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quinta-feira, abril 18, 2013

Cientistas desvendam genoma do celacanto

[Meus comentários seguem entre colchetes. – MB] Primeiro, achavam que ele estava extinto [havia 70 milhões de anos]. Depois, quando descobriram que não, apelidaram-no de “fóssil vivo”, por causa de sua morfologia pré-histórica – em especial, das nadadeiras, que conservam dentro delas uma forma rudimentar de braço e antebraço. Especulou-se que ele seria o parente vivo mais próximo do peixe ancestral que deu origem à linhagem dos tetrápodes, os animais de quatro membros (incluindo nós, seres humanos) que saíram da água e conquistaram a terra entre 300 e 400 milhões de anos atrás [segundo a cronologia evolucionista]. Apesar dos muitos fósseis disponíveis, faltavam informações genéticas para tirar a dúvida. Agora não faltam mais. Em um trabalho publicado hoje na revista Nature, pesquisadores de vários países (incluindo o Brasil) apresentam uma análise do genoma do celacanto, um peixe estranho e muito raro que pouco mudou nos últimos 300 milhões de anos [idem] – não só do ponto de vista morfológico, mas também genético, segundo o estudo. [Quando se baseiam em fósseis, os cientistas elaboram fabulosas “histórias evolutivas”. Quando dispõem de seres vivos para fazer pesquisa, a história é outra: a evolução não parece tão “macro” assim.]

Os resultados indicam que os genes do celacanto estão evoluindo (mudando) numa taxa bem inferior à dos tetrápodes em geral. “Ele também mudou, mas muito menos do que nós, por exemplo”, disse ao Estado a pesquisadora Jessica Alfoldi, do Instituto Broad (uma parceria entre o MIT e a Universidade Harvard), que é uma das autoras principais do trabalho. “Por isso ele se parece mais com os ancestrais dele do que nós parecemos com os nossos.” [Na verdade, o celacanto se parece mais com os ancestrais dele pelo fato de que é exatamente como os fósseis dele encontrados em estratos antiquíssimos. Se um dia encontrarem um ser humano num estrato antigo – algo realmente muito difícil –, toda a teoria sobre nossos supostos ancestrais teria que ser alterada, mais ou menos como foi a alterada a “história evolutiva” do celacanto.]

Outra conclusão, baseada numa comparação entre o genoma do celacanto e de várias outras espécies de vertebrados, é que ele não é o parente vivo mais próximo dos tetrápodes, como chegou a ser proposto, mas sim os peixes pulmonados, um pequeno grupo de peixes parecidos com enguias que possuem pulmões e respiram ar na superfície, em vez de extrair oxigênio da água. Um exemplo é a piramboia, que ocorre no Brasil, única espécie do grupo na América do Sul (foto abaixo). Segundo o trabalho, os peixes pulmonados são (por pouco) mais próximos geneticamente dos tetrápodes, apesar de se parecerem menos com eles anatomicamente do que o celacanto. [É mais um mito que cai por terra – ou que afunda. Muitos livros terão que ser reescritos. Imagine-se quanta história evolutiva mudaria se se pudessem estudar exemplares vivos que hoje, supostamente, só existem em forma fóssil...]

O que não é nenhum demérito ao celacanto, que continua sendo o melhor modelo vivo disponível para estudo da origem dos tetrápodes, segundo o pesquisador brasileiro Igor Schneider. “Os pulmonados são mais próximos de nós, mas o celacanto é muito mais informativo no que diz respeito à evolução dos membros”, afirma Schneider, que participou da pesquisa como pós-doutorando no laboratório do renomado paleontólogo Neil Shubin (também co-autor do estudo), na Universidade de Chicago, e agora está de volta a sua terra natal, dando continuidade às pesquisas no Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará. “É uma janela que nos permite olhar como eram esses peixes naquela época, quando eles estavam prestes a sair da água.” [A hipótese é tão forte que sempre acaba prevalecendo sobre os fatos. Mesmo sabendo que o celacanto é bem “adaptado” às águas profundas, os cientistas insistem em afirmar que ele estava “prestes a sair da água”.]

Em Chicago, Schneider e Shubin fizeram algo inusitado para saber se o “maquinário genético” responsável por guiar a formação das nadadeiras do celacanto era o mesmo usado para guiar a formação de braços e pernas nos tetrápodes. Os genes que fazem isso nos peixes e vertebrados terrestres são essencialmente os mesmos [funções semelhantes, informação semelhante. O ser humano também faz isso com suas criações diversas, mas que possuem funções semelhantes.]. Então, eles pegaram uma sequência de DNA que funciona como um “interruptor” genético – que liga, desliga ou regula o funcionamento de genes específicos – associado ao gene que controla a formação das nadadeiras no celacanto e o colocaram no genoma de um camundongo transgênico. Resultado: o gene funcionou da mesma forma, controlando a formação embrionária dos braços e pernas nos roedores.

“Isso mostra que os aparatos genéticos usados para formar membros nos tetrápodes já estavam presentes nos peixes ancestrais”, explica Schneider [por que deveria haver aparatos genéticos que permaneceriam tantos “milhões de anos” sem ser usados?]. “É evidente que, como nós fazemos braços e eles, nadadeiras, há outras coisas operando no genoma que nos faz diferentes deles [e é nessa diferença que eles deveriam focalizar a atenção, mas o que sempre importa mais são as semelhanças]. Vamos testar outros elementos regulatórios para saber o que é novo e o que é antigo.”

Na comparação entre genomas, os pesquisadores já identificaram algumas características genéticas importantes aos tetrápodes que não estão presentes no celacanto e que podem ser resultado da adaptação à vida na terra [aqui entra em cena a extrapolação dos dados com base numa hipótese]. Por exemplo, características ligadas ao olfato, ao sistema imunológico, à formação de dedos e ao metabolismo de ureia. [Essas características simplesmente surgiram nos seres terrestres – com aumento inexplicável de informação genética – ou foram criadas nesses animais distintos dos aquáticos?]

As comparações genéticas entre celacantos e peixes pulmonados foram feitas com base no chamado “transcriptoma”, que utiliza RNA em vez de DNA para identificar as mensagens que estão sendo codificadas pelos genes dentro das células. O ideal seria ter também o genoma inteiro de um peixe pulmonado sequenciado, mas por enquanto isso é tecnologicamente impossível. Por alguma razão desconhecida, os peixes pulmonados possuem genomas gigantescos, da ordem de 100 bilhões de pares de bases, comparado a três bilhões do genoma do celacanto e do genoma humano, por exemplo. “Até dá para sequenciar, mas seria caríssimo e não temos uma tecnologia (de bioinformática) avançada o suficiente para montar e anotar um genoma desse tamanho de maneira satisfatória”, aponta Jessica. Em outras palavras: até daria para sequenciar e produzir as peças do quebra-cabeça, mas não seríamos capazes de montá-lo no final. [Como explicar essa tremenda diferença entre os genomas de seres que deveriam ser parentes? De qualquer forma, lembre-se de que o ser humano e as bananas têm 50% de semelhança genética, mas ninguém diz que somos “parentes”.] [...]

É difícil dizer por que [o celacanto] teria mudado tão pouco em tanto tempo de evolução. Uma das hipóteses é que, por viver em águas profundas, onde as condições ambientais são relativamente estáveis, ele não foi “pressionado” a mudar (evoluir) tanto quanto os animais terrestres ou peixes de águas mais rasas (como os peixes pulmonados, por exemplo, que são seus parentes próximos). [Se convenceu?] [...]

Contrariamente ao celacanto, que manteve sua forma quase que inalterada até os dias de hoje, os pulmonados modernos são bem diferentes dos seus antepassados que aparecem no registro fóssil [dizem isso até que seja encontrado um ancestral de pulmonado idêntico à sua versão atual; aí, novamente, a hipótese terá que ser modificada]. [...]

