sábado, agosto 17, 2013

A natureza autocontraditória do naturalismo

Quando o erro é examinado de forma exaustiva, invariavelmente as contradições internas tornam-se evidentes. Só a Verdade é que sobrevive ao exame minucioso. Uma das instâncias em que isso é notório é na posição mantida pelos naturalistas ateus. O ateu afirma: “Recuso-me a acreditar em qualquer coisa que não seja natural – cuja explicação não possa ser encontrada na natureza. Tudo tem que – e pode – ser explicado por meio de processos naturais.” 

Portanto, segundo o naturalismo ateu, a existência de tudo o que se encontra no Universo – bem como o Universo em si – têm que ser explicada por meios naturais; nada não natural (ex.: um Ser sobrenatural) pode ser levado em consideração. 

O geólogo evolucionista Robert Hazen, que obteve um PhD em Earth Science (Harvard), é um cientista de pesquisas no Geophysical Laboratory, da Carnegie Institution of Washington, e professor de Earth Science na George Mason University. Em sua série de palestras com o nome de “Origins of Life”, Hazen disse: “Nesta série de palestras eu faço a pressuposição básica de que a vida emergiu segundo um tipo de processo natural. Proponho que a vida surgiu como efeito de uma sequência de eventos que são completamente consistentes com as leis naturais da Física e da Química. Com essa pressuposição, alinho-me com a forma de pensar da maioria dos cientistas. Acredito num universo que está ordenado segundo essas leis naturais. Tal como outros cientistas, dependo do poder de observação, dos testes e do raciocínio teorético para entender a forma como o Universo chegou até nós da forma que está” (2005).

O problema é que, ao manter essa forma de pensar, o naturalista rapidamente esbarra numa parede de fatos científicos que contradizem sua posição.

As leis da ciência são declarações formais (repetidamente provadas pela ciência) em torno do que acontece na natureza, sem exceção. O naturalista não pode manter uma visão que contradiga as leis da natureza, sem ao mesmo tempo entrar em contradição. Mas é nessa posição em que ele se encontra ao postular uma explicação que contradiz as leis da natureza ou mais pontos. Por exemplo, a explicação do adepto do naturalismo em torno da origem da matéria e da energia (isto é, geração espontânea ou existência eterna) não é natural, visto que contradiz a Primeira e a Segunda Leis da Termodinâmica (Miller, 2007).

O naturalista tem que continuar a se contradizer ao alegar um processo não natural para a origem da vida (isto é, abiogênese, que contradiz a Lei da Biogênese; Miller, 2012). Para piorar as coisas, o naturalista tem que se contradizer ao alegar que os vários tipos de formas de vida podem gerar tipos de vida totalmente distintos através da “macroevolução” – um processo que, ao contrário da “microevolução” [que não é evolução nenhuma], nunca foi observado na natureza.

A abiogênese, a geração espontânea e a “macroevolução” são sugestões não naturais, uma vez que nunca foram observadas na natureza, embora sejam fundamentais para a visão não natural do naturalista. Isso demonstra que a visão naturalista é autocontraditória. Se é autocontraditória, então é falsa.

A cosmovisão que está de acordo com as evidências – e que não se contradiz – é a visão cristã descrita nas páginas da Bíblia Sagrada. O naturalista não consegue explicar o Universo sem recorrer a métodos não naturais. O cristão não tem problemas com as explicações sobrenaturais, uma vez que a Bíblia declara que Deus – um Ser sobrenatural – criou o Universo e a vida contida nele [...].

A Verdade não se contradiz. Quando ela é examinada, mantém-se firme. Quando uma pessoa decide combater a Verdade, invariavelmente prejudica a si mesma.

“Disse o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido e têm cometido abominável iniquidade: não há ninguém que faça o bem” (Salmo 53:1).


Referências:
Hazen, Robert (2005), “Origins of Life”, audio-taped lecture (Chantilly, VA: The Teaching Company).
Miller, Jeff (2007), “God and the Laws of Thermodynamics: A Mechanical Engineer’s Perspective”, Reason & Revelation, 27[4]:25-31, April, http://www.apologeticspress.org/articles/3293
Miller, Jeff (2012), “The Law of Biogenesis [Parts I & II]”, Reason & Revelation, 32[1/2]:1-11,13-22, January-February, http://www.apologeticspress.org/APContent.aspx?category=9&article=4165&topic=93
Thompson, Bert (2002), The Scientific Case for Creation (Montgomery, AL: Apologetics Press).

sexta-feira, agosto 16, 2013

Quem usa Facebook é mais conectado, mas não mais feliz

Os usuários do site de relacionamentos Facebook podem se sentir mais conectados com o mundo, mas não são necessariamente mais felizes, revelou um estudo publicado nesta quarta-feira (14/8) nos Estados Unidos. “Superficialmente, o Facebook proporciona um recurso valioso para satisfazer a necessidade básica dos seres humanos de estabelecer vínculos sociais”, afirmou Ethan Kross, psicólogo da Universidade de Michigan (norte) e principal autor da pesquisa publicada na revista científica PLoS. “Mas ao invés de melhorar o bem-estar das pessoas, usar o Facebook tem um efeito inverso: o deixa pior”, disse. O estudo, feito com 82 jovens com celulares inteligentes e contas no Facebook, buscou avaliar o estado de ânimo dos usuários do site de relacionamentos mais popular da internet.

Para medi-lo, os cientistas enviaram mensagens de texto cinco vezes por dia durante duas semanas aos jovens, perguntando se se sentiam sozinhos ou ansiosos, a frequência com que usavam a rede social e quantas vezes tinham se comunicado “diretamente” com outras pessoas. Os resultados mostraram “que quanto mais as pessoas usavam o Facebook, pior se sentiam quando consultados por mensagem de texto logo depois” do acesso, afirmaram os cientistas.

“No transcurso de duas semanas, quanto mais utilizavam o Facebook, mais diminuía sua satisfação com a vida”, acrescentaram.

Ao contrário, as relações diretas com as pessoas e não por meio de redes sociais, geravam maior bem-estar pessoal. “Estes são os resultados de maior importância, pois vão ao próprio cerne da influência potencial das redes sociais na vida das pessoas”, explicou John Jonides, neurocientista da Universidade de Michigan e coautor do estudo.

Os pesquisadores também observaram que os entrevistados não ficavam mais propensos a usar o Facebook quando se sentiam mal, apesar de terem acessado o site frequentemente quando se sentiam sozinhos.

No entanto, os autores do estudo se recusaram a generalizar os resultados e a afirmar que o uso do Facebook - ou de outras redes sociais na internet - tenha o mesmo efeito em todas as pessoas. “Nós nos concentramos nos adultos jovens, já que eles representam uma parte essencial dos usuários do Facebook”, destacaram.

