sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Como os fósseis se formam a partir da madeira

Não são necessários milhões de anos
Como um tronco de árvore se transforma em madeira petrificada? Isso pode ocorrer por diversas formas e envolver substâncias químicas diferentes. Para que ocorra a petrificação, é necessário que a madeira seja capaz de interagir com a substância petrificante, fazendo-a precipitar a partir da solução aquosa. Entre as substâncias que possuem essa característica está a sílica (SiO2). Na verdade, não há uma molécula de SiO2. A sílica forma sólidos covalentes. Trata-se de uma cadeia ou rede de átomos de oxigênio e silício, unidos por ligações covalentes, na proporção de 1 átomo de silício para 2 átomos de oxigênio. O SiO2 é um dos principais constituintes da areia e pode formar sólidos como o quartzo, a calcedônia e as opalas.[1] A sílica é um sólido insolúvel em água com pH nas vizinhanças de 7 em temperaturas brandas. A bem da verdade, se pulverizarmos vidro (que é em grande parte SiO2) e aquecermos até a ebulição com água por cerca de uma hora, mais ou menos 1% da sílica do vidro será hidrolisada (reagirá com água) e passará para a solução aquosa. Isso faz parte de um dos experimentos de laboratório dos cursos de graduação para os quais leciono. Todavia, em soluções básicas (pH elevado), a sílica pode ser hidrolisada com mais facilidade e liberar quantidades razoáveis de íons silicato. De forma similar, em soluções ácidas, a hidrólise da sílica libera o ácido silícico, Si(OH)4.

Chamamos de silicificação a penetração e a fixação de sílica no material orgânico que servirá de base para a formação do fóssil. A silicificação é considerada por alguns autores como o processo individual mais importante na preservação de plantas no registro fóssil.[3] Embora alguns autores prefiram manter uma distinção entre silicificação e petrificação, neste artigo vamos usar os dois termos como sinônimos, como tem sido prática comum na literatura da área.

Acredita-se que o ácido silícico seja o principal responsável pela silicificação.[2] Os tecidos vasculares das plantas são compostos principalmente por holoceluloses (um grupo de sacarídeos que inclui a celulose) e por ligninas (polímeros complexos compostos de unidades de fenilpropano).[2] Tanto as holoceluloses quanto as ligninas possuem grupos hidroxila que podem formar ligações de hidrogênio com o ácido silícico.

No processo de petrificação, as moléculas de ácido silícico passam da solução aquosa para a superfície dos constituintes moleculares do tecido vascular da madeira (holoceluloses e ligninas). Na medida em que o ácido silícico vai se acumulando dentro da madeira, suas moléculas começam a se fundir. A continuação desse processo leva à formação de um filme de sílica ao redor das superfícies celulares, reproduzindo as características histológicas da madeira. Por causa disso, a petrificação por meio de sílica é capaz de preservar uma riqueza impressionante de detalhes não observáveis em outros tipos de fossilização.

Por que um pedaço de madeira não se fossiliza se for simplesmente enterrado no solo, pois a areia é formada principalmente por SiO2? A petrificação da madeira depende da existência de uma quantidade razoável de ácido silícico em solução. O ácido silícico, como vimos, é gerado a partir da sílica em meio ácido, e a maioria dos reservatórios naturais de água não é suficientemente ácida para hidrolisar uma quantidade apreciável de sílica.

É muito comum que madeira petrificada seja encontrada em regiões vulcânicas,[4] particularmente se uma erupção ocorreu na época em que a madeira foi soterrada.[5] Os vulcões fornecem três elementos fundamentais para o processo de petrificação. Primeiramente, em um ambiente catastrófico as chances de que a madeira seja soterrada rapidamente antes de se decompor são muito elevadas. A madeira precisa ser protegida contra a degradação para que as moléculas de ácido silícico tenham tempo o bastante para se infiltrar e se depositar em seu interior. Em segundo lugar, as cinzas vulcânicas são constituídas em sua maioria por SiO2.[6] Por fim, os vulcões são responsáveis pela produção de gases como o SO2 que, quando dissolvido em água, deixa o meio ácido gerando ácido sulfuroso (H2SO3) ou mesmo ácido sulfúrico (H2SO4).

Então os eventos são os seguintes: durante a erupção de um vulcão nas proximidades de fontes de água, plantas podem ser soterradas catastroficamente, sendo encobertas por sedimentos com grande quantidade de cinzas vulcânicas (fonte rica em SiO2). A água misturada aos sedimentos é ácida, sendo capaz de promover a liberação de ácido silícico para a solução. O ácido silícico, por sua vez, se fixa às holoceluloses e às ligninas da madeira por meio de ligações de hidrogênio. O acúmulo de ácido silício leva então à formação de um filme de sílica, como dissemos acima.

Mas quão rápido é esse processo? Fragmentos de madeira recuperados de cinzas vulcânicas de uma erupção em 1886 na Nova Zelândia estavam parcialmente petrificados apenas 90 anos após o soterramento.[2] Madeira de coníferas soterradas por cinzas vulcânicas na erupção histórica de 1885 do Monte Santa Helena apresentava petrificação incipiente após 102 anos do soterramento.[5]

Mas o resultado mais impressionante vem de um grupo de pesquisadores do Japão.[4] Eles observaram que em um certo lago de águas quentes, nas vizinhanças de um vulcão, eram frequentemente encontrados pedaços de madeira impregnadas com sílica. Esses pedaços de madeira caiam naturalmente das plantas nas vizinhanças do lago. Os pesquisadores notaram que a textura desse material era a mesma de madeira silicificada encontrada em regiões vulcânicas no registro geológico. Eles decidiram, então, conduzir um experimento muito interessante. Pedaços de madeira foram colocados no lago e monitorados ao longo de sete anos. O resultado foi surpreendente. Os pedaços que permaneceram por mais tempo imersos no lago tiveram próximo de 40% de sua massa silicificada. A conclusão dos autores é bastante significativa para a compreensão de como os fósseis se formam. Segundo eles, “madeira silicificada pode se formar, sob condições apropriadas, em períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos”.[4] Um detalhe muito interessante desse trabalho é o fato de os autores citarem um artigo do geólogo australiano Andrew Snelling publicado na revista criacionista Creation.[7]

Vamos agora relacionar essas descobertas com a proposta criacionista do dilúvio bíblico. Segundo John D. Morris, “o período imediatamente anterior e pouco depois do dilúvio foi um tempo de imenso vulcanismo, marcado por extensivas erupções na medida em que os continentes se afastavam, as cadeias de montanha eram elevadas, e o fundo do oceano era rebaixado”.