Seja como for, juntando todas as informações genéticas e morfológicas, de fósseis e animais viventes, a história da origem aquática dos tetrápodes é uma das mais bem documentas da evolução da vida na Terra [se essa é uma das mais bem documentadas, então as demais “histórias” são mesmo muito frágeis!]. “Há muitos registros de bichos intermediárias, com características mistas, que mostram uma transformação gradual das nadadeiras em membros, como se fosse um filminho, desde uma forma mais pisciforme até um tetrápode propriamente dito (algo parecido com uma salamandra)”, afirma Carvalho. [Aqui entra em cena a ficção dos milhões de anos para “explicar” a ideia metafísica da macroevolução.]

O celacanto seria uma dessas formas transitórias, que se adaptou tão bem ao seu nicho ecológico que não precisou mais mudar; enquanto que alguns de seus parentes de águas mais superficiais começaram a rastejar pelas bordas e foram se transformando ao longo do tempo, até sair de vez da água e conquistar a terra firme. [Fatos: (1) descoberta de celacantos vivos, (2) percepção de ele é igual a seus ancestrais fossilizados de “70 milhões de anos”, (3) sequenciamento do genoma mostra diferenças enormes em relação a seus supostos parentes pulmonados, (4) constatação de que o celacanto era e é peixe de águas profundas (o que força os pesquisadores a supor que havia outros tipos de celacanto vivendo no raso e “namorando” a terra firme). O resto do texto acima é pura especulação evolucionista.]

sexta-feira, setembro 18, 2015

O pulmão do celacanto

Vivinho da Silva
A presença de um pulmão em peixes de águas profundas, os celacantos, revela a capacidade de adaptação desses peixes míticos de 400 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] - é o que [disse] a revista britânica Nature Communications nesta terça-feira. Até 1938, os celacantos só eram conhecidos na forma de fóssil, o que dava a entender que eles tinham desaparecido na mesma época que os dinossauros. Depois, um sul-africano pescou um desses peixes - evento considerado então como uma das maiores descobertas zoológicas do século 20. Esses peixes ganharam o status de “fósseis vivos”, e desde então não param de encantar os pesquisadores. “Nós conseguimos confirmar a presença de um pulmão em uma das espécies vivas do celacanto e temos a prova do caráter comum entre esse pulmão e o pulmão calcificado dos celacantos fossilizados”, explicou à AFP Paulo M. Brito, do departamento de Zoologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), co-autor do estudo.

Estudando dissecções de exemplares adultos e reconstituições 3D dos diferentes estados de desenvolvimento do pulmão, a equipe de pesquisadores colocou em evidência a existência de um pulmão potencialmente funcional e bem desenvolvido nos embriões. Depois, o ritmo de crescimento do pulmão é consideravelmente diminuído para virar um “vestígio” nos celacantos adultos.

“As formas fosseis dos celacantos, que viviam nas águas profundas, possuíam um pulmão funcional [como podem saber tanto sobre órgãos fossilizados?]. Desde a era mesozoica, os celacantos se adaptaram às águas profundas - onde o oxigênio é fornecido pelos brônquios - e podem ter perdido a respiração pulmonar com a redução acentuada desse pulmão” único, apontou Brito.

Segundo o brasileiro, essa adaptação às águas profundas pode explicar a sobrevida da espécie numa época em que inúmeros animais, incluído os dinossauros, desapareceram.

(Info)

Nota: Conforme me explicou um amigo biólogo especialista em peixes, “o fato é que esse trabalho não tem ‘nada novo do ponto de vista de ser ou não ser um pulmão’, e a forma como aparece no jornal é meramente sensacionalista. Essa ‘notícia’ deveria ter aparecido em 2010 ou antes (não rastreei tudo que foi publicado), afinal, ‘the fatty organ of Latimeria, enclosing anteriorly the vestigial lung, presents a such dorsal turn up’. Resumindo o meu pensamento: os autores descrevem somente e nada mais que a alometria (e que tenho que admitir, está corretíssimo no título do trabalho) no desenvolvimento da estrutura dita ‘pulmão’. Em outras palavras, o bicho se desenvolve e cresce, mas a estrutura não acompanha de forma proporcional esse crescimento... resultando em ser ‘vestigial’! Finalizando, volto a bater na tecla do problema que sempre levanto: jornalistas de ‘ciência’ precisam ser mais criteriosos com o que escrevem.”

Nota do blog Desafiando a Nomenklatura Científica: Consideremos a história evolucionária do celacanto:

1. Esse peixe grande e bem adaptado apareceu plenamente formado há [supostos] 410 milhões de anos – no início do Período Devoniano. 

2. O Período Devoniano não está tão distante da Explosão Cambriana – um dos maiores embaraços para a teoria da evolução desde o tempo de Darwin. 

3. Os celacantos viveram vigorosamente por [supostos] 344 milhões de anos, com algumas mudanças. 

4. Os celacantos nunca evoluíram para animais terrestres, apesar das estórias da carochinha contadas com suas barbatanas ósseas evoluindo para pernas. 

5. O celacanto apareceu vivo em 1938, apesar das estórias de sua extinção com os dinossauros. 

6. Durante todo esse tempo, o celacanto não evoluiu para outro animal, continuou celacanto. Estase, e estase é dado científico. 

7. A lacuna de 66 milhões de anos coloca em cheque a linha de tempo evolucionária. 

8. Essa pesquisa quer ressuscitar agora a noção evolutiva de “órgãos vestigiais”. E com o celacanto?

domingo, maio 04, 2008

Pescador fisga peixe pré-histórico

Um pescador da Indonésia capturou um celacanto, peixe pré-histórico [sic] que já se acreditou ter desaparecido junto com os dinossauros, afirmou na segunda-feira um especialista em peixes. Yustinus Lahama e seu filho pegaram o peixe no sábado, perto da Província de Sulawesi Norte, e o mantiveram em casa por uma hora, afirmou Grevo Gerung, professor da Universidade Sam Ratulangi.

Depois de ter sido informado pelos vizinhos sobre o fato de aquele ser um peixe raro, o pescador levou o animal de volta para o mar e o manteve dentro de uma área de quarentena por cerca de 17 horas. O celacanto acabou morrendo.

"Se mantido longe de seu hábitat (a 60 m de profundidade), o peixe consegue viver por apenas duas horas. Mas esse peixe viveu por cerca de 17 horas", disse Gerung. "Vamos tentar descobrir por que ele sobreviveu tanto tempo", afirmou.

O animal tinha apenas 131 cm de comprimento e pesava por volta de 51 kg, disse o professor. Em 1998, pescadores prenderam outro celacanto em uma rede de águas profundas para pegar tubarões. A rede estava na região costeira ao norte de Sulawesi.

Aquele animal foi encontrado 60 anos depois de um outro membro dessa espécie ter sido redescoberto, na costa leste da África do Sul. Há registros fósseis dos celacantos datando de 360 milhões de anos atrás [sic], segundo o site do Museu Australiano de Peixes.

Até 1938, acreditava-se que esses animais estavam extintos desde 80 milhões de anos atrás [sic], quando desapareceram dos registros fósseis, disse o museu. Os celacantos são o único animal vivo com um encaixe intercranial totalmente funcional. Esse encaixe é uma divisão que separa o ouvido e o cérebro dos órgãos nasais e dos olhos.

