quarta-feira, agosto 14, 2019

Professor de Yale abandona o darwinismo e diz por quê


Para o professor da Universidade de Yale, David Gelernter, a teoria da evolução de Charles Darwin é “uma bela ideia que foi efetivamente refutada”. A declaração foi feita por ele durante sua renúncia pública do darwinismo. Gelernter, que é conhecido por prever a World Wide Web e desenvolver muitas ferramentas complexas de computação ao longo dos anos, é hoje professor de ciência da computação em Yale, cientista-chefe da Mirror Worlds Technologies, membro do Conselho Nacional de Artes e autor prolífico. Em uma coluna para o Claremont Review of Books, Gelernter explicou como suas leituras e discussões sobre a evolução darwiniana e suas teorias concorrentes, como o design inteligente, o convenceram de que Darwin estava errado. Ele cita, por exemplo, o livro de Stephen Meyer, Darwin’s Doubt, de 2013, e The Deniable Darwin, de David Berlinski, para basear suas novas crenças a respeito da vida na Terra.

Há algumas semanas, ele voltou a falar sobre esse assunto em uma entrevista com a Hoover Institution da Universidade de Stanford, na qual ele diz não abraçar totalmente o design inteligente. “Meu argumento é com pessoas que rejeitam o design inteligente sem considerar, parece-me – é amplamente descartado no meu mundo acadêmico como um tipo de trabalho teológico – é um argumento científico absolutamente sério”, disse Gelernter.

Segundo o The College Fix, o professor afirmou que declarações como a sua o colocariam na mira de outros cientistas, mas que com ele não foi assim. “Eu não fui destruído, não sou biólogo, e não pretendo ser uma autoridade sobre esse assunto. [...] Estou atacando a religião deles e não os culpo por estarem todos de cabeça erguida, é um grande problema para eles. Não há razão para duvidar de que Darwin tenha explicado com sucesso os pequenos ajustes pelos quais um organismo se adapta às circunstâncias locais: mudanças na densidade da pele ou no estilo da asa ou na forma do bico”, escreveu o professor. “No entanto, há muitas razões para duvidar se ele pode responder às perguntas difíceis e explicar o quadro geral – não o ajuste fino das espécies existentes, mas o surgimento de novas espécies. A origem das espécies é exatamente o que Darwin não consegue explicar”, completa.

Para ele, a ideia de que o acaso e as mutações são a força motriz por trás da vasta complexidade da vida – mesmo com bilhões de anos – não é apenas cientificamente improvável, é uma impossibilidade, argumenta o acadêmico em seu artigo. “Darwin teria facilmente entendido que pequenas mutações são comuns, mas não podem criar mudanças evolutivas significativas; mutações importantes são raras e fatais”, escreveu Gelernter. “Não pode ser surpreendente que a revolução no conhecimento biológico ao longo do último meio século deva exigir uma nova compreensão da origem das espécies”.

sexta-feira, agosto 09, 2019

O corpo humano e suas tecnologias superavançadas


Procure ficar em silêncio por um momento, e preste atenção aos ruídos ao seu redor. Está ouvindo? Carros passam aí perto? Pode ouvir algum cachorro latindo? Pessoas conversam? Há música ao fundo? Você já parou para pensar na maravilha chamada audição?

O ouvido humano é um sensor biológico de grande sensibilidade, com capacidade de detectar uma gama de frequências e intensidades sonoras. A audição se compõe de dois elementos – um mecânico e outro que envolve impulsos nervosos e elétricos.

A complexidade do ouvido e seus mecanismos de proteção são inteiramente inexplicáveis à luz das teses evolucionistas e apontam para o desígnio, propósito e planejamento defendidos pelo criacionismo. Afinal, como explicar a evolução gradual das partes componentes do sistema auditivo, já que elas são totalmente interdependentes? Como explicar a especialização evidente de cada uma delas? E mais: como explicar que tenham “surgido” dois desses sensores auditivos complexos? 

Como diz Apocalipse 2:7, “quem tem ouvidos [e razão para entender], ouça”.

Assista ao vídeo abaixo e conheça outras tecnologias superavançadas do corpo humano.

Adão e Eva eram gigantes?


A Bíblia fala das condições de vida edênica e antediluviana. Podemos imaginar um mundo com abundante vegetação e vida exuberante. As pessoas eram muito mais fortes e longevas. Dotadas de grande inteligência, eram capazes de empreendimentos impressionantes (como a arca de Noé, por exemplo, e, depois, construções como as pirâmides). Quanto à estatura delas, podemos deduzir algumas coisas com base em alguns textos que se referem aos gigantes. Por exemplo, Deuteronômio 3:11 fala de Ogue, o último rei dos gigantes refains. O sarcófago dele, feito de ferro, tinha quatro metros de comprimento! No parágrafo a seguir, Ellen White fornece mais detalhes sobre a altura dos primeiros “gigantes” da Terra, Adão e Eva:

“Ao sair Adão das mãos do Criador, era de nobre estatura e perfeita simetria. Tinha mais de duas vezes o tamanho dos homens que hoje vivem sobre a Terra, e era bem proporcionado. Suas formas eram perfeitas e cheias de beleza. Sua cútis não era branca ou pálida, mas rosada, reluzindo com a rica coloração da saúde. Eva não era tão alta quanto Adão. Sua cabeça alcançava pouco acima dos seus ombros. Ela, também, era nobre, perfeita em simetria e cheia de beleza. Esse casal, que não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais. Estavam revestidos de uma cobertura de luz e glória, tal como a usam os anjos. Enquanto viveram em obediência a Deus, essa veste de luz continuou a envolvê-los” (Ellen G. White, História da Redenção, p. 21).

