quarta-feira, novembro 15, 2017

As coisas encobertas e as reveladas

“‘As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus; porém, as reveladas são para nós e para nossos filhos para sempre’ (Deuteronômio 29:29). Precisamente como Deus realizou a obra da criação, jamais Ele o revelou ao homem; a ciência humana não pode pesquisar os segredos do Altíssimo. Seu poder criador é tão incompreensível como a Sua existência. Deus permitiu que uma inundação de luz fosse derramada sobre o mundo, tanto nas ciências como nas artes; mas quando professos cientistas tratam esses assuntos de um ponto de vista meramente humano, chegarão certamente a conclusões errôneas. Pode ser inofensivo pesquisar além do que a Palavra de Deus revelou, se nossas teorias não contradizem fatos encontrados nas Escrituras; mas aqueles que deixam a Palavra de Deus e procuram explicar Suas obras criadas por meio de princípios científicos, estão vagando sem mapa nem bússola em um oceano desconhecido” (Ellen G. White, Patriarcas a Profetas, p. 72).

Em algumas ocasiões, vi o texto acima ser citado em um contexto em que se procurava desacreditar resultados de pesquisas científicas, especialmente na área de Cosmologia. No contexto original, essa citação serve de advertência à insuficiência do intelecto humano diante da grandeza de Deus e da natureza bem como a necessidade de fazermos uso da verdadeira ciência (em oposição à ciência humana) para entendermos mais profundamente tanto a natureza quanto a Bíblia.

Lido fora de contexto, esse trecho passa praticamente a ideia oposta ao que o texto como um todo nos diz em relação à verdadeira ciência. É importante dedicar algum tempo a considerar esse contexto.

Trata-se do capítulo 9 do livro Patriarcas e Profetas, de Ellen White, cujo título é “A Semana Literal”.

O capítulo inicia falando do sábado e de como ele se originou na criação da Terra e foi preservado e trazido até nós através da história bíblica. Menciona a lei dada no Sinai, que inclui o mandamento sobre o sábado. Menciona a hipótese de que cada dia da semana de Gênesis 1 seriam milhares de milhares de anos e como isso não faz sentido diante da ordem para trabalharmos seis dias e descansarmos no sétimo associada à semana da criação. Diz que essa ideia não está em conformidade com o método com que o Criador trata de Suas criaturas.

“‘Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da Sua boca.’ ‘Porque falou, e tudo se fez; mandou, e logo tudo apareceu” (Salmo 33:6, 9). A Bíblia não admite longas eras em que a Terra vagarosamente evoluiu do caos. De cada dia consecutivo da criação, declara o registro sagrado que consistiu de tarde e manhã, como todos os outros dias que se seguiram. No final de cada dia dá-se o resultado da obra do Criador” (p. 70).

Notemos que o assunto aqui continua sendo a criação da Terra. A autora segue dizendo que “pretendem geólogos achar prova na própria Terra de que ela é muitíssimo mais velha do que ensina o registro mosaico... a Terra foi povoada muito tempo antes da era referida no registro da criação... Tal raciocínio tem levado muitos crentes professos na Bíblia a adotar a opinião de que os dias da criação foram períodos vastos, indefinidos. Mas, fora da história bíblica, a geologia nada pode provar”.

“Há um esforço constante, feito com o fim de explicar a obra da criação como resultado de causas naturais; e o raciocínio humano é aceito mesmo pelos cristãos professos, em oposição aos claros fatos escriturísticos. Muitos há que se opõem ao estudo das profecias, especialmente as de Daniel e Apocalipse, declarando serem tão obscuras que não podemos entendê-las; contudo estas mesmas pessoas recebem avidamente as suposições dos geólogos, em contradição com o registro mosaico. Mas se aquilo que Deus revelou é tão difícil de entender, quão incoerente é aceitar meras suposições com relação àquilo que Ele não revelou!”

Note que o “esforço constante” mencionado pela autora não se refere à tentativa de entender o que Deus faz à luz das leis conhecidas, mas à tentativa de eliminar Deus do cenário, atribuindo a criação a causas naturais. Há quem confunda essas duas abordagens como se fossem uma só e a mesma. É nesse contexto que se insere o texto que mencionamos no início.

Iniciemos observando as seguintes frases: “Precisamente como Deus realizou a obra da criação, jamais Ele o revelou ao homem; a ciência humana não pode pesquisar os segredos do Altíssimo. Seu poder criador é tão incompreensível como a Sua existência.”

A que obra de criação a autora se refere? Como já vimos, o assunto é a criação da Terra (ou terraformação) em uma semana literal. O texto bíblico não diz como Deus realizou todos aqueles feitos; apenas menciona passos e algumas definições de termos como céus e terra para deixar bem claro que o contexto era local, não universal. Mas não há detalhes técnicos sobre como exatamente Deus realizou a terraformação.

“A ciência humana não pode pesquisar os segredos do Altíssimo.” Fora do contexto, essa afirmação pode nos levar a crer que jamais deveríamos tentar utilizar a ciência para estudar a criação (o criacionismo científico seria uma blasfêmia) ou muito menos a Deus. Como harmonizar isso com todas as recomendações bíblicas para estudarmos a Deus por meio da natureza, e especialmente com Romanos 1:19 e 20, que diz que o que se pode saber sobre Deus está escrito na natureza? Na verdade, a própria Ellen White esclarece o assunto em outros textos e fornece dicas no próprio capítulo que estamos discutindo. A chave está na expressão “ciência humana”.

O que ela chama de “ciência humana” é o que a maioria das pessoas hoje em dia chama simplesmente de ciência, mas que praticamente nada tem a ver com o conceito de ciência proposto pelos pioneiros da revolução científica. A chamada “ciência humana” não foi responsável pela explosão de conhecimentos dos últimos séculos, até porque ela apenas se vale de ideias que já eram utilizadas havia milênios. O que fez a diferença na revolução científica foi o uso coerente de métodos matemáticos para estudar a realidade, métodos esses aprendidos na própria realidade e representados de várias maneiras por linguagens criadas pela humanidade.

Voltando aos escritos de Ellen White, ela associa a “ciência humana” à vã filosofia e à falsamente chamada ciência. Realmente, o que vemos descrito em livros de filosofia da ciência é uma construção humana baseada em correntes filosóficas.

Em oposição à ciência humana, a autora fala da verdadeira ciência, cujo Autor é Deus: “Aos olhos dos homens, a vã filosofia e a falsamente chamada ciência, são de mais valor do que a Palavra de Deus” (Review and Herald, 8 de novembro de 1892).

“Hoje os homens declaram que os ensinos de Cristo concernentes a Deus não podem ser provados pelas coisas do mundo natural, que a natureza não está em harmonia com as escrituras do Antigo e Novo Testamentos. Não existe essa suposta falta de harmonia entre a natureza e a ciência. A Palavra do Deus do Céu não está em harmonia com a ciência humana, mas em perfeito acordo com Sua própria ciência criada” (Olhando para o Alto, 21 de setembro [Meditações Matinais, 1983]).

“Deus é o autor da ciência. As pesquisas científicas abrem ao espírito vasto campo de ideias e informações, habilitando-nos a ver Deus em Suas obras criadas. A ignorância pode tentar apoiar o ceticismo, apelando para a ciência; em vez de o sustentar, porém, a verdadeira ciência contribui com novas provas da sabedoria e do poder de Deus. Devidamente compreendidas, a ciência e a Palavra escrita concordam entre si, lançando luz uma sobre a outra. Juntas, conduzem-nos para Deus, ensinando-nos algo das sábias e benéficas leis por que Ele opera” (Conselhos aos Pais, Professores e Estudantes, p. 426).