Esse estudo foi publicado uma semana depois de uma pesquisa realizada por cientistas britânicos, que indicam que publicar fotos frequentemente no Facebook poderia deteriorar as relações humanas na vida “real”.


Nota: O que fazemos nas redes sociais deve ser uma extensão de quem somos e do que fazemos na vida “real”. Infelizmente, há pessoas que se esquecem disso, e fazem de suas páginas nas redes sociais mostruários de conteúdos e comportamentos impróprios. Pior é quando se tratam de cristãos. Jesus pede de nós, os que dizemos segui-Lo, que sejamos “pescadores de homens”. A internet é comparada ao mar, tanto é que se “navega” nela. E esse mar está repleto de homens e mulheres em busca de algo. Se temos o devido senso de missão, vamos jogar nossas “redes” nesse mar a fim de atrair náufragos para a verdadeira esperança – que não é virtual, é real. No entanto, a reportagem acima nos lembra de que é bom usar essas redes sociais com moderação, a fim de que a vida virtual não engula a real. Desconecte-se de vez em quando (melhor seria dizer: conecte-se de vez em quando) e alimente seus relacionamentos reais. Converse face a face. “Curta” a companhia das pessoas. Dê-lhes cartões de verdade, abraços de verdade. Viva e seja feliz.[MB]

quinta-feira, agosto 15, 2013

Banheiro feminino com mictório?

A Califórnia, sempre a Califórnia, o estado mais excêntrico, moderninho, “progressista” (e falido) dos Estados Unidos, “avançou” na frente dos outros uma vez mais: aprovou lei que permite ao transexual escolher qual banheiro pretende usar: “A Califórnia tornou-se nesta terça-feira o primeiro estado americano a permitir que estudantes transexuais escolham se desejam usar os banheiros ou vestiários masculinos ou femininos em suas escolas. A medida, que se aplica do jardim de infância ao ensino médio, foi assinada pelo governador Jerry Brown na segunda-feira, mas só entrará em vigor em 1° de janeiro de 2014. Mesmo assim, já vem despertando debate. [...] Os apoiadores da medida alegam que a nova lei ajudará a diminuir os casos de bullying. A lei era uma demanda antiga de famílias com filhos transexuais a escolas país afora, com casos que terminaram inclusive em batalhas judiciais. No entanto, alguns pais se opõem à norma, afirmando que a presença de transexuais nos banheiros pode confundir seus filhos.

“‘Não é porque eles estão confusos que têm que confundir os outros também’, protestou Maria Garcia à CNN. Karen England, diretora do Capitol Resource Institute, condenou a Assembleia Legislativa e o governador Brown por ‘espalhar valores de São Francisco’ em todo o estado. ‘Não se pode forçar algo tão radical em cada turma de escola da Califórnia’, criticou. Karen ressalta que a lei não exige que os alunos comprovem ter qualquer problema de identidade de gênero, cabendo aos diretores de escola confiar na informação passada pelos próprios estudantes. ‘Como fica o direito à privacidade de uma menina do Ensino Fundamental que queira ir ao banheiro ou tomar banho e que tenha que se preocupar de dividir vestiário com um menino?’, argumentou.”

Em nome do combate ao preconceito e dos “direitos” das minorias, cada vez mais o estado ignora os direitos da maioria e os valores tradicionais, criando situações realmente estranhas. Podemos pensar em um rapaz jovem, que não se “sente” homem naquele dia (lembrando que não é preciso comprovar ter o distúrbio – até porque a França já nem considera isso distúrbio mais), resolvendo adentrar em um banheiro com mocinhas peladas, desde a mais tenra idade. Afinal, ele vivia um conflito de gênero.

Estranho? Absurdo? Arriscado? Nada disso! Puro preconceito pequeno-burguês moralista de sua parte! Quem é você para dizer se ele é homem mesmo, ou uma mulher presa no corpo de homem? Ele é quem sabe! E, naquele dia, ele achou que era ela, ele “sentiu” ser uma donzela, e ficou com vontade de compartilhar com suas colegas um banho coletivo. Quem disse que mulher barbada era coisa só de circo?

As mudanças de hábitos e costumes são pendulares às vezes. Ninguém deseja, espero eu, regressar a tempos em que o machismo predominava, mulheres tinham menos direitos, e gays eram alvos de perseguição crônica e duros ataques violentos (como em países socialistas e islâmicos, curiosamente defendidos pelos “progressistas”). Mas tudo indica que o pêndulo exagerou para o outro lado, não é mesmo?

O estado resolver invadir a intimidade das crianças com sua agenda politicamente correta, expondo-as ao perigo e ao desconforto de situações realmente bizarras, é algo que passou dos limites do aceitável. Banheiros femininos com mictórios: era só o que faltava!

(Rodrigo Constantino, Veja)

E-mails que nos alegram (40)

“Acompanho seu blog criacionismo.com.br há mais de um ano, acessando em média quatro ou cinco vezes por semana. Primeiro, gostaria de cumprimentá-lo pela propriedade e seriedade com que divulga o criacionismo bíblico. Já acompanhei outros blogs semelhantes, porém, deixei de segui-los ao perceber que estavam apelando exageradamente para falácias, ou repetindo polêmicas criacionismo x evolucionismo, ciência x religião já superadas, inventadas ou incoerentes, beirando o sensacionalismo. Acompanho igualmente blogs evolucionistas, e deixei se seguir muitos pelos mesmos motivos, somado à intolerância religiosa direta de muitos deles. O seu, ao contrário, se mantém firme e idôneo na maior parte das vezes (tenho uma ou outra crítica, de vez em quando). É muito bom encontrar ilhas de serenidade e respeito em meio a um oceano de intolerância, arrogância, verdades absolutas e egocentrismo, que vem de ambos os lados. Parabéns pelo seu trabalho! Sei que é solitário, uma ‘equipe de um só’, como você mesmo escreveu.

“Mas eis o real motivo de lhe escrever: pedir uma sugestão de leitura específica. Li, certa vez, não me lembro onde, que ‘a maioria dos evolucionistas jamais leu sequer um bom livro sobre criacionismo’. Existem muitos livros sobre o criacionismo, mas quais seriam bons para um adepto do evolucionismo? Como conheço seu trabalho há algum tempo, considero-o a melhor pessoa para pedir esse tipo de indicação. Peço apenas que o livro não seja no estilo Richard Dawkins, isto é, com aquele jeito ácido, superior e arrogante. Acredite se quiser, conheço ateus que se sentem incomodados com o jeito que ele escreve. Um grande abraço!”

