8: “Portanto, num mesmo dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome. Será queimada no fogo, pois forte é o Senhor Deus que a julga.”

Trata-se aqui de um dia profético, ou um ano literal. Logo, Babilônia terá um ano cheio de vingança do Céu.

Apocalipse 18:9: “Os reis da terra, que com ela se prostituíram e viveram em luxúria, sobre ela chorarão e prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio.”

Apocalipse 18:10: “E estando de longe pelo temor do tormento dela, dirão: Ai! ai da grande cidade, Babilônia, a cidade forte! Numa só hora veio o teu juízo.”

Os reis se lamentarão não por causa dos seus pecados, mas por causa do seu sofrimento, das consequêncais. Como Caim, eles não ficam tristes por seus pecados, mas apenas pelo castigo. Derramam muitas lágrimas por causa de suas perdas.

Apocalipse 18:11: “E, sobre ela, choram e lamentam os mercadores da terra, porque ninguém mais compra a sua mercadoria,”

Apocalipse 18:12: “mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda e escarlate; todo tipo de madeira odorífera, e todo objeto de marfim, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore,”

Apocalipse 18:13: “e canela, especiarias, perfume, mirra e incenso; e vinho, azeite, flor de farinha e trigo; e gado, ovelhas, cavalos e carros; e escravos, e até almas de homens.”

Apocalipse 18:14: “O fruto que a tua alma cobiçava foi-se de ti. Todas as coisas delicadas e suntuosas foram-se de ti, e não mais as acharás.”

Apocalipse 18:15: “Os mercadores destas coisas, que com elas se enriqueceram, ficarão de longe, pelo temor do tormento dela, chorando e lamentando.”

Os mercadores se lamentam por perderem mercadorias. Lamentam as perdas materiais. Entre as coisas que deixam de negociar encontram-se “até almas de homens”. Isso lembra o seu comércio com os cadáveres dos mortos nas chamadas “encomendas dos corpos” e missas de sétimo dia. Perdões, missas e indulgências enriqueceram a muitos.

Apocalipse 18:16: “Ai, ai da grande cidade, da que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlate, e adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas! Numa só hora foram assoladas tantas riquezas!”

Apocalipse 18:17: “Todo piloto, e todo aquele que navega de navio, os marinheiros, e quantos negociam no mar, se puseram de longe.”

Apocalipse 18:18: “E, contemplando a fumaça do seu incêndio, clamavam: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?”

Apocalipse 18:19: “E lançavam pó sobre as suas cabeças, e clamavam, chorando e lamentando: Ai, ai da grande cidade, na qual todos os que tinham navios no mar se enriqueceram à custa da sua opulência! Numa só hora foi assolada.”

Se há algo que arranca um sincero grito de angústia das pessoas da nossa geração é tocar em seus bens materiais. Todos esses símbolos referentes aos reis da Terra, aos mercadores e aos navegadores ligados a Babilônia, são força de expressão profética para demonstrar a total destruição de Babilônia e revelar que todos aqueles que a apoiaram e a ajudaram a difundir seus erros nada poderão fazer para salvá-la dos juízos de Deus; pois estes mesmos perecerão para sempre junto com ela.

Apocalipse 18:20: “Exulta sobre ela, ó céu! E vós, santos e apóstolos e profetas! Deus contra ela vindicou a vossa causa.”

Enquanto na Terra os súditos de Babilônia hão de lamentar sua queda e destruição, os céus se alegrarão pelo seu desaparecimento. A destruição da Babilônia espiritual será motivo de grande alegria para o povo de Deus, tal como ocorreu com a destruição de Babilônia, no tempo de Israel.

Apocalipse 18:21: “Então um forte anjo levantou uma pedra qual uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada.”

Afundar uma enorme pedra no mar, antigamente, era símbolo de eterna destruição. Disse o profeta Jeremias: “Em tu chegando a Babilônia, verás e lerás todas estas palavras. E dirás: Senhor! Tu falaste a respeito deste lugar, que o havias de desarraigar, até não ficar nele morador algum, desde o homem até ao animal, mas que se tornaria em perpétuas assolações. E será que, acabando tu de ler este livro, o atarás a uma pedra e o lançarás no meio do Eufrates. E dirás: Assim será afundada Babilônia, e não se levantará” (Jr 51:60-64).

Apocalipse 18:22: “E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins, nem artífice de arte alguma se achará mais em ti. Em ti não mais se ouvirá ruído de mó.”

Apocalipse 18:23: “A luz de candeia não mais brilhará em ti. A voz de noivo e de noiva não mais em ti se ouvirá. Os teus mercadores eram os grandes da terra. Todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias.”

Apocalipse 18:24: “E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.”

A destruição de Babilônia será completa. Será um retrato tremendo das cenas finais introdutórias do futuro reino de glória. A Terra será finalmente coberta pelo pleno conhecimento da salvação e a luz da verdade brilhará para sempre. A promessa é que “o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos rei; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com Ele” (Ap 17:14)

(Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

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Desvendando o Apocalipse: a Grande Babilônia

Mulher em profecia significa igreja. O capítulo 12 de Apocalipse apresenta uma mulher cujos símbolos que a representam não deixam dúvidas quanto a ser a verdadeira igreja de Deus. Mas neste capítulo, o 17, outra mulher é apresentada. Uma mulher “vestida de púrpura e de escarlate, e adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas”. Uma mulher que tem em sua mão “um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição”. Uma mulher com a qual “se prostituíram os reis da Terra”; que embebeda os habitantes da Terra “com o vinho da sua prostituição”; que “está embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus”. Uma mulher denominada de “a grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra”. Enfim, uma mulher “montada numa besta escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmias, e que tinha sete cabeças e dez chifres”. A profecia não deixa dúvidas de que essa mulher é a igreja de Roma.

Apocalipse 17:1: “Veio um dos sete anjos que tinham as sete taças e me disse: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está assentada sobre muitas águas.”

O apóstolo João descreve a cena em que um anjo se aproxima e o leva a uma visão da condenação da “grande prostituta” – assim é declarada essa igreja porque foi infiel ao Senhor Jesus Cristo. Adulterou, tornando-se amante da idolatria.

Apocalipse 17:2: “Com ela se prostituíram os reis da terra, e os que habitam na terra se embebedaram com o vinho da sua prostituição,”

Essa tem sido a história da igreja de Roma, desde o quarto século até nossos dias. Deixou de ser uma igreja para ser um Estado em meio aos Estados do mundo. Sua influência entre os governos da Terra, com raras exceções, é a mais poderosa de todas as influências humanas.