(Terra)

Nota: Em meu livro A História da Vida (CPB), registro outro caso de fóssil vivo noticiado pela extinta revista Manchete, de 4 de abril de 1998. O título da nota dizia o seguinte: “Celacanto provoca maremoto.” E o texto prosseguia assim: “Desde 1938, acreditava-se que esse peixe [o Celacanto] estava extinto há pelo menos 60 milhões de anos. Até que um exemplar foi encontrado próximo à costa da África do Sul. Hoje, especialistas calculam a existência de cerca de 500 sobreviventes.”

A fossilização maciça dos celacantos em terrenos cretáceos e o seu reaparecimento nos oceanos atuais, poderiam ser explicados muito melhor no quadro de uma geologia criacionista catastrofista. Como, do ponto de vista evolutivo, explicar e justificar o seu desaparecimento durante tantos milhões de anos? Por que a evolução não os afetou (afinal, os fósseis são estruturalmente iguais aos espécimes atuais)? Como poderiam ser animais "de transição" para a terra, se eles são perfeitamente "adaptados" para as águas profundas? Todos esses problemas seriam resolvidos se, aceitando a idéia de um dilúvio universal, admitíssemos que os celacantos foram sedimentados em massa no seu meio habitual e natural de vida (águas de meia e grande profundidade) no momento em que os sedimentos atingiram esse meio. Alguns espécimes sobreviveram à catástrofe, o que explica a existência dos celacantos hoje.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Fóssil revela “estagnação evolutiva”?

Pesquisadores descobriram um ancestral de 100 milhões de anos [segundo a cronologia evolucionista] de um grupo de insetos carnívoros, semelhantes a grilos, que vivem hoje no sul da Ásia, na região da Indochina e no Norte da África. A nova descoberta, feita em uma região com ocorrência de fósseis de calcário no Nordeste do Brasil, corrige a classificação errada de outro fóssil desse tipo e revela que o gênero sofreu pouca mudança evolucionária [sic] desde o Período Cretáceo, época dos dinossauros, pouco antes da dissolução do supercontinente Gondwana. Embora o fóssil seja diferente dos grilos de hoje em dia, a maior parte de suas características permanece igual, o que revela que o gênero pode ter passado por um período de estagnação evolutiva de cerca de 100 milhões de anos. O resultado completo da descoberta pode ser lido aqui, em inglês.

(Estadão)

Nota: Isso é que é teoria “elástica” e conveniente. Note: quando encontram um fóssil vivo (isso também aconteceu com o peixe celacanto), os cientistas percebem que praticamente não houve “evolução”. No caso do celacanto, achava-se que ele havia sido extinto há pelo menos 60 milhões de anos. Até que vários espécimes foram encontrados vivos. E eram iguais a seus ancestrais. Qual a explicação? Bem, esse peixe não deve ter sofrido muita “pressão evolutiva” ao longo de dezenas de milhões de anos. Pior é que haviam sido elaboradas várias teorias em cima dos fósseis de celacanto, que era, até a descoberta dos espécimes vivos, tido como uma espécie de transição entre os ambientes aquático e terrestre. No entanto, estudando os celacantos vivos, descobriu-se que eles são peixes perfeitamente adaptados a águas profundas! Agora é a vez desse inseto que vive na Ásia e na África. Como seu fóssil de supostos cem milhões de anos é praticamente igual à criatura que vive hoje em dia, a “explicação” é que ele passou por uma “estagnação evolutiva”. Assim não tem como discutir a teoria. Se agrupam fósseis numa sequência do menor para o maior (supondo que um seja ancestral do outro), chamam a isso de “evolução”. Se encontram fósseis cujos correspondentes vivos são iguais, dizem que houve “estagnação”. Bem conveniente mesmo.[MB]

sexta-feira, maio 02, 2008

Comentário da SCB sobre o novo "elo perdido"

A versão impressa da notícia sobre “O Elo Perdido dos Pioneiros da Terra”, assinada por John Noble Nilfore do New York Times, veiculada pelo jornal O Globo, e em sua versão online de 6 de abril, não apresenta qualquer argumentação científica propriamente dita que comprove a existência de um elo entre peixes e animais terrestres.

** A NOTÍCIA

O elo perdido dos pioneiros na terra
Fóssil de peixe capaz de deixar a água é um duro golpe no criacionismo

Cientistas descobriram fósseis de um peixe de 375 milhões de anos que parece ser o elo perdido na evolução de alguns peixes da água para a vida na terra, como os primeiros animais de quatro patas. Além de comprovar uma das mais importantes etapas da evolução, os fósseis são vistos pela ciência como um forte golpe nos religiosos criacionistas, que pregam uma leitura literal da Bíblia sobre a origem e o desenvolvimento da vida.

Numerosos esqueletos fossilizados desse peixe foram encontrados no Canadá, a 960 quilômetros do Pólo Norte. A descoberta foi anunciada na revista Nature. Os esqueletos bastante conservados para sua idade indicam que o peixe chegava a quase três metros de comprimento.

Mais importante ainda, os cientistas observaram traços de uma criatura de transição: um peixe com características que anunciavam a emergência dos animais terrestres — um predecessor de anfíbios, répteis, aves e mamíferos.

O animal tinha barbatanas assemelhadas a membros e deveria andar em terra de forma parecida com a das focas. Há estruturas primitivas de tornozelos, cotovelos e ombros. O peixe também tinha a cabeça chata, semelhante à de um crocodilo, e pescoço, quadris e outras partes do corpo similares às de animais de quatro patas conhecidos como tetrápodes. O peixe foi chamado de Tiktaalik roseae.

"A origem dos membros provavelmente passou por mudanças que já estavam presentes no Tiktaalik", disse o coordenador do estudo, Neil H. Shubin, da Universidade de Chicago.

O artigo da Nature diz que a criatura é claramente um elo entre os peixes e os vertebrados terrestres.

"Esse fóssil confirma tudo o que pensávamos sobre a evolução dos animais terrestres. Nos mostra inclusive a ordem em que adaptações importantes ocorreram — disse Jennifer A. Clack, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Ela e Erik Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia, assinaram na mesma edição da Nature uma análise sobre a importância da descoberta. O mais curioso é que ambos são antigos rivais do grupo de Shubin.

O diretor da seção de paleontologia da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos, Richard Lane, disse que a descoberta era um marco essencial. "Esta descoberta é como uma Pedra da Roseta dos fósseis e nos levará a uma compreensão profunda sobre a vida", afirmou.

Um ponto destacado pelos cientistas americanos foi o fato de os fósseis serem de uma espécie de transição. Com isso, eles são uma prova concreta contra a crença criacionista de que não existiam formas de transição.

[Fim da notícia.]

Trata-se, na realidade, de um retorno às especulações análogas que foram feitas no século passado quanto a outro suposto elo encontrado (e posteriormente perdido novamente) entre peixes e animais terrestres, o famoso Celacanto, ou na taxionomia mais erudita aplicada ao “fóssil vivo” Latimeria Chalumnae.

Ao invés de apresentar informações consistentes a favor da tese evolutiva, o artigo apregoa que a descoberta (sobre a qual são dadas apenas escassas informações morfológicas) é vista pela ciência “como um forte golpe nos religiosos criacionistas” que, ainda acrescenta, “pregam uma leitura literal da Bíblia sobre a origem e o desenvolvimento da vida”.

O autor do artigo, dentro de sua ótica de parcialidade, tem como objetivo evidentemente desacreditar os “religiosos criacionistas”, esquecendo-se de que a verdadeira ciência é imparcial relativamente à fronteira entre o natural e o sobrenatural. Ainda mais, o autor induz os leitores a considerar que só é ciência aquilo que é estabelecido em termos da filosofia evolucionista, confundindo ciência com filosofia.