(Ícaro Monteiro, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Instituto de Biologia - IB/UFRRJ)

quarta-feira, agosto 14, 2013

"Cinquenta Tons" perpetua violência contra mulheres

O livro Cinquenta Tons de Cinza, que se transformou em um best-seller mundial, perpetua o problema da violência contra as mulheres, aponta um estudo publicado nesta segunda-feira (12) pela revista Journal of Women’s Health. A professora Ana Bonomi, da Universidade Estadual de Ohio, e suas colaboradoras na pesquisa chegaram à conclusão de que o abuso emocional e sexual domina o romance no qual a principal personagem feminina, Anastasia, sofre danos como resultado. “Embora a violência cometida pelos parceiros afete 25% das mulheres com prejuízo para sua saúde, as condições sociais atuais – com a normalização do abuso na cultura popular através de romances, filmes e músicas – criam o contexto que sustenta tal violência”, disse o estudo. O romance de E.L. James descreve a relação do multimilionário Christian Grey, de 28 anos de idade, e a estudante universitária Anastasia Steele, de 22, como “romântica” e “erótica”.

Ana e suas colaboradoras nesse estudo, Lauren E. Altenburger e Nicole L. Walton, leram o livro e fizeram resumos dos capítulos para identificar os temas principais. Para o estudo, usaram como definição de violência cometida por um parceiro íntimo a dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que inclui o abuso emocional através da intimidação e ameaças, o isolamento, a vigilância e a humilhação.

Na área da violência sexual a definição governamental inclui os atos e contatos forçados contra a vontade da pessoa, incluídos o uso de álcool e drogas e a intimidação. “Esse livro perpetua os padrões de abuso perigosos e, no entanto, se apresenta como uma história romântica e erótica para as mulheres”, afirmou Ana. “O conteúdo erótico poderia ter sido conseguido sem o tema do abuso.”

No romance, Anastasia sofre as reações comuns entre as mulheres que sofrem abusos, acrescentou o estudo. A protagonista sente uma ameaça constante e uma perda de sua própria identidade, modifica seu comportamento para manter a paz na relação quando, por exemplo, esconde seu paradeiro para evitar a ira de Christian.

Além disso, torna-se impotente e está presa na relação à medida que sua conduta se transforma em uma resposta mecânica aos padrões de abuso de Christian. Cinquenta Tons de Cinza, publicado em 2011, vendeu mais de 70 milhões de exemplares. Além disso, um filme está sendo produzido com base na obra.


terça-feira, agosto 13, 2013

Um engano chamado “teologia gay”

O padrão de Deus para o exercício da sexualidade humana é o relacionamento entre um homem e uma mulher no ambiente do casamento. Nesta área, a Bíblia só deixa duas opções para os cristãos: casamento heterossexual e monogâmico ou uma vida celibatária. À luz das Escrituras, relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo são vistas não como opção ou alternativa, mas sim como abominação, pecado e erro, sendo tratadas como prática contrária à natureza. Contudo, neste tempo em que vivemos, cresce na sociedade em geral, e em setores religiosos, uma valorização da homossexualidade como comportamento não apenas aceitável, mas supostamente compatível com a vida cristã. Diferentes abordagens teológicas têm sido propostas no sentido de se admitir que homossexuais masculinos e femininos possam ser aceitos como parte da Igreja e expressar livremente sua homoafetividade no ambiente cristão.

Existem muitas passagens na Bíblia que se referem ao relacionamento sexual padrão, normal, aceitável e ordenado por Deus, que é o casamento monogâmico heterossexual. Desde o Gênesis, passando pela lei e pela trajetória do povo hebreu, até os evangelhos e as epístolas do Novo Testamento, a tradição bíblica aponta no sentido de que Deus criou homem e mulher com papéis sexuais definidos e complementares do ponto de vista moral, psicológico e físico. Assim, é evidente que não é possível justificar o relacionamento homossexual a partir das Escrituras, e muito menos dar à Bíblia qualquer significado que minimize ou neutralize sua caracterização como ato pecaminoso. Em nenhum momento a Palavra de Deus justifica ou legitima um estilo homossexual de vida, como os defensores da chamada “teologia inclusiva” têm tentado fazer. Seus argumentos têm pouca ou nenhuma sustentação exegética, teológica ou hermenêutica.

A “teologia inclusiva” é uma abordagem segundo a qual, se Deus é amor, aprovaria todas as relações humanas, sejam quais forem, desde que haja esse sentimento. Essa linha de pensamento tem propiciado o surgimento de igrejas em que homossexuais, nessa condição, são admitidos como membros e a eles é ensinado que o comportamento gay não é fator impeditivo à vida cristã e à salvação. Assim, desde que haja amor genuíno entre dois homens ou duas mulheres, isso validaria seu comportamento, à luz das Escrituras. A falácia desse pensamento é que a mesma Bíblia que nos ensina que Deus é amor igualmente diz que Ele é santo e que Sua vontade quanto à sexualidade humana é que ela seja expressa dentro do casamento heterossexual, sendo proibidas as relações homossexuais.

Em segundo lugar, a “teologia inclusiva” defende que as condenações encontradas no Antigo Testamento, especialmente no livro de Levítico, se referem somente às relações sexuais praticadas em conexão com os cultos idolátricos e pagãos, como era o caso dos praticados pelas nações ao redor de Israel. Além disso, tais proibições se encontram ao lado de outras regras contra comer sangue ou carne de porco, que já seriam ultrapassadas e, portanto, sem validade para os cristãos. Defendem ainda que a prova de que as proibições das práticas homossexuais eram culturais e cerimoniais é que elas eram punidas com a morte – coisa que não se admite a partir da época do Novo Testamento. 

É fato que as relações homossexuais aconteciam inclusive – mas não exclusivamente – nos cultos pagãos dos cananeus. Contudo, fica evidente que a condenação da prática homossexual transcende os limites culturais e cerimoniais, pois é repetida claramente no Novo Testamento. Ela faz parte da lei moral de Deus, válida em todas as épocas e para todas as culturas. [...] Quando ao apedrejamento, basta dizer que outros pecados punidos com a morte no Antigo Testamento continuam sendo tratados como pecado no Novo, mesmo que a condenação capital para eles tenha sido abolida – como, por exemplo, o adultério e a desobediência contumaz aos pais.