Agora assista ao vídeo abaixo, com um interessante bate-papo sobre o assunto. 

segunda-feira, agosto 05, 2019

Minotauros modernos?


Uma breve reflexão sobre o progresso das pesquisas com hibridização

Recentes notícias têm divulgado as pesquisas realizadas com embriões de animais híbridos com células-tronco humanas, tendo ficado conhecida uma hibridização entre humano e macaco. As pesquisas são realizadas em países orientais com o apoio de instituições europeias e norte-americanas. Qual o objetivo dessas pesquisas? Fazer com que os animais desenvolvam órgãos humanos que possam ser utilizados em transplantes para humanos, resolvendo, assim, a grande demanda existente por esses órgãos. Entretanto, existem pesquisadores que comentam estarem achando os experimentos mais interessantes que os próprios benefícios que poderiam ser obtidos.

Ao mesmo tempo, questões bioéticas são levantadas, como a possibilidade da transferência para humanos, através desses órgãos, de DNA viral presente unicamente em animais, causando novas doenças. Outra séria implicação ética é a possibilidade do desenvolvimento de um sistema nervoso central nesses animais a partir de células-tronco humanas.

Os dados científicos apontam fortemente que a mente humana é formada por meio da atividade do cérebro, o qual possui funções cognitivas especiais, como uma percepção racional única da própria existência, a interpretação do significado das emoções, inteligência e raciocínio muito elevados, capacidade excepcional para comportamentos como a moralidade, entre outros. Essas características funcionais do cérebro humano, desenvolvidas a partir de sua programação genética, formação estrutural e conexões neuronais químicas e elétricas trabalhando incessantemente, formam o que chamamos de consciência humana.

O que aconteceria se um desses animais desenvolvesse funções cognitivas semelhantes às humanas? Tente imaginar um ser com uma consciência semelhante à humana, mas no corpo de um macaco ou de um porco. Creio que poderíamos considerar como o auge das aberrações, e o Planeta dos Macacos poderia estar mais próximo do que se imaginava!

Para escapar das implicações éticas, os pesquisadores ressaltam que nenhum embrião é levado a mais de 14 dias de vida. Sendo assim, tempo insuficiente para o desenvolvimento de tecido nervoso. Relatam também que o material genético é editado para que os vírus não consigam passar para as células humanas nem as células-tronco se diferenciarem em tecido neural.

Ainda assim, tomando todos esses cuidados, precisamos lembrar que a biologia e a medicina não são ciências exatas, justamente por não conhecermos todas as variáveis envolvidas. E imprevistos podem, nesse caso, gerar as gravíssimas consequências mencionadas acima.

De todo modo, os cientistas reconhecem que para as pesquisas avançarem a qualquer momento terá que ser permitido o desenvolvimento completo do embrião. E o Japão acaba de fazer isso, liberando o nascimento desses seres híbridos.

Mesmo que as alegadas medidas de segurança continuem sendo seguidas e sejam funcionais, qual passo será tomado quando se obtiver sucesso em produzir os órgãos atualmente desejados? Afinal, células-tronco neurais humanas já vêm sendo enxertadas no cérebro de roedores em pesquisas sobre regeneração cerebral.

Izpisúa, um dos principais pesquisadores nessa área, relata que “a história nos mostra repetidas vezes que, com o tempo, nossos parâmetros éticos e morais mudam e se transformam, como o nosso DNA, e o que ontem era eticamente inaceitável, se isso realmente significar um avanço para o progresso da humanidade, hoje já é parte essencial de nossas vidas”.

A cosmovisão criacionista não compactua com o mesmo ponto de vista do pesquisador mencionado acima. Criacionistas não só acreditam, como possuem evidências científicas de que existe um padrão moral universal e imutável. E se o progresso científico esbarra nesses princípios, é a metodologia científica que deve mudar e se adaptar aos padrões morais, e não o oposto. Criacionistas sabem também que pesquisas antiéticas não serão suficientes para salvar a humanidade, mas que essa salvação vem por meio dAquele que lá no Gênesis já avisou que pisaria na cabeça da serpente.

