
"'Não acho que todas as pessoas que são religiosas são más. Acho que muitas de suas ações são motivadas pelo desejo de fazer o bem. Mas a religião é justificativa para fazer coisas terríveis como os terroristas suicidas ou assassinatos', disse Dawkins, que também lembrou sua participação nas ações publicitárias nos ônibus de Londres pelo ateísmo, que tinham a inscrição 'Deus provavelmente não existe. Agora pare de se preocupar e vá curtir sua vida.' [Dawkins bate sempre na mesma tecla: religião não presta porque houve quem praticasse atos abomináveis em nome da fé. Mas ele esquece que os regimes ateus levaram muito mais pessoas à morte do que a deplorável Inquisição e as abomináveis Cruzadas. Esquece também que as pessoas que viveram o verdadeiro cristianismo - começando pelo próprio Jesus, passando por Paulo, Francisco de Assis e Madre Tereza de Calcutá - são exemplos do que a verdadeira religião fundamentada no amor pode fazer pela humanidade. Dawkins toma as partes ruins para definir o todo e bate num espantalho quando critica todas as religiões baseado nesses maus exemplos.]
Segundo a reportagem, Dawkins sustenta que a falta de informação é um dos motivos para que as pessoas recorram à fé religiosa [ah, sim, agora ele vai dizer que Newton, Galileu, Pascal, Pasteur, Flew, e muitos outros grandes nomes da ciência e da filosofia eram ignorantes porque criam e creem em Deus...].
Mas o mais impressionante na reportagem é esta declaração que o biólogo britânico deixou escapar: "Eu acabei de voltar do Pantanal e fiquei deslumbrado com tanta beleza. Se não conhecesse Darwin, eu me ajoelharia e diria 'isso é obra de Deus'."
Na postagem anterior, Dawkins diz que seu objetivo com o acampamento ateu é "encorajar as crianças a pensar por elas mesmas". Mas ele não dá exemplo nesse quesito, já que pensa com a cabeça de Darwin (e olha que o naturalista nem era ateu). Dawkins nega todos os seus instintos de criatura, o anseio profundo de uma alma abafada por sua ideologia ateia (Eclesiastes 3:11), e prefere negar o fato de que o projeto aponta para o Projetista, que a beleza "supérflua" da natureza revela o bom gosto do Supremo Artista.
Finalmente, o biólogo também disse que é favorável a um termo mais "amigável" que defina um ateu. E ele propõe a palavra "bright" (brilhante, em tradução literal, ou inteligente), que está sendo defendida por correntes do ateísmo.
Tenho amigos ateus com os quais consigo manter um diálogo respeitoso e construtivo. E isso porque alimentamos o respeito mútuo e a humildade. Infelizmente, com sua postura combativa e arrogante, Dawkins só tem contribuído para dificultar esse diálogo. Mas, felizmente, ainda existem pessoas com bom senso, lá e cá.[MB]