“Há poder no conhecimento de ciências de toda a espécie, e é desígnio de Deus que a ciência avançada seja ensinada em nossas escolas como preparação para a obra que há de preceder as cenas finais da história terrestre” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 186).

“Depois da Bíblia, a natureza deve ser o nosso maior livro de texto” (Conselhos Sobre Educação, p. 171).

“Ao mesmo tempo em que a Bíblia deve ter o primeiro lugar na educação das crianças e jovens, o livro da natureza ocupa o lugar imediato em importância. As obras criadas de Deus testificam de Seu amor e poder. Ele trouxe à existência o mundo, juntamente com tudo que nele se contém” (Exaltai-O Como Criador, 22 de fevereiro [Meditações Matinais, 1992]).

Sendo que é perigoso confiar na ciência humana, e sendo que somos admoestados a ler o livro da natureza como sendo o mais importante depois da Bíblia, de que forma faremos esse estudo? Como vimos, Deus nos disponibilizou a verdadeira ciência para isso. Os mesmos catalisadores que levaram à redescoberta de ensinamentos Bíblicos no fim da Idade Média também levaram à revolução científica.

Continuemos a observar mais alguns itens do capítulo 9 de Patriarcas e Profetas:

“Céticos que leem a Bíblia com o fim de cavilar podem, mediante uma compreensão imperfeita, quer da ciência quer da revelação, pretender achar contradições entre elas; mas, corretamente entendidas, estão em perfeita harmonia.” Notemos que uma compreensão imperfeita da ciência ou da Bíblia faz parecer que há contradições entre uma e outra. De que ciência ela fala aqui? Notemos que a ciência humana é uma forma de entender as coisas (entendimento) e não faz sentido dizer que os que possuem essa forma de entendimento não a entendem. A ciência mencionada aqui, muitas vezes incompreendida mas que está em harmonia com a Bíblia, é a verdadeira (conhecimento em oposição a entendimento).

“Na Palavra de Deus surgem muitas perguntas que os mais profundos sábios jamais poderão responder. A atenção é chamada para esses assuntos, para nos mostrar, mesmo entre as coisas comuns da vida diária, quanta coisa há que mentes finitas, com toda a sua vangloriada sabedoria, jamais poderão compreender amplamente.” Isso tem acontecido em relação à verdadeira ciência também. Nos últimos 200 anos, métodos matemáticos têm revelado à humanidade detalhes que entram em conflito com a intuição comum e até com “verdades filosóficas” tidas por confiáveis durante milênios. Os testes mostraram que a intuição e aquelas “verdades filosóficas” é que estavam erradas. Se tomarmos a Mecânica Quântica como exemplo, podemos notar o quão simples ela é matematicamente, mas ao mesmo tempo quão insondável à filosofia humana ela tem-se mostrado.

Quando confundimos a ciência humana com a ciência verdadeira, tratando ambas como se fossem invenções humanas, o texto do parágrafo anterior, assim como o inicial deste artigo, nos dão a ideia de que simplesmente não devemos confiar na ciência, o que por sua vez nos induz a confiar apenas nas impressões que temos ao ler o texto Bíblico. Mas o que temos nesse capítulo é exatamente uma advertência contra confiar em impressões e intuições. A verdadeira ciência é uma caixa de ferramentas que serve tanto para o estudo da Bíblia quanto da natureza, protegendo-nos contra essa perigosa forma de pensar baseada apenas na intuição humana, em última instância.

Na sequência do capítulo, encontramos algo muito interessante e que ilustra bem o tipo de inversão de sentido que acontece quando descontextualizamos textos nessa área. Notemos os dois parágrafos a seguir:

“Contudo, homens de ciência julgam poder compreender a sabedoria de Deus, aquilo que Ele fez ou pode fazer. A ideia de que Ele é restrito pelas Suas próprias leis, prevalece largamente.” Muitos leem isso e concluem que Deus viola as próprias leis. Sendo assim, é inútil tentar utilizar leis físicas para saber mais sobre milagres ou sobre a criação. Sim, essas coisas são inacessíveis à ciência humana, mas não à verdadeira.

Os naturalistas (proponentes da ciência humana) “não creem no sobrenatural, não compreendendo as leis de Deus, ou o Seu poder infinito para executar Sua vontade por meio delas”. É interessante notar que o destaque aqui é o de que Deus tem poder infinito para executar Sua vontade por meio das leis físicas. Também é mencionado que no naturalismo não há compreensão das leis de Deus. Aliás, a totalidade das leis de Deus não é compreensível por seres finitos, pois essas leis se desdobram infinitamente. É importante notar, porém, que incompreensível não é sinônimo de ininteligível. Podemos entender cada lei, mas não temos como sequer conhecer todas, embora conheçamos seu princípio gerador.

“Muitos ensinam que a matéria possui força vital: que certas propriedades são comunicadas à matéria, e que então fica ela a agir por meio de sua própria energia inerente; e que as operações da natureza são dirigidas de acordo com leis fixas, nas quais o próprio Deus não pode interferir. Isto é ciência falsa, e não é apoiado pela Palavra de Deus. A natureza é serva de seu Criador. Deus não anula Suas leis, nem age contrariamente a elas; mas está continuamente a empregá-las como Seus instrumentos. A natureza testifica de uma inteligência, de uma presença, de uma energia ativa, que opera em suas leis e por meio das mesmas leis.”

Notemos como esse trecho combate vários erros opostos, mas igualmente perigosos: o de que as leis físicas limitam a Deus por um lado e a ideia de que, como Deus é superior às leis físicas, Ele as violaria de vez em quando.

Como mencionamos de passagem antes, essa questão é semelhante aos dois erros aparentemente opostos mas igualmente perigosos que costumam ser cometidos no contexto do texto inicial. Um deles é confiar na sabedoria humana, seja na interpretação da Bíblia, seja na interpretação da natureza. O outro é achar que a ciência é algo inadequado para estudar as coisas de Deus e a criação. Na verdade, esses dois erros são instâncias de um mesmo problema conceitual: a confiança na intuição humana; em um dos casos essa confiança é depositada nas impressões que alguns têm ao estudar a Bíblia e na ideia de que essas impressões são mais seguras do que estudos verdadeiramente científicos sobre a natureza; no outro caso, confia-se na intuição humana que, com alguma organização, passa a ser chamada (falsamente) de ciência e utilizada para contradizer a Bíblia.

“Deus é o fundamento de todas as coisas. Toda verdadeira ciência está em harmonia com Suas obras; toda verdadeira educação conduz à obediência ao Seu governo. A ciência desvenda novas maravilhas à nossa vista; faz altos voos, e explora novas profundidades; mas nada traz de suas pesquisas que esteja em conflito com a revelação divina. A ignorância pode procurar apoiar opiniões falsas a respeito de Deus apelando para a ciência; mas o livro da natureza e a Palavra escrita derramam luz um sobre o outro. Somos assim levados a adorar o Criador, e a depositar uma confiança inteligente em Sua Palavra.”

Se a verdadeira ciência nunca traz algo que esteja em conflito com a revelação divina, não faz sentido que a temamos. A advertência é contra confiar na ciência humana, não na ciência.