E, como igreja, não está ligada ao Estado por afinidades espirituais, mas por finalidades políticas, isto é, para fazer do Estado um instrumento de sua política sob o véu da religião.

Uma pessoa embriagada tem a mente entorpecida pela ação do álcool. Perde-se a razão e o domínio próprio, e a mente se torna totalmente indefesa.

Mas o que é, afinal, o “vinho da sua prostituição?” Sabemos que a “mulher” aqui é a igreja que se prostituiu por abandonar a verdade de Cristo. Portanto, é o seu corpo de falsas doutrinas que constitui o “vinho da sua prostituição”, com o qual “os habitantes da Terra se embebedaram”.

Embriagadas com o vinho servido pela “grande prostituta”, as multidões da Terra não podem entender as verdades do evangelho. A mente está embotada pelo vinho dos enganos da “grande Babilônia” e, por mais clara que seja a verdade de Cristo, seus olhos e ouvidos não podem vê-la e aceitá-la.

Apocalipse 17:3: “Então o anjo me levou em espírito a um deserto, e vi uma mulher montada numa besta escarlate, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e que tinha sete cabeças e dez chifres.”

A mulher santa do capítulo 12, que representa a igreja de Cristo, foi vista nas alturas dos Céus. A mulher deste capítulo 17, a “grande prostituta”, fora vista no deserto, lugar da habitação dos demônios.

A besta de cor escarlate sobre a qual a mulher está montada tem todas as características do dragão vermelho do capítulo 12 e muita semelhança com a besta do capítulo 13. O dragão, diz a profecia, é Satanás no controle do Império Romano, sendo também Roma-pagã. A besta do capítulo 13, que recebera o poder do dragão, é Roma papal, sucessora de Roma pagã. Assim podemos ter uma idéia da besta sobre a qual a igreja de Roma fora vista “montada”.

Blasfêmias são palavras que ofendem a Deus. A besta sobre a qual a mulher está montada age dessta forma. Proclamar-se intermediário entre o povo e Deus e afirmar que pode perdoar pecados são algumas das blasfêmias cometidas por essa igreja prostituta.

Apocalipse 17:4: “A mulher estava vestida de púrpura e de escarlate, e adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas. Tinha na mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição.”

Há mais de dois mil anos, João descreveu exatamente as cores das roupas usadas pelos líderes dessa Igreja. Púrpura e escarlate são as cores predominantes na indumentária dos cardeais da igreja de Roma. Os adornos de “ouro, pedras preciosas e pérolas” mostram a riqueza dessa igreja milenar. Cumprem-se, um a um, os detalhes da profecia.

A igreja que se arroga ser depositária da verdade serve em taça de ouro abominações e imundícias resultantes da sua prostituição.

Apocalipse 17:5: “E na sua testa estava escrito: Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e das abominações da terra.”

A testa é a sede da razão e da consciência. Isso significa que a liderança da igreja de Roma tem plena consciência do que a profecia diz a seu respeito. O apóstolo Paulo se referiu ao “mistério” da grande Babilônia, denominando-o de “mistério da injustiça” (2Ts 2:7).

Não era um mistério Roma pagã perseguir a igreja cristã. Mas uma igreja que se dizia cristã embriagar-se “do sangue dos santos e do sangue das testemunhas de Jesus”, isso é verdadeiramente um mistério.

Comparando a igreja de Roma com a antiga Babilônia, a revelação faz uma drástica denúncia ao responsabilizá-la pela corrupção da fé cristã. A antiga Babilônia é reconhecida por dominar as consciências humanas, impondo a idolatria e uma religião que tinha por fundamento a salvação pelas obras ao invés da salvação pela fé instituída no plano de Deus. Desse modo, Roma é a Babilônia do Apocalipse.

Quem são essas “prostitutas” das quais a igreja de Roma é a mãe? As filhas são as igrejas protestantes que com ela comungam em muitos pontos de doutrinas. Babilônia mãe e suas filhas são acusadas de provocar a confusão reinante no seio do cristianismo com suas centenas de denominações e falsas doutrinas.

Apocalipse 17:6: “Vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. Quando a vi, admirei-me com grande espanto.”

Na Inquisição, os seguidores fiéis da Palavra de Deus foram perseguidos e assassinados. Cada detalhe da profecia é comprometedor contra a igreja de Roma. A revelação de Deus denuncia essa instituição como anticristã.

Apocalipse 17:7: “Então o anjo me disse: Por que te admiras? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a leva, a qual tem sete cabeças e dez chifres.”

Por que João ficou admirado? Certamente não era em face da perseguição ao povo de Deus, afinal, ele havia testemunhado a feroz perseguição do poder romano contra Jesus. Mas essa perseguição vinha da Roma pagã, inimiga declarada de Cristo. Agora ele via uma igreja nominalmente cristã perseguindo cristãos verdadeiros.

Apocalipse 17:8: “A besta que viste era e já não é, e subirá do abismo, e irá à sua destruição. Os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá [agora é].”

Aparentemente, esse texto pode parecer um tanto confuso, mas existe uma explicação lógica para o verso. Nunca é sábio ser dogmático quando se estudam profecias não cumpridas. Um princípio bíblico é claro: Jesus disse: "Disse-vos agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós creiais (Jo 14:29).

Os acontecimentos, quando acontecerem, sem dúvida esclarecerão muitas dessas passagens difíceis. Alguns estudiosos sustentam que se pode dizer que a besta, ou poder político do papado, era de 538 a 1798; já não era de 1798 a 1929; mas que virá.

A mulher representa o poder eclesiástico; a besta, o poder político. Nesse símbolo, encontramos completa união entre igreja e Estado, e todos cujos nomes “não estão escritos no livro da vida” ficam admirados ao testemunhar o surgimento e influência desse tremendo poder político-religioso descrito como “a besta que era, e que já não é, mas que virá”.

Apocalipse 17:9: “Aqui é necessário a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada.”

A Bíblia revela o local ou sede da igreja prostituta: Roma, a cidade edificada sobre sete montes, chamada de “a cidade das sete colinas”, denominadas: Aventino, Palatino, Quirinal, Viminal, Ceoli, Janículo e Esquilino. Assim, em primeiro plano, as sete cabeças apontam para a cidade de Roma.

Apocalipse 17:10: “São também sete reis. Cinco já caíram, um existe, o outro ainda não é chegado. Quando vier, convém que dure um pouco de tempo.”