Essa parcialidade do autor, cujo objetivo é evidente, é reforçada no fecho de seu artigo ao afirmar que os fósseis descobertos “são uma evidência concreta contra a crença criacionista de que não existiam fósseis de transição”. Na realidade, a existência de fósseis de transição é que constitui uma crença centenária dos evolucionistas, que desde Darwin não conseguiram encontrar nenhum que merecesse consistentemente ser assim considerado. Daí a propaganda enganosa desse artigo!

Veja só as “provas” apresentadas (destaques nossos):

1) “Os cientistas observaram traços de uma criatura de transição: um peixe com características que anunciavam a emergência dos animais terrestres.” Atente para o detalhe que já visa condicionar os leitores relativamente a uma suposta comprovação não mais da evolução de peixe a réptil, mas de toda a chamada cadeia evolutiva [a partir de um elo duvidoso e não comprovado cientificamente]: “um predecessor de anfíbios, répteis, aves e mamíferos”.

2) “O animal tinha barbatanas assemelhadas a membros”, afirmação que de ciência nada tem, mas sim de paraciência, ou “parecência”!

3) “E deveria andar em terra de forma parecida com a das focas.” Haja imaginação! O “andar” do celacanto também foi um sonho acalentado, que se desfez ao simplesmente se descobrir que o habitat dos celacantos vivos (com centenas de espécimes já encontrados) está a mais de 180 metros de profundidade.

4) Segue-se a descrição morfológica de partes do animal encontrado, com a indicação de que “há estruturas primitivas de tornozelos, cotovelos e membros”, sem qualquer conexão com o que seria realmente necessário para uma criatura como essa que está sendo descrita pudesse andar em terra firme. Atente para o uso do adjetivo “primitivo”, claramente induzindo a idéia da evolução, na tentativa de condicionar os leitores a essa idéia. E como comprovar o que supostamente existiu no decorrer do longo caminho exigido pela evolução entre essas estruturas “primitivas” e as estruturas dos animais terrestres? Dever-se-ia a continuar a esperar a descoberta de uma infinidade de outros elos perdidos?

5) Continua a descrição: “O peixe também tinha a cabeça chata, semelhante à de um crocodilo, e pescoço, quadris e outras partes do corpo similares às de animais de quatro patas conhecidos como tetrápodes.” Novamente a “parecência”! E atente para a comparação de partes do corpo do fóssil descoberto com as de outros animais. Porque não com as de outros peixes que também têm cabeça chata e outras partes “parecidas” com as dos tetrápodes?!

6) Observe a tendenciosidade da notícia: “A origem dos membros provavelmente passou por mudanças que já estavam presentes no Tiktaalik” (nome dado ao peixe encontrado, que em Português já está sendo chamado de “focaré” – um pouco de foca e um pouco de jacaré).

7) Afirma o articulista, sem qualquer esclarecimento “científico”: “O artigo da Nature diz que a criatura [acreditam na Criação?!] é claramente um elo entre os peixes e os vertebrados terrestres." Devemos lembrar que a mesma revista Nature divulgou precipitadamente, no início de 2003, o fóssil Microraptor gui como elo entre dinossauros e aves, posteriormente tendo que se retratar. Essa situação repetiu-se no caso mais recente da divulgação pela mesma revista dos trabalhos com células-tronco embrionárias desenvolvidos pelo cientista sul-coreano Hwang Woo-Suk e sua equipe. Da mesma forma, a revista National Geographic teve que se retratar da divulgação precipitada do fóssil Archaeoraptor liaoningensis feita em fins de 1999, como elo entre dinossauros e aves.

8) Em continuação, o autor deixa-se trair com a afirmação: “Este fóssil confirma tudo o que pensávamos sobre a evolução dos animais terrestres.” Realmente, elo entre peixes e animais terrestres, e a própria macroevolução, existem apenas em pensamento!

9) Antigos rivais compartilham da importância da descoberta, o que é bastante indicativo do abalo que a estrutura conceitual evolucionista vem sofrendo em face do avanço verificado no âmbito do Design Inteligente. Quando há perigo à vista, até rivais se unem em desespero!

10) Mais reservadamente, o diretor da Seção de Paleontologia da Fundação Nacional de Ciências dos EUA, menciona o articulista, “disse que a descoberta era um marco essencial”. Tudo bem, aguardemos um exame mais científico da descoberta, que poderá deixar sua marca da mesma forma que o celacanto!

11) O autor encerra seu artigo com a declaração de que a descoberta “nos levará a uma compreensão profunda sobre a vida”. De fato, quando acontecer o mesmo que aconteceu com o celacanto, concluiremos que a compreensão mais profunda da vida situa-se no âmbito da estrutura conceitual criacionista, que aponta para o Criador da vida.

12) Não poderia deixar de ser destacado pelo autor que os cientistas que aceitam a estrutura conceitual evolucionista consideram o fóssil como “uma espécie de transição”. Na realidade, a alternativa científica que não foi mencionada é a que já foi aceita de há muito com o estudo procedido a respeito do ornitorrinco – uma forma “mosaica”. A esse respeito, leia o que cientistas criacionistas dizem sobre a questão "Formas-Mosaico" ou "Formas de Transição":

“Na discussão sobre a possibilidade de formas evolutivas intermediárias, deve-se discernir cuidadosamente noções descritivas e interpretativas. Os seres vivos que reúnem características de diversos grupos são qualificados como formas-mosaico ou formas de transição. Estes conceitos devem ser entendidos como descritivos e não dizem nada sobre a relação de origem. Se as formas-mosaico forem interpretadas como de transição filogenética entre esses grupos, usamos o conceito de 'elos de ligação' ou 'formas de transição'. As formas-mosaico como, por exemplo, a 'ave' primitiva (Archaeopteryx) não podem ser automaticamente avaliadas como formas evolutivas de transição; em muitos casos, isto nem sequer é possível (por exemplo, com o ornitorrinco)” (Evolução – Um Livro Texto Crítico, Reinhard Junker e Siegfried Scherer, SCB, Brasília, 2002).

(Fonte: www.scb.org.br)

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

O design inteligente é uma teoria científica válida? SIM


Ciência é busca da verdade, que liberta de superstições. É confronto de hipóteses à luz dos dados. A Teoria do Design Inteligente (TDI) é ciência de detecção de design, que distingue efeitos de causas naturais daqueles de causas inteligentes. A TDI argumenta com leis (exemplo: biogênese) e critérios (complexidade irredutível, informação, antevidência e ajuste fino), segue o método científico (observação, hipótese, experimentos e conclusão) e se alicerça só em dados: da física, da bioquímica, da biologia, da cosmologia e de ciências afins.

É falseável, pois detalha suas teses; faz previsões acertadas, como a riqueza genética do “DNA ex-lixo” e a utilidade dos “órgãos vestigiais”, como o apêndice. É defendida por milhares de cientistas, alguns laureados com o Nobel, que publicam artigos e livros, como A Caixa Preta de Darwin, Signature in the Cell, Darwin’s Doubt, Darwin Devolves e Foresight. TDI é ciência, e em sua mais pura essência.

A TDI defende Deus? Falso! Se Ele é Deus, não carece de defesa. Defendemos a ciência. Aponta para um criador? Fato! Mas a evolução não aponta para a inexistência dele? O biólogo evolutivo Richard Dawkins não se declarou intelectualmente realizado como ateu após Darwin? Seria a evolução uma vertente do ateísmo? Cientistas, como Francis Collins, são criacionistas evolutivos. Eu, teísta, assim o fui. Seria a evolução uma vertente do criacionismo? Antony Flew – o maior ateu do século 20 – tornou-se um defensor da TDI. O astrônomo Fred Hoyle era ateu, mas optou pelos ETs como seu designer.