“Nenhuma mente finita pode compreender completamente a existência, o poder, a sabedoria, ou as obras do Ser infinito.” Compreender completamente é um pleonasmo, mas é útil para enfatizar o que está sendo explicado. Nem Deus nem Suas leis são compreensíveis, mas isso é diferente de ser inteligível. “Os homens podem estar sempre a pesquisar, sempre a aprender, e ainda há, para além, o infinito.” Se essas coisas fossem ininteligíveis, jamais aprenderíamos sobre elas.

“Aqueles que tomam a Palavra escrita como seu conselheiro encontrarão na ciência um auxílio para compreender a Deus.” Aqui, a palavra compreender é usada no sentido de entender. Então é possível entender a Deus e a ciência é um auxílio para isso, ao contrário do que parecia no texto da abertura deste artigo.

“As Suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o Seu eterno poder, como a Sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas” (Romanos 1:20).

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

terça-feira, novembro 14, 2017

Argumentos falaciosos para a defesa de um universo jovem

Há uma corrente filosófica expressiva no criacionismo que defende que o universo tem de 6 a 10 mil anos de idade. Pessoas que advogam essa linha de pensamento buscam argumentos bíblicos e evidências físicas para defender sua hipótese. Outra corrente criacionista defende que a vida na Terra é jovem, mas o universo é antigo. Essa linha também apresenta argumentos bíblicos e evidências físicas. Ambas as linhas defendem que a semana de Gênesis 1 foi de sete dias literais de 24 horas sem intervalos entre si. Ambas as linhas não podem estar simultaneamente corretas quanto à idade do universo. Ou será que podem? Na verdade, há um modelo desenvolvido por Russel Humphreys que tenta harmonizar ambas as posições. Mas esse é um tema mais complexo, que foge ao nosso escopo do momento.

É saudável que haja diferenças de opinião e que cada um defenda da melhor forma possível seu ponto de vista a fim de que se possam pesar os argumentos e chegar a conclusões mais realistas. O problema surge quando emergem argumentos inválidos e, mesmo quando são apontadas inconsistências, tais argumentos continuam a ser utilizados.

A linha criacionista que defende que o universo é jovem tem afirmado que a palavra “céus” em Gênesis 1 significa “espaço sideral”, “universo”, e que a palavra “terra” significa planeta Terra. Portanto, Gênesis 1 iniciaria falando da criação do universo.

A linha criacionista que defende que o universo é mais antigo do que a Terra cita passagens bíblicas que defendem seu ponto de vista. Entre elas, podemos citar Provérbios 8, que em seu desenvolvimento recua gradativamente no tempo até falar de uma época em que nem sequer o princípio do pó deste mundo existia. Outra passagem bastante citada é Jó 38, que menciona seres inteligentes celebrando a criação da Terra (então o universo já existia). Nessa linha, há também quem argumente que as palavras usadas em Gênesis 1 para céus e terra são definidas no próprio capítulo (céus = o que separa as águas de cima, da chuva, das águas de baixo, líquidas; terra = porção seca) e, juntas, fazem referência ao planeta e arredores (parte seca, atmosfera e alguns objetos observáveis através da atmosfera). Gênesis 1 chega a mencionar a criação do Sol e da Lua, mas não a das estrelas, por exemplo – o texto em hebraico diz que Deus fez o luminar grande para dominar o dia e o pequeno para dominar a noite e as estrelas, não fala em criação das estrelas.

Pelo simples fato de haver dúvidas sobre se “céus” podem significar universo (de acordo com o pensamento atual) ou se significam apenas atmosfera (conforme definido em Gênesis 1:8) já não se podem fazer afirmações sobre a criação do universo com base em Gênesis 1.

A ideia de que o universo é jovem baseia-se na hipótese de que o universo foi criado no primeiro dia da semana de Gênesis 1. Como isso não é possível de ser estabelecido biblicamente, trata-se mais de uma questão de tradição ou de preferência em termos do que acreditar, apesar de isso criar tensões com outras passagens e ensinos bíblicos. Mas até aí pode-se considerar uma questão de preferência intelectual.

O problema surge quando são usadas informações truncadas a respeito de observações do mundo físico como argumentos em favor do modelo conceitual do universo jovem. A seguir, comentaremos alguns a título de exemplo:

1. Existe material interestelar com temperaturas não tão baixas (nuvens de poeira, nebulosas). Se o universo fosse antigo, esse material já estaria muito frio.

2. Se levarmos em conta a velocidade das estrelas em cada galáxia, constataremos que as galáxias não são estáveis e não podem durar muito, pois as estrelas se dispersarão pelo espaço ao longo do tempo.

3. Galáxias chocam-se entre si. Se o universo fosse antigo, todas as galáxias já teriam se chocado.

4. Galáxias espirais não podem ser antigas, pois as espirais se desfazem depois de algum tempo.

Existem outros argumentos que, como esses, podem parecer razoáveis a leigos, mas soam absurdos para quem conhece mais detalhes desses assuntos.

Imagine alguém usando o seguinte argumento: a superfície da Terra constantemente irradia energia térmica para o espaço. Se a Terra tivesse dezenas de dias de idade, até a atmosfera da Terra já estaria toda congelada. Portanto, a Terra não pode ter mais do que uns poucos dias de idade. O que está errado nesse argumento? Simplesmente ignora a energia que o Sol fornece à Terra constantemente. Este argumento é análogo ao do material estelar que teria esfriado se o universo fosse antigo. Há grandes quantidades de radiação aquecendo o material interestelar.

Imagine outro argumento: os planetas do sistema solar se movem a grandes velocidades. Portanto, após uns poucos anos, estarão muito longe uns dos outros e do Sol. A Terra, em particular, percorre quase 500 milhões de quilômetros por ano. Como ainda estamos a uns 150 milhões de quilômetros do Sol, o Sistema Solar não pode ter mais do que uns poucos meses de idade. O que está errado neste quadro? O argumento ignora que os planetas orbitam o Sol. Se não girassem em torno do Sol a uma velocidade suficiente, aí sim é que o Sistema Solar seria instável. É mais ou menos esse o tipo de lógica por trás do argumento 2 acima. Ignora que os componentes de uma galáxia precisam circular a velocidades relativamente altas para evitar que todos se acumulem e colapsem no centro de cada galáxia. O argumento usa justamente o que dá estabilidade às galáxias para tentar estabelecer que elas são instáveis.

Quanto ao argumento 4, a questão é: Em que eles se basearam para afirmar que as galáxias espirais não permanecem espirais por muito tempo? Intuição (falsa ciência) na verdade, pois os cálculos necessários para isso exigem uma tremenda capacidade de processamento. Aliás, esses cálculos têm sido repetidos com cada vez mais precisão em clusters de processadores, e quanto mais precisos são os cálculos, mais parecidos ficam os resultados com a realidade. E o que encontramos? Galáxias espirais se formando como consequência da gravidade e do momentum angular do material e se mantendo por bilhões de anos, assim como outros tipos de galáxias.

E aquela história de que as galáxias não duram muito porque colidem? Ok, carros também colidem frequentemente. Então carros não podem existir há muito tempo porque senão todos já teriam colidido, certo? Sim, existem colisões de galáxias formando novas galáxias, mas também existe um enorme número de galáxias que não teve oportunidade de colidir em bilhões de anos. Só porque existe uma ou outra colisão em meio a bilhões de galáxias não significa que todas colidam rapidamente. Aliás, uma colisão tipicamente demora bilhões de anos. E se houve tempo para haver colisões entre galáxias é porque o universo é antigo.