Em segundo plano, as sete cabeças da besta “são também sete reis”. Ao tempo em que esta profecia teve sua especial aplicação, cinco das sete cabeças da besta já haviam “caído”. Embora possa não ser sábio mostrar-se dogmático sobre a identificação dessas cabeças, é significativo que há sete diferentes e distintos poderes introduzidos nas Escrituras pelos símbolos proféticos. Eles estão claramente indicados: Babilônia (o leão, Dn 7:4); Pérsia (o urso, Dn 7:5); Grécia, o leopardo, Dn 7:6); Roma pagã (a besta com dez chifres, Dn 7:7); Roma papal, ou eclesiástica (a besta com sete cabeças de Ap 13 e também a ponta pequena de Dn 7:8; Ap 13:2, 5); Democracia ou os EUA (a besta com dois chifres que fará uma imagem à besta, Ap 13:11-14) e a última grande confederação do mal (a besta escarlate, Ap 17:3).

Apocalipse 17:11: “A besta que era e já não é, é o oitavo rei. Pertence aos sete, e vai à sua destruição.”

O poder romano é um só, quer na fórmula pagã quer na papal; a besta é um único poder e suas sete cabeças a representam em toda a sua história. Desse modo, o poder revitalizado do papado é a sétima das sete cabeças da besta. E quando, por um breve tempo, a besta e o falso profeta unirem seus poderes, constituirão o “oitavo rei”.

Apocalipse 17:12: “Os dez chifres que viste são dez reis que ainda não receberam o reino, mas receberão a autoridade, como reis, por uma hora, juntamente com a besta.”

Apocalipse 17:13: “Estes têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta.”

Esses assim chamados reis têm um mesmo intento, e entregarão o seu poder e autoridade à besta. Essa grande nova confederação de poder político e eclesiástico tem pouca duração (cerca de uma hora profética). Isaías 8:9-15 fala a respeito de uma confederação que existirá nos últimos dias, a qual equivale à declaração acerca de dez reis com apenas um propósito. Apocalipse 16:13 e 14 fala acerca de três espíritos imundos que reúnem os reis do mundo inteiro para a batalha do Armagedom.

Apocalipse 17:14: “Guerrearão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com Ele, chamados eleitos e fiéis.”

Apocalipse 17:15: “Então o anjo me disse: As águas que viste, onde se assenta a prostituta, são povos, multidões, nações e línguas.”

Apocalipse 17:16: “A besta e os dez chifres que viste são os que odiarão a prostituta, e a tornarão desolada e nua, e comerão as suas carnes, e a queimarão no fogo.”

Um dia, os que foram enganados pelos falsos mestres religiosos terão um triste despertar, e se voltarão contra os que os ludibriaram. Eles ficarão furiosos pela maneira errônea com que foram orientados, e deixarão de apoiar a igreja de Roma.

Apocalipse 17:17: “Pois Deus lhes pôs no coração o realizarem o intento dele, concordando dar à besta o poder de reinar, até que se cumpram as palavras de Deus.”

Apocalipse 17:18: “A mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra.”

Alguma forma de religião apostatada sempre tem sido usada pelo inimigo para manipular o poder civil, tentando atrapalhar os planos de Deus e criando dificuldade para Seu povo. Durante os tempos modernos o povo de Deus tem tido descanso de perseguições governamentais.

Em breve a ferida mortal estará curada e a besta vai recobrar seu poder e o mundo todo a seguirá. O falso profeta começará a falar como dragão e todos os outros eventos acontecerão sucessivamente.

Nenhum filho fiel à Palavra de Deus será pego de surpresa, muito pelo contrário, o cumprimento das profecias bíblicas irá mais uma vez confirmar a fé em Jesus e em Seu breve e certo retorno.

(Texto da Jornalista Graciela Érika Rodrigues, inspirado na palestra do advogado Mauro Braga.)

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domingo, setembro 28, 2008

Benefícios do vinho estão presentes no suco de uva

A alegação: suco de uva tem os mesmos benefícios que o vinho tinto. Os fatos: a essa altura, os benefícios cardiovasculares do consumo diário de um cálice de vinho tinto já são bem conhecidos. Mas muitos abstêmios imaginam se não seria possível colher as mesmas recompensas com o parente não fermentado do vinho, ou se esse é um benefício de saúde do qual estão excluídos. O suco de uva pode não ser muito embriagador, mas ainda assim permite um brinde à boa saúde, no que tange à sua capacidade de prevenir doenças cardíacas. O álcool, consumido em doses moderadas [muitos alcoólicos começaram com "doses moderadas"...], pode relaxar os vasos sangüíneos e elevar os níveis de HL, o "bom colesterol". Mas as substâncias vistas como responsáveis por boa parte dos benefícios do vinho tinto - o resveratrol e os flavonóides - também existem no suco de uva, especialmente a variedade produzida com uvas Concord, vermelhas escuras.

Estudos independentes constataram que, como o álcool, o suco de uva pode ajudar a reduzir o risco de coágulos sangüíneos e prevenir o LDL, ou "mau colesterol" de aderir às artérias coronárias, entre outros benefícios cardíacos.

Um dos estudos, conduzido por cientistas da Universidade de Wisconsin e publicado pela revista Circulation, estuda os efeitos de duas doses diárias de suco de uvas Concord sobre 15 pessoas portadoras de doenças cardíacas coronárias. Depois de duas semanas, os participantes tinham fluxo sangüíneo melhor e oxidação reduzida do LDL. O LDL oxidado pode danificar as artérias.

Outros estudos conduzidos com seres humanos e animais, entre os quais uma pesquisa de um ano reportada em artigo na revista Atherosclerosis, demonstraram que o consumo diário pode reduzir a pressão arterial e os níveis de colesterol. Mas atenção: algumas variantes de suco têm açúcar e ingredientes artificiais.

Em resumo: os estudos sugerem que alguns tipos de suco de uva podem oferecer os mesmos benefícios cardíacos do vinho tinto [e melhor: sem os riscos e malefícios do álccol].

(Terra)

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Novas pesquisas: vinho tinto não faz bem para a saúde

Perigo glamourizado
Beber vinho tinto regularmente é ruim para a saúde, de acordo com novas diretrizes oficiais. O vinho tinto tem sido aclamado por seus supostos benefícios para a saúde, incluindo prevenção do câncer e doenças cardíacas e até na queima de gordura. Mas na primeira atualização de diretrizes sobre álcool no Reino Unido em 20 anos, especialistas estão advertindo claramente que nenhum nível de consumo regular é isento de riscos. Em 1995, a diretriz disse que beber pequenas quantidades de álcool, especialmente vinho tinto, poderia reduzir doenças do coração para homens com mais de 40 anos e mulheres pós-menopáusicas. No entanto, as novas disposições, divulgadas na sexta-feira pela diretora médica Sally Davies, afirmam que “a evidência que sustenta efeitos protetores agora é mais fraca do que era na época do relatório de 1995”. Ela diz:

Levando isso em conta, junto com todos os riscos agudos e crônicos conhecidos para a saúde por conta do consumo de bebida, mesmo em níveis baixos, confirma-se a conclusão do grupo de que não há justificativa para a recomendação de beber por motivos de saúde, nem para começar a beber por razões de saúde.