Seria a TDI uma vertente do ateísmo ou da panspermia? O filósofo David Berlinski e o bioquímico Michael Denton são agnósticos e defendem a TDI. Seria a TDI uma vertente do agnosticismo? Sejamos honestos: tanto a evolução quanto a TDI, enquanto ciência, acomodam diferentes posições filosóficas e teológicas: é inevitável! É desonesto invocar essas posições no debate.

Um designer metafísico não pode ser estudado pela ciência? Fato! Mas a TDI não estuda o designer, nem se arrisca; avalia só a obra – o universo e a vida. A TDI é ciência análoga ao programa Seti (Busca por Inteligência Extraterrestre, na sigla em inglês), às ciências forenses e à arqueologia. Aplicaram a metodologia de detecção de design do Setiao DNA, e publicaram o artigo “The ‘Wow! signal’ of the terrestrial genetic code” (Icarus, 2013). Há Design Inteligente (DI) detectável no DNA.

A teoria da evolução é consenso e mais lei do que a gravidade? Falso! Veja os “Dissidentes de Darwin”: mais de mil bravos cientistas. Sociedades de DI se espalham pelo mundo. Quem ousaria desafiar Darwin, se absoluto fosse? Congressos tentam “salvar” a evolução, como o “New Trends in Evolutionary Biology” (Royal Society, 2016). Lá, disseram: “Não sabemos como a Evolução fez, só não foi por DI!”

Adaptações ocorrem? Fato! Mas são frutos de “DI genético” e se limitam às famílias, como experimentos equivalentes a “milhões de anos” demonstraram. Tentilhões continuam tentilhões; vírus, vírus; celacanto, celacanto. Mutações criam máquinas moleculares de novo e sofisticam a vida? Falso! Não há sequer um exemplo disso na literatura.

O registro fóssil confirma Darwin? Falso! A explosão cambriana – o surgimento repentino de diversos e complexos animais no período Cambriano – e a carência de formas transicionais demonstram que não.

Não se iluda com “discursos”. Ninguém desqualifica adversários como “hereges religiosos” se fosse possível refutar suas teses. A TDI é a maior novidade científica sobre nossas origens. Revigora a ciência; a resgata do dogma materialista. Cresce no mundo todo, pois é ciência pura. O filósofo Thomas Kuhn previu o “pânico acadêmico” de quebras de paradigmas, como esse que o Design Inteligente causa, e a dificuldade de desviar o “Titanic darwinista”. Mas estamos virando o leme! A verdade vencerá – quem viver, verá

(Marcos Eberlin é presidente da Sociedade Brasileira de Design Inteligente (TDI Brasil), doutor em química pela Unicamp e tem pós-doutorado pela Universidade de Purdue, EUA; texto publicado na Folha de S. Paulo)

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Bexiga natatória de peixes: precursora do pulmão humano?

Mais um mito darwinista
Darwinistas frequentemente utilizam os peixes dipnoicos, ou seja, peixes ósseos portadores de bexiga natatória como um exemplo do suposto “fato” de que esse órgão originalmente projetado para uma finalidade (flutuação) poderia ser convertido em outro órgão para uma finalidade completamente diferente (respiração).[1] Portanto, de acordo com a visão darwinista, o sistema respiratório humano nada mais é do que uma bexiga natatória avançada que foi otimizada por meio da seleção natural e de mutações genéticas. A alegação é de que Darwin pôs um fim à questão ao mostrar a possibilidade de que as bexigas natatórias pudessem se transformar em pulmões em anfíbios (a propósito, não demonstrado por fósseis), evoluindo posteriormente para pulmões de répteis, de aves e de mamíferos (especialmente os pulmões de humanos).

A estória começa da seguinte forma: peixes precisavam de um ambiente mais eficiente para atender ao aumento da demanda de oxigênio. Para isso, eles inicialmente passaram a se concentrar perto da superfície da água (a propósito, estando expostos à predação). Então, a partir das brânquias, a evolução deu origem à bexiga natatória, que depois supostamente teria resultado nos pulmões. Mas a estória não para por aí, podendo ser encontrada na maioria dos livros didáticos:

“Perto do fim do Devoniano [supostamente mais de 250 milhões de anos atrás], uma das linhagens de peixes barbatanas-lobo conseguiu se mover para a terra. As barbatanas desses animais, já grossas e musculosas, foram talvez adaptadas para se mover lentamente através de águas rasas e vegetação aquática espessas; seus antepassados já haviam começado há muito tempo antes a contar com a respiração do ar, assim como muitos peixes que vivem em águas estagnadas hoje. [...] Quarenta milhões de anos após as incursões pioneiras de plantas, a invasão dos vertebrados de terra estava em curso.”[2: p. 559]

O naturalista britânico Charles Darwin observou e descreveu da seguinte forma a suposta evolução das estruturas especializadas que participam da respiração dos peixes:

“Dois órgãos distintos por vezes realizam simultaneamente a mesma função no mesmo indivíduo; para dar um exemplo, há peixes com guelras ou brânquias que respiram o ar dissolvido na água, ao mesmo tempo que respiram o ar livre nas suas bexigas natatórias, sendo este último órgão munido de um ductus pneumaticus para seu abastecimento, dividindo-se em partições vasculares. [...] Nesses casos, um dos dois órgãos poder-se-ia modificar e aperfeiçoar facilmente, de maneira a realizar por si todo o trabalho, sendo auxiliado durante o processo de modificação pelo outro órgão; e então esse outro órgão poderia ser modificado para outra finalidade completamente distinta, ou poderia ser completamente eliminado.”[1: p. 147]

Bela especulação! Porém, o que Darwin não sabia é que o oxigênio entra na bexiga natatória dos peixes pelo sangue em vez de por uma traqueia.[3] Somente décadas mais tarde é que se descobriu que “o transporte ativo de oxigênio na bexiga natatória pela glândula gás é um transporte de oxigênio molecular”.[4: p. 521] Portanto, tudo aponta para um sistema irredutivelmente complexo. Como bem observaram Brauner e colaboradores, “a transição da respiração aquática para a aérea está associada a mudanças fisiológicas dramáticas em relação à troca gasosa, regulação iônica, equilíbrio ácido-base e excreção de resíduos nitrogenados”.[5: p. 1.433]

Após mais de um século, essa hipótese ainda hoje apresenta muitos obstáculos. Se não bastasse, como resolver mais uma situação nitidamente irônica: o peixe iria sufocar se estivesse exposto ao ar durante longos períodos.[3] Isso porque a concentração de oxigênio dissolvido em água é de cerca de um trigésimo em relação ao ar.[6: p. 284] Mas, mesmo com esse aumento de oxigênio, um peixe iria rapidamente asfixiar se fosse levado para fora da água, embora estivesse em um ambiente com aumento de oxigênio. Brânquias são inoperáveis ​​em ambientes secos, e líquidos destroem fisicamente os alvéolos nos pulmões.[6: p. 284]

Mas, então, qual seria a evidência que Darwin possuía para afirmar a transmutação de um órgão em outro? Bem, nenhuma! Darwin alegou que todos os fisiologistas da época admitiam que “a bexiga-natatória é homóloga, ou ‘idealmente semelhante’ em posição e estrutura, aos pulmões dos animais vertebrados superiores”.[1: p. 148] Para ele, então, a homologia seria suficiente para acreditar que a seleção natural converteu efetivamente uma bexiga-natatória em um pulmão, ou um órgão exclusivamente usado para respirar. Porém, como afirma o biólogo molecular Dr. Michael Denton, “os fundamentos evolutivos da homologia ficam mais severamente abalados com a descoberta de que essas estruturas, aparentemente homólogas, estão determinadas por genes diferentes nas espécies distintas”.[7: p. 149]