Note que interessante: um fenômeno que demora bilhões de anos para acontecer é usado como “evidência” de que o universo é jovem. Evolucionistas têm acusado criacionistas de desonestidade intelectual quando se deparam com argumentos assim. Podemos culpá-los por isso?

Tudo isso poderia ser evitado se houvesse mais atenção às regras de exegese e hermenêutica no estudo da Bíblia, assim como atenção aos detalhes técnicos de argumentos supostamente científicos. O resultado do uso de argumentos inconsistentes é um tiro no pé.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)

Não existe homossexualidade verdadeira entre animais selvagens

[Esse assunto já foi tratado aqui no blog, mas nunca é demais apresentar bons argumentos para ajudar a derrubar um mito ideológico sem base científica. – MB]

Nos debates sobre homossexualidade geralmente se faz referência a relações de mesmo sexo entre os animais. Mas existe um comportamento verdadeiramente homossexual entre os animais? A resposta é NÃO, de acordo com declarações de vários especialistas em comportamento animal feitas à BBC Earth. Segundo eles, as relações entre animais de mesmo sexo não representam a expressão de um comportamento verdadeiramente homossexual. Esses fenômenos, em geral, ocorrem por outros motivos, entre eles: (1) estratégias reprodutivas; (2) incentivo e treinamento sexual com espécie do sexo oposto; (3) maturação sexual; (4) fortalecimento dos vínculos sociais; (5) subir na escala social através de relação com membros mais dominantes do grupo; (6) parceria para criar filhotes em razão da ausência de machos.

Os especialistas também disseram que o comportamento homossexual ainda parece ser uma raridade. E concluem dizendo que os seres humanos são o único caso documentado de homossexualidade “verdadeira” em animais [sic] e que talvez nunca encontremos um animal selvagem que seja estritamente homossexual na forma como alguns humanos são. 

Leia a seguir o artigo da BBC na íntegra:

Durante a temporada de acasalamento de inverno, a concorrência é feroz para o acesso a macacas. Mas não é pelo motivo que você pensa. Os machos não só têm que competir com outros machos pelo acesso às fêmeas: eles também têm que competir com fêmeas. Isso ocorre porque, em algumas populações, o comportamento homossexual entre as fêmeas não é apenas comum, é a norma. Uma fêmea montará outra, então estimulará seus órgãos genitais esfregando-os contra a outra fêmea. Algumas se mantêm presas umas às outras com seus membros usando uma “montada abraçada dupla com os pés”, enquanto outras se sentam em cima de seus companheiros em uma espécie de posição estilo jockey, diz Paul Vasey, da Universidade de Lethbridge, em Alberta, Canadá, que estudou esses macacos há mais de 20 anos.

Para nossos olhos, esses encontros parecem surpreendentemente íntimos. As fêmeas olham fixamente nos olhos umas das outras enquanto se acasalam, o que macacos quase nunca fazem fora dos contextos sexuais. Os pares podem até durar uma semana inteira, montando centenas de vezes. Quando não estão acasalando, as fêmeas ficam juntas para dormir e se divertir, e se defender contra possíveis rivais.

Que muitos humanos são homossexuais é bem conhecido, mas também sabemos que o comportamento é extremamente comum em todo o reino animal, desde insetos até mamíferos. Então, o que está acontecendo realmente? Esses animais podem ser chamados de homossexuais?

Observaram-se animais se envolvendo em acasalamentos do mesmo sexo por décadas. Mas, na maior parte do tempo, os casos documentados foram amplamente vistos como anomalias ou curiosidades.

O ponto de virada foi o livro de Bruce Bagemihl (1999), Biological Exuberance (Exuberância Biológica), que delineou tantos exemplos, de tantas espécies diferentes, que o tema entrou em evidência. Desde então, os cientistas estudaram esses comportamentos de forma sistemática.

Apesar da lista de exemplos de Bagemihl, o comportamento homossexual ainda parece ser uma raridade. Provavelmente esquecemos de alguns exemplos, visto que, em muitas espécies, machos e fêmeas são muito parecidos. Mas enquanto centenas de espécies foram documentadas fazendo isso em ocasiões isoladas, apenas um pequeno grupo tornou uma parte habitual de suas vidas, diz Vasey.

Para muitos, isso não é surpreendente. Em face disso, o comportamento homossexual de animais parece uma ideia muito ruim. A teoria da evolução de Darwin pela seleção natural implica que os genes devem passar para a próxima geração, ou eles irão ser eliminados. Quaisquer genes que façam com que um animal se engaje em acasalamentos do mesmo sexo seria menos propenso a perpetuar-se do que genes que pressionem o surgimento de pares heterossexuais, então a homossexualidade deveria perecer rapidamente.

Mas isso, evidentemente, não é o que está acontecendo. Para alguns animais, o comportamento homossexual não é um evento ocasional – o que podemos colocar em erros simples –, mas uma coisa normal. Tome como exemplo os macacos. Quando Vasey observou pela primeira vez que as fêmeas montavam entre si, ele ficou “deslumbrado” com a frequência com que faziam isso. “Tantas fêmeas do grupo estão envolvidas nesse comportamento e há machos sentados ao redor girando seus polegares”, diz ele. “Deve haver uma razão para isso. Não há como esse comportamento ser irrelevante para a evolução.”

A equipe de Vasey descobriu que as fêmeas usam uma maior variedade de posições e movimentos do que os machos. Em um estudo de 2006, eles propuseram que as fêmeas simplesmente buscavam prazer sexual e usavam diferentes movimentos para maximizar as sensações genitais. “Elas podem fazê-lo em um contexto homossexual tão facilmente como em um contexto heterossexual, então o comportamento se espalha”, diz Vasey.

Mas, em todas as parcerias homossexuais às quais as fêmeas se entregam, Vasey é claro ao dizer que elas não são verdadeiramente homossexuais. Uma fêmea pode se envolver em uma montagem fêmea-fêmea, mas isso não significa que ela não esteja interessada em machos. As fêmeas costumam montar machos, aparentemente para encorajá-los a se acasalar mais. Uma vez que evoluíram esse comportamento [sic], tornou-se fácil para elas aplicá-lo a outras fêmeas também.

Em alguns casos, há uma razão evolutiva bastante direta para que os animais se envolvam em comportamentos homossexuais. Tomemos as moscas das frutas masculinas. Nos primeiros 30 minutos de vida, elas tentarão copular com qualquer outra mosca, macho ou fêmea. Depois de um tempo, eles aprendem a reconhecer o cheiro de fêmeas virgens e concentram-se nelas.

Essa abordagem de tentativa e erro pode parecer bastante ineficiente, mas na verdade é uma boa estratégia, diz David Featherstone, da Universidade de Illinois em Chicago, EUA. Na natureza, as moscas em diferentes habitats podem ter misturas de feromônio ligeiramente diferentes. “Um macho poderia estar perdendo a oportunidade de ter descendentes viáveis ​​se ele estivesse atento apenas a um certo cheiro”, diz Featherstone.
Os besouros de farinha masculinos usam um truque sorrateiro. Muitas vezes, eles se montam, e chegam tão longe a ponto de depositar esperma. Se o macho que leva esse esperma acasalar com uma fêmea mais tarde, o esperma pode ser transferido – de modo que o macho que o produziu fertilizou uma fêmea sem ter que cruzar com ela.

Em ambos os casos, os machos usam o comportamento homossexual como uma forma indireta de fertilizar mais fêmeas. Então, está claro como esses comportamentos podem ser favorecidos pela evolução [sic]. Mas também é claro que as moscas da fruta e os besouros de farinha estão muito longe de ser estritamente homossexuais.