Pecado e destruição

Os teólogos inclusivos gostam de dizer que Jesus Cristo nunca falou contra o homossexualismo. Em compensação, falou bastante contra a hipocrisia, o adultério, a incredulidade, a avareza e outros pecados tolerados pelos cristãos. Este é o terceiro ponto: sabe-se, todavia, que a razão pela qual Jesus não falou sobre homossexualidade é que ela não representava um problema na sociedade judaica de Sua época, que já tinha como padrão o comportamento heterossexual. Não podemos dizer que não havia judeus que eram homossexuais na época de Jesus, mas é seguro afirmar que não assumiam publicamente essa conduta. Portanto, o homossexualismo não era uma realidade social na Palestina na época de Jesus. Todavia, quando a Igreja entrou em contato com o mundo gentílico – sobretudo as culturas grega e romana, onde as práticas homossexuais eram toleradas, embora não totalmente aceitas –, os autores bíblicos, como Paulo, as incluíram nas listas de pecados contra Deus. Para os cristãos, Paulo e demais autores bíblicos escreveram debaixo da inspiração do Espírito Santo enviado por Jesus Cristo. Portanto, suas palavras são igualmente determinantes para a conduta da Igreja nos dias de hoje.

O quarto ponto equivocado da abordagem que tenta fazer do comportamento gay algo normal e aceitável no âmbito do Cristianismo é a suposição de que o pecado de Sodoma e Gomorra não foi o homossexualismo, mas a falta de hospitalidade para com os hóspedes de Ló. A base dos teólogos inclusivos para essa afirmação é que no original hebraico se diz que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (Gn 19:5) e não abusar sexualmente deles, como é traduzido em várias versões, como na Almeida Atualizada. Outras versões, como a Nova Versão Internacional e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje entendem que conhecer ali é conhecer sexualmente e dizem que os concidadãos de Ló queriam “ter relações” com os visitantes, enquanto a SBP é ainda mais clara: “Queremos dormir com eles.” Usando-se a regra de interpretação simples de analisar palavras em seus contextos, percebe-se que o termo hebraico usado para dizer que os homens de Sodoma queriam “conhecer” os hóspedes de Ló (yadah) é o mesmo termo que Ló usa para dizer que suas filhas, que ele oferecia como alternativa à tara daqueles homens, eram virgens: “Elas nunca conheceram (yadah) homem”, diz o versículo 8. Assim, fica evidente que “conhecer”, no contexto da passagem de Gênesis, significa ter relações sexuais. Foi essa a interpretação de Filo, autor judeu do século 1º, em sua obra sobre a vida de Abraão: segundo ele, “os homens de Sodoma se acostumaram gradativamente a ser tratados como mulheres”.

Ainda sobre o pecado cometido naquelas cidades bíblicas, que acabaria acarretando sua destruição, a “teologia inclusiva” defende que o profeta Ezequiel claramente diz que o erro daquela gente foi a soberba e a falta de amparo ao pobre e ao necessitado (Ez 16:49). Contudo, muito antes de Ezequiel, o “sodomita” era colocado ao lado da prostituta na lei de Moisés: o rendimento de ambos, fruto de sua imoralidade sexual, não deveria ser recebido como oferta a Deus, conforme Deuteronômio 23:18. Além do mais, quando lemos a declaração do profeta em contexto, percebemos que a soberba e a falta de caridade era apenas um entre os muitos pecados dos sodomitas. Ezequiel menciona as “abominações” dos sodomitas, as quais foram a causa final da sua destruição: “Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de Mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali” (Ez 16:49, 50). Da mesma forma, Pedro, em sua segunda epístola, refere-se às práticas pecaminosas dos moradores de Sodoma e Gomorra tratando-as como “procedimento libertino”.

Um quinto argumento é que haveria alguns casos de amor homossexual na Bíblia, a começar pelo rei Davi, para quem o amor de seu amigo Jônatas era excepcional, “ultrapassando o das mulheres” (2Sm 1:26). Contudo, qualquer leitor da Bíblia sabe que o maior problema pessoal de Davi era a falta de domínio próprio quanto à sua atração por mulheres. Foi isso que o levou a casar com várias delas e, finalmente, a adulterar com Bate-Seba, a mulher de Urias. Seu amor por Jônatas era aquela amizade intensa que pode existir entre duas pessoas do mesmo sexo e sem qualquer conotação erótica. Alguns defensores da “teologia inclusiva” chegam a categorizar o relacionamento entre Jesus e João como homoafetivo, pois este, sendo o discípulo amado do Filho de Deus, numa ocasião reclinou a cabeça no peito do Mestre (Jo 13:25). Acontece que tal atitude, na cultura oriental, era uma demonstração de amizade varonil – contudo, acaba sendo interpretada como suposta evidência de um relacionamento homoafetivo. Quem pensa assim não consegue enxergar amizade pura e simples entre pessoas do mesmo sexo sem lhe atribuir uma conotação sexual.

Torpeza

Há uma sexta tentativa de reinterpretar passagens bíblicas com o objetivo de legitimar a homossexualidade. Os propagadores da “teologia gay” dizem que, no texto de Romanos 1:24-27, o apóstolo Paulo estaria apenas repetindo a proibição de Levítico à prática homossexual na forma da prostituição cultual, tanto de homens como de mulheres – proibição esta que não se aplicaria fora do contexto do culto idolátrico e pagão. Todavia, basta que se leia a passagem para ficar claro o que Paulo estava condenando. O apóstolo quis dizer exatamente o que o texto diz: que homens e mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza, e que se inflamaram mutuamente em sua sensualidade – homens com homens e mulheres com mulheres –, “cometendo torpeza” e “recebendo a merecida punição por seus erros”. E ao se referir ao lesbianismo como pecado, Paulo deixa claro que não está tratando apenas da pederastia, como alguns alegam, visto que a mesma só pode acontecer entre homens, mas a todas as relações homossexuais, quer entre homens ou mulheres.

É alegado também que, em 1 Coríntios 6:9, os citados efeminados e sodomitas não seriam homossexuais, mas pessoas de caráter moral fraco (malakoi, pessoa “macia” ou “suave”) e que praticam a imoralidade em geral (arsenokoites, palavra que teria sido inventada por Paulo). Todavia, se esse é o sentido, o que significam as referências a impuros e adúlteros, que aparecem na mesma lista? Por que o apóstolo repetiria esses conceitos? Na verdade, efeminado se refere ao que toma a posição passiva no ato homossexual – esse é o sentido que a palavra tem na literatura grega da época, em autores como Homero, Filo e Josefo – e sodomita é a referência ao homem que deseja ter coito com outro homem.