(Roberto Lenz Betz é médico neurologista e atual diretor do Núcleo Curitibano da Sociedade Criacionista Brasileira)


Evento criacionista será realizado em Londres


No dia 31 de agosto deste ano, será realizado em Londres, Inglaterra, um simpósio com o objetivo de promover o criacionismo para a comunidade de língua portuguesa que reside no país. O programa tem o título “De Volta às Origens” e vai seguir uma ordem cronológica dos fatos relacionados à ciência e à história, abordados em Gênesis 1-11. O evento busca trazer uma interpretação alternativa da natureza a partir da cosmovisão bíblica nas discussões acadêmicas sobre a origem da vida, e para isso conta com a presença de vários pesquisadores e acadêmicos que moram e trabalham na Europa.

Palestras:

“Ciência x fé: um diálogo necessário”, com Clebson Braga, bacharel em Teologia pelo Newbold College, UK.

“Humanidade: a obra-prima de Deus”, com Isabel Moraes, PhD em Biologia Estrutural pela Reading University, UK.


“Evidências e problemas do dilúvio – catastrofismo e atualismo”, com Rafael Schaeffer, geólogo e PhD em Geologia pelo Technische Universität Darmstadt, Alemanha.

[LIVE] “O Gênesis e os dinossauros”, com Danilo Camargo de Oliveira, bacharel em Ciências Biológicas (Unicesumar), MSc. em Paleobiologia pela Bristol University.

“O urbanismo e as primeiras civilizações no Crescente Fértil”, com Bruno Perenha, Arquiteto (Unicesumar) e pós-graduado em História da Arte e Arquitetura pela Birkbeck University of London, UK.

O Simpósio é totalmente aberto ao público e começa a partir das 10 horas da manhã do dia 31 de agosto, em Brixton Road, 336. Os vídeos serão gravados e disponibilizados no YouTube (link: https://bit.ly/2T8Nak5). A intenção final dessa iniciativa é juntar forças e criar uma network de interessados em ciência e criacionismo, de modo que esse seja apenas o primeiro de muitos eventos nos próximos anos.

Para mais informações:
Bruno Perenha           
brunoperenha@hotmail.com 
Instagram: @brunoperenha | @iasdlondres7

Missão espacial indiana divulga imagens da Terra a 5.000 km


A Agência de Pesquisa Espacial da Índia (ISRO) divulgou suas primeiras imagens da Terra a 5.000 quilômetros de distância. As fotos tiradas pela missão Chandrayaan-2 mostram o planeta de uma perspectiva diferente e com muita nitidez e qualidade, segundo o presidente da agência Kailasavadivoo Sivan. A ISRO lançou essa missão no dia 22 de julho. De acordo com especialistas, espera-se que a nave chegue à Lua em 6 de setembro, o que tornaria a Índia o quarto país – depois do Estados Unidos, da Rússia e da China – a fazer um pouso no satélite terrestre. A missão tem o objetivo de realizar estudos em todo o polo sul da Lua, além de poder analisar a composição química e mineral do satélite natural. 


Nota: Como se já não bastassem os Estados Unidos, a Rússia, Israel, a China e até a Coreia do Norte, agora é a vez de a Índia detonar a crença dos terraplanistas, afinal, além de as fotos comprovarem uma vez mais que a Terra é redonda, ficará também uma vez mais demonstrado (caso consigam pousar a sonda lá, como fizeram recentemente os chineses) que a Lua (obviamente) não está dentro da atmosfera terrestre (!), e que os seres humanos continuaram, sim, indo para lá depois da década de 1970, só que por meio de sondas, o que é muito mais barato e seguro do que enviar pessoas (algo que a Nasa planeja fazer de novo em 2024). Falando em Nasa, como fica difícil desmentir evidências materiais como fotografias, os terraplanistas terão que dizer que a Índia é a mais nova aliada da Nasa (assim como até mesmo os países comunistas citados acima) no propósito de enganar a humanidade, fazendo-a crer que a Terra não é plana, mas esférica. Sim, esses governos gastam bilhões de dólares para sustentar esse engano. Você não sabia que essas agências espaciais são apenas estúdios especializados em efeitos especiais que todos os anos torram muito dinheiro para ser somente isso? Não sabia que os eclipses lunares são causados por corpos fantasmagóricos indetectáveis que passam na frente da Lua? Não sabia, também, que assim como temos muitas fotos e filmagens feitas no espaço não temos uma sequer da tal borda da Terra e do tal domo sólido sobre nossa cabeça? Como é difícil ser terraplanista no século 21... [MB]


Terraplanista fala bobagens sobre o pêndulo de Foucault


Assisti a um vídeo de um terraplanista que é ao mesmo tempo engraçado (pela forma cômica com que trata leis físicas), triste (pela demonstração de desconhecimento de fatos bem simples e pela arrogância de achar que sabe mais) e assustador (pelo estrago que faz ao divulgar informações falsas que pessoas aceitarão sem critério e repetirão sem pensar). Chamaremos esse terraplanista de Didi, com inspiração na palavra grega διδιάστατη. Didi “explica” o experimento do pêndulo de Foucault. De acordo com ele, esse experimento mostra uma contradição interna da “pseudociência”, além de não mostrar que a Terra gira.

Didi afirma que as pessoas tendem a simplesmente repetir as coisas sem parar para pensar a respeito, e que terraplanistas, ao contrário de ser desinformados, estudam as mesmas coisas que os demais, com a diferença de que pensam a respeito de tudo mais profundamente.