“Considere os Basaltos do Rio Colúmbia, onde os depósitos vulcânicos cobrem mais de 100.000 milhas quadradas no estado de Washington e Oregon, com o basalto tendo até uma milha de espessura!”[8]

Vulcanismo intenso provê as condições perfeitas para a fossilização de plantas. É notável o fato de que encontramos florestas inteiras preservadas dessa maneira ao longo do registro fóssil.[3] Em outras palavras, a proposta catastrofista criacionista encontra-se completamente de acordo com o melhor conhecimento experimental de que dispomos. Além disso, a questão do tempo de fossilização também apoia a proposta criacionista. Nas palavras de Alkahane et al.,[4] madeira silicificada pode se formar em “períodos de tempo tão curtos quanto dezenas a centenas de anos”. Portanto, quando falamos de madeira petrificada, um modelo que apela para uma grande catástrofe ocorrida há poucos milhares de anos está em pleno acordo com os dados de que dispomos. Mais do que isso, a proposta catastrofista criacionista tem se mostrado capaz de explicar aspectos de diversas áreas do conhecimento que são passados por alto ou atribuídos a causas improváveis na visão evolucionista.

Se o processo de fossilização da madeira ocorreu há poucos milhares de anos, poderia ter restado alguma matéria orgânica residual? Essa matéria orgânica poderia ser datada por carbono-14? Esse será o assunto de um outro artigo.

(Dr. Rodrigo Meneghetti Pontes é professor adjunto do Departamento de Química da Universidade Estadual de Maringá e vice-presidente do Núcleo Maringaense da Sociedade Criacionista Brasileira [NUMAR-SCB]; conheça sua página Origem e Vida)

Referências: 
[1] G. Scurfield, E.R. Segnit, “Petrifaction of wood by silica minerals”, Sediment. Geol. 39 (1984) 149–167. doi:10.1016/0037-0738(84)90048-4. 
[2] R.F. Leo, E.S. “Barghoorn, Silicification of wood”, Harvard Univ. Bot. Mus. Leafl. 25 (1976) 1–47. http://www.biodiversitylibrary.org/item/31874 (accessed February 12, 2016). 
[3] C. Ballhaus, C.T. Gee, C. Bockrath, K. Greef, T. Mansfeldt, D. Rhede, “The silicification of trees in volcanic ash - An experimental study”, Geochim. Cosmochim. Acta. 84 (2012) 62–74. doi:10.1016/j.gca.2012.01.018. 
[4] H. Akahane, T. Furuno, H. Miyajima, T. Yoshikawa, S. Yamamoto, “Rapid wood silicification in hot spring water: an explanation of silicification of wood during the Earth’s history”, Sediment. Geol. 169 (2004) 219–228. doi:10.1016/j.sedgeo.2004.06.003. 
[5] A.L. Karowe, T.H. Jefferson,” Burial of trees by eruptions of Mount St Helens, Washington: implications for the interpretation of fossil forests”, Geol. Mag. 124 (2009) 191. doi:10.1017/S001675680001623X. 
[6] A.C. Sigleo, “Geochemistry of silicified wood and associated sediments, Petrified Forest National Park, Arizona”, Chem. Geol. 26 (1979) 151–163. doi:10.1016/0009-2541(79)90036-6. 
[7] A. Snelling, “Instant” petrified wood, Creation. 17 (1995) 38–40.
[8] J.D. Morris, The Global Flood: Unlocking Earth’s Geology Hystory (Edição para Kindle), Institute for Creation Research, Dallas, 2012. 

Pesquisas confirmam benefícios do casamento duradouro

Os planos de Deus são melhores
[Estou casado há quase 20 anos com a linda moça da foto aí ao lado e posso garantir, por experiência própria, que cada palavra do artigo abaixo é a mais pura verdade. – MB] 

Acabou. “Hoje estou concluindo meu processo de seleção!” O público caiu na risada quando Bill disse essas palavras, finalizando seus votos matrimoniais escritos por ele, 17 anos atrás. “O que Deus uniu” (Mt 19:6) em compromisso exclusivo naquele dia, também tem mantido uma união mais poderosa do que o melhor adesivo disponível comercialmente. Pesquisas confirmam a grande quantidade de benefícios de um casamento de muitos anos. Um estudo publicado no The Journal of Clinical Oncology (Jornal de Oncologia Clínica) descobriu que, para um paciente com câncer, pode ser mais benéfico um casamento saudável e feliz do que a quimioterapia. Um casamento estável e fiel fortalece o sistema imunológico, recupera com mais sucesso uma cirurgia, melhora a tolerância à dor e baixa o risco de doenças vasculares. Curiosamente, morar junto não oferece os mesmos benefícios para a saúde, nem a mesma satisfação. Um estudo mostrou que apenas em 36 por cento dos casais que só moram juntos ambos disseram que seu companheiro é “muito satisfatório”, enquanto que 57 por cento dos casais casados relataram o mesmo.

Fidelidade e lealdade, compromisso, constância, dependência, confiança, estabilidade, significa ser “fiel à palavra de alguém, promessas, votos, etc.”, não se esquivar do dever, mas colocar seu cônjuge em primeiro lugar, quando a vontade não é essa.

Com muita admiração, acabamos de comemorar os 50 anos de casamento dos pais da Heather. A primeira conclusão a que chegamos é de que um casamento de 50 anos é uma contribuição para a família. Como “estaca fincada em terreno firme” (Is 22:25), seu casamento longo, estável e feliz ofereceu segurança não apenas aos filhos, mas também aos netos.

Deus usa uma união forte e duradoura para fortalecer a sociedade e como testemunho para os outros, revelando-Se à humanidade. Ellen White observa: “Pelas obras da natureza, e os mais profundos e ternos laços terrestres que pode imaginar o coração humano, Ele procurou revelar-Se a nós.” “Uma família bem ordenada, bem disciplinada, fala mais em favor do cristianismo do que todos os sermões que se possam pregar.”

Tal família diz silenciosamente: “Somos felizes. Não estamos buscando algo mais, não queremos pular de flor em flor, como a borboleta. Estamos contentes com a providência de Deus.”

No entanto, a sociedade questiona profundamente esse sistema exclusivo e seu potencial de felicidade e sucesso. Segundo uma pesquisa do Instituto Gallup, mais da metade (52 por cento) dos jovens adultos americanos entre 20 e 29 anos de idade dizem que veem tão poucos casamentos felizes que os questionam como um modo de vida. Um estudo da Pew Research revelou que cerca de 40 por cento dos americanos de todas as idades acreditam que o casamento está se tornando obsoleto. As autoridades da Cidade do México até sugeriram um contrato de casamento de dois anos, no qual os cônjuges não precisam assumir um compromisso de fidelidade em longo termo, mas poderiam renová-lo após dois anos, caso estivessem felizes. Em seu livro The Monogamy Myth (O Mito da Monogamia), a autora Peggy Vaughan declara que 60 por cento dos casamentos serão afetados pela infidelidade. Ao que parece, a fidelidade está a caminho da extinção, mas ela definitivamente vale a pena, mesmo em circunstâncias difíceis.