O relatório concluiu que qualquer benefício do álcool na saúde do coração só é relevante para mulheres com pelo menos 55 anos.

De modo geral, as novas diretrizes não são boas notícias para aqueles que gostam de beber. Aqui está o que elas dizem:

– Não beba mais de 14 unidades por semana – tanto homens quanto mulheres. Anteriormente, homens foram aconselhados a não beber mais de 21 unidades.
– Passe vários dias sem beber em uma semana.
– Se você estiver grávida ou planejando uma gravidez, não beba de jeito nenhum. A diretriz anterior sugeria que era seguro beber até quatro unidades por semana.
– Não exagere na bebida – você vai “aumentar o risco de morte por doenças crônicas e acidentes e lesões”.
– Se quiser limitar os riscos para a saúde em relação a uma única sessão de bebida, você deve beber mais devagar, alternar as bebidas com água, evitar “lugares e atividades de risco” – e consumir menos álcool. [Na verdade, pra que arriscar?]
– O risco de desenvolver câncer aumenta com qualquer quantidade consumida regularmente.
– Uma unidade é equivalente a aproximadamente metade de um copo de 175 ml de vinho ou 250 ml de cerveja.

Naveed Sattar, professor de medicina metabólica da Universidade de Glasgow, disse que muitas pessoas haviam sido “seduzidas a beber mais do que deveriam, na crença de que o álcool as protegia de doenças do coração”. Ele acrescentou: “Essa ‘proteção’ aparente agora é uma questão em aberto e, com a outra evidência demonstrando que até mesmo pequenas quantidades aumentam outros riscos para a saúde, incluindo, mas não limitando, o ganho de peso e câncer. Está claro que quanto menos álcool bebido, melhor.” [Nenhum, ótimo!]

John Holmes, pesquisador sênior da Universidade de Sheffield, disse que os chamados benefícios do álcool para a saúde podem ter sido “substancialmente superestimados”. Ele disse que qualquer dessas vantagens era “pequena, associada com níveis muito baixos de consumo de álcool, e que mesmo que fossem verdadeiras, provavelmente só beneficiariam grupos específicos da população”.

A instituição de caridade Alcohol Research disse que as novas diretrizes assumiram uma “visão conservadora” dos possíveis benefícios da bebida. James Nicholls, diretor de pesquisa e desenvolvimento de políticas, disse: “Essa questão ainda não está esclarecida na pesquisa e não há muitos detalhes sobre como se chegou à alegação de que beber moderadamente reduz apenas o risco de doenças cardíacas entre mulheres com mais de 55 anos. No entanto, as diretrizes refletem o fato de que qualquer efeito protetor pode ser cancelado por beber demais – até mesmo em uma única ocasião – e que os possíveis efeitos protetores entre os mais velhos precisam ser balanceados em relação à nova evidência sobre os riscos de câncer, que está distribuído mais amplamente em toda a população.”


Nota: Mais uma vez pesquisas vêm ao encontro do que a Bíblia já ensinava há milênios. Quantas pessoas foram enganadas por uma falsa propaganda (certamente muito conveniente para os produtores de bebidas), achando que estavam ganhando, quando, na verdade, estavam perdendo. Quando o ser humano perceberá que o estilo de vida recomendado pelo Criador é, sem sombra de dúvida, o melhor para as criaturas? Deus nos ensinou o que devemos comer, como devemos nos relacionar e nos comportar, enfim, Ele, que nos criou, quer nos ensinar a viver. Somos livres para escolher nosso caminho, mas deveríamos levar em consideração os conselhos divinos que dia após dia vêm sendo corroborados pelas pesquisas científicas. [MB]

quinta-feira, maio 21, 2015

Álcool: um pouco por dia também faz mal

Os médicos que fizeram o experimento
Há pesquisas que dizem que tomar um pouco de vinho por dia faz até bem para a saúde. Outras afirmam que fazer uma pausa de 48 horas após uma bebedeira ajuda seu corpo a se recuperar. E há quem acredite que beber só aos fins de semana não faz mal a ninguém. Diante de tantas informações desencontradas, os irmão gêmeos Chris e Alexander Van Rulleken, que são médicos, resolveram tirar essa história a limpo e fazer um experimento científico para descobrir o que é pior para a saúde: tomar um porre uma vez por semana ou beber socialmente todo dia? Os dois tomavam a mesma quantidade de bebida por semana, mas com uma diferença. Todos os sábados durante um mês, Chris tinha como companhia muitos copos – e garrafas – de vodca, vinho e cerveja. Já Alexander passou o mês bebendo socialmente, um pouco por dia. Os dois já haviam feito uma experiência semelhante, para medir os efeitos do açúcar e da gordura na saúde.

Durante esses 30 dias, ambos foram monitorados de perto, com testes que iam de simples bafômetros a exames detalhados sobre toxinas na corrente sanguínea. A experiência dos gêmeos – e a conclusão a que se chegou – foi transformada em uma edição especial do programa da BBC Horizon, com o título “Is binge drinking really that bad?” (Bebedeiras fazem mesmo tão mal?), que foi ao ar nesta quarta-feira.

Antes de começar o teste, Alexander disse que estava empolgado, porque, em última instância, estava sendo pago para ficar bêbado. “Mas foi horrível”, disse. Chris também relatou sua frustração: “Eu admito que consumir álcool pode ser algo envolvente. Mas não dessa vez.”

Os dois ficaram um mês sem beber uma gota de álcool, para começarem de igual para igual. Em seguida, foram submetidos a uma bateria de testes médicos, a começar com um exame de fígado. “Enquanto eu esperava o resultado, fiquei apreensivo, lembrando de todos os litros de cerveja e vinho que eu já havia tomado na vida”, afirmou Chris. “Mas, surpreendentemente, depois de um mês de abstinência total de álcool, meu fígado e o do meu irmão estavam em ótimo estado. Passamos no teste com louvor. Mas estão começou a bebedeira...”

Chris conta que ficou feliz com sua “missão” de tomar uma taça grande de vinho (250 ml), todas as noites. Isso equivale a três unidades por dia, ou 21 por semana. “Confesso que, no saldo final, isso é menos do que eu bebo normalmente. Mas a diferença é que nunca havia bebido tão frequentemente, sem nenhum dia de folga.”