Bem, o que observei no vídeo foi exatamente o contrário. Foi um vídeo de pouco mais de 13 minutos, mas com uma grande densidade de erros elementares mostrando grande ignorância do assunto do qual trata. Vamos examinar alguns dos detalhes.

Didi inicia pela leitura de uma descrição do experimento original. A descrição era um tanto superficial, porém, muito mais profunda do que os comentários feitos pelo Didi, em seguida.

O que mais me chamou a atenção inicialmente foi a explicação dada por Didi logo após a leitura: concentrou-se exclusivamente em aspectos irrelevantes do experimento e não chegou a comentar a parte que realmente interessa, aquela que implica em que a Terra é aproximadamente uma esfera que gira com período de um dia. O leitor pode ver detalhes técnicos sobre esse tipo de experimento em “Ajuda a um Terraplanista”, disponível para download aqui.

Ao explicar o fenômeno, Didi comenta que um pêndulo pode oscilar em qualquer direção horizontal, e que isso não prova que a Terra gira. Verdade, mas o experimento não trata desse detalhe. Didi concentra-se nessa informação, sendo que ela é totalmente irrelevante ao problema. Ao contrário de pensar profundamente, ele apenas demonstra não haver entendido o problema, concentrar-se apenas em um aspecto irrelevante e, mesmo assim, apressar-se a tirar conclusões e falar de maneira arrogante contra a “pseudociência”.

Como funciona o experimento, de fato? Monta-se um pêndulo formado por um fio resistente, fino e longo, preso ao teto de uma grande sala, com muitos metros de altura. À base desse pêndulo, pendura-se um peso com massa consideravelmente grande, de forma que ele praticamente não seja afetado por pequenas correntes de ar ao redor. Para iniciar o movimento, tem-se o cuidado de apenas puxar o pêndulo para um lado e depois soltá-lo, sem qualquer desvio lateral. Uma das estratégias para isso consiste em puxar o pêndulo para um lado e prendê-lo com um fio de linha a algo que o segure. Depois, queima-se o fio para liberar o pêndulo, garantindo que ele não receberá um momentum inicial que possa introduzir um viés no experimento.

O experimento em si consiste em observar cuidadosamente o ângulo de oscilação do pêndulo em relação aos pontos cardeais. Se a Terra não gira, o pêndulo deve permanecer oscilando sempre no mesmo plano, sem precessão. Precessão é a alteração do plano de oscilação do pêndulo. Se ele inicia na direção norte-sul, por exemplo, a precessão fará com que essa direção mude com o tempo, passando por leste-oeste, por exemplo. Podemos calcular a velocidade angular da precessão em cada modelo e comparar com o que observamos na prática. A velocidade de precessão depende da projeção da vertical do pêndulo sobre o eixo de rotação da Terra.

Costumamos representar velocidade angular pela letra grega ômega: ω.

No modelo de Terra plana fixa e no modelo de Terra globo fixa, a previsão teórica para a precessão do pêndulo de Foucault é

ω = 0. 

Em outras palavras, o pêndulo não deve apresentar precessão alguma, se a Terra não gira, independentemente de ser plana ou não.

No modelo de Terra plana giratória, a previsão teórica é

ω = -ω0,

sendo ω0 = uma volta por dia no sentido anti-horário. Nesse caso, o pêndulo de Foucault deve precessionar dado uma volta por dia em todas as partes do mundo da mesma forma, independentemente da latitude.

No modelo de Terra globo giratória, a previsão teórica para a precessão do pêndulo de Foucault é

ω = -ω0 sin(ϕ),

sendo que ϕ é a latitude da posição onde está o pêndulo. Vejamos alguns exemplos.

  1. No pólo norte, ϕ = 900, e sin (900) = 1, o que significa que a precessão ocorrerá no sentido horário à taxa de uma volta por dia.
  2. No paralelo ϕ = 300 (hemisfério norte), a precessão será de meia volta por dia no sentido horário, pois sin (300) = ½.
  3. No Equador, a precessão do pêndulo cai a zero, pois sin (00) = 0.
  4. No paralelo ϕ = -300 (hemisfério sul), a precessão do pêndulo será de meia volta por dia em sentido anti-horário, pois sin (-300) = -½.
  5. No polo sul, ϕ = -900, o que significa que o pêndulo precessiona uma volta por dia em sentido anti-horário.

O experimento consiste em comparar esses valores com o que se observa. E qual é o resultado? A última fórmula é a que reflete a realidade. Em outras palavras, das opções acima (Terra plana fixa, Terra globo fixa, Terra plana giratória e Terra globo giratória), a única opção que gera resultados corretos é a da Terra globo giratória.

Bem, até este ponto, Didi erra primeiro por não entender o experimento. Concentra-se apenas em detalhes irrelevantes e perde a essência. Também erra ao não entender que modelos devem ser testados pelas fórmulas e pelos números que geram (por previsões teóricas) comparados com medidas que podemos fazer. Não basta achar que uma ideia é melhor que outra. É necessário comparar resultados.