Abigail e Nabal: vale a pena ser fiel

Por algum motivo Nabal, cujo nome significa “tolo” ou “insensato”, se casou com a linda Abigail, virtuosa e sábia, cujo valor excedia em muito ao de rubis (1Sm 25; cf. Pv 31:10). Temos registrado um incidente importante da vida desse casal de posses, que ocorreu quando Davi estava fugindo de Saul e ouviu que Nabal estava tosquiando suas ovelhas. Davi e seus homens protegeram os pastores de Nabal e, em retorno, pediu um favor em forma de alimento para seu grupo. A resposta rude e egoísta de Nabal deixou Davi furioso.

Aqui Abigail entra na história. Ser casada com Nabal não devia ser fácil, mas “Abigail mal percebia que enquanto cuidava diariamente de Nabal, estava desenvolvendo clareza e percepção espiritual”. Fiel, Abigail estava em sintonia com Deus e pronta a fazer o que fosse necessário para livrar seu esposo do problema.

Rapidamente, ela carregou os jumentos com vários tipos de alimentos já preparados e enviou seus servos para se encontrar com Davi. Ao encontrá-lo, respeitosamente assumiu a culpa pelo comportamento do esposo, não encobrindo a verdade sobre Nabal, mas de fato o salvando sem que ele soubesse. Davi aceitou humildemente os presentes e o tato de Abigail para evitar o desastre.

Mais bênçãos

Um casamento fiel abençoa a sociedade por meio de seus filhos. Lares saudáveis produzem filhos emocionalmente saudáveis que se tornam a base de uma sociedade saudável. Segundo Ellen White, “o lar é o coração da sociedade, da igreja e da nação. A felicidade da sociedade, o êxito da igreja, a prosperidade da nação, dependem das influências domésticas”. Filhos de pais divorciados enfrentam obstáculos enormes. Robert Emery, autor de The Truth About Children and Divorce (A Verdade Sobre Filhos e o Divórcio), diz simplesmente que eles “ficam arrasados”. Os benefícios da declaração “o que Deus uniu” (Mt 19:6) vão muito além do que duas pessoas casadas.

E se, neste mundo imperfeito, enfrentamos o divórcio, ou nos encontramos em relacionamentos infelizes, ou estamos solteiros? A fidelidade de Deus ainda nos alcança exatamente onde estamos. Ele nos oferece a Si mesmo, para um relacionamento glorioso que transcende qualquer outro relacionamento, e nos ajuda a superar qualquer dificuldade que estivermos enfrentando.

Perceba estas duas promessas: “Pois o seu Criador é o seu marido, o Senhor dos Exércitos é o Seu nome” (Is 54:5). “Esta palavra é digna de confiança: Se morremos com Ele, com Ele também viveremos; se perseveramos, com Ele também reinaremos. Se O negamos, Ele também nos negará; se somos infiéis, Ele permanece fiel, pois não pode negar-Se a Si mesmo” (2Tm 2:11-13).

Nosso “processo de seleção” realmente foi concluído 17 anos atrás, mas os dividendos de devoção continuam a enriquecer e abençoar nossa vida diariamente. Obrigado, Senhor, por teres criado o casamento! Vemos os benefícios da fidelidade nas famílias comprometidas em todo o mundo. Rogamos que o Senhor nos ajude a também ser fiéis.

(Bill e Heather Krick moram na Califórnia, onde Bill é diretor do ministério de publicações na Associação Central da Califórnia e Heather educa suas duas filhas, Sanannah e Heidi, no método de ensino doméstico; Adventist World, via facebook)

quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Evolucionista ateu assume direção da revista Veja

O jornalista André Petry
O jornalista assumidamente ateu e evolucionista André Petry vai assumir a diretoria da revista Veja, de acordo com a jornalista da Folha de S. Paulo, Mônica Bérgamo. A Veja é a semanal com maior tiragem no Brasil e responsável pela formação (ou deformação, dependendo do caso e do assunto) da opinião de milhões de brasileiros. Petry assume no lugar de Eurípedes Alcântara, que ainda está em negociação com a editora Abril para saber se será mantido na empresa. Petry trabalha há mais de duas décadas na editora. Foi chefe da sucursal de Brasília da Veja, editor de política e correspondente da revista em Nova York. Se quiser conhecer um pouco melhor as ideias “evangelicofóbicas” dele com respeito ao criacionismo, à educação adventista, à religião bíblica e outros temas, clique aqui. [MB]

quarta-feira, fevereiro 24, 2016

DNA Mitocondrial: viemos todos de uma mesma mulher

Personagem histórica ou fábula?
A Dra. Rebecca L. Cann, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, realizou uma pesquisa com o intuito de descobrir a origem da raça humana através do mtDNA (DNA Mitocondrial).[1] Rebecca e a equipe realizaram testes com 147 indivíduos, das cinco populações geográficas do nosso planeta, de todos os grupos de seres humanos, e concluiu que todos possuíam um mtDNA idêntico. Portanto, todos teriam uma mesma ancestral em comum: a Eva Mitocondrial. Alguns naturalistas, tentando se esquivar das implicações bíblicas que tal descoberta possui, afirmam que não houve apenas uma única mulher que deu origem a todos nós, mas um grupo formado por várias mulheres (e vários homens),[2] porém não é isso o que os estudos indicam; tal posicionamento parte de pressupostos metafísicos. Se a premissa desses naturalistas estivesse correta, a pesquisa mostraria que um determinado grupo de pessoas veio de uma única ancestral, outro grupo veio de outra ancestral, e assim por diante, mas os resultados mostram que todos viemos de uma única e mesma mulher. Não há razões suficientes, também, para se crer que a Eva Mitocondrial foi a única capaz de produzir uma linhagem direta até os dias atuais, em detrimento das “outras evas”.

Muitos cientistas evolucionistas também tentaram descobrir quando e onde a primeira mulher haveria surgido. A conclusão deles foi que ela era africana e surgiu há pelo menos 200 mil anos.[1, 3] Essa conclusão veio principalmente por meio de métodos baseados em datação radiométrica.

Contrariando tais suposições de muitos evolucionitas, um estudo feito pelos doutores Lawrence Loewe e Siegfried Sherer afirma que, se compararmos o tempo necessário para que as pequenas variações genéticas passassem a fazer parte do material genético de um grupo de indivíduos com o número dessas variações do mtDNA, chegaríamos à conclusão de que a primeira mulher teria surgido em algum tempo entre 6000-6500 anos atrás;[4] ou talvez até algum tempo a mais.

An Gibbons, escreve que “os investigadores calcularam que a ‘Eva mitocondrial’ – a mulher cujo mtDNA foi ancestral de todos os seres humanos – viveu entre 100.000 a 200.000 anos atrás, na África. Utilizando o novo relógio, ela teria uns meros 6.000 anos.”[5]

Implicações criacionistas

Segundo o relato bíblico sobre a criação da raça humana, todos nós teríamos vindo de uma única mulher: Eva (Gn 3:20). E durante muito tempo os cientistas evolucionistas ridicularizaram os cristãos por crerem que todos teríamos realmente vindo do primeiro casal criado por Deus. Sem bases sólidas, e com o desejo ardente de querer harmonizar a Bíblia com a ciência, muitos cristãos optaram por abraçar o dogma evolucionista e acabaram por deturpar o Gênesis, considerando-o nada mais que uma parábola, para não dizer “um mito”.