Outros animais realmente parecem ser homossexuais ao longo da vida. Uma dessas espécies é o albatroz Laysan, que faz ninhos no Havaí, EUA. Entre esses enormes pássaros, os pares são geralmente “casados” por toda a vida. É preciso que dois pais trabalhem juntos para criar um filhote com sucesso, e fazê-lo repetidamente significa que os pais podem aprimorar suas habilidades juntos. Mas em uma população na ilha de Oahu, 31% dos pares são compostos por duas fêmeas não relacionadas. Além disso, elas criam filhotes gerados por machos que já estão comprometidos em outro par, mas que acasalam com uma ou ambas as fêmeas. Como pares macho-fêmea, esses pares fêmea-fêmea só podem criar um filhote por estação.

Os pares fêmea-fêmea não são tão bons quanto os pares fêmea-macho na criação de filhotes, mas são melhores que as fêmeas que o fazem sozinhas. Então faz sentido que uma fêmea se junte com outra fêmea, diz Marlene Zuk, da Universidade de Minnesota, em Saint Paul, EUA. Se não o fizesse, ela conseguiria acasalar, mas teria dificuldade em incubar o ovo e encontrar comida. E uma vez que uma fêmea forma um vínculo de par, a tendência da espécie para a monogamia significa que ela se torna vitalícia.

Existe até uma vantagem sutil para as fêmeas. O sistema significa que elas podem obter seus ovos fertilizados pelo macho mais apto do grupo e passar seus traços desejáveis ​​para sua prole, mesmo que ele já tenha feito par com outra fêmea.

Porém, mais uma vez, os albatrozes fêmeas não são inerentemente homossexuais. A população de Oahu tem um excedente de fêmeas como resultado da imigração, de modo que algumas fêmeas não conseguem encontrar machos para emparelhar. Estudos de outras aves sugerem que o acoplamento do mesmo sexo é uma resposta a uma falta de machos e é muito mais raro se a proporção de sexo for igual. Em outras palavras, os albatrozes Laysan provavelmente não escolheriam criar pares com outras fêmeas se houvesse machos suficientes.

Então, talvez estivéssemos olhando no lugar errado para exemplos de animais homossexuais. Dado que os seres humanos são conhecidos como homossexuais, talvez devamos olhar para os nossos parentes mais próximos [sic], os macacos.

Bonobos são muitas vezes descritos como nossos parentes “hiperssexuais”. Eles se envolvem em uma enorme quantidade de sexo, tanto que, muitas vezes, faz-se referência ao “aperto de mão bonobo”, que inclui o comportamento homossexual entre machos e fêmeas.

Como os macacos, eles parecem apreciá-lo, de acordo com Frans de Waal, da Universidade Emory, em Atlanta, Geórgia, EUA. Escrevendo para a Scientific American em 1995, ele descreveu pares de bonobos fêmeas esfregando seus órgãos genitais juntos e “emitindo sorrisos e gritos que provavelmente refletem experiências orgásmicas”.

Mas o sexo bonobo também desempenha um papel mais profundo: fortalece os laços sociais. Os bonobos mais jovens podem usar o sexo para se relacionar com membros do grupo mais dominante, permitindo-lhes subir na escala social. Os machos que tiveram uma luta às vezes realizam um toque entre genitais, conhecido como “esgrima do pênis”, como forma de reduzir a tensão. Muito raramente, eles também se beijam, realizam mutilação e massageiam os genitais uns dos outros. Mesmo os jovens se confortam com abraços e sexo.

Bonobos mostram que o “comportamento sexual” pode ser mais do que reprodução, diz Zuk, e isso inclui comportamento homossexual. “Existe toda uma gama de comportamentos que explicam como a evolução ocorre que agora inclui o comportamento homossexual.” De fato, os bonobos femininos ainda fazem sexo quando estão fora do período reprodutivo e não conseguem engravidar.

Assim como os seres humanos podem usar o sexo para obter todos os tipos de vantagens, os animais também podem. Por exemplo, entre os golfinhos nariz-de-garrafa, tanto as fêmeas quanto os machos apresentam comportamento homossexual. Isso ajuda os membros do grupo a formar fortes laços sociais. Mas, em última análise, todos os interessados ​​continuarão a ter descendência com o sexo oposto.

Todas essas espécies podem ser mais bem descritas como “bissexuais”. Como os macacos japoneses e as moscas-da-fruta, eles se deslocam facilmente entre comportamentos com mesmo sexo e com o sexo oposto. Eles não mostram uma orientação sexual consistente.

Apenas duas espécies foram observadas mostrando uma preferência pelo mesmo sexo durante toda a vida, mesmo quando os parceiros do sexo oposto estão disponíveis. Uma é, claro, a humana. O outro é a ovelha doméstica. Em bandos de ovelhas, até 8% dos machos preferem outros machos, mesmo quando fêmeas férteis estão por perto. Em 1994, os neurocientistas descobriram que esses machos tinham cérebro ligeiramente diferente em relação ao grupo. Uma parte de seu cérebro chamada hipotálamo, que é conhecida por controlar a liberação de hormônios sexuais, era menor nos machos homossexuais do que nos machos heterossexuais.

Isso está de acordo com um estudo muito discutido pelo neurocientista Simon LeVay. Em 1991, ele descreveu uma diferença semelhante na estrutura cerebral entre machos homossexuais e heterossexuais. Isso parece bastante diferente de todos os outros casos de comportamento homossexual, porque é difícil ver como isso poderia beneficiar os machos. Como essa preferência por outros machos poderia ser transferida para a prole, se os machos não se reproduzem?

A resposta curta é que provavelmente não beneficia os próprios machos homossexuais, mas pode beneficiar seus parentes, que bem podem permitir que os mesmos genes sejam passados adiante. Para que isso aconteça, os genes que fazem alguns machos homossexuais teriam que ter outro efeito útil em outras ovelhas.

LeVay sugere que o mesmo gene que promove o comportamento homossexual em ovelhas do sexo masculino também pode tornar as fêmeas mais férteis ou aumentar seu desejo de acasalar. As irmãs femininas de ovelhas homossexuais poderiam até produzir mais prole do que a média. “Se esses genes estão tendo um efeito tão benéfico nas fêmeas, eles superam o efeito nos machos e então o gene vai persistir”, diz LeVay

Quanto às ovelhas masculinas que mostram preferências homossexuais ao longo da vida, isso só foi observado em ovelhas domesticadas. Não está claro se o mesmo acontece em ovelhas selvagens; e se a explicação de LeVay está certa, provavelmente não. As ovelhas domésticas foram cuidadosamente criadas pelos fazendeiros para produzir fêmeas que se reproduzem o mais frequentemente possível, o que poderia ter dado origem aos machos homossexuais.

Então LeVay e Vasey ainda dizem que os seres humanos são o único caso documentado de homossexualidade “verdadeira” em animais selvagens. “Não é o caso de você ter bonobos lésbicas ou bonobos homossexuais”, diz Vasey. “O que foi descrito é que muitos animais estão felizes em se relacionar com parceiros de ambos os sexos.”

O engraçado é que os biólogos deveriam ter previsto isso. Quando Darwin estava desenvolvendo sua teoria da seleção natural, uma das coisas que o inspiraram foi perceber que os animais tendem a ter muito mais filhos do que eles parecem precisar. Em teoria, um par de animais só precisa ter dois descendentes para se substituir, mas, na prática, eles têm o maior número possível deles – porque muitos de seus jovens morrerão antes de conseguir se reproduzir.