Porém, Didi não para em sua análise superficial do assunto. Ele segue usando argumentos do espantalho para fundamentar a ideia de que o experimento de Foucault contradiz as próprias afirmações da “pseudociência” e, mais uma vez, comete erros grosseiros. Vários em cada frase. Vamos conversar sobre isso por partes.

Em primeiro lugar, é importante saber o que é um argumento do espantalho. Trata-se de distorcer um argumento adversário para torná-lo mais fácil de combater. Didi faz isso diversas vezes ao longo de seu vídeo.

Um dos exemplos mais importantes de argumentos do espantalho usados por Didi aparece no que ele fala sobre inércia. Ele menciona a lei da inércia de uma forma que não chega a estar errada, mas demonstra não entender os argumentos que fazem uso dela. Também demonstra ignorar completamente como funcionam os diferentes tipos de referenciais em Física. Vamos aos detalhes.

Ele diz que seus adversários afirmam que, de acordo com a lei da inércia, movimentos da Terra não afetam movimentos dos objetos na superfície da Terra, sendo que o pêndulo de Foucault demonstra o contrário. Temos, portanto, uma contradição interna da “pseudociência”. Esse é um exemplo de argumento do espantalho. Vejamos por quê.

Em primeiro lugar, não se afirma que movimentos da Terra não afetam movimentos de objetos na superfície da Terra. Essa ideia totalmente falsa parece ser produto de uma forma obtusa de entender explicações que damos sobre a relação entre movimentos da Terra e movimentos de objetos na superfície da Terra. No texto “Ajuda a um Terraplanista”, explico o assunto dos referenciais com vários exemplos.

Esse assunto dos referenciais é fundamental para o entendimento de leis físicas, mas terraplanistas têm sistematicamente ignorado essas coisas, tanto em seus argumentos físicos quanto em seus argumentos bíblicos, o que os leva a aberrações conceituais cada vez maiores. Didi menciona, por exemplo, que um avião não poderia pousar no solo se a Terra girasse a 1600 km/h, pois o avião viaja a apenas uns 250 km/h na aterrissagem. Se fosse descer sobre uma pista a 1600 km/h, ele seria destroçado. Didi confunde as explicações sobre isso com uma afirmação absurda de que movimentos da Terra não afetam movimentos de objetos na Terra. Esse argumento mostra total falta de entendimento de mecânica newtoniana, mas é comum que as pessoas esqueçam ou não entendam essas coisas. Embora já tenha explicado esse assunto em outro texto, farei um breve resumo aqui.

Imagine um terraplanista chamado Voilson em um avião viajando a 900 km/h em linha reta. Sentado em seu assento, ele joga uma bola de baseball para cima, de forma que ela sobe uns 50 cm e cai de volta em sua mão. Esse fenômeno acontece no avião da mesma forma que aconteceria se a pessoa estivesse parada no solo. A bola cai na mão da pessoa a cerca de 11 km/h na vertical. Do ponto de vista de outro terraplanista chamado Planilson, que está no solo, a mesma bola viaja a mais de 900 km/h e percorre aproximadamente uma parábola muito esticada na horizontal, não uma linha reta. E atinge a mão de Voilson a mais de 900 km/h, muito mais rápido do que projéteis de algumas armas de fogo. Planilson assiste a vídeos no canal de Didi e entende o que ele fala sobre aviões tentando aterrissar em um aeroporto que viaja a 1600 km/h. Os aviões seriam destroçados. Usando o mesmo raciocínio, ele conclui que a bola destrói a mão de Voilson e explode no processo. Voilson discorda, pois a bola atinge sua mão a apenas 11 km/h. Então, o que está errado com o comentário de Didi quanto ao pouso de aviões? Praticamente tudo.

Afinal, por que a bola não destrói a mão de Voilson? Porque não existem velocidades absolutas, apenas relativas. Esse é um dos fatos básicos da Física. A velocidade da bola é de uns 900 km/h em relação a Planilson, não a Voilson. Para Voilson, a velocidade da bola ao atingir sua mão é de apenas 11 km/h. Planilson precisa aprender a calcular velocidades relativas para conseguir acertar suas contas e obter resultados compatíveis com a realidade. Se ainda não ficou claro, vamos tornar o assunto um pouco mais explícito.

Voilson viaja a 900 km/h em relação a Planilson e a 0 km/h em relação a si mesmo. Enquanto segura a bola em sua mão, antes de jogá-la, ela viaja a 0 km/h em relação a Voilson e a 900 km/h em relação a Planilson. Quando Voilson a joga para cima, a componente vertical da velocidade inicial é de 11 km/h para cima em ambos os referenciais. No referencial de Voilson, a componente horizontal da velocidade da bola é 0 km/h. No de Planilson é 900 km/h. Quando a bola atinge de volta a mão de Voilson, a componente vertical é de 11 km/h para baixo em ambos os referenciais. Mas a componente horizontal continua a mesma (0 para Voilson, 900 km/h para Planilson). Qual das duas velocidades deve ser usada para avaliar o estrago que a bola causará na mão de Voilson e em si mesma?