Alguns até mesmo argumentam que Adão e Eva não foram pessoas reais, mas apenas “imagens” que figuravam todos os homens e todas as mulheres que foram surgindo através da evolução que, para eles, foi supostamente ocasionada por Deus. Há argumentos que dizem que Adão não é um nome próprio, mas, sim, um substantivo que quer dizer “homem” ou “ser humano”.

Mas, mesmo que “Adão” tenha realmente um significado com a palavra “homem”, o próprio apóstolo Paulo ensinou que Adão era um nome próprio dado ao primeiro ser humano criado (não evoluído) por Deus. Ele diz aos coríntios: “O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente” (1Co 15:45). Ele também o compara ao senhor Jesus: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15:22). O evangelista Lucas também coloca Adão como sendo o primeiro na ancestralidade de Jesus (Lc 2:38); não há um só versículo que se refira ao primeiro casal como mera parábola ou mito.

Além disso, como vimos, temos bases científicas para afirmar que todos realmente viemos de uma única e mesma mulher (mtDNA). A verdade é que, quanto mais o tempo passa, mais a ciência revela caminhos que nos direcionam diretamente ao Gênesis, da forma como foi revelado e escrito.

E os dados a respeito de quando surgiu o primeiro mtDNA tornam as histórias de Adão e Eva ainda mais evidentes, pois se calcularmos as datas desde a criação de Adão e Eva até os dias atuais, teriam se passado cerca de 6.000 anos; porém, levando em consideração que as genealogias nem sempre estão completas (como no caso da genealogia de Jesus, descrita nos evangelhos), pode ser que esse tempo seja um pouco mais esticado, podendo chegar a aproximados 10.000 anos, por exemplo.

Uma geneticista em favor do primeiro casal

Utilizando-se dos dados fornecidos sobre o mtDNA, uma conceituada geneticista molecular promove palestras defendendo a existência histórica de Adão e Eva. Seu nome é Georgia Purdom, PhD em genética molecular pela Universidade de Ohio State, e seu mais recente trabalho, um documentário em DVD, chama-se “A Genética de Adão e Eva”.[6]

Purdom diz que “a genética mostra claramente que humanos e chimpanzés não compartilham um ancestral comum. Há muitas, muitas diferenças em seu DNA que minam completamente a possibilidade de ancestralidade compartilhada”.[6]

De fato, é inaceitável, do ponto de vista bíblico, a junção daquilo que dizem as Escrituras e o que afirma a visão de mundo naturalista e também a relativista. Não precisamos abraçar “fábulas engenhosamente inventadas” (2Pe 1:16), como disse o apóstolo Pedro. O que precisamos é aceitar o quanto antes que a Palavra de Deus foi divinamente inspirada (2Tm 3:16), e que é digna de toda aceitação, pois no fim das contas toda a criação revelará Deus e Suas obras (Rm 1:20).

(Gabriell Stevenson, Apologética 21)


Referências:
[1] Rebecca L. Cann et al., “Mitochondrial DNA and Human Evolution”, Nature, Vol. 325(6099), 1 January 1987, p. 31-36. <http://goo.gl/bKRFP8>
[2] AYALA, F., “Polimorfismos genéticos y evolución de los seres humanos modernos”, Jornadas sobre “Evolución molecular humana”, Museo de la Ciencia de la Fundación “La Caixa” (Barcelona, 24-25 de abril, 2001).
[3] Gibbons A. “Calibrating the Mitochondrial Clock.” Science. 1998;
279(5347): 28-29. <http://goo.gl/COaB4Q>
[4] Lawrence Loewe and Siegfried Sherer, “Mitochondrial Eve: The Plot Thickens”, Trends in Ecology e Evolution, Vol. 12, Issue 11, November 1997, p. 420-422.

[5] First International Workshop on Human Mitochondrial DNA, 25 to 28 October 1997, Washington, D.C. Reprinted with permission from Gibbons, Ann (1998). “Calibrating the Mitochondrial Clock”, Science 279: 28-29. Copyright 1998, American Association for the Advancement of Science. <http://goo.gl/7LA4ri>
[6] ARAGÃO, Jarbas. Gospel Prime. “Evidências confirmam existência de Adão e Eva”, diz geneticista, 2015. <https://goo.gl/LgM1Ov>

Palestra: “A mídia e a mulher”


“Quer curtais, quer compartilhais, ou fazeis qualquer outra coisa, fazei-o para honra e glória de Deus.” Palestra incrível do jornalista Michelson Borges. Aqui você vai encontrar motivação para correr atrás de uma felicidade que o mundo não sabe que é capaz de existir, porque somos transformados pela contemplação do belo, do bom e do verdadeiro. E a nossa mente deve se ocupar de mansidão enquanto aprendemos a ser mais racionais, calculistas e estrategistas para fortalecer nossa vontade. Ah, a vontade deve dominar o corpo com as mais elevadas faculdades do ser.

Que tal um antivírus mental? Filipenses 4:8: “Tudo que é puro, tudo que é bom, de boa fama, se há alguma virtude, se algum louvor existe, seja isso que ocupe o vosso pensamento.”

A recomendação é para afastar de nosso caminho tudo que nos afasta de Deus, fechar toda entrada pela qual Satanás possa ter acesso à nossa alma e desviar os olhos de contemplar coisas sem valor, e vigiar todos os cinco sentidos, se quisermos dominar a mente e impedir que pensamentos corruptos e vãos manchem a alma.

O hábito de ficar sonhando e construindo castelos dia e noite é perigoso e pode viciar; impedir de dirigir o pensamento para temas puros, santos e elevados. Caia na real! Viva bem a sua vida verdadeira. Seja feliz com o que Deus te deu.

Somos livres para fazer escolhas, mas somos escravos das consequências.

Só Jesus pode restaurar as desordens e imperfeições das palavras humanas.

Débora Carvalho é jornalista

“A pornografia bagunçou demais a minha vida”

Terry Crews contou seu segredo
Prestação de contas. Segundo o conhecido ator de Hollywood, Terry Crews, essa é uma arma poderosa contra vários tipos de vícios, incluindo um que ele confessou ter “bagunçado” bastante sua vida: a pornografia. Na última quinta-feira (11), o ator e diretor – que ficou famoso interpretando papéis conhecidos, como Julius (“Todo Mundo Odeia o Chris”) – publicou um vídeo em seu Facebook, intitulado “Dirty Little Secret” (“Segredinho Sujo”), no qual reconheceu que já foi viciado em pornografia e considerou o vício um “problema mundial”. “Por anos e anos, o meu segredinho sujo foi que eu era viciado em pornografia. Agora, a maioria de vocês que estão no Facebook, estão usando a internet. E é meio louco, porque essa coisa se tornou um problema. Eu acho que é um problema mundial”, disse.