Há ainda uma sétima justificativa apresentada por aqueles que acham que a homossexualidade é compatível com a fé cristã. Segundo eles, muitas igrejas cristãs históricas, hoje, já aceitam a prática homossexual como normal – tanto que homossexuais praticantes, homens e mulheres, têm sido aceitos não somente como membros, mas também como pastores e pastoras. Essas igrejas, igualmente, defendem e aceitam a união civil e o casamento entre pessoa do mesmo sexo. É o caso, por exemplo, da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos – que nada tem a ver com a Igreja Presbiteriana do Brasil –, da Igreja Episcopal no Canadá e de igrejas em nações europeias como Suécia, Noruega e Dinamarca, entre outras confissões. Na maioria dos casos, a aceitação da homossexualidade provocou divisões nessas igrejas, e é preciso observar, também, que só aconteceu depois de um longo processo de rejeição da inspiração, infalibilidade e autoridade da Bíblia. Via de regra, essas denominações adotaram o método histórico-crítico – que, por definição, admite que as Sagradas Escrituras sejam condicionadas culturalmente e que refletem os erros e os preconceitos da época de seus autores. Dessa forma, a aceitação da prática homossexual foi apenas um passo lógico. Outros ainda virão. Todavia, cristãos que recebem a Bíblia como a infalível e inerrante [sic] [leia sobre isso aqui] Palavra de Deus não podem aceitar a prática homossexual, a não ser como uma daquelas relações sexuais consideradas como pecaminosas pelo Senhor, como o adultério, a prostituição e a fornicação.

Contudo, é um erro pensar que a Bíblia encara a prática homossexual como sendo o pecado mais grave de todos. Na verdade, existe um pecado para o qual não há perdão, mas com certeza não se trata da prática homossexual: é a blasfêmia contra o Espírito Santo, que consiste em atribuir a Satanás o poder pelo qual Jesus Cristo realizou Seus milagres e prodígios aqui neste mundo, mencionado em Marcos 3:22-30 [o pecado contra o Espírito Santo é o pecado do qual a pessoa não se arrepende e que, por isso, acaba levando-a à perdição]. Consequentemente, não está correto usar a Bíblia como base para tratar homossexuais como sendo os piores pecadores dentre todos, que estariam além da possibilidade de salvação e que, portanto, seriam merecedores de ódio e desprezo. É lamentável e triste que isso tenha acontecido no passado e esteja se repetindo no presente. A mensagem da Bíblia é esta: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”, conforme Romanos 3:23. Todos nós precisamos nos arrepender de nossos pecados e nos submeter a Jesus Cristo, o Salvador, pela fé, para receber o perdão e a vida eterna.

Lembremos ainda que os autores bíblicos sempre tratam da prática homossexual juntamente com outros pecados. O 20º capítulo de Levítico proíbe não somente as relações entre pessoas do mesmo sexo, como também o adultério, o incesto e a bestialidade. Os sodomitas e efeminados aparecem ao lado dos adúlteros, impuros, ladrões, avarentos e maldizentes, quando o apóstolo Paulo lista aqueles que não herdarão o Reino de Deus (1Co 6:9, 10). Porém, da mesma forma que havia nas igrejas cristãs adúlteros e prostitutas que haviam se arrependido e mudado de vida, mediante a fé em Jesus Cristo, havia também efeminados e sodomitas na lista daqueles que foram perdoados e transformados.

Compaixão

É fundamental, aqui, fazer uma distinção importante. O que a Bíblia condena é a prática homossexual, e não a tentação a essa prática. Não é pecado ser tentado ao homossexualismo, da mesma forma que não é pecado ser tentado ao adultério ou ao roubo, desde que se resista. As pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo devem se lembrar de que esse desejo é resultado da desordem moral que entrou na humanidade com a queda de Adão e que, em Cristo Jesus, o segundo Adão, podem receber graça e poder para resistir e vencer, sendo justificados diante de Deus.

Existem várias causas identificadas comumente para a atração por pessoas do mesmo sexo, como o abuso sexual sofrido na infância. Muitos gays provêm de famílias disfuncionais ou tiveram experiências negativas com pessoas do sexo oposto. Há aqueles, também, que agem deliberadamente por promiscuidade e têm desejo de chocar os outros. Outro fator a se levar em conta são as tendências genéticas à homossexualidade, cuja existência não está comprovada até agora e tem sido objeto de intensa polêmica. Todavia, do ponto de vista bíblico, o homossexualismo é resultado do abandono da glória de Deus, da idolatria e da incredulidade por parte da raça humana, conforme Romanos 1:18-32. Portanto, não é possível para quem crê na Bíblia justificar as práticas homossexuais sob a alegação de compulsão incontrolável e inevitável, muito embora os que sofrem com esse tipo de impulso devam ser objeto de compaixão e ajuda da Igreja cristã.

É preciso, também, repudiar toda manifestação de ódio contra homossexuais, da mesma forma com que o fazemos em relação a qualquer pessoa. Isso jamais nos deveria impedir, todavia, de declarar com sinceridade e respeito nossa convicção bíblica de que a prática homossexual é pecaminosa e que não podemos concordar com ela, nem com leis que a legitimam. Diante da existência de dispositivos legais que permitem que uma pessoa deixe ou transfira seus bens a quem ele queira, ainda em vida, não há necessidade de leis legitimando a união civil de pessoas de mesmo sexo – basta a simples manifestação de vontade, registrada em cartório civil, na forma de testamento ou acordo entre as partes envolvidas. O reconhecimento dos direitos da união homoafetiva valida a prática homossexual e abre a porta para o reconhecimento de um novo conceito de família. No Brasil, o reconhecimento da união civil de pessoas do mesmo sexo para fins de herança e outros benefícios aconteceu ao arrepio do que diz a Constituição: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento” (Art. 226, § 3º).

Cristãos que recebem a Bíblia como a palavra de Deus não podem ser a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, uma vez que seria a validação daquilo que as Escrituras, claramente, tratam como pecado. O casamento está no âmbito da autoridade do Estado e os cristãos são orientados pela Palavra de Deus a se submeter às autoridades constituídas; contudo, a mesma Bíblia nos ensina que nossa consciência está submissa, em última instância, à lei de Deus e não às leis humanas – “Importa antes obedecer a Deus que os homens” (At 5:29). Se o Estado legitimar aquilo que Deus considera ilegítimo, e vier a obrigar os cristãos a irem contra a sua consciência, eles devem estar prontos a viver, de maneira respeitosa e pacífica em oposição sincera e honesta, qualquer que seja o preço a ser pago.

(Augustus Nicodemus Lopes; artigo publicado na revista Cristianismo Hoje e republicado no blog O Tempora, o Mores)

segunda-feira, agosto 12, 2013

Verdades bíblicas desenterradas pelos arqueólogos

A busca por evidências de que histórias relatadas na Bíblia realmente aconteceram fascina pesquisadores sérios. Um deles é a arqueóloga Eilat Mazar [foto], da Universidade Hebraica de Jerusalém. Começou a ganhar fama entre seus colegas em 2005, quando revelou as ruínas de um palácio, construído entre os séculos X e IX a.C., que ela acredita ter pertencido ao rei Davi. Agora, a arqueóloga apresenta outro achado: um fragmento de vaso de cerâmica com a inscrição linear mais antiga já achada em Jerusalém. Alguns pesquisadores veem o artefato como mais uma peça no quebra-cabeça que pode comprovar a existência dos reis Davi e Salomão. A inscrição foi encontrada próxima ao palácio onde eles podem ter reinado. “O fragmento, o palácio e outras evidências apontam mesmo na direção da historicidade desses personagens”, diz Gary Rendsburg, professor do departamento de estudos judaicos da Universidade de Rutgers, nos Estados Unidos.