O importante em um impacto é a velocidade relativa entre os objetos que colidem. Não importa a velocidade de Voilson em relação a Planilson nem a da bola em relação a Planilson. A bola interage apenas com Voilson. E a velocidade relativa entre ambos é de apenas 11 km/h. Isso nada tem a ver com inércia, como Didi quer fazer parecer. Se a mesma bola atingir a cabeça de Planilson a 900 km/h, ela causará sua morte.

E por que as coisas são assim? Por que é a transferência de momentum e energia que faz diferença em colisões, e isso só depende da velocidade relativa dos objetos que colidem entre si (de um em relação ao outro). Força é transferência de momentum por unidade de tempo (segunda lei de Newton). Quando há muito momentum para transferir em pouco tempo, a força é grande e causa grandes estragos. E a transferência de momentum depende da velocidade relativa, não da absoluta (caso isso existisse).

E o que a inércia tem a ver com tudo isso? Bem, do ponto de vista de Voilson, a bola em sua mão tem momentum zero (massa vezes velocidade). Ela permanece naturalmente com a mesma velocidade sem fazer força alguma sobre seu ambiente. Do ponto de vista de Voilson, ela está realmente parada. Digamos que a bola tenha 100 g. Do ponto de vista de Planilson, o momentum da bola é de 25 kg m/s. Se a bola atingir Planilson e precisar parar em, digamos, 1 ms (milissegundo), precisará transferir os 25 kg m/s nesse tempo e aplicará sobre Planilson uma força de 25 kN (equivalente ao peso de umas duas toneladas e meia). Se atingir Voilson, não precisa transferir esse momentum horizontal, pois a velocidade horizontal em relação a Voilson é zero.

O mesmo ocorre com aviões. Antes de decolar, eles já possuem a mesma velocidade do solo (em relação a algum observador fora da Terra). Em relação ao solo, estão parados. Ao decolarem, adquirem alguma velocidade em relação ao solo. Mais tarde, essa velocidade relativa diminui e o avião aterrissa de maneira relativamente suave, assim como a bola na mão de Voilson.

Isso significa que movimentos da Terra não afetam os movimentos de objetos na superfície da Terra? De maneira nenhuma! Fiquei até curioso para saber de onde Didi tirou essa ideia absurda. Vejamos essa questão mais de perto.

Voltemos ao experimento de Voilson. A explicação que demos acima implica em que movimentos do avião não afetam os movimentos da bola jogada por Voilson? De maneira nenhuma! Imagine que, no momento em que Voilson joga a bola para cima, o avião se incline para um lado. Do ponto de vista de Planilson, a bola segue sua trajetória normal. Do ponto de vista de Voilson, a bola sofre um desvio para um lado e cai longe de sua mão. É como se surgisse do nada uma força horizontal perturbando a bola. O que acontece, porém, é que seu referencial deixou de ser horizontalmente inercial (sem forças fictícias na horizontal).

A Terra não é um sistema inercial porque gira, como podemos ver por inúmeros experimentos independentes entre si, incluindo o do pêndulo de Foucault e as fórmulas e resultados que geram para cada modelo e a comparação disso com o que se observa na prática. Mas o que conta em fenômenos físicos são sempre velocidades relativas. O movimento de giro da Terra afeta correntes atmosféricas e marítimas de maneira visível, assim como o faz com o pêndulo de Foucault.

Outro ponto perturbador do vídeo foi uma afirmação errada que costuma ser repetida à exaustão por terraplanistas que não param para entender o que estão repetindo: que a Terra gira a 1600 km/h no modelo padrão. Não é verdade. Em primeiro lugar, isso está próximo da verdade apenas no Equador. No texto “Ajuda a um Terraplanista”, mostramos como os cálculos com o modelo de Terra redonda geram corretamente os valores da aceleração da gravidade nos polos e no Equador, e como isso implica em que a água não é “espirrada” para fora da Terra, mas permanece estável com sua velocidade praticamente nula em relação ao solo. A gravidade é vertical em relação ao solo e tem valor muito maior que de uma “força centrífuga” fictícia nesse sistema não inercial.

A velocidade em km/h do solo em relação a um sistema inercial é menor do que a do Equador em latitudes diferentes de zero. Quando se fala em rotação da Terra, o correto é usar velocidade angular e não linear. E a da Terra é de uma volta por dia, ou seja, trata-se de uma rotação tão lenta que não chega a ser perceptível a olho nu.