Parece óbvio que essa necessidade incorporada de continuar reproduzindo se manifestaria em um poderoso desejo sexual, que pode muito bem se espalhar para acasalar, enquanto as fêmeas são inférteis ou acasalamentos do mesmo sexo. Cientistas vitorianos viram animais com mais descendentes do que parecia necessário; hoje vemos animais com mais sexo do que parece necessário.

“O comportamento homossexual não desafia as ideias de Darwin”, diz Zuk. Em vez disso, há muitas maneiras de evoluir e ser benéficas.

Talvez nunca encontremos um animal selvagem que seja estritamente homossexual na forma como alguns humanos são. Mas podemos esperar encontrar muitos outros animais que não estão em conformidade com as categorias tradicionais de orientação sexual. Eles estão usando o sexo para satisfazer todos os tipos de necessidades, desde o simples prazer, até o progresso social, e isso significa ser flexível.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Árvore mais antiga da Terra era mais complexa que as de hoje

Paleontólogos encontraram na China o tronco fossilizado de uma das primeiras árvores da Terra, que crescia em nosso planeta cerca de 375 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista], e examinaram sua estrutura, informa um artigo publicado na revista PNAS. “Antigamente conseguíamos encontrar troncos fossilizados que estavam cheios de areia, o que nos impedia de entender como foram estruturados por dentro. O tronco da árvore antiga que encontramos na Xinjiang, era enorme e foi preservado perfeitamente dentro de uma ‘embalagem’ de sílica vulcânica, o que permitiu estudar cada célula dele”, disse Chris Berry da Universidades de Cardiff (Reino Unido).

De acordo com a visão moderna dos cientistas, as primeiras árvores apareceram [sic] em meados do período devoniano, cerca de 400 milhões de anos atrás [sic]. Seu surgimento mudou significativamente a aparência de todo o planeta, fazendo com que ele se tornasse “verde”, com uma quantidade enorme de oxigênio e de novas espécies de criaturas vivas. 

Para cientistas é ainda um mistério como eram as primeiras árvores. Por enquanto, só foram encontradas pequenas “árvores fossilizadas”, das quais os troncos e raízes permaneceram intactos debaixo do solo, graças às erupções de cinza ou de lava. Seu estudo revelou que a flora daquela época era muito peculiar, pois as folhas desempenhavam a fotossíntese da casca, e pela aparência, eram mais parecidas com bonsais da tundra.

Berry e seus colegas pela primeira vez conseguiram estudar a organização das camadas internas da madeira das árvores graças a um achado ocasional, que a equipe fez durante as escavações no território da região de Xinjiang.

O problema é que anteriormente, os paleontólogos acreditavam que as primeiras árvores tinham uma estrutura mais simplificada do que as plantas de hoje em dia, levando em conta que seus antepassados habitavam a água, onde representantes da flora não precisavam transportar água, microelementos e nutrientes dentro de si. Quando as plantas se manifestaram na terra, foram acompanhadas com o surgimento de xilema, tecido que é responsável pelo transporte de líquidos, sua estrutura ficou mais complexa ao longo da “conquista” de áreas mais secas de nosso planeta.

Quando Berry e seus colegas fizeram uma radiografia do tronco, eles perceberam que essa visão era completamente errada: o xilema e floema da árvore pré-histórica eram mais complexos do que as plantas florais de hoje. Além disso, este tinha um jeito peculiar de crescimento em comprimento e largura. 

De acordo com os cientistas, dentro dessa árvore há várias dezenas de anéis de crescimento, que simultaneamente cresciam em comprimento e largura. Diferente de seus familiares modernos, a parte central da árvore era vazia, e a água era transportada por seu xilema de um jeito muito incomum.

“Não sei se na Terra já havia existido outra árvore que desempenhasse as tarefas de uma forma tão complexa. Ao mesmo tempo, ela se destroçava e desmoronava sob seu próprio peso, mas enquanto isso permanecia viva e crescia em comprimento e largura para ocupar uma posição de dominação nas primeiras florestas da Terra. Essa descoberta desafia e faz pensar: Por que as árvores mais antigas eram as mais complexas?”, ressalta o cientista. 


Nota: Essa é mais uma descoberta que está de acordo com as previsões criacionistas, negando as crenças evolucionistas. As plantas e os animais do passado eram mais complexos, maiores e mais robustos que seus descendentes atuais. Pode-se dizer que ao longo dos milênios, sob o efeito do pecado neste planeta, tem havido uma involução, em lugar de uma evolução no sentido de aumento de complexidade. [MB]


Convenção Global de Ateísmo é cancelada por falta de público

“Razão para ter esperança” era o lema da Conferência Global de Ateísmo, que deveria acontecer em Sydney, Austrália, em fevereiro de 2018. Pouco tempo após o lançamento, com pompa e circunstância, no que prometia ser um fórum para mostrar a força do ateísmo no mundo, acabou sendo cancelado. O motivo foi a “falta de interesse”, de acordo com a mídia local. O principal orador convidado era Salman Rushdie, iraniano que escreveu Os Versos Satânicos e teve a cabeça posta a prêmio por questionar o Islamismo. Outra das “estrelas” eram Richard Dawkins e Ben Goldacre, proeminentes figuras do pensamento ateu. A baixa venda de ingressos jogou uma pá de cal no ânimo dos organizadores, a Fundação Ateia da Austrália (AFA). Recentemente o Censo australiano mostrou que 29,6% da população se declarava “sem religião”, um percentual histórico, já que pela primeira vez na história o número ultrapassa o de católicos (que são 22,6%).

Quando esses números foram divulgados, em junho, a presidente da AFA Kylie Sturgess veio a público comemorar o que considerava uma vitória. “Vamos fazer nossa voz ser mais ouvida, pois há força nos números.” Menos de seis meses depois parece evidente o que os analistas sempre afirmaram, “sem religião” não significa necessariamente ateu.

site da AFA anunciou oficialmente o cancelamento de seu evento com a seguinte explicação: “As vendas de ingressos foram substancialmente inferiores às expectativas e estão abaixo dos níveis das convenções anteriores, portanto, infelizmente, a Convenção não pode continuar.”

A Convenção anterior, em 2012, foi descrita como um sucesso, reunindo mais de 4.000 participantes.

Como era esperado, os líderes cristãos estão comemorando o cancelamento do evento. O pastor Robert Martin, do Fórum da Bíblia de Melbourne, afirmou: “Este é um enorme golpe para a Fundação Ateia como organização e para o ateísmo organizado em geral. O que eles vão dizer agora?”

Cinco anos atrás, vários evangelistas foram pregar o evangelho em frente ao local. Mesmo vaiados, disseram que estavam “orando pela conversão dos ateus”. 