Alexander também não reclamou, já que achava que a bebedeira de sábado (incluindo as 21 unidades de bebida de uma só vez) teria como consequência apenas uma ressaca no domingo, mas que ele ficaria bem no restante da semana. No primeiro sábado, ele optou por tomar vodca, acreditando que seria mais rápido tomar 21 doses do destilado do que de outra bebida. “Até certo ponto, eu estava me divertindo ao ver o Alexander ficar cada vez mais incoerente. Mas quando eu comecei a pensar no que o álcool estava fazendo com o cérebro, o fígado e o coração dele, não foi nada engraçado”, conta Chris. “Eu tive de fazer o papel do irmão responsável e até colocá-lo para dormir, porque ele ficou imprestável.” Alexander contou que não se lembra de nada nas últimas duas horas da bebedeira e que ficou feliz que a equipe de filmagem só chegou em sua casa no fim da manhã seguinte.

Os exames mostraram que Alexander, apesar de ter se recuperado rápido da ressaca, realmente ficou em uma situação arriscada durante a bebedeira. O nível de álcool em seu sangue era alto o suficiente para, de acordo com pesquisadores, colocá-lo em risco de morte. Já Chris disse que a princípio se irritou um pouco quando sua taça esvaziava e ele ainda queria beber um pouco mais de vinho. “Mas percebi que eu comecei a não render tanto no trabalho”, conta o médico, que é infectologista, dizendo que passou então a espalhar suas três unidades de bebida no decorrer do dia.

Após um mês, os irmãos contam que ambos ficaram chocados com os resultados de seus exames. Aliás, até mesmo os hepatologistas que os acompanharam ficaram surpresos. Eles já sabiam que as bebedeiras de Alexander iam prejudicar sua saúde, mas não esperavam que seus efeitos no corpo perdurassem por tantos dias, o que significava que ele nunca se recuperava totalmente entre um sábado e outro. “Mas até mais surpreendente do que isso foram os meus resultados, que foram quase tão ruins quando os de Alexander. Ficamos chocados”, conta Chris.

“Mas e agora? Noites com ou sem bebedeiras? Bem, nós aprendemos duas coisas após essa experiência. A primeira é que as recomendações atuais de três ou quatro unidades por dia não me fizeram nada bem”, disse o médico. Ele acha ótimo que o governo britânico esteja atualmente revisando essas sugestões e deve anunciar novos parâmetros em poucos meses. “A segunda lição é que nosso fígado pode voltar à forma atual, mas precisa de muito mais tempo para se recuperar. Isso ficou tão claro que os médicos que conduziram nossos testes agora vão fazer um estudo clínico aprofundado sobre isso.”

quarta-feira, maio 14, 2014

Estudo questiona benefícios do vinho e do chocolate

Sem vantagem e com o risco do álcool
Uma pesquisa divulgada na segunda-feira não encontrou provas de que o resveratrol, antioxidante polifenol presente no vinho tinto e no chocolate, faz bem ao coração e diminui processos inflamatórios no organismo. O estudo contraria uma série de trabalhos que atribui ao chocolate e ao vinho efeitos positivos à saúde. Os cientistas começaram a pesquisa questionando o chamado “paradoxo francês”, segundo o qual uma dieta rica em colesterol e gordura saturada não necessariamente leva a problemas no coração. Segundo o “paradoxo francês”, os malefícios da gordura seriam compensados pelo consumo regular de vinho tinto, bebida rica em resveratrol e outros polifenóis que, afirmam vários estudos, protegem o coração e combatem os radicais livres.

A pesquisa foi realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, entre de 1998 a 2009. Participaram do estudo 783 homens e mulheres com 65 anos ou mais, moradores de duas cidades da Toscana, na Itália. A escolha da região foi proposital, já que o consumo regular de vinho é comum nas cidades toscanas, de modo que não seria necessário mudar a dieta dos voluntários.

No começo do estudo, os cientistas mediram a quantidade de resveratrol presente na urina dos participantes. Os voluntários foram, então, divididos em quatro grupos, de acordo com a quantidade do antioxidante nas amostras de urina.

Ao longo da pesquisa, 268 participantes morreram, 174 tiveram alguma doença cardiovascular e 34 foram diagnosticados com câncer. Segundo os pesquisadores, a incidência das moléstias foi igual entre pessoas com mais ou menos resveratrol no organismo. “A ideia usual é de que certos alimentos são bons para a saúde porque contêm resveratrol. Nosso estudo não confirmou essa afirmação”, disse Richard D. Semba, coautor da pesquisa publicada no periódico Jama Internal Medicine. 

(Veja)

Nota: Há pesquisas para todo tipo de "gosto" e muitas delas são sorrateiramente discretamente encomendadas e servem a grandes interesses comerciais. Deve haver muito empresário indignado com essa pesquisa da conceituada Universidade Johns Hopkins (pesquisa que durou dez anos). O álcool já foi apontado como benéfico à saúde; a maconha e a carne também; e até o cigarro houve quem tentasse inocentá-lo. Para depois isso ser desmentido com pesquisas mais apuradas ou não atreladas a interesses da indústria. Quando as pesquisas vão de encontro à revelação de Deus expressa em Sua Palavra, prefiro ficar com a revelação. Em minha vida, essa escolha tem se mostrado acertada há duas décadas. E na história da humanidade, desde sempre. [MB]

quarta-feira, setembro 11, 2013

Mito ou realidade: vinho tinto faz bem à saúde?

Há alguns anos se divulga que uma dose moderada de vinho tinto todos os dias faz bem à saúde. Não só para combater o câncer, mas também para reduzir o colesterol e evitar coágulos nos vasos sanguíneos. Mas estudos recentes questionam as evidências desses benefícios e apontam que eles podem estar restritos a vinhos caseiros ou fabricados seguindo um modo de produção tradicional. Embora os cientistas concordem que o consumo moderado de vinho tinto possa ajudar a proteger o coração, reduzir o colesterol “ruim” e prevenir o entupimento das veias e artérias [benefícios do suco puro da uva, na verdade], há divergências sobre o que está por trás desses benefícios. Recentemente, um grupo de cientistas tentou descobrir por que o vinho tinto caseiro feito no Uruguai é tão saudável e chegou a sequenciar o código genético da uva Tannat, usado na produção do vinho. Os especialistas identificaram uma alta quantidade de procianidina, uma classe de flavonoide, compostos químicos encontrados em frutas, vegetais, chás, cereais, cacau e soja com benefícios antioxidantes e para prevenção ao câncer que vêm sendo estudados há anos.  [Continue lendo e veja como as novas pesquisas corroboram o que a Revelação já diz há um bom tempo.]

quinta-feira, setembro 13, 2012

Álcool inibe os benefícios do vinho tinto

Os polifenóis são encontrados nas uvas e agem contra o envelhecimento do organismo. A substância reduz a oxidação de outras moléculas, diminuindo, por exemplo, a proporção de radicais livres. Mas o estudo espanhol mostrou que a ação dos polifenóis do vinho é diminuída por causa do álcool. 67 voluntários beberam vinho e suco de uva, alternadamente. O suco foi associado com a redução da pressão arterial, com uma chance 14% menor de infarto e 20% menor de AVC. Os mesmos benefícios não foram observados com o vinho. Para quem procura benefícios para o coração, os cientistas recomendam o consumo de suco de uva. O estudo completo pode ser visto no site da revista Circulation Research.