O conceito de referencial também confunde terraplanistas ao analisar passagens bíblicas. Um exemplo famoso é o de Josué 10:13, 14. Lá é dito que, a pedido de Josué, o Sol e a Lua pararam no céu. Isso significa que o Sol e a Lua movem-se normalmente em relação à Terra. Isso entra em conflito com o que os cientistas atuais dizem, certo? Errado! No referencial do solo, este encontra-se parado, enquanto o Sol, a Lua e as estrelas movem-se no céu. Isso é o que os cientistas modernos dizem. Só que esse referencial não é inercial. Em outras palavras, descrever as leis físicas nele faz com que as leis físicas pareçam muito mais complexas do que elas realmente são. É como descrever a realidade a partir do referencial de um carrossel. Por isso, os físicos preferem, sempre que possível, usar referenciais inerciais, nos quais não aparecem aberrações como a força centrífuga, por exemplo. Em referenciais inerciais, distantes da Terra, ela gira em torno de si mesma e orbita o Sol. Mas isso não muda o fato de que, no referencial de quem está parado na superfície da Terra, é o Universo todo que gira ao redor da Terra, incluindo o Sol e a Lua. Resumindo, usar essa passagem de Josué para provar alguma coisa sobre o movimento da Terra apenas demonstra desconhecimento do assunto, tanto em termos de linguagem bíblica e seus referenciais quanto em termos de Física básica.

Resumo geral: Didi apresenta uma “explicação” do experimento de Foucault que deixa de fora tudo o que é mais essencial ao experimento e seus resultados, depois faz uma análise na qual comete vários erros em cada frase que fala, sendo que destaquei aqui os que me chamaram mais atenção no sentido de demonstrar desconhecimento de Física básica. Além disso, prende-se a uma abordagem puramente qualitativa sem usar de fato qualquer lei física formalmente para demonstrar o que diz. E os exemplos qualitativos estão errados ou não têm a ver com o problema em discussão. Essa demonstração de desconhecimento tem sido uma constante em todo o material terraplanista que já vi até o momento.

(Eduardo Lütz é físico e engenheiro de software)



quinta-feira, agosto 01, 2019

Cinco absurdos e um desafio aos terraplanistas


[Leia até o fim para conhecer o desafio.]

Uma das coisas que depõem contra o terraplanismo são seus argumentos. Durante vários anos, tenho observado argumentos terraplanistas e uma das coisas que eles mais têm evidenciado é falta de conhecimentos básicos de Geometria e Física. Por um lado, selecionam alguns pontos que, aos olhos deles, parecem devastadores contra o “globalismo”, mas são simples demonstrações de desconhecimento de temas com os quais deveriam ter sido familiarizados já no Ensino Médio. Por outro lado, ignoram grande quantidade de fatos incompatíveis com as propostas terraplanistas, fatos esses que incluem até mesmo fenômenos que observamos quase todos os dias.

Em seus argumentos divulgados em vídeos e textos, eles tendem a se concentrar em fazer afirmações sem cálculos nem testes correspondentes ou, quando fazem cálculos, o fazem com erros de vários tipos, sempre na tentativa de mostrar como o modelo “globalista” erra em fatos observáveis. 

Terraplanistas costumam cometer diversos erros elementares, como considerar os olhos do observador colados ao solo ao aplicar o teorema de Pitágoras para calcular se a curvatura da Terra ocultaria ou não um objeto, assim como ignorar leis físicas bem conhecidas e testadas.

Por outro lado, convenientemente, esquecem de usar seu próprio modelo para calcular coisas que mostram o quanto o terraplanismo está distante da realidade, como posição do Sol no céu em cada momento do dia e como isso se relaciona com as áreas iluminadas da Terra e com o formato observado do Sol, exatamente em que posição o Sol nasce e se põe em cada dia do ano, a trajetória dos raios luminosos (usando leis bem conhecidas e testadas da óptica) desde o Sol até o observador para explicar o pôr do sol, o movimento aparente das estrelas no céu (oposto em hemisférios opostos), e assim por diante.

Os problemas do terraplanismo são inúmeros, mas vamos listar abaixo apenas cinco pontos nos quais há incompatibilidade entre o terraplanismo e a realidade observada. Obviamente haverá terraplanistas negando essas coisas, mas isso não tem relevância alguma, a menos que mostrem cálculos corretos prevendo os detalhes numéricos dessas coisas a partir de seu modelo.

1. Pôr do sol. Existência (não deveria haver pôr do sol na Terra plana), horário e posição em cada parte do mundo. Não se pode criar um algoritmo terraplanista que gere esses resultados sem violar leis físicas e geométricas bem conhecidas e testadas, e sem supor condições incompatíveis com o que se observa. 

2. Movimento aparente das estrelas no céu. Ao norte do hemisfério norte as estrelas giram no céu em sentido anti-horário (na perspectiva de quem está no solo e olha para cima). No Equador, elas se movem de leste para oeste. No sul do hemisfério sul, as estrelas giram em sentido horário. Isso significa que o giro do céu em relação à Terra tem sentidos opostos nos hemisférios norte e sul, sem que em algum ponto se veja qualquer descontinuidade nesse movimento. Isso é o que se observa e se espera no modelo “globalista”, mas não faz sentido algum no terraplanismo.

3. Ilhas, cidades e navios que parecem parcialmente submersos pela água quando vistos de uma distância suficientemente grande. Se levarmos em conta as leis da óptica, um objeto só poderia ficar parcialmente oculto pelo nível da água dessa maneira se estivermos a uma altitude maior do que a da parte mais baixa observada, e necessariamente veremos um obstáculo (como nuvens) ou um reflexo invertido do próprio objeto observado. Não seria possível ver o limite da água como se estivesse em contato com o objeto se a Terra fosse plana.