Como bem descreveu Darwin, os peixes dipnoicos (a piramboia, por exemplo) possuem um duplo sistema para respiração. Além de guelras, eles têm a bexiga natatória (pulmão), sendo essa característica a que tem levado os darwinistas a verem nele um vínculo entre os anfíbios e os peixes. Mas teriam esses peixes realmente alguma ligação com os anfíbios que supostamente deram origem aos vertebrados terrestres? A resposta é não! Primeiro, porque os peixes dipnoicos fazem parte de um grupo totalmente separado.[8: p. 65] Segundo, porque os ossos de seu crânio diferem dos ossos dos primeiros anfíbios fósseis encontrados.[9: p. 137] E, por último, porque os próprios paleontologistas evolucionistas assumem que “a origem das principais características de tetrápodes [anfíbios] permaneceu obscura por falta de fósseis que documentem a sequência das mudanças evolutivas”.[10: p. 757]

Até pouco tempo atrás, por exemplo, era “fato” que os anfíbios tinham evoluído do peixe celacanto, que possui nadadeiras lobadas (isto é, com projeções ósseas robustas) e uma bexiga natatória cheia de óleo. Porém, novas análises filogenéticas estão fazendo um verdadeiro estrago na classificação taxonômica evolutiva baseada em aspectos morfológicos. Atualmente, os peixes com bexigas natatórias têm sido considerados mais intimamente relacionados com os mamíferos do que com o próprio celacanto.[11] Contudo, não podemos nos esquecer de que peixes com bexiga natatória (pulmonados) têm tamanho do genoma aproximado de 133 bilhões de pares de bases, enquanto os seres humanos têm um tamanho de genoma de cerca de 3,5 bilhões de pares de bases.[12] Na melhor das hipóteses, baseado puramente em tamanho do genoma, poderíamos dizer que o ser humano compartilha uma similaridade de apenas três por cento com os peixes pulmonados.

Um golpe ainda mais amargo para os evolucionistas (que não veremos em livros didáticos) é que o registro fóssil veio à tona forçar uma reversão de 180 graus na estória sobre a “bexiga natatória para pulmão”. A presença de pulmões em fósseis de placodermos (classe de peixes extintos) demonstra serem os pulmões muito mais “antigos” do que as bexigas natatórias, o que sugere que todos os peixes primitivos jawed também já o teriam;[13, 14] então, seguindo esse raciocínio, os pulmões é que deveriam ter evoluído para bexigas natatórias, ao contrário do que seria esperado.

Mas o que a fisiologia dos peixes tem a nos dizer? Os peixes dipnoicos possuem a bexiga natatória, um órgão projetado para que essas criaturas melhorem seu desempenho ao subir e descer na água. A bexiga natatória possui uma glândula que permite a expansão ou o encolhimento desse órgão, alterando, portanto, o volume da entrada de gás em seu interior.[15] Os gases acumulados na bexiga natatória apresentam em sua composição oxigênio, gás carbônico e nitrogênio.[16] Aliás, é devido a esses gases no interior da bexiga natatória que os peixes boiam depois de mortos. A concentração desses gases varia de espécie para espécie.

Ademais, em algumas espécies de peixes, principalmente de água doce, o grau de funcionalidade desse projeto vai além: a bexiga se encontra ligada com o labirinto do ouvido interno, onde o animal obtém um sentido preciso da pressão da água (e, portanto, da profundidade).[17] Por esse motivo, acredita-se que essa ligação também auxilia o sentido da audição dos peixes. Se não bastasse, alguns peixes fazem com que suas bexigas natatórias vibrem por meio do uso de músculos super-rápidos a fim de produzir e emitir sons, característica vantajosa para o acasalamento e a geração de descendentes.[18]

Outro ponto interessante diz respeito ao mecanismo de flutuação da bexiga natatória, o qual proporciona flutuabilidade neutra perfeita a um peixe, e ele pode desse modo evitar gasto de energia para não afundar.[16] Há, entretanto, uma regra importante para que esse projeto se mantenha funcional e otimizado: o peixe deve permanecer a uma profundidade específica. Se nadar abaixo dessa profundidade, a bexiga será comprimida pelo aumento da pressão na água, a flutuabilidade diminuirá e o peixe precisará nadar ativamente para evitar que afunde mais. Também já se sabe que o fato de um determinado peixe possuir uma bexiga natatória está mais relacionado ao ambiente em que vive do que a sua posição taxonômica. Alguns peixes que vivem no fundo, por exemplo, são desprovidos de bexigas natatórias e parece razoável que a flutuabilidade neutra não lhe seja necessária.

Os proponentes do design não contestam a ideia de que bexigas natatórias e pulmões se desenvolvem a partir dos mesmos tecidos básicos, embora a hipótese específica da “origem a partir” do divertículo do intestino anterior seja desafiada.[19] No modelo evolucionista, isso é interpretado em termos de ancestralidade comum; no modelo do design inteligente, em termos do mesmo projeto básico de construção, com variações criativas sobre o mesmo tema. Se dotado com brânquias, pulmões, ou uma combinação de ambos (a piramboia, por exemplo), todos os peixes, vivos ou extintos, parecem ser (ou terem sido) bem equipados para as exigências do seu modo de vida. Portanto, o chamado “fato” da evolução de pulmões de bexigas natatórias finalmente (e evidentemente) acaba por ser apenas mais um mito.

(Everton Alves)

Referências: 
[1] Darwin CR. The Origin of Species by means of Natural Selection. 6. Ed. London: John Murray, 1872, Capítulo 6. Disponível em: http://darwin-online.org.uk/content/frameset?pageseq=1&itemID=F391&viewtype=text
[2] Starr C, Taggart R. Biology: The Unity and Diversity of Life. Belmont, CA: Wadsworth Publishing, 1987.
[3] Harrub B. The Breath of Life—Not a Product of Evolution. Reason & revelation 2006; 26(2):9-15. Disponível em: https://www.apologeticspress.org/pub_rar/26_2/0602.pdf
[4] Wittenberg JB. The secretion of oxygen into the swimbladder of fish. J Gen Physiol. 1961 Jan;44:521-6.
[5] Brauner CJ, Matey V, Wilson JM, Bernier NJ, Val AL. Transition in organ function during the evolution of air-breathing; insights from Arapaima gigas, an obligate air-breathing teleost from the Amazon. J Exp Biol. 2004 Apr;207(Pt 9):1433-8.
[6] Maina JN. Structure, function and evolution of the gas exchangers: comparative perspectives. J Anat. 2002 Oct;201(4):281-304.
[7] Denton M. Evolution: A Theory in Crisis. Bethesda, MD: Adler & Adler, 1986.
[8] Ommanney FD. Os peixes. Trad. José Laurêncio de Melo. Série: Biblioteca da natureza life., Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1981.
[9] Attenborough D. Life on Earth: A Natural History. New York: Little, Brown & Co, 1981.
[10] Daeschler EB, Shubin NH, Jenkins FA Jr. A Devonian tetrapod-like fish and the evolution of the tetrapod body plan. Nature. 2006 Apr 6;440(7085):757-63.
[11] Amemiya CT, et al. The African coelacanth genome provides insights into tetrapod evolution. Nature. 2013 Apr 18;496(7445):311-6.
[12] Leitch IJ. Genome sizes through the ages. Heredity (Edinb). 2007 Aug;99(2):121-2.
[13] Denison RH. A anatomia mole de Bothriolepis. J. Paleontol. 1941; 15:553-561.
[14] Romer AS, Parsons TS. The Vertebrate Body. 5. ed. Philadelphia: Saunders Co., 1978, p. 329.
[15] Setaro JF. Circulatory System. Microsoft Encarta, 1999.
[16] Schmidt-Nielsen K. Fisiologia Animal, Adaptação e Meio Ambiente. 5. Ed. Cambridge University Press, 2002, p. 609.
[17] Schulz-Mirbach T, Heß M, Metscher BD, Ladich F. A unique swim bladder-inner ear connection in a teleost fish revealed by a combined high-resolution microtomographic and three-dimensional histological study. BMC Biol. 2013 Jul 4;11:75.
[18] Mok HK, Parmentier E, Chiu KH, Tsai KE, Chiu PH, Fine ML. An Intermediate in the Evolution of Superfast Sonic Muscles. Front Zool. 2011 Nov 29;8(1):31.
[19] Brown E, James K. The lung primordium an outpouching from the foregut! Evidence-based dogma or myth? J Pediatr Surg. 2009 Mar;44(3):607-15. 

sexta-feira, maio 02, 2008

O novo "elo perdido"

Morei nos Estados Unidos na década de 80 do Século 20 (o tempo é cruel!) e havia uma propaganda de remédio na televisão: “How do you spell Relief?” [Como que você soletra alívio?]. “Relief” era o nome do remédio. Entrou no jargão lingüístico americano para explicar uma situação difícil e como sair dela faceiramente.