Nota: Dificilmente a grande imprensa vai falar mal do vinho, como também não falará mal do café, que são responsáveis por grossas verbas publicitárias. Mas os fatos e as pesquisas estão aí para mostrar, mais uma vez, que o projeto original de Deus para Suas criaturas é sempre o melhor. Nesse caso, bebidas ideais para o ser humano são a água e os sucos naturais. O resto é por sua conta e risco.[MB]

terça-feira, junho 05, 2012

Um Livro antigo e os anões

“Sam, poderia nos contar a parábola do bom samaritano?”, perguntou o pastor responsável por entrevistar o jovem que desejava se tornar ministro. Sam começou a contá-la: “Um homem estava viajando de Jerusalém para Jericó e ele caiu no meio dos espinheiros. Aconteceu que ele perdeu o dinheiro. Então, ele se dirigiu à rainha de Sabá, e ela lhe deu mil talentos de ouro e uma centena de vestes. O homem tomou uma carruagem e dirigiu ferozmente. Enquanto ele dirigia, seu cabelo ficou preso numa árvore. Ele ficou pendurado lá muitos dias e os corvos trouxeram comida para ele comer e água para beber. Mais tarde, quando novamente estava faminto, ele comeu cinco pães e dois pequenos peixes. E uma noite, enquanto ele estava dormindo, pendurado ali, sua esposa Dalila veio e cortou seu cabelo, e ele caiu em um solo pedregoso. Nisso, começou a chover por quarenta dias e quarenta noites, até que ele entrou numa caverna e sobreviveu comendo gafanhotos e mel silvestre. Então, ele encontrou um servo de Deus que disse: ‘Venha jantar em minha casa’, mas ele começou a dar desculpas e respondeu: ‘Não, eu não vou. Casei-me com uma mulher e não posso ir.’ Após ter sido pressionado pelo servo de Deus, ele foi. Logo depois do jantar, ele se dirigiu para Jericó. Chegando lá, ele viu a rainha Jezabel sentada numa janela, no alto. Ela riu desse homem o que o fez ordenar: ‘Joguem essa mulher para baixo.’ Eles a jogaram. O homem novamente disse: ‘Joguem-na para baixo.’ E eles a jogaram de novo, setenta vezes sete. Os restos que sobraram encheram doze cestas. Então eles lhe perguntaram: ‘Na ressurreição, de quem ela será esposa?’”

Apesar de criativa, essa não é a parábola do bom samaritano. Conhecimento superficial da Bíblia não era exatamente o problema desse jovem. Compreendê-la de maneira sensata e lógica era sua maior necessidade. Foi mais ou menos assim que imaginei os autores Alexandre Versignassi e Tiago Cordeiro, na matéria “A Bíblia como você nunca leu”, publicada na revista Superinteressante (junho de 2012). Sensatez e seriedade – e eu acrescentaria uma pitada de honestidade com os fatos ­– foi o que de fato não encontrei ao longo das páginas dessa reportagem.

Isolar um texto do seu contexto literário e histórico é algo no mínimo perigoso e irresponsável. O respeitado arqueólogo agnóstico William G. Dever, em sua obra What the Biblical Writers Know and When Did They Know it? [O que os Autores Bíblicos Sabiam e Quando eles Ficaram Sabendo?, em tradução livre] (Eisenbrauns, 2002), ataca ferozmente essa postura desconstrucionista de deixar o leitor com as rédeas do conteúdo lido, não o autor da obra. Esse comportamento tem sido visto em diversas áreas do saber, inclusive no que diz respeito à literatura sagrada judaico-cristã.

Usando uma palavra do vocabulário religioso, gostaria de dizer que a matéria da Super pecou em três aspectos:

Primeiro: muitos céticos e cristãos se esquecem de que as Escrituras foram produzidas há aproximadamente três milênios, foram escritas em outros idiomas (hebraico, aramaico e grego) e por pessoas com uma mentalidade bem diferente daquela a que estamos acostumados no mundo ocidental. O ateu Sam Harris pode ser um bom neurocientista, mas é alguém com pouquíssimo preparo para ser um intérprete bíblico, como pode visto em sua obra Carta a uma Nação Cristã (Cia. das Letras, 2007). Harris cometeu erros crassos comparando leis e regulamentos bíblicos com a sociedade pós-iluminista! Ciente desse tipo de comparação em seus dias, C. S. Lewis qualificou essa prática como “desdém cronológico”. Para que essas leis e regulamentos façam sentido, devemos compará-las com documentos do 3º e do 2º milênios antes de Cristo.

Segundo: a necessidade de uma diferenciação entre descrever e prescrever. Dizer que Lameque teve duas mulheres (Gn 4:19) não sugere que os que creem na Bíblia como Palavra de Deus imitem esse procedimento. Nem que os relatos de relações incestuosas nas páginas do Antigo Testamento devam ser imitados por nós hoje. Podemos extrair princípios positivos e negativos de cada uma das histórias, mas isso não implica em imitar o comportamento de seus personagens. Com isso não estou querendo amenizar o conteúdo de certas porções das Escrituras que são chocantes, em alguns momentos, mas apenas ressaltar o que essas porções de fato são: narrativas.

Terceiro: apesar de o título da matéria sugerir uma novidade nunca vista, muito já foi dito e escrito a respeito dos tópicos ali levantados, e é lamentável perceber como respeitados pesquisadores foram deixados de lado. Há pouco mais de um ano, foi lançada a obra Is God a Moral Monster? Making Sense the Old Testament God (Baker, 2011), de Paul Copan. São mais de duzentas páginas lidando com passagens difíceis do Antigo Testamento. Copan é cristão, mas será que automaticamente isso o desqualifica para ter suas opiniões contrastadas com as dos pesquisadores citados?

Vejamos como essas três considerações nos ajudam a entender os questionamentos levantados pela matéria de Alexandre Versignassi e Tiago Cordeiro.