4. Pêndulo de Foucault. Esse experimento, disponível à observação pública em diversas partes do mundo, mostra que o sistema de referência da Terra não é inercial, mas gira. Isso por si só ainda seria compatível com o terraplanismo se todos os pêndulos de Foucault girassem da mesma forma em todo o mundo. Estaríamos simplesmente sobre um disco giratório, que completa uma volta por dia, sendo que sua borda gira a uma velocidade de uns 5.200 km/h. Mas o que se observa é que o movimento desse pêndulo depende da latitude e tem sentidos opostos em hemisférios diferentes, o que é incompatível com o terraplanismo.

5. Movimento do Sol do ponto de vista de quem está na Antártida no verão. Regularmente há expedições à Antártida feitas por pesquisadores com diversas especialidades. Alguns chegam ao próprio pólo sul. Naturalmente, eles preferem ir até lá no verão. Nessa época, o Sol não se põe, da mesma forma como ocorre no pólo norte. Veja, por exemplo, este vídeo de lapso de tempo gravado durante cinco dias rastreando o Sol, de 8 a 13 de março de 2017: https://youtu.be/4av1CD8smII Como seria possível o Sol girar em torno do observador na Antártida se a Terra fosse um disco e o Sol fosse um objeto que anda em círculos acima desse disco ao redor do pólo norte? Não seria viável.

Como os terraplanistas lidam com essas coisas? Da mesma forma como fazem com tudo mais que não se encaixa em seu modelo: dizem que o fenômeno não existe, que todas as testemunhas estão mentindo e que fotos e filmes são montagens, computação gráfica, etc., ou, quando isso é impossível, como no caso do pôr do Sol e do movimento das estrelas, apenas afirmam que o fenômeno é compatível com o terraplanismo sem apresentar cálculos que mostrem como, exatamente, o terraplanismo prevê aqueles fenômenos conforme são observados. A julgar pelo teor dos argumentos, os divulgadores não saberiam calcular essas coisas. Se soubessem e colocassem isso em prática, teriam de escolher entre acreditar nos próprios sentidos e nas consequências do que veem ou no terraplanismo.

(Eduardo Lütz é astrofísico e engenheiro de software)

AQUI VAI O DESAFIO: O físico Eduardo Lütz, autor do texto acima, preparou em resposta a um engenheiro terraplanista um documento de 118 páginas com detalhes muito interessantes sobre um assunto que tem dado o que falar na internet: o terraplanismo. Se você tem dúvidas sobre isso ou conhece alguém que tem, estude esse material riquíssimo e envie para essa pessoa. Não fundamente sua opinião apenas em videozinhos na internet e conteúdos sensacionalistas. Estude, construa conhecimentos sólidos e pregue a verdade. Clique aqui para baixar o aquivo em PDF. [MB]
  
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Japão aprova nascimento de embriões híbridos de humanos e animais


O Japão se tornou o primeiro país do mundo a permitir o nascimento de embriões híbridos de humanos e animais para a criação de órgãos humanos. Especialistas do Ministério da Ciência japonês aprovaram a proposta de um experimento nessa direção apresentada pelo pesquisador Hiromitsu Nakauchi, da Universidade de Tóquio. Nakauchi pretende cultivar células-tronco humanas em embriões de camundongos, ratos e porcos e depois transplantar esse embrião em outro animal. Com a técnica, o pesquisador espera eventualmente desenvolver órgãos humanos completos que podem ser usados em transplantes. Em março, o Japão havia suspendido a proibição ao desenvolvimento, por mais de 14 dias, de embriões híbridos de humanos e animais. A medida também colocou fim ao impedimento de transplantar órgãos desenvolvidos em embriões de animais para outros animais.

Pesquisas envolvendo o cultivo de células humanas em embriões de animais têm sido realizadas em vários países, como os Estados Unidos. No entanto, nenhum desses embriões chegou a se desenvolver até o nascimento.

A autorização concedida pelo Japão é alvo de críticas. Especialistas em bioética dizem que a pesquisa pode ter consequências inesperadas se algumas células humanas forem transferidas para o cérebro de um animal. Nakauchi, contudo, afirmou à revista científica Nature que as intervenções são destinadas a afetar apenas o órgão que ele planeja desenvolver no embrião animal.

Em 2017, o pesquisador conseguiu curar um rato diabético ao desenvolver um pâncreas saudável em um embrião de rato e depois transplantá-lo para o rato doente.

Camundongos, ratos e porcos não são os melhores hospedeiros para o desenvolvimento de órgãos humanos devido à grande distância genética entre as espécies. Nakauchi, porém, espera que sua pesquisa contribua para que a ciência entenda melhor essa questão, além de determinar o que limita o desenvolvimento de células humanas em animais.

O sinal verde ao projeto já foi dado. Mas provavelmente só em agosto um grupo de especialistas do Ministério da Ciência do Japão deve decidir quais experimentos em detalhes serão aprovados