(Evangelical Focus, via Gospel Prime)

Nota: Embora o interesse pelo ateísmo não tenha crescido tanto assim (para desespero dos ateus militantes, que insistem em ignorar que o ser humano foi criado para crer), o número dos sem religião (também conhecidos como desigrejados) vem aumentando, o que revela desinteresse pelas religiões institucionalizadas. As pessoas continuam carentes de sentido para a vida e buscam na espiritualidade, no misticismo e na religiosidade individual aquilo que talvez não estejam encontrando nas igrejas. Infelizmente, há muitos líderes religiosos dando um péssimo exemplo de cristianismo, representando mal o único caminho que pode trazer a real esperança. O que fazer para ajudar a reverter esse quadro? O que fazer para advertir essas pessoas de que, vivendo uma religiosidade emocionalista e sem lastro (relativista), elas se tornam vulneráveis ao engano religioso? A resposta envolve palavras como relevância, contextualização, honestidade, sinceridade, autenticidade e, claro, amor desinteressado. [MB]

sexta-feira, novembro 10, 2017

Muco de lesma mostra como fazer plástico reutilizável

A natureza está fornecendo a inspiração para o desenvolvimento de um novo tipo de polímero que pode passar de um estado gelatinoso para uma conformação muito forte, abrindo novas gamas de aplicação. A inspiração veio da observação de uma espécie de lesma conhecida como verme-aveludado (Onychophora), devido às inúmeras papilas que apresentam na superfície do corpo. Para capturar sua presa, a lesma arremessa uma secreção grudenta e mole. Contudo, quando a presa começa a fazer força para escapar, essa força faz com que a secreção endureça na forma de fios muito fortes, que selam seu triste destino. Mais do que isso, depois de cumprir sua função mecânica, os fios podem ser simplesmente dissolvidos em água, voltando à sua forma gelatinosa, ficando prontos para uma próxima seção de esticamento e endurecimento. O fato de que fibras de polímeros reversíveis possam ser extraídas de uma secreção líquida e reutilizadas indefinidamente é um conceito muito interessante do ponto de vista tecnológico.

Por isso, Alexander Baer (Universidade de Kassel) e Georg Mayer (Instituto Max Planck de Coloides e Interfaces) se debruçaram sobre a composição e os mecanismos moleculares que pudessem explicar essa mudança estrutural na meleca da lesma, de forma a reproduzi-los em materiais sintéticos. Eles constataram que o muco é formado por moléculas grandes, de proteínas e ácidos graxos, que são produzidas separadamente e depois se juntam para formar glóbulos muito uniformes, todos com diâmetros na faixa dos 75 nanômetros. O material fica armazenado em uma glândula, até que o animal perceba a presença de um grilo ou de uma aranha. Nesse momento, ele arremessa o muco por meio de dois canais nos lados da cabeça, que sai impulsionado por contrações musculares.

“A princípio a consistência pegajosa não muda. No entanto, assim que a presa começa a se sacudir, as forças de cisalhamento agem sobre o limo para romper os nanoglóbulos, separando as proteínas e ácidos graxos. Enquanto as proteínas formam fibras longas no interior do limo, as moléculas de lipídeos e água são deslocadas para o exterior e formam uma espécie de bainha”, conta Baer. É essa bainha, uma espécie de cobertura alongada, que passa a revestir e dar rigidez às fibras que a presa forma a partir do muco ao tentar se desvencilhar.

A equipe espera que, no futuro, essa combinação de nanoglóbulos e macromoléculas solúveis em água possa servir como modelo para a fabricação de polímeros sintéticos reutilizáveis, que não precisem passar por processos complicados de reciclagem.

No caso do muco do animal, basta dissolver os fios em água para que eles voltem à consistência original – o animal não o reutiliza, mas o material fica pronto para um novo uso.

Antes disso, porém, a equipe afirma que será necessário descobrir detalhadamente como é que as proteínas do muco se combinam para formar fibras rígidas sem formar ligações químicas fixas.


Nota: Mesmo dispondo de tecnologia, dinheiro e muita inteligência, os pesquisadores ainda não conseguem reproduzir a tremenda engenharia do muco da lesma que alguns dizem ter surgido por acaso. (Evidentemente que, antes do pecado, a função desse muco não era a de captura.) [MB]

quinta-feira, novembro 09, 2017

O dia em que a profecia comunista começou a falhar

Nove de novembro de 1989: há precisamente 28 anos, iniciava-se a derrubada do mais famoso muro da história contemporânea europeia – a célebre muralha que dividia a cidade de Berlim, Alemanha, começava a colapsar, abrindo as portas do ocidente ao povo do bloco de leste, assinalando também o princípio histórico da queda dos regimes comunistas dominados pela então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Um fato histórico da maior importância, sem dúvida alguma, mas também um momento marcante para o Evangelho e a própria Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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quarta-feira, novembro 08, 2017

O dia longo de Josué e as “evidências” que são um tiro no pé

Nos anos 1980 fez grande sucesso um livro intitulado E a Bíblia Tinha Razão, de Werner Keller. A princípio, parecia uma boa iniciativa, afinal, o autor procurou evidências históricas da veracidade das Sagradas Escrituras. Só que algumas dessas “evidências” eram um verdadeiro tiro no pé, já que o autor procurou relacionar eventos claramente milagrosos, como a travessia do Mar Vermelho, com fenômenos naturais, tentando, assim, “salvar” o relato bíblico ou despi-lo de qualquer “sobrenaturalidade”. De lá para cá, de vez em quando aparecem pesquisadores querendo fazer o mesmo. Alguns dizem que a estrela de Belém poderia ter sido um cometa, que o Mar Vermelho teria recuado por causa de um tsunami, e por aí vai. A última dessas “evidências” tenta “explicar” o dia longo de Josué. Note como noticiou a BBC Brasil:

“Uma vez que a Bíblia é o livro mais lido de todos os tempos e que milhões de pessoas o leram por séculos, encontrar algo de novo em suas páginas é um achado que pode ser classificado como peculiar. Tal feito raro pode ter sido conquistado recentemente por cientistas – e, caso a ‘descoberta’ se confirme, pode ajudar a dar mais precisão a datas de eventos da Antiguidade e a ajustar os dados que temos sobre a rotação da Terra.
Trata-se de um eclipse solar anular (quando a Lua encobre apenas o centro do Sol, permitindo aos observadores na Terra verem nos céus algo como um ‘anel de fogo’), que teria ocorrido no meio da tarde do dia 30 de outubro de 1207 a.C. Curiosamente, para chegar a uma data tão precisa sobre um evento que ocorreu há 3.224 anos, o físico Colin Humphreys, diretor de pesquisas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e o astrofísico Graeme Waddington se basearam em uma passagem do Antigo Testamento que diz: ‘Então Josué falou ao Senhor, no dia em que o Senhor entregou os amorreus na mão dos filhos de Israel, e disse na presença de Israel: Sol, detém-se sobre Gibeão, e tu, Lua, sobre o Vale de Aijalom. E o Sol se deteve, e a Lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos. Não está isto escrito no livro de Jasar? O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro” (Josué 10:12-14).

“‘Se essas palavras estavam descrevendo uma observação real, então um importante evento astronômico ocorreu. O que tivemos que fazer foi entender o que o texto realmente significava’, explica Humphreys, um entusiasta da conexão entre o conhecimento científico e a Bíblia.

“Humphreys e Waddington não foram os primeiros a pensar que esta passagem, aparentemente tão mística, poderia se referir a um fenômeno natural que realmente aconteceu – milagrosamente ou não. ‘A primeira pessoa a sugerir que Josué 10:12-14 estava se referindo a um eclipse solar’, ressaltam eles, ‘parece ter sido o linguista Robert Wilson (1918), que fez a seguinte tradução há quase cem anos: ‘Eclipse, ó Sol, em Gibeão, e a Lua no Vale de Aijalom. E o Sol foi eclipsado e a Lua virou-se, enquanto a nação se vingou de seus inimigos.’”