Terry também reconheceu que a pornografia ganhou proporções preocupantes em sua vida, porque ele a manteve como um segredo e não conseguiu vencê-lo sozinho. “A pornografia bagunçou demais a minha vida, de várias formas. E, sabem, isso se tornou um problema que eu não contava para ninguém, era o meu segredo, ninguém sabia, e isso permitiu que ele crescesse e ficou ruim. Algumas pessoas podem negar e dizer: ‘Ei, cara... você não pode ser de fato viciado em pornografia. Não tem como.’ Mas eu vou dizer algo para vocês: se o dia vira noite e você continua assistindo, você provavelmente tem um problema. Esse era eu”, confessou.

Segundo o ator, esse vício trouxe sérios problemas ao seu casamento e o fez atentar para a necessidade urgente de uma mudança drástica. “Isso afetou tudo. Não contei para a minha esposa, não contei para os meus amigos, ninguém sabia, mas a internet permitiu que esse segredinho permanecesse e crescesse. [...] Minha mulher estava literalmente como: ‘Eu não conheço mais você. Estou fora. E isso me mudou. Eu tive que mudar, porque percebi: ‘Ei, essa coisa é um grande problema’”, disse.

Veja o vídeo abaixo:



terça-feira, fevereiro 23, 2016

Física adventista ajuda a encontrar as ondas gravitacionais

A física Tiffany Summerscales
Uma física adventista do sétimo dia faz parte da equipe internacional que ocupou as manchetes mundiais ao anunciar a primeira detecção das ondas gravitacionais, uma descoberta que promete abrir uma nova era na astronomia. Tiffany Summerscales, professora associada de Física na Universidade Andrews, nos Estados Unidos, auxiliou na pesquisa realizada pelo LIGO Collaboration, que detectou as ondas gravitacionais provocadas pela colisão de dois buracos negros a bilhões de anos luz da Terra. Segundo ela, a descoberta, publicada na revista Physical Review Letters há duas semanas, dá aos cientistas uma nova ferramenta para explorar o Universo. “Imagino as ondas gravitacionais como sendo a verdadeira ‘música das esferas’”, pontua Tiffany. “Os detectores do LIGO são os rádios que construímos a fim de podermos ouvir essa música. Até agora obtivemos apenas a primeira nota – bem, um gorjeio, na verdade – mas sabemos que há mais que poderemos ouvir quando aprendermos a sintonizar melhor os nossos rádios.”

Graduada em 1999 pela Universidade Andrews, em Berrien Springs, Michigan, ela começou a trabalhar com a equipe do LIGO Collaboration, com mais de mil físicos, enquanto fazia o doutorado, uma década e meia atrás, na Penn State University, na Pennsylvania. Tiffany falou sobre a importância da descoberta e do que a física significa para ela como adventista do sétimo dia, em uma entrevista para a Adventist Review.

Qual foi exatamente sua contribuição nesse projeto?

Sou membro do LIGO Collaboration há 15 anos ou mais. Esse é o grupo de pessoas que ajudam na concepção e melhoria dos detectores, analisam os dados produzidos e fazem ciência com esses dados. Especificamente, tenho trabalhado em dois tipos de projetos. Meus alunos e eu fazemos parte de uma equipe que trabalha no desenvolvimento e testes de um dos algoritmos de computador que analisa os dados e tenta caracterizar os sinais das ondas gravitacionais que são encontradas. Nós também participamos em atividades educacionais e de sensibilização pública.

O que a descoberta das ondas gravitacionais significa para você, pessoalmente?

É muito emocionante. Todos nós na Collaboration trabalhamos em prol desse momento, por muito tempo – alguns por mais décadas do que eu. Foi necessário um longo tempo para tornar os detectores suficientemente sensíveis para medir essas tênues ondas do espaço. Agora que as medimos, podemos nos tornar os astrônomos de ondas gravitacionais que sempre desejamos ser. Usar as ondas gravitacionais para investigar os mistérios do Universo será formidável. Eu espero surpresas.

Você pode dar alguns palpites das possíveis surpresas?

As ondas se produzem melhor diante de alguns eventos astronômicos dos quais temos o mínimo conhecimento. Até agora, só fomos capazes de ver as estrelas e as nuvens de gás orbitando ao redor e sendo atraídas aos buracos negros. Os buracos negros em si não emitem luz, mas sim produzem ondas gravitacionais. Ao medir essas ondas, seremos capazes de ver como é o espaço imediato ao redor dos buracos negros. Atualmente, não temos uma boa forma de testar como se comportam as regiões de gravidade muito forte.

Outro exemplo é o das explosões de supernovas que resultam no colapso de uma estrela maciça no final de sua vida. Vemos a explosão pelo lado de fora, mas não podemos ver o que acontece no centro. O núcleo da estrela entra em colapso até que ele se torna tão denso que os átomos se esmagam, até que todo o núcleo se torna uma grande bola de nêutrons, um tipo como um único átomo imenso (menos os prótons). Ninguém sabe como se comporta essa substância nêutron-estrela, porque não podemos fazer isso no laboratório, mas as ondas gravitacionais serão produzidas a partir do centro da supernova e trarão informações de como se parece esse tipo de matéria.

O que essa descoberta significa para os adventistas?

Uma vez que os adventistas são seres humanos, significa que temos um novo tipo de astronomia para aprender mais sobre o Universo. Para mim, aprender mais a respeito do Universo é muito inspirador, pois ele contém ecos da grandeza de Deus.

Ampliando esse pensamento, como você vê a mão de Deus em seu trabalho?

O espaço é vasto, impressionante e de uma beleza “de cair o queixo”. Na verdade, diariamente eu passo ainda mais tempo trabalhando com os alunos. Há muitas oportunidades aí para ver Deus operando na vida deles e os levando a se tornarem jovens adultos com grande potencial para impactar positivamente o mundo.

Qual é seu verso bíblico favorito e por quê?

Posso escolher dois? Miqueias 6:8 e Eclesiastes 3:11. O primeiro porque resume nosso relacionamento com Deus e destaca o que é mais importante: a justiça, a misericórdia e a humildade, que são diferentes aspectos do amor. Eclesiastes 3:11 destaca a maravilha de Deus e de Sua criação, e a parte “pôs na mente do homem a ideia da eternidade” me faz lembrar de como me sinto quando penso na vastidão do espaço.

Há algo que você gostaria de acrescentar e que eu não lhe perguntei?