Escravidão. Essa foi a primeira lei que Deus deu aos israelitas, quando eles saíram do Egito (cf. Êx 21:1-11). Na lei mosaica, sequestrar alguém para ser vendido como escravo era um crime punido com pena capital (Êx 21:16). Um escravo hebreu deveria trabalhar apenas seis anos para pagar sua dívida, sendo libertado no sétimo ano, sem pagar nada (Êx 21:2). Além disso, ele deveria receber de seu proprietário alguns animais e alimentos para recomeçar a vida (Dt 15:13, 14). Durante seu período de serviço, o(a) escravo(a) teria um dia de folga semanal, o sábado (Êx 20:10).

Notou alguma diferença entre a escravidão bíblica e aquela mantida em nosso país, há alguns séculos? A diferença também é significativa quando comparamos essas passagens bíblicas com o famoso Código de Hamurabi, rei de Babilônia, no 18º século a.C. Se algum escravo fugisse, ele deveria ser morto; enquanto em Israel esse escravo deveria ser protegido (Dt 23:15, 16). Proteger um escravo fugitivo, em Babilônia, era uma grande ofensa, também punida com morte, como evidenciado nas leis 15-20 do referido código.

Alguém pode questionar o motivo pelo qual Deus não aboliu a escravidão entre os israelitas. Lembre-se de que eles estavam inseridos numa cultura impregnada dessa prática. Mesmo que Deus a abolisse, isso não mudaria a forma como eles pensavam. A título de ilustração, imagine o árduo processo cultural para tornar a Arábia Saudita em uma democracia! Mesmo que essa mudança fosse feita, ainda levaria um bom tempo até que a mentalidade da nação fosse mudada. No entanto, a legislação israelita oferecia um tratamento muito mais humano para os escravos, colocando escravo e senhor em pé de igualdade (cf. Jó 31:13-15). No livro Is God a Moral Monster?, Copan se demora nesse assunto, demonstrando as diferenças positivas dessa atividade em Israel com o restante do Antigo Oriente Médio.

Juros. A matéria cita uma passagem inexistente: Deuteronômio 23:30. O texto correto é Deuteronômio 23:20, onde lemos: “Ao estrangeiro emprestarás com juros, porém a teu irmão não emprestarás com juros para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todos os teus empreendimentos na terra a qual passas a possuir.” A primeira impressão do texto é óbvia: “bênção” como resultado de um tratamento de exploração para um não israelita. O que os articulistas se esqueceram de notar é que o termo hebraico para estrangeiro, nessa passagem, é nokri, que está relacionado com alguém que estava em Israel para fazer negócios e não para viver nessa nação, como é o caso do vocábulo ger, também traduzido como estrangeiro na maioria das versões bíblicas. Em outras palavras, para aqueles que estavam em Israel com propósitos monetários, deveriam ser cobrados juros. Uma séria introdução para o assunto das finanças na Bíblia pode ser lida em Nem Riqueza, Nem Pobreza: As posses segundo a teologia bíblica (Esperança, 2009), escrita por Craig Blomberg, do Denver Theological Seminary, nos EUA.

Vinho. Existem várias palavras para vinho nas línguas originais do Antigo e do Novo Testamentos. Realmente, não é tão simples estabelecer com precisão quando a Bíblia está falando do puro suco de uva ou do vinho (fermentado). No entanto, de acordo com o erudito em Novo Testamento D. A. Carson, da Trinity Evangelical Divinty School, se alguém deseja ter uma ideia de como era tomar vinho nos tempos bíblicos, é necessário diluir uma medida de vinho em duas de água. É por isso que o Apocalipse faz menção da taça da ira de Deus “sem mistura” (Ap 14:8). Essa era a prática comum nos dias de Cristo. Quando não havia essa mistura e o vinho era bebido puro, era considerado “bebida forte”, como aparece em diversas passagens bíblicas.
           
No caso da Santa Ceia, a última refeição de Jesus com Seus discípulos, o que temos ali era suco de uva, já que naquele mesmo dia teve início a festa dos pães asmos, ou sem fermento, em que qualquer alimento ou bebida fermentada deveria ser retirado da casa dos israelitas por uma semana. Sendo judeu, dificilmente podemos imaginar Jesus tomando algo como nosso vinho tinto naquela ocasião.

Sexualidade. Para aqueles que afirmam a Bíblia tem uma visão estreita sobre a sexualidade, sugiro a leitura de Cântico dos Cânticos. Trata-se de um longo poema que descreve o amor entre um rei, isto é, Salomão, e sua amada, carregado de um belo simbolismo erótico. Ao longo dos oito capítulos, não se encontra em lugar algum a ideia do sexo para procriação, apenas como fonte de prazer. Esse conteúdo “surpreendente” levou diversos teólogos cristãos a fazerem uma leitura alegórica do livro, tentando, assim, apresentar um relacionamento entre Deus (o rei) e Sua igreja (a esposa). Após a reforma protestante no século 16, o livro de Cantares começou a ser analisado como ele é de fato: um poema amoroso. Uma excelente introdução ao assunto da sexualidade no Antigo Testamento por ser vista em The Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament (Hendrickson, 2007), escrito por Richard Davidson, da Universidade Andrews (EUA).
           
A imagem da sexualidade que se obtém das páginas da Bíblia Hebraica foi sumarizada por Davidson nestes cinco itens: (1) a sexualidade foi criada por Deus; (2) a sexualidade é para casais; (3) a sexualidade representa igualdade; (4) a sexualidade é fonte de prazer; (5) a sexualidade revela a imagem de Deus. A influência católica a que fomos expostos não nos permite observar esses tópicos com naturalidade. No entanto, cada um desses assuntos pode ser apreciado numa leitura natural dessa obra de Salomão e dos dois capítulos iniciais de Gênesis.

Poligamia. Se essa (acima) é a imagem da sexualidade nas páginas da Bíblia, o que fazer com aqueles textos em que lemos sobre Davi e Salomão tendo várias mulheres? O exemplo citado na Super é o mais gritante: o harém de Salomão contava com setecentas mulheres (1Rs 11:3). A passagem também menciona que ele tinha trezentas concubinas. De acordo com James Hoffmeier, respeitado egiptólogo também da Trinity Evangelical Divinity School, nos EUA, quando um rei enviava sua filha para se casar com outro monarca, era comum enviar algumas servas com a noiva. Essa prática é recorrente nos tabletes de Tell-el-Amarna, descobertos no Egito, no século 19. É bem provável que estejamos vendo essa prática na vida de Salomão.