“Como Wilson, Humphreys e Waddington voltaram ao texto original e perceberam que as palavras em hebraico davam margem para uma outra interpretação. As traduções correntes desse trecho, dizem os autores em seu estudo, ‘assumiram que, pelo texto, o Sol e a Lua pararam de se mover. No entanto, um significado alternativo plausível é que o Sol e a Lua deixaram de fazer o que é de seu costume: pararam de brilhar’.

“No século 20, Wilson havia chegado à mesma conclusão, observando ainda que, nos textos astronômicos babilônicos, havia palavras que significavam ‘escurecer’ e que tinham a mesma raiz dos termos usados na Bíblia para descrever a ação do Sol e da Lua. No entanto, naquela época, não era possível fazer uma investigação profunda devido à natureza dos cálculos necessários – um problema agora superado.

“Outro texto importante para apoiar esta interpretação é egípcio e foi escrito em pedra. Trata-se da Estela de Merneptá, encontrada no templo funerário do Faraó Merneptá. Nela, é comemorada uma vitória militar do faraó nas terras de Canaã por volta de 1210 a.C. – por isso, também conhecida como Estela da Vitória. Depois de mencionar vários outros povos derrotados, as inscrições dizem: ‘Israel está devastada, sua semente já não existe’ (é o primeiro registro de Israel, por isso o item é também conhecido como Estela de Israel). Na mesma placa de granito há a informação de que o objeto foi talhado no quinto ano do reino de Merneptá, o que confirma que os israelitas realmente estavam em Canaã na data do eclipse.

“A partir desse conhecimento extraído de textos antigos, Humphreys e Waddington decidiram seguir por uma trilha não explorada. Eles tinham notado que outros historiadores nunca consideraram a possibilidade de que o eclipse não tivesse sido total, mas anular – aquele em que o Sol não é totalmente coberto, mas aparenta um ‘anel de fogo’. Antigamente, as mesmas palavras eram usadas para descrever eclipses totais e anulares. Além disso, os pesquisadores desenvolveram um novo compêndio de eclipses que leva em consideração variações na rotação da Terra ao longo do tempo. Assim, eles foram capazes de determinar que o único eclipse anular visível em Canaã entre 1500 e 1050 a.C. foi em 30 de outubro de 1207 a.C., de tarde.

“Os resultados do trabalho foram publicados pela Royal Astronomical Society, Astronomy & Geophysics para serem revistos por outros especialistas.”       

Nota: “Um eclipse que dura um dia inteiro? Nesse caso, o pesquisador alegoriza o texto bíblico para conferir verossimilhança ao fato gerador, que teria sido posteriormente transformado em mitologia pelo autor hebreu. Esse tipo de estratégia explanatória permeia todo o livro E a Bíblia Tinha Razão, cujo título em português, na verdade, tira toda a razão da Bíblia. Sim, a Bíblia diz que o sol se deteve por ‘quase um dia inteiro’. O que dá a entender que ele continuou brilhando por mais tempo que o normal. O artigo [da BBC] tenta dar outro significado à palavra ‘deter’, dizendo que talvez ele ‘parou de brilhar’” (Marco Dourado).

“Isso é uma tendência muito forte e contra a qual teremos que lutar, caso os eventos finais sobrevenham a esta geração (o que eu particularmente penso ser inteiramente razoável). O discurso é mais ou menos assim: ‘Olha, não estamos atacando a Bíblia, vocês é que a entendem errado, sendo literalistas.’ A moderna ideia de que Bíblia tem valor como metáfora, alegoria. O pensamento segue como: ‘Tudo bem, querem crer, ok. Tem umas coisinhas bonitinhas ali mesmo, amor ao próximo, etc. Mas não venham com essa história de que isso é A Verdade, e querer impor isso aos outros!’ Na verdade, essa reinterpretação do passado está atingindo até mesmo os antigos gregos e romanos. De acordo com essa visão, eles não eram pagãos politeístas, só acharam uma forma de lidar com as grandes questões do intelecto e emoções humanas alegoricamente. Os cristãos é que atacaram essa cultura tão boa e sábia interpretando literalmente sua mitologia como idolatria. Assim, dão uma amenizada no paganismo greco-romano e esquecem dos milhares gritando ‘Grande é Diana dos Efésios’, prontos para despedaçar Paulo. Mas aí dirão que não era para defender a deusa, e sim a cultura... Vamos vencer pelo Espírito, não por forças humanas. Os incautos dirão: ‘Oh, que bom! Estão aceitando a Bíblia!’, e aí vão abrir as portas da mesma forma que a igreja primitiva do século IV fez quando Constantino ‘se converteu’...”


Alemanha vai legalizar “terceiro sexo”

O Tribunal Constitucional alemão exigiu hoje a legalização do termo “terceiro sexo” nos documentos administrativos tornando a Alemanha o primeiro país europeu a adotar a medida oficialmente. O Tribunal Constitucional concede aos deputados um prazo que termina “em fins de 2018” para votarem a legalização do “terceiro sexo” nos registos de nascimento com a mesma igualdade que as menções “masculino ou feminino”. A sentença da mais alta instância judicial alemã argumenta, baseando-se no direito constitucional sobre a proteção da personalidade, que as pessoas que não são nem homens nem mulheres têm o direito a mencionar a identidade de gênero de forma positiva nos registos de nascimento.

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terça-feira, novembro 07, 2017

Novas evidências podem provar a existência da Torre de Babel

Novo estudo sobre uma pedra encontrada na antiga Babilônia (atual Iraque) há cerca de um século pode comprovar a existência da Torre de Babel. Segundo o professor da Universidade de Londres Andrew George, no objeto há um desenho de uma torre com degraus e uma pessoa segurando uma lança e usando um chapéu de cone. “Abaixo há um texto que diz ‘zigurate’ [monumento em forma de pirâmide], ou ‘Templo da Babilônia’”, afirma ele em entrevista à Smithsonian. A pedra do século 6 a.C., para o especialista, mostra a primeira imagem real da Torre de Babel, evidenciando as sete camadas da estrutura, além de identificar um homem por trás de sua construção, o imperador Nabucodonosor II. O objeto também revela detalhes da construção da estrutura, e mais importante: como Nabucodonosor a construiu. A história escrita na rocha é como a que está na Bíblia, o que aumenta as suspeitas do pesquisador.

De acordo com o Gênesis, primeiro livro da Bíblia, a Torre de Babel foi construída por descendentes de Noé, após o dilúvio. Segundo a história, o monumento teria sido criado para que os homens pudessem se comunicar com Deus, mas foi destruído porque o Todo Poderoso não gostava da soberba das pessoas.

Acredita-se que, se a construção existiu, ela estava situada na capital da Babilônia, Babel, e foi construída em forma de zigurate, ou seja, uma pirâmide com camadas terraplanadas.

Nabucodonosor II é considerado por muitos o maior imperador da Babilônia. Governou entre 604 a.C. e 562 a.C. e foi o responsável pela construção de canais, aquedutos e reservatórios por todo território do império. O governante teve muito sucesso em seus embates, conquistando o território em que hoje fica Jerusalém e derrotando mais de uma vez os egípcios e os fenícios.


Nota: Embora a cronologia não “bata”, já que a Torre de Babel provavelmente tenha sido edificada não muito tempo depois do dilúvio, essa descoberta é mais uma evidência de que, sim, os antigos pós-diluvianos construíam “torres” (zigurates) com finalidades religiosas, o que respalda, mais uma vez, o pano de fundo histórico da Bíblia. [MB]

Clique aqui e leia mais sobre a Torre de Babel, e aqui para conhecer outros achados arqueológicos relacionados com a Bíblia.