Eu gostaria de incentivar os leitores a buscar mais informações. Há vídeos online com gráficos realmente legais que fazem um trabalho melhor de explicar o que foi descoberto e que não é fácil transmitir com palavras. Um bom lugar para começar é: ligo.caltech.edu/detection

(Equipe ASN, Andrew McChesney)

Michelson Borges (coadjuvante)

segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Retiros: opção saudável ao carnaval

Contato com Deus e com a natureza
Enquanto milhares de pessoas se entregam à folia todos os anos em nosso país, um número ainda maior de brasileiros aproveita o feriado para viajar ou simplesmente descansar. Mas há pessoas que optam por algo diferente e mais saudável e edificante: vão para retiros espirituais. Neste ano, fui com minha família para um retiro em Tanguá, no Rio de Janeiro. Tive o privilégio de apresentar palestras para um grupo de 200 pessoas, num local muito bonito em meio à natureza. Como chegamos ao Rio na sexta-feira à tarde, pudemos (infelizmente) ver um pouco da agitação que estava tomando conta da cidade, com pessoas vestidas em fantasias (e outras quase não vestidas) e engarrafamentos em várias ruas. Os bares estavam apinhados de gente “esquentando os motores” para a “celebração da carne” e os desfiles que teriam início dali poucas horas. Conforme me disseram os novos amigos que fiz no retiro, a cidade fica insuportável para quem gosta de sossego e abomina os excessos a que as pessoas se entregam nessa época do ano. O jeito, então, para quem pode, é literalmente fugir das cidades.
Foi o que fizemos. Depois de viajar cerca de 70 km de ônibus a partir da capital, com os irmãos da Igreja Adventista de Guadalupe, chegamos ao sítio Juvak, no pequeno município de Tanguá (tem uns 30 mil habitantes). O local é realmente muito bonito, como você pode ver nas fotos. Há muitas árvores, sombra e um lindo cenário circundante. Ótimo lugar para a realização das atividades típicas de um retiro adventista: cultos, palestras, jantares especiais temáticos, gincanas, recreação e muita interação para cultivar amizades. A gente quase se esquece de que lá fora, no mundão, o “clima” é outro.
Entre as várias pessoas que pude conhecer, duas me chamaram a atenção pela história de vida. 

Cuidado! Somos todos viciados em distração

Esta geração está perdendo muito
Certa noite, no começo do último verão, eu abri um livro e me flagrei relendo o mesmo parágrafo de novo e de novo, uma meia dúzia de vezes, até me dar conta de que não adiantava continuar. Eu estava simplesmente incapaz de me concentrar o suficiente. Fiquei horrorizado. Ao longo de toda a minha vida, ler sempre foi uma fonte profunda e consistente de prazer, aprendizado e consolação. Agora os livros que eu comprava com regularidade tinham começado a se empilhar na minha mesinha de cabeceira e me encaravam com um olhar silencioso de reprovação. Eu vinha passando tempo demais online, em vez de ler, verificando o número de visualizações do site da minha empresa, comprando mais meias coloridas na Gilt e na Rue La La, por mais que eu já tivesse mais meias do que precisava. [...]

No trabalho, eu olhava o e-mail com mais frequência do que eu admitia e passei tempo demais procurando ansiosamente por informações novas sobre a campanha presidencial, por mais que fosse demorar ainda mais um ano até virem as eleições. “A internet é feita para ser um sistema de interrupção, uma máquina configurada para dividir as nossas atenções”, explica Nicholas Carr em seu livro A Geração Superficial: O que a internet está fazendo com os nossos cérebros. “Aceitamos de bom grado a perda de concentração e foco, a divisão de nossa atenção e a fragmentação de nossos pensamentos, em troca de recebermos uma fortuna de informações interessantes ou, pelo menos, capazes de nos distrair.”

Um vício é a atração implacável a uma substância ou atividade, que se torna tão compulsiva que acaba interferindo com a vida cotidiana. Indo por essa definição, quase todo mundo que conheço tem algum grau de vício na internet. Pode-se dizer até que ela já substituiu o trabalho como o vício mais socialmente aceito hoje.

Segundo uma pesquisa recente, o empregado médio num escritório gasta cerca de seis horas por dia só com e-mail. Essa estatística não inclui o tempo online gasto com compras, buscas ou acompanhando redes sociais.

A fome do cérebro por novidades, estimulação constante e gratificação instantânea cria algo chamado de “ciclo da compulsão”. Como ratos de laboratório ou viciados em drogas, precisamos de doses cada vez mais fortes para obter o mesmo efeito. O problema é que nós humanos temos um reservatório bastante limitado de força de vontade e disciplina. Nossa chance de sucesso é muito maior se tentarmos mudar um comportamento só por vez, idealmente no mesmo horário todos os dias, de modo que ele se torne rotina, exigindo cada vez menos energia para manter.

O acesso infinito a novas informações também sobrecarrega com facilidade nossa memória de trabalho. Quando atingimos a sobrecarga cognitiva, nossa capacidade de transferir o aprendizado para a memória de longo prazo se deteriora significativamente. É como se o cérebro tivesse se tornado um copo cheio d’água e qualquer gota a mais o fizesse transbordar.

Faz muito tempo que estou ciente disso. Comecei a escrever sobre o assunto há mais de 20 anos já. Todos os dias explico isso para os meus clientes, só que eu mesmo nunca acreditei de verdade que uma coisa dessas pudesse valer para mim. A negação é a primeira defesa do viciado. Nenhum obstáculo para a recuperação é maior do que a capacidade infinita de racionalizarmos nossos comportamentos compulsivos. Após anos sentindo que eu estava me virando razoavelmente bem, no último inverno acabei caindo num período intenso de viagens enquanto tentava, ao mesmo tempo, gerenciar uma empresa de consultoria em crescimento. No começo do verão, de repente me dei conta de que eu não estava me virando tão bem assim, e tampouco me sentia bem com isso.

Além de passar muito tempo na internet e sentir minha atenção se dispersar, eu também não estava me alimentando direito. Eu bebia refrigerante diet em excesso e com muita frequência tomava um drinque a mais por noite. Também tinha parado de me exercitar diariamente, como tinha sido o meu costume a vida inteira.

Em resposta, criei um plano cuja ambição beirava o irracional. Durante os 30 dias que se seguiram, tentei corrigir esses comportamentos e muitos outros, tudo de uma vez. Era um surto de grandiosidade, o exato oposto do que recomendo para os meus clientes todos os dias. Mas eu tinha racionalizado que ninguém tem um maior comprometimento com o autoaperfeiçoamento do que eu. Esses comportamentos estão todos interligados. “Eu consigo”, eu pensava.

Pude obter algum sucesso naqueles 30 dias. Apesar das tentações, consegui parar totalmente de beber refrigerante diet e álcool (três meses depois, eu continuo sem beber refrigerante). Também abri mão de açúcar e carboidratos como macarrão e batata. Voltei a me exercitar com regularidade. Foi com um único comportamento que fracassei por completo: reduzir meu tempo na internet. Meu compromisso inicial era o de impor limites à minha vida online. Decidi que só iria olhar o e-mail três vezes por dia: quando acordasse, na hora do almoço e antes de ir para casa no fim do dia. No primeiro dia, aguentei firme até a metade da manhã, então entrei em crise. Eu era como um viciado em doces trabalhando numa confeitaria, tentando resistir à vontade de comer um cupcake.