Com o anúncio bombástico na grande mídia internacional, os evolucionistas já elegeram este suposto "elo intermediário" como o novo ícone da evolução. “How do you spell relief? T-I-K-T-A-A-L-I-K.” Justamente agora, quando grandes dificuldades epistêmicas na teoria geral da evolução são destacadas, o anúncio desse "elo perdido" vem aliviar um pouco essa tensão de desconforto entre a Nomenklatura, e para "ensinar" os leigos o que eles precisam saber sobre o fato da evolução. Mas o que um "elo perdido" encontrado não faz, não é mesmo? Relief! Ooops, Tiktaalik! Não pude resistir, mas Tiktaalik soa quase como Titanic. Que falta de perspicácia!

A descoberta é de Neil Shubin (U. of Chicago) e de dois colegas. É um “fóssil de peixe tipo tetrápode”, encontrado numa ilha do Canadá. Mas o que isso significa? Peencheria a mais intrigante das transições do registro fóssil, e resgataria uma antiga e amarelecida nota promissória epistêmica de Darwin, de quase 150 anos: a evolução de um peixe em um animal terrestre?

A grande mídia, como sempre, atrelada à Nomenklatura científica, reportou com grande estardalhaço a descoberta, já comparada de grande importância como o Archaeopteryx. Pronto, isso significa dizer agora que todos os críticos da teoria geral da evolução (mesmos os científicos) devem enfiar seus "rabos epistêmicos" entre as pernas, saírem de cena, porque mais uma vez “os meninos de Darwin” venceram.

Para quem vinha afirmando desde 1859 que o registro fóssil era um testemunho contra as especulações transformistas de Darwin, eis aqui um "cala a boca", "ponha-se no seu devido lugar", "vá catar coquinhos", de um perfeito caso de forma transicional.

Abaixo algumas das afirmações feitas em inglês sobre o Tiktaalik roseae, o mais novo ícone da evolução:

• EurekAlert: a “key marker in the evolutionary transition of fish to limbed animals.”

• News@Nature: this is “the fish that crawled out of water” – a true "missing link" that “it helps to fill in a gap in our understanding of how fish developed legs for land mobility, before eventually evolving into modern animals including mankind.”

• BBC News: “Fossil animals found in Arctic Canada provide a snapshot of fish evolving into land animals... giving researchers a fascinating insight into this key stage in the evolution of life on Earth.”... “Could prove to be as much of an ‘evolutionary icon’ as Archaeopteryx – an animal believed to mark the transition from reptiles to birds.”

• Scientific American: “Newfound Fossil Is Transitional between Fish and Landlubbers.”

• New Scientist: “It was one of the most important events of the last 400 million years: the moment our fishy ancestors began hauling themselves onto dry land. Now a fossil from the very beginning of that crucial transition has been found in the remote Arctic.” Neil Shubin calls it a “a ‘fishopod’: part fish, part tetrapod.”

• MSNBC: “Scientists have caught a fossil fish in the act of adapting toward a life on land, a discovery that sheds new light on one of the greatest transformations in the history of animals. Researchers have long known that fish evolved into the first creatures on land with four legs and backbones more than 365 million years ago, but they’ve had precious little fossil evidence to document how it happened.... ‘It sort of blurs the distinction between fish and land-living animals’, said one of its discoverers, paleontologist Neil Shubin of the University of Chicago.”

• National Geographic: “It’s our closest fish cousin, scientists say. Millions of years ago it apparently hoisted its croc-like head out of the water—and the rest is history.”

• LiveScience: “Fishy Land Beast Bridges Evolutionary Gap.”

Com uma cobertura jornalística dessas, o leitor leigo fica com a impressão de que isso realmente é uma descoberta importante. Depois de muito confete, serpentina e alguns chopes (que cientista não é de ferro!), que tal dar uma olhada objetiva nos artigos científicos e ver o que eles disseram exatamente?

A notícia da descoberta desse "elo perdido" foi artigo de capa da revista Nature, com dois artigos da equipe de Shubin e uma resenha de Jennifer Clack, proeminente pesquisadora em origens dos tetrápodes. É aqui, no ambiente acadêmico, que os cientistas falam entre si, e por isso mesmo é de se esperar que sejam mais céticos, formais, reservados e bastante cautelosos sobre as interpretações. Falta isso na grande mídia, quando o assunto é Darwin.

Alguns aspectos que incomodam este "cético não global" são os seguintes: A pesquisa foi submetida à revista Nature em outubro de 2005, mas foi liberada somente agora. Mas a grande mídia recebeu os press releases com representação artística de como que o Tiktaalik roseae pareceria e entrevistas com os pesquisadores. Enfim, tempo suficiente para "armar o grande circo" e dar aquela manchete em cima dos pobres mortais não especialistas.

É bem nítido nos artigos que todos os autores acreditam que esse fóssil é realmente uma forma evolutiva transicional, mas convém destacar aqui para os leigos que as afirmações mais interessantes nos artigos científicos são as advertências e as notas discordantes. Mas o mais importante de tudo isso são os dados empíricos (observacionais) que sempre devem ter precedência sobre as interpretações.

Considere a abertura do primeiro artigo de Daeschler, Shubin e Jenkins [1]:
“The relationship of limbed vertebrates (tetrapods) to lobe-finned fish (sarcopterygians) is well established, but the origin of major tetrapod features has remained obscure for lack of fossils that document the sequence of evolutionary changes.”

“Here we report the discovery of a well-preserved species of fossil sarcopterygian fish from the Late Devonian of Arctic Canada that represents an intermediate between fish with fins and tetrapods with limbs, and provides unique insights into how and in what order important tetrapod characters arose. Although the body scales, fin rays, lower jaw and palate are comparable to those in more primitive sarcopterygians, the new species also has a shortened skull roof, a modified ear region, a mobile neck, a functional wrist joint, and other features that presage tetrapod conditions. The morphological features and geological setting of this new animal are suggestive of life in shallow-water, marginal and subaerial habitats.”

Até parece que estamos lendo a Folha de São Paulo, mas vamos buscar o que realmente interessa: o que não foi dito pela mídia. Os pesquisadores admitem:

“The evolution of tetrapods from sarcopterygian fish is one of the major transformations in the history of life and involved numerous structural and functional innovations, including new modes of locomotion, respiration and hearing.”