Os estudiosos levantam hipóteses, mas ainda não definiram a tradução e o idioma usado na inscrição. Para uns, é proto-cananita, uma forma de escrita que precede o domínio israelita em Jerusalém. Outros defendem que se trata de uma forma arcaica de hebraico ou fenício. Enquanto não chegam a essa definição, alguns estudiosos acenam com outras possibilidades decorrentes da descoberta. “Se as pessoas sabiam ler e escrever naquela época e local, isso indica que a Bíblia pode conter relatos autênticos, e não apenas lendas escritas 700 anos mais tarde”, diz Yossi Garfinkel, professor de arqueologia da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Essa ideia pode animar quem defende o texto religioso como registro histórico, mas deve ser encarada com cuidado. A arqueologia feita para provar que “a Bíblia tinha razão” é traiçoeira. “A única coisa que a descoberta prova sem dúvida é que, em torno do ano 1000 a.C., na região que hoje chamamos de Israel, alguém sabia ler e escrever”, diz Cássio Murilo Dias da Silva, professor de história e literatura do Antigo Testamento na Faculdade de Teologia da PUC-RS. O que não significa que as letras impressas no barro sejam um retrato fiel da verdade.


Nota: A ressalva no fim da matéria deveria ser feita com mais intensidade quando são encontrados fragmentos de ossos fossilizados alegadamente tendo milhões de anos, ou mesmo pequenos pedaços de mandíbulas ou apenas dentes, sobre os quais se constroem histórias mirabolantes que quase ninguém questiona.[MB]

sexta-feira, agosto 09, 2013

Fóssil australiano contradiz linha temporal evolutiva

Um conjunto especial de fósseis de peixes australianos descarrilou a preciosa história evolucionista em torno da origem dos peixes. Os espantosos fósseis preservaram de modo detalhado as características corporais dos tecidos moles, incluindo os locais exatos em que os músculos se ligavam aos ossos do peixe. Essas pistas permitiram que os paleontólogos reconstruíssem a anatomia do agora extinto peixe. Para sua grande surpresa (uma vez que contavam encontrar características muito mais “primitivas”) os cientistas descobriram um peixe blindado, totalmente musculado e perfeitamente construído. Devido a mais um dado que não se ajusta às suas expectativas, os evolucionistas veem-se agora na obrigação de reescrever (outra vez) a história evolutiva em torno da evolução das mandíbulas.[1]

O peixe extinto tem o nome de placodermo e os cientistas australianos descreveram a forma como, durante décadas, a teoria da evolução propôs o “modelo do tubarão” como explicação para a origem das mandíbulas (modelo esse que assumia que a estrutura dos músculos dos placodermos era semelhante à dos tubarões modernos). O artigo foi publicado na Science.[2]

Os crânios de tubarão estão construídos de lado-para-o-lado, e eles usam músculos orientados para os lados. Mas os crânios dos placodermos estão formados de cima-para-baixo e, naturalmente, os músculos estão construídos de uma forma que os permite fazer um controle adequado. A história mitológica evolutiva explica que o primeiro peixe a evoluir as mandíbulas [...] não tinha evoluído ainda a musculatura completa necessária para mover a cabeça e as mandíbulas de uma forma poderosa e com coordenação eficiente. Essas novas descobertas demonstram que os placodermos tinham tudo o que era necessário para um funcionamento adequado e completo das mandíbulas.

Esses peixes cascudos “apresentam uma anatomia que difere de uma forma radical do modelo do tubarão”, afirmaram os editores do estudo.[2] Colocar em cheque o modelo do tubarão é algo muito importante, uma vez que os placodermos supostamente representam a primeira e “a mais primitiva versão da anatomia de um vertebrado com maxilares.”[2] Que evolucionista não estaria interessado em descobrir mais sobre a suposta “transição de uma forma sem maxilares para um vertebrado com maxilares?” O que se observa é que os placodermos tinham um pescoço bem desenvolvido e uma musculatura do tronco que operava suas mandíbulas da mesma forma que qualquer outro animal ainda vivo opera – excetuando os tubarões.

Os músculos do peixe encontravam-se, a certa altura, mineralizados, preservando suas formas. Os músculos desses peixes cascudos antigos tinham a postura antagônica necessária para elevar a cabeça, abrir o maxilar inferior e juntar o inferior com o superior (fechar a boca), quando era necessário se alimentar.

O ponto a destacar é que esses supostos “peixes primitivos” – que alegadamente representam o advento da evolução da mandíbula – aparecem no registo fóssil sem qualquer evidência de fazerem parte de alguma sequência de animais pertencentes a uma imaginária linha evolutiva progressiva.

Essa descoberta forçou os autores do estudo a inventar uma nova explicação para o fato de as expectativas evolutivas terem sido refutadas com as observações. Em vez de os músculos do tronco ou do estômago evoluírem muitos milhões de anos depois da primeira mandíbula, eles alegadamente evoluiriam nesses peixes com mandíbulas “primitivos”. Mais tarde, segundo a teoria da evolução, os músculos desapareceram nos descendentes que se seguiram. Só para “reevoluírem” mais tarde.

Ao contrário das contorções e das constantes revisões que os evolucionistas se veem forçados a fazer na teoria da evolução como forma de acomodar a ciência com sua fé, o modelo bíblico não tem a necessidade de reescrever a história ou colocar de lado alguns fatos. A Bíblia Sagrada é absolutamente clara em afirmar que o Senhor – e não a natureza – criou o peixe.

Além disso, sabemos mediante a Palavra de Deus que o mundo sofreu um dilúvio global que, inquestionavelmente, também terminou com a vida de algumas criaturas oceânicas, além dos animais que respiravam pelas narinas e que não se encontravam na arca. Portanto, o dilúvio é muito provavelmente responsável pela mineralização espantosa e pelo enterro rápido desses placodermos australianos.

Outro corolário em favor do modelo bíblico pode explicar o porquê de esse peixe particular se encontrar nas camadas sedimentares mais baixas. Isso acontece não porque eles evoluíram primeiro, mas sim porque sua armadura óssea pesada os atrasou no momento em que eles tentavam escapar das águas rápidas do dilúvio.[3]

De qualquer das formas, esse achado claramente mostra que o placodermo, o alegado ancestral mais antigo dos peixes com mandíbulas, tinha tudo o que era necessário desde o princípio – coisa que parece sugerir que foram criados.