O que derrotou a minha força de vontade naquela primeira manhã foi a sensação de que eu tinha a completa necessidade de mandar algum e-mail para alguém sobre um assunto urgente. Eu dizia a mim mesmo que, se eu só redigisse o e-mail e apertasse “enviar” rapidinho, isso não contaria como entrar na internet. O que não levei em consideração foi o fato de que novos e-mails chegavam na minha caixa de entrada enquanto eu escrevia. Nenhum deles precisava de resposta urgente, mas, mesmo assim, para mim era impossível resistir à tentação de dar uma espiadinha na primeira mensagem que tivesse algo interessante no assunto. Depois a segunda. E a terceira.

Em questão de momentos, eu estava de volta ao mesmo ciclo vicioso. No dia seguinte, desisti de tentar reduzir meu tempo online. Em vez disso, me concentrei na tarefa mais simples de resistir ao refrigerante diet, ao álcool e ao açúcar. Mesmo assim, eu estava determinado a tentar de novo o meu desafio com a internet. Várias semanas depois do fim do meu experimento de 30 dias, saí de casa para passar um mês de férias. Era uma oportunidade para concentrar a minha limitada força de vontade num único objetivo: me libertar da internet, numa tentativa de recuperar o controle sobre a minha atenção.

Eu já tinha dado o primeiro passo para a minha recuperação: admitir minha incapacidade de me desconectar. Agora era a hora da desintoxicação. O segundo passo tradicional – a crença de que só um poder superior poderia me ajudar a recuperar a sanidade – eu interpretei de um modo mais secular. O poder superior se tornou a minha filha, de 30 anos, que desconectou o meu celular e notebook do e-mail e da internet. Livre do fardo do conhecimento técnico, eu não fazia ideia de como proceder para reconectar qualquer um dos dois.

De fato, eu me sinto mais controlado agora. Minha atenção está mais dirigida e menos automática. Quando fico online, tento resistir à vontade de navegar até dizer chega. Sempre que possível, tento perguntar a mim mesmo: “É isso mesmo que eu queria estar fazendo?” Se a resposta for negativa, a minha segunda pergunta é: “O que eu poderia estar fazendo que eu acho que seria mais produtivo, mais satisfatório ou mais relaxante?”

Acabei deixando uma só brecha para contato, que foi a mensagem de texto. Em retrospecto, era como se eu estivesse agarrado a um bote salva-vidas digital. Pouquíssimas pessoas na minha vida se comunicam comigo por mensagem de texto. Como estava de férias, na maior parte essas pessoas eram familiares, e as mensagens só continham informações sobre onde nos encontraríamos em vários pontos ao longo do dia.

Nos primeiros dias, eu de fato sofri com a crise de abstinência, o pior sendo a vontade de abrir o Google para sanar alguma dúvida qualquer que surgisse. Mas, a cada dia que se passava offline, eu me sentia mais relaxado, menos ansioso, mais concentrado e com menos fome de estímulos breves e instantâneas. O que aconteceu com o meu cérebro é exatamente o que eu esperava que fosse acontecer: ele começou a sossegar.

Eu havia trazido comigo, nessas férias, mais de uma dúzia de livros, de tamanhos e níveis de dificuldade variados. Comecei com não-ficção breve, depois passei para a não-ficção longa, conforme fui me sentindo mais calmo e mais concentrado. [...] Na medida em que as semanas foram passando, consegui abrir mão da minha necessidade de fatos como fonte de gratificação. Em vez disso, passei então para os romances. [...]

Estou de volta ao trabalho agora, e, por isso, é claro, de volta à internet. Não é como se fosse possível abrir mão da internet, e ela ainda vai consumir muito da minha atenção. Meu objetivo no momento é encontrar o melhor equilíbrio possível entre o meu tempo online e offline.

Também faço questão agora de incluir atividades mais envolventes no meu dia a dia. Sobretudo, eu continuei minhas leituras, não só porque amo ler, mas também como parte da minha prática para melhorar a atenção. Outra coisa foi que eu mantive ainda meu ritual antigo de decidir na noite anterior qual será a coisa mais importante que devo fazer no dia seguinte. Seja o que for, ela acaba sendo a minha primeira atividade de trabalho, à qual dedico de 60 a 90 minutos ininterruptos de concentração. Depois, faço um intervalo de 10 a 15 minutos para a mente sossegar e recobrar as energias.

Se tiver mais trabalho ao longo do dia que exija concentração ininterrupta, eu saio completamente da internet durante períodos determinados, repetindo o meu ritual matutino. De noite, quando vou para o quarto, quase sempre deixo meus aparelhos digitais no andar de baixo.

Por fim, agora eu me sinto comprometido a tirar pelo menos um período de férias digitais por ano. Tenho o privilégio raro de poder tirar várias semanas de folga por vez, mas aprendi que até uma única semana offline já é capaz de ter profundos efeitos restauradores.

Por vezes, eu me flagro revendo mentalmente uma imagem assombrosa do meu último dia de férias. Eu estava sentado num restaurante com a família quando um homem com uns 40 e poucos anos chegou e sentou com a filha, que devia ter uns 4 ou 5 anos e era uma graça. Assim que o homem chegou, ele concentrou sua atenção quase de imediato no celular. Enquanto isso, sua filha era um redemoinho de energia e inquietude, subindo no assento, andando em cima da mesa, acenando e fazendo careta para chamar a atenção do pai. Exceto por brevíssimos momentos, porém, ela não conseguiu chamar sua atenção e acabou desistindo depois de um tempo, com tristeza. O silêncio era ensurdecedor.


Nota: Talvez, nestes tempos de imersão digital que rouba nossa atenção e nosso tempo para o que realmente vale a pena, um dos textos bíblicos mais oportunos seja este: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus” (Salmo 46:10). Que tal praticar o hábito de se desconectar de quando em quando para se relacionar, ler bons livros, meditar e estudar a Bíblia? Se não criarmos esses hábitos, pior do que o que aconteceu com o autor do texto acima, não perderemos apenas a capacidade de concentração, perderemos nossa espiritualidade e nossa comunhão com Deus. Pense nisso. [MB]

Perfeição cristã vs. perfeccionismo

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Origens dos dinossauros (e o que aconteceu com eles)

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Igrejas fazem campanha para “celebrar o evolucionismo”

Jogada de mestre e uma nova adoração
No último domingo, centenas de igrejas na América do Norte “comemoraram” o aniversário de Charles Darwin num evento conhecido como “Final de semana da evolução”. Desde 2006, um grupo crescente de líderes evangélicos tem se unido ao movimento que defende a “verdade” do evolucionismo e divulga que o relato de Gênesis 1 e 2 é meramente uma “fabula”. A lista conta com mais de 13.000 pastores que subscrevem ao movimento “Carta do clero”, onde eles apoiam que seja ensinado do púlpito de suas igrejas que “ciência e fé podem conviver”. São membros de centenas de denominações, incluindo batista, luterana, metodista, unitariana, episcopal e presbiteriana. Incomodado com o que considera uma “afronta à Bíblia”, o pastor Tony Breeden fundou em 2009 um movimento para resgatar o ensino do criacionismo nas igrejas. Batizado de “Carta da criação”, ele não tem recebido muito apoio. Mesmo assim, divulga a ideia de que as igrejas que defendem a Bíblia como Palavra de Deus inerrante [sic] promovam um “Domingo da Criação”, onde reafirmem a interpretação literal das Escrituras, que mostra Deus como o Autor de toda a criação.