Independentemente disso, o fato é que uma leitura atenta das narrativas de homens que se envolveram na prática da poligamia demonstra não somente a desaprovação divina, mas também os fracassos resultantes. As histórias de heróis bíblicos que se aventuraram nessa prática, entre eles Abrãao, Jacó, Esáu, Gideão, Davi e o próprio Salomão, registram consequências desastrosas para os filhos e as gerações posteriores. É prudente se lembrar de que a frase “o homem segundo o coração de Deus” aplicada a Davi (1Sm  13:14), foi dada num período em que esse personagem provavelmente nem sequer era casado. Em momento algum os autores bíblicos endossaram a prática promíscua de Davi e dos homens citados anteriormente.

Homossexualidade. Mesmo se Davi tivesse tido relações íntimas com seu amigo Jônatas – o que não concordo –, é preciso se lembrar de que, pelo fato de a Bíblia narrar um incidente, isso não significa que ela o aprove. O motivo pelo qual as Escrituras mantêm opinião contrária às práticas homossexuais é simples: sexualidade é algo sagrado. Não podemos violá-la. Esse é o mesmo motivo pelo qual as Escrituras se opõem ao racismo: nossa etnia é sagrada, fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Remover o fundamento que se opõe à homossexualidade é também remover o fundamento segundo o qual não existem diferenças entre raças.

Puro e impuro. As leis de pureza e impureza não foram uma invenção da religião israelita. O acadêmico adventista Roy Gane, que estudou sob a tutela do falecido rabino Jacob Milgrom, uma das maiores autoridades sobre o livro de Levítico, demonstra claramente esse tipo de legislação ritual em todo o território do Antigo Oriente Médio em sua obra The NVI Application Commentary Leviticus and Numbers: From the biblical text... to contemparary life (Zondervan, 2004). De acordo com Gane, essas leis estavam relacionadas com vida (pureza) e morte (impureza). Tudo o que lembra morte, isto é, emissão de sangue, sêmen, tocar em um cadáver, lepra, etc. era considerado impureza. O Deus bíblico age de acordo com a realidade daqueles para quem Ele Se revela. Em lugar de simplesmente encerrar as práticas de sacrifícios, Ele instituiu um objetivo para o qual todos os sacrifícios de animais apontariam a partir daquele momento. A religião israelita era uma religião ritualística, e, como tal, encontrou seu cumprimento no ministério e na morte de Jesus Cristo, para quem quase todos os regulamentos apontavam.

Valorização da mulher. Ao contrário do que a matéria da Super apresentou, a Bíblia coloca a mulher numa posição elevada. Apenas a título de ilustração, ela é criada em igualdade com o homem, como evidenciado na expressão hebraica ‘ezer kenegdo (“auxiliadora idônea”, Gn 2:18), dando a ideia de um parte correspondente. Em Provérbios 31, a mulher é apresentada como desenvolvendo atividades de extrema importância, como escolha de um terreno para compra. No livro de Jó, onde há elementos linguísticos, geográficos e históricos que situam os eventos narrados durante o fim do 3º milênio a.C., as filhas de Jó recebem uma herança, assim como os filhos. Isso é inédito para aquela época. Jó está em desacordo com as leis da época, mas age como Deus agiria: com igualdade.
           
No Novo Testamento, a situação é ainda mais clara. A valorização da mulher por parte do fundador do cristianismo é algo fascinante. Em João 4, Ele conversa com uma mulher à luz do dia, prática essa totalmente desencorajada naquela sociedade. No relato de Sua ressurreição, a primeira pessoa a encontrá-Lo ressuscitado é uma mulher, Maria Madalena. O testemunho de uma mulher não era sequer levado a sério num tribunal, como atesta o historiador judeu do 1º século d.C. Flávio Josefo. Mesmo assim, a pessoa a quem Jesus resolveu Se mostrar após o evento que Lhe garantiu a vitória sobre a morte foi uma mulher.

Dizer que as mulheres deviam ser submissas aos maridos (Ef 5:22) é apenas uma parte da verdade. Existe uma responsabilidade masculina: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). Não há espaço para um comportamento tirânico por parte do homem. O respeito da esposa pelo marido deve ser balanceado com o amor incondicional do esposo pela esposa. Dificilmente pode-se ver machismo aqui.
           
A publicação desse artigo da Super me fez lembrar de uma história. C. S. Lewis, no livro A Última Batalha, o último da sua obra As Crônicas de Nárnia, descreve a maior crise já enfrentada pelos narnianos. Uma falsa representação de Aslam, o Grande Rei, minava a esperança no coração dos moradores de Nárnia. No entanto, o rei Tilian e duas crianças vindas de Londres estavam dispostos a lutar pela liberdade daquele país. Quando eles viram um grupo de anões sendo levados como escravos, renderam os guardas que os levavam e puseram em liberdade os prisioneiros. Em lugar de um sentimento de gratidão e da prontidão de lutar pelo verdadeiro Aslam, os anões se tornaram céticos quanto à existência do Leão. O que se ouviu foram frases carregadas de desprezo e indiferença em relação Àquele que fundara Nárnia. Apenas um dos anões se uniu ao grupo do rei Tilian. No fim da história, quando o próprio Aslam se revela, esses mesmos anões conseguem se tornar mais céticos. Belas violetas para eles são como palha. O local paradisíaco em que eles estão é somente escuridão na mente deles. Finalmente, o Leão lhes oferece um maravilhoso banquete, mas, ao comerem, pensavam estar comendo capim e bebendo água suja tirada do cocho de um jumento. Reclamações, injúrias era tudo o que eles conseguiam dizer. “Eles não nos deixarão ajudá-los”, disse Aslam. “Preferem a astúcia à crença”.

Os anões de Nárnia se parecem com a nossa sociedade ocidental. Não foi uma cosmovisão panteísta ou naturalista que nos trouxe ao patamar em que nos encontramos de tolerância e igualdade. O único fundamento que poderia ter proporcionado essa moldura moral que temos hoje é o teísmo judaico-cristão. Liberdade de consciência não foi uma contribuição do Iluminismo, mas, sim, da Reforma protestante do século 16. Mesmo assim, muitos se tornam vorazes combatentes da fé cristã e, como britadeiras, desejam destruir o fundamento sobre o qual estão em pé. O jornalista Matthew Parris, ateu e homossexual, foi claro em um dos seus artigos no jornal britânico The Times, afirmando que a África precisa de Deus. Quem sabe, em breve, vejamos alguém com essa sinceridade dizendo que nossa nação precisa de Deus.

(Luiz Gustavo Assis é bacharel em teologia e pastor adventista em Porto Alegre, RS; artigo preparado para o blog Criacionismo.com.br)


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