(ICR, via Darwinismo)

Referências:
1. “This episode of evolutionary history already drags baggage, as fossils have so far failed to confirm either of two main competing theories of jaw evolution – the ‘serial theory’ and a more convoluted ‘composite theory’.”
2. Trinajstic, K. et al. “Fossil Musculature of the Most Primitive Jawed Vertebrates”. Science. 341 (6142): 160-164.
3. For example, world renowned vertebrate fossil authority Clack noted that an Australian fossil cache contained “a spectacular number of fossil fishes in extensive bedding planes that probably represent mass mortality events. Most of the fishes are placoderms”. Clack, J. A. 2012. Gaining Ground, Second Edition: The Origin and Evolution of Tetrapods (Life of the Past). Bloomington, IN: Indiana University Press, 78.

Inglaterra: energia grátis aos sábados?

A Centrica, empresa que controla a British Gas, fornecedora de gás e energia em cerca de 12 milhões de residências no Reino Unido, promete agitar o mercado local com o plano de oferecer ao seus clientes eletricidade gratuita em sábados. Mas isso por quê? Segundo a concessionária, o plano é estimular o uso de energia aos fins de semana, concentrando o uso quando o consumo geral é inferior ao que é gasto de segunda à sexta. A informação é do Financial Times. A redução do consumo energético é uma pauta que ganha força no cenário político britânico, segundo aponta o FT. Parlamentares estão pressionando as companhias para apresentar políticas que ajudem seus clientes a reduzirem suas contas.

Segundo Sam Laidlaw, CEO da Centrica, com a concentração do consumo energético aos finais de semana também contribui para reduzir e equilibrar emissões de carbono, cortando horários de pico. Mesmo assim, para que o plano siga adiante, será preciso que os consumidores instalem medidores inteligentes em suas residências, frisou o executivo. “Precisamos de mais medidores inteligentes no Reino Unidos, e se isso (energia grátis no sábado) vier, vai levar pelo menos seis meses”, completou, em entrevista ao jornal inglês.

A nova tarifação, que pode ser introduzida a partir de 2014, segue uma oferta já em funcionamento nos Estados Unidos. A proposta foi introduzida pela Direct Energy, empresa norte-americana também controlada pela Centrica.

Nos EUA, a Direct Energy oferece pacotes anuais que incluem o benefício do “Free Power Saturday”, em que os usuários possuem o sábado inteiro para consumir energia, sem precisar pagar um tostão por isso. A oferta cobre alguns estados do noroeste do país, e foi lançada recentemente no Texas. As tarifas foram criadas para encorajar clientes a otimizar seu uso de utensílios de alto consumo como máquinas de lavar e secar.

A empresa também oferece pacotes de tarifação exclusivos para uso nos fins de semana, com preços pela metade do gasto do que é cobrado em dias comerciais.


Nota: A proposta poderia envolver os domingos, em lugar dos sábados, já que as pessoas que dizem respeitar o domingo como dia santo simplesmente não vão ao trabalho nesse dia, mas realizam toda e qualquer atividade em casa. Os guardadores do sábado, por outro lado, seguem o mandamento bíblico (Êx 20:80-11) e a recomendação de não realizar trabalhos seculares nesse dia (Is 58:13, 14). O estímulo governamental para consumo de energia no sábado o tornará ainda mais um dia de múltiplas atividades domésticas que nada têm que ver com a obediência ao quarto mandamento.[MB]

quinta-feira, agosto 08, 2013

Campanha pela abolição da família monogâmica

Sérgio Lessa escreveu uma monografia em que defende a abolição da família monogâmica. Em guerra política, isso se chama espiral do delírio. À medida que vai consolidando o poder cada vez mais absoluto, um grupo tende a abafar a voz visando calar totalmente os grupos oponentes, que têm interesse e argumentos para contestá-lo. Se o oponente se cala ou não mais se consegue fazer ouvir, entra na espiral do silêncio: quanto mais calado, mais fraco se torna e por isso menos ouvido é. Já o grupo dominante, obtida a hegemonia e sem ter quem o conteste, passa a defender (e até mesmo implementar) as ideias mais absurdas.

O caso da erosão da família é um exemplo emblemático: primeiro, superam-se as limitações de sexo (que os engenheiros sociais humanistas ressignificaram para “gênero”), depois abolem-se as restrições de cardinalidade (em vez de um com uma, vários com vários), a seguir, caem as interdições de parentesco e, por fim, as balizas de gênero biológico. Até que voilà: temos uma sociedade que não diferencia a união monogâmica heterossexual procriativa de relacionamentos pautados apenas no (ab)uso das cavidades corporais de outros seres vivos (eu disse “vivos”? perdão, esqueci-me de que a necrofilia também pode ser abrigada por essa “nova” heterodoxia militante).

Quando alertei para isso, já faz um tempinho, me acusaram de apelar para a falácia do declive escorregadio (foi o de menos, até houve um colega de trabalho que não via problema algum no incesto hétero ou homossexual, desde que praticado por maiores de 15 anos consensualmente). Hoje se vê que o declive não é falacioso nem retórico; é uma ribanceira real, na qual estamos chegando cada vez mais perto do fundo.

(Marco Dourado, formado em Ciência da Computação pela UnB, com especialização em Administração em Banco de Dados; reside em Curitiba)

Jovens veem pornografia 2 a 3 vezes por dia


A maioria dos adolescentes britânicos assiste conteúdo adulto ao menos de duas a três vezes por semana a partir do celular ou do computador no quarto. Um em cada oito acessa programação do gênero mais de uma vez por dia, segundo pesquisa da organização beneficente ChildLine, que entrevistou 800 jovens. As informações são do Daily Mail. As garotas têm quase a mesma propensão a já ter visto pornografia que os meninos, com 73% e 88%, mas elas assistem menos do que eles - a maioria das meninas falou que “quase nunca” acessa o conteúdo, enquanto a maior parte dos garotos disse que vê de duas a três vezes por semana ou mais. As adolescentes são mais propensas a ficar chateadas, preocupadas ou enojadas com algo que viram. Na estatística dos dois gêneros, mais da metade (56%) dos entrevistados manifestou algum dos sentimentos - e apenas poucos sabiam a quem recorrer por ajuda.

Na pesquisa, dois terços das crianças entre 11 e 13 anos já viram pornografia online, cerca de 30% desses via smartphone. Mas a frequência de acesso é menor do que adolescentes mais velhos - 59% disseram que veem “raramente” e 9% afirmam ter visto várias vezes ao dia. O índice entre os jovens de 13 a 17 anos sobre para quase 75%. O percentual é semelhante (83%) aos que afirmam ter chegado a sites de conteúdo adulto forte por acidente.