Em entrevista ao site Christian News Network, Breeden explica que tem recebido o apoio de ministérios apologéticos, incluindo Living Waters, Answers in Genesis e Creation Ministries International. Explica também que muitos pastores evitam pregar sobre o criacionismo, alegando que isso causa “divisões” na congregação. Não só a evolução é incompatível com a Bíblia, Breeden argumenta, como também leva muitas pessoas a se afastar da fé cristã. Para ele, essa é a única divisão que pode ocorrer.

“O naturalismo é uma ferramenta útil para a investigação do mundo e tudo que nele existe, mas suas conclusões precisam ser contrastadas com a revelação infalível da palavra de Deus”, dispara.

Em seu site, ele apresenta estatísticas mostrando que um número crescente de pessoas abandona a igreja quando começa a questionar a veracidade das Escrituras desde o seu início [Gênesis]. Segundo Breeden, cerca de 70% dos jovens cristãos acabam se desviando após “adotar” o evolucionismo como verdade.


Nota: O último parágrafo do texto acima mostra a consequência de se adotar o evolucionismo como explicação para as origens, e deixa claro também a que (e a quem) se presta essa filosofia. Filosofia? Sim, filosofia. De acordo com meu amigo astrofísico Eduardo Lutz, o evolucionismo não é científico, no sentido estrito. “Está mais para um framework filosófico que inspira modelos. E a maioria desses modelos é qualitativa, diga-se de passagem. Ou seja, também não rigorosa. Um grande problema é que na divulgação tudo parece a mesma coisa: tudo é qualitativo e frequentemente com viés filosófico terrível. Não há como saber o que é e o que não é verdadeira ciência sem ir às fontes originais e conferir”, explica ele. E aqui os religiosos evolucionistas (ou evolucionistas teístas) cometem o grande erro de pensar que evolucionismo é sinônimo de ciência. Mas não é. Há muito de filosofia naturalista no modelo evolutivo, assim como há teologia bíblica no criacionismo bíblico. Mas acontece que os religiosos que abandonam o relato da criação em Gênesis por considerá-lo mitológico estão abandonando uma “mitologia” (assim eles pensam) para abraçar outra que os leva para longe do Criador.

É impossível deixar de perceber a jogada de mestre do inimigo de Deus: primeiro ele promoveu uma versão alternativa para as origens e que dispensa Deus (por mais que os religiosos liberais tentem colocá-Lo na equação); deu-a de presente para os ateus e, depois, trouxe-a para as igrejas, conseguindo, assim, solapar o fundamento das Escrituras e a base teológica de toda a Bíblia. Conseguiu, finalmente, misturar água e óleo.

E o que fazem outros religiosos tentando salvar o que restou de cristianismo criacionista? Escolhem o domingo para celebrar a criação! Está todo mundo louco?! Que confusão é essa?! O único dia bíblico que comemora a criação do mundo em seis dias é o sétimo, estabelecido pelo próprio Criador lá no começo (Gn 2:1-3), ratificado em tábuas de pedra escritas pelo dedo dEle (Êx 20:8-11) e observado por Jesus (Lc 4:16). Deus nos manda guardar o sábado justamente porque “em seis dias fez o Senhor os céus e a terra”.

Enquanto os cristãos não retornarem definitiva e consistentemente à Bíblia, tudo o que veremos neste mundo é incoerência e confusão religiosa/teológica. E uma multidão abandonando a igreja, Deus e o bom senso. [MB]  


quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Flor em fóssil de “15 milhões de anos” é igual às de hoje

Toda a complexidade das atuais
Pesquisadores da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, descreveram uma nova espécie de planta graças à descoberta de flores fossilizadas dentro de pedaços de âmbar que têm pelo menos 15 milhões de anos. As duas flores estavam entre os 500 fósseis coletados em uma expedição realizada em 1986 pelo professor George Poinar, um famoso entomologista. A maioria das amostras coletadas era de insetos, mas, depois de quase 30 anos de pesquisas, o professor começou a analisar as flores. Poinar percebeu que elas estavam praticamente intactas, algo muito difícil de acontecer com plantas presas em âmbar: geralmente sobram apenas fragmentos. Em 2015, Poinar enviou fotos em alta resolução para Lena Struwe, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey. “Parecia que essas flores tinham acabado de cair de uma árvore. Pensei que poderiam ser flores Strychnos”, disse Pionar.

Ao receber as amostras presas em âmbar, Struwe comparou a estrutura física de todas as 200 flores conhecidas da espécie Strychnos, analisando coleções inteiras de muitos museus e acervos. E comprovou a descoberta do colega. A professora disse que as características usadas para identificar espécies de Strychnos estão na morfologia da flor, e “por sorte era o que encontramos nesse fóssil”.

“Analisei cada amostra de espécie do Novo Mundo, fotografei e medi e comparei com a foto que George me mandou e me perguntei: ‘Como são os pelos nas pétalas? Onde eles estão situados?’, e assim por diante.”

A descoberta foi divulgada na revista especializada Nature Plants.

A nova planta, batizada de Strychnos electri, pertence ao gênero de arbustos tropicais e árvores conhecidos por produzir a toxina estricnina. E, para os animais do fim do período cretáceo que conviveram com ela, a planta era um perigo a mais. “Espécies do gênero Strychnos são quase todas tóxicas de alguma forma”, explicou George Poinar. “Cada planta tem seus próprios alcaloides com efeitos variados. Algumas são mais tóxicas que outras e pode ser que tenham sido bem-sucedidas porque seus venenos ofereciam algum tipo de defesa contra os animais herbívoros”, acrescentou. [...]

Mas essas plantas também são da família das “asterídeas”, que inclui mais de 80 mil plantas floríferas - até mesmo muitas que são de consumo humano, como a batata, o café e o girassol.

A descoberta dessas flores quase intactas e tão antigas é mais um elemento muito importante ao registro de fósseis dessa família, que ainda não é totalmente compreendida pelos cientistas.


Nota: Em “15 milhões de anos” a planta não mudou nada, é perfeitamente relacionada com suas equivalentes contemporâneas e já dispunha de toda a complexidade que uma flor possui e da qual as plantas com flores dependem para sobreviver e se reproduzir. E ainda querem que eu creia na evolução... [MB]

Leia mais sobre evolução e flores aqui e aqui.