“Estamos profundamente preocupados que o acesso a esses vídeos hardcore e muitas vezes violentos esteja distorcendo a visão dos jovens do que é o comportamento normal ou aceitável. Isso leva algumas pessoas copiarem ou imitarem os vídeos”, comenta Jon Brown, da NSPCC, organização britânica de proteção à crueldade contra as crianças.

“Mas é importante não demonizar os jovens, que na maior parte das vezes estão apenas mostrando uma curiosidade natural pela própria sexualidade”, pondera. O Reino Unido vive um debate sobre conteúdos adultos, enquanto o governo tenta obrigar os provedores de internet a instalar filtros anti-pornografia em todas as conexões, cabendo aos adultos decidir pela liberação do acesso. Mas alguns ativistas argumentam que os filtros seriam uma forma de censura e um ataque à internet aberta e livre.


Nota: É ridículo como os produtores de pornografia argumentam pela liberdade enquanto produzem conteúdos que viciam, escravizam e promovem a violência e a deturpação da sexualidade. Assim como existem leis contra o tráfico de drogas, deveria, sim, haver mecanismos de filtragem de conteúdos pornográficos. Conteúdos violentos em filmes e videogames têm feito estrago considerável na mente e na vida desta geração (veja aqui um exemplo recente). De modo semelhante, a pornografia contribui para criar a imagem de uma sexualidade animalesca, em que a mulher e/ou o homem são vistos como escravos sexuais e devem ser tratados como simples objeto de prazer. Crianças que assistem a esses vídeos poderão acreditar que aquilo é sexo e que a promiscuidade, o sexo anal (perigoso como possa ser), as orgias e as relações homossexuais são a coisa mais normal do mundo. Conforme o testemunho de várias ex-atrizes pornôs, os vídeos não mostram o que vai nos bastidores dessas produções (leia dois exemplos aqui e aqui), e quem consome esse tipo de conteúdo está contribuindo para a proliferação do mal. Como as leis são muito brandas em relação à pornografia (e hoje é muito mais fácil ter acesso a ela do que nos tempos anteriores à internet), cabe aos pais e responsáveis monitorar o que os filhos andam assistindo ou por onde andam navegando na web. Um bom livro sobre regras de uso de equipamentos eletrônicos que podem dar acesso à pornografia é o Como Proteger Seus Filhos na Internet.[MB]

quarta-feira, agosto 07, 2013

G. K. Chesterton pode ser canonizado

O bispo britânico Peter John Haworth Doyle nomeou um clérigo para investigar a causa de beatificação do escritor Gilbert Keith Chesterton. A notícia foi dada por Dale Ahlquist, presidente do American Chesterton Society, no dia 1º agosto. Em seu discurso de abertura da 32ª Conferência Anual da American Chesterton Society, realizada no Colégio da Assunção, Ahlquist expressou alegria e gratidão por essa iniciativa porque “está em sintonia com os nossos desejos” para a canonização de Chesterton. “É para mim um grande privilégio poder fazer esse anúncio” - acrescentou – “também porque a razão que motivou monsenhor Doyle é o fato de que quando o Cardeal Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires falou favoravelmente para a abertura da causa.”

Monsenhor Doyle é bispo da Diocese de Northampton, uma sede sufragânea da Arquidiocese de Westminster, que inclui os condados de Bedfordshire e Northamptonshire, bem como o tradicional condado de Buckinghamshire.

Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) é um dos escritores ingleses mais citados do mundo. Muito conhecidos seus livros Ortodoxia, O Homem Eterno, A Aventura de um Homem Vivo, São Tomás de Aquino, São Francisco de Assis, bem como toda a série de histórias do Padre Brown. Em particular, é de grande importância o livro A Minha Fé, no qual explica sua conversão ao catolicismo.

Está amplamente demonstrado que os escritos de Chesterton foram significativos para a conversão de muitas pessoas e que têm influenciado positivamente muitos dos grandes homens do século 20. O escritor e filólogo britânico Clive Staples Lewis escreveu que, depois de ter lido o livro Chesterton, The Everlasting Man (traduzido para o português sob o título O Homem Eterno), “pela primeira vez eu vi a história de uma forma cristã que fazia sentido”.

De acordo com Dale Ahlquist, a abordagem de Dorothy Day para a economia foi influenciada por um modelo criado por Chesterton baseada nos ensinamentos sociais da Igreja e conhecido como “distributismo”. (Dorothy Day foi uma jornalista e ativista social anárquica norte-americano, famosa por suas campanhas de justiça social em defesa dos pobres e sem-teto. Converteu-se ao catolicismo em 1927.)

Chesterton também influenciou John Ronald Reuel Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis e de outros célebres “pedras milenârias” do gênero fantasy , como O Hobbit e O Silmarillion. E foi fonte de inspiração também para o escritor, dramaturgo, poeta e jornalista Maurice Baring, para o historiador Christopher Henry Dawson, para o teólogo monsenhor Ronald Knox, e para os autores agnósticos como o grande escritor argentino Jorge Luis Borges.

Não basta ser um grande escritor para ser um santo, mas não há dúvida de que Chesterton foi um mestre da virtude. Magistrais são os seus ensinamentos no campo da fé, da defesa da família natural, da santidade da vida e da justiça econômica.

No mundo, ele é conhecido por sua grande inteligência, humildade e alegria profunda que brotou do seu tornar-se católico. O presidente da Chesterton American Society lembrou a influência que Chesterton teve também sobre o servo de Deus e arcebispo norte-americano Fulton John Sheen, entre os mais eficazes e brilhantes pregadores do seu tempo. “Acho que Chesterton é um santo para o nosso tempo e poderia continuar a atrair muitas pessoas à Igreja Católica”, concluiu Dale Ahlquist.


Nota: Se estivesse vivo, não sei não se Chesterton concordaria em virar “santo”... Ele é muito admirado por leitores e pensadores protestantes. Seria essa mais uma tentativa por parte da liderança católica de aproximação dos “irmãos separados” e um esforço para agradar os fãs do escritor? Como Alquist mesmo admite, a canonização de Chesterton tem o potencial de atrair muitas pessoas à Igreja Católica. Assuntos de fé e pragmatismo quase sempre se misturam quando o assunto é beatificação e canonização - e os últimos dois papas bateram recordes nesse quesito. De qualquer forma, Chesterton estará alheio a tudo isso até a ressurreição dos mortos (já que, como qualquer morto, ficará “dormindo” em seu lugar de descanso até a volta de Jesus, se morreu salvo – confira). Pelos mesmos méritos de Chesterton, podiam canonizar C. S. Lewis. Ah, não dá... Era não era católico.[MB]