Trocando em miúdos (acho que mais "em graúdos"), muitas mudanças substanciais (isso demanda grande quantidade de informação genética) tinham de acontecer simultaneamente em um animal – do respirar antes através de guelras e agora respirar com pulmões, desenvolver pés que pudessem suportar o peso, desenvolver ossos digitiformes, tornozelos, dedos dos pés e "aprender" como usá-los. Eles prosseguem:

“During the origin of tetrapods in the Late Devonian (385-359 million years ago), the proportions of the skull were remodelled [implies intelligent design], the series of bones connecting the head and shoulder was lost, and the region that was to become the middle ear [implies progress] was modified. At the same time, robust limbs with digits evolved, the shoulder girdle and pelvis were altered, the ribs expanded, and bony connections between vertebrae developed.”

Eles afirmam que algumas dessas inovações são vistas nos "parentes" mais próximos de tetrápodes – Panderichthys, Acanthostega e Ichthyostega -, mas as desconsideram como fragmentárias e de utilidade duvidosa. Isso também se aplica ao candidato mais antigo daquela lista de "parentes":

“Panderichthys possesses relatively few tetrapod synapomorphies [convergent features], and provides only partial insight into the origin of major features of the skull, limbs and axial skeleton of early tetrapods. In view of the morphological gap between elpistostegalian fish and tetrapods, the phylogenetic framework for the immediate sister group of tetrapods has been incomplete and our understanding of major anatomical transformations at the fish-tetrapod transition has remained limited.”

Essa declaração prepara o terreno para o novo fóssil que, segundo os pesquisadores, “aumenta significativamente o nosso conhecimento da transição peixe-tetrápode”. Devagar, meus amigos, pois essa afirmação tem que ser examinada cum granum salis, pois afirmações semelhantes sobre o Panderichthys foram feitas anteriormente.

Eles classificaram o Tiktaalik em algum lugar entre os Panderichthys e os tetrápodes. No artigo, eles forneceram os dados obrigatórios que devem aparecer numa publicação científica: local onde foi encontrado, taxonomia, nomenclatura, a descrição do fóssil, fotos, desenhos, etc. A cabeça estava bem preservada e foram encontrados três espécimes. Agora vem a parte mais difícil: nomear e classificar um fóssil. Por quê? Porque não fornece aos descobridores a liberdade de classificá-lo em algum cenário evolutivo presumido.

Vamos considerar a descrição técnica das partes. O Tiktaalik comparado com fósseis mais antigos conhecidos tem algo maior ou algo menor do que os outros. As comparações dos crânios não parecem ser muito informativas, considerando-se que não há partes moles fossilizadas e nós nem sabemos como que o animal viveu no seu ambiente devoniano (abundância de plantas terrestres, mas de algum modo esse fóssil parece mais um carnívoro do que herbívoro).

Um pequeno lembrete histórico en passant: lembra-se do Celacanto? Ele foi considerado uma forma transicional porque tinha nadadeiras ósseas, mas quando foi descoberto um espécime vivo, ele não as usava para andar ou levantar-se. Mas o que o Celacanto tem a ver com esse novo fóssil? Muito, pois sem as partes moles (guelras e outros órgãos) e sem um exemplo vivo, a interpretação dada aos ossos é, na melhor das hipóteses, um EXERCÍCIO SUBJETIVO DE ADIVINHAÇÃO.

Qual seria a posição filogenética do Tiktaalik? Quais características levaram os pesquisadores a decidir que esses espécimes eram transicionais?

“A phylogenetic analysis of sarcopterygian fishes and early tetrapods supports the hypothesis that Tiktaalik is the sister group of tetrapods or shares this position with Elpistostege. Tiktaalik retains primitive tetrapodomorph features such as dorsal scale cover, paired fins with lepidotrichia, a generalized lower jaw, and separated entopterygoids in the palate, but also possesses a number of derived features of the skull, pectoral girdle and fin, and ribs that are shared with stem tetrapods such as Acanthostega and Ichthyostega. Tiktaalik is similar to these forms in the possession of a wide spiracular tract and the loss of the opercular, subopercular and extrascapulars. The pectoral girdle is derived in the degree to which the scapulocoracoid is expanded dorsally and ventrally, and the extent to which the glenoid fossa is oriented laterally. The pectoral fin is apomorphic [i.e., derived, more developed] in the elaboration of the distal endoskeleton, the mobility of segmented regions of the fin, and the reduction of lepidotrichia distally.”

Resumindo, eles acham que os Panderichthys, Elpistostege e o Tiktaalik representam uma “paraphyletic [partially evolved] assemblage of elpistostegalian fish along the tetrapod stem that lack the anterior dorsal fins and possess broad, dorsoventrally compressed skulls with dorsally placed eyes, paired frontal bones, marginal nares, and a subterminal mouth”.

Contudo, “some tetrapod-like features evolved independently in other sarcopterygian groups”, enquanto que os outros dois fósseis parecem ter as características partilhadas com os tetrápodes básicos por meio de evolução convergente (homoplasia).

Ora, foi basicamente isso que eles afirmaram no primeiro artigo. O segundo artigo [2] discutiu o nadadeira peitoral do Tiktaalik, que eles afirmam ser “morfológica e funcionalmente transicional entre uma nadadeira e um membro”. Eles acham que as nadadeiras frontais capacitaram a criatura a se levantar e arrastar a cauda atrás.

Todavia, o “pulso” não tem os cinco dígitos (dedos), e representa um “mosaico” de caracaterísticas encontradas em taxon mais “básicos”. Embora ossos do “pulso” adicional sejam novas características desse fóssil, a presença dos cinco dígitos é INFERIDA no diagrama deles por meio de linhas pontilhadas. Como não há espécimes vivos representativos, eles também não foram capazes de dizer com certeza para o que foram realmente utilizados os ossos das nadadeiras.

Embora os pesquisadores tenham reconhecido que a transição da água para a terra requer “grandes mudanças em desenvolvimentos genéticos, estrutura esqueletal e biomecânica”, o aspecto mais evidente da nadadeira é o ângulo do “pulso” homólogo hipotético, mesmo não havendo evidência de que os dígitos verdadeiros para locomoção tenham mais tarde se desenvolvido dos ossos das nadadeiras desse animal.

Mas, mesmo que eles possam ter se desenvolvido assim [será???], os jornalistas científicos ficaram mais sintonizados com a conclusão confiante dos pesquisadores:

“The pectoral skeleton of Tiktaalik is transitional between fish fin and tetrapod limb. Comparison of the fin with those of related fish reveals that the manus [hand] is not a novelty of tetrapods; rather, it was assembled in fishes over evolutionary time to meet the diverse challenges of life in the margins of Devonian aquatic ecosystems.”

Que tal dar uma olhada no que os outros especialistas pensam a respeito disso? Na mesma edição da Nature, Erik Ahlberg e Jennifer Clack apresentaram sua análise [3]. Será que Clack, especialista eminente na pesquisa de ponta em evolução de tetrápodes, ficou extasiada pela descoberta? Será que ela não teve nenhuma ponta de inveja ou sentimentos de rivalidade? Eu não sei, eu só sei que juntamente com Ahlberg ela colocou um freio nas interpretações mais lépidas e tonitroantes, embora reconhecendo a significância da descoberta.

Em primeiro lugar, que tal dar uma "puxada de orelhas" sobre o conceito dos "elos perdidos"?

"The concept of 'missing links' has a powerful grasp on the imagination: the rare transitional fossils that apparently capture the origins of major groups of organisms are uniquely evocative. But the concept has become freighted with unfounded notions of evolutionary ‘progress’ and with a mistaken emphasis on the single intermediate fossil as the key to understanding evolutionary transitions. Much of the importance of transitional fossils actually lies in how they resemble and differ from their nearest neighbours in the phylogenetic tree, and in the picture of change that emerges from this pattern.

"We raise these points because on pages 757 and 764 of this issue are reports of just such an intermediate: Tiktaalik roseae, a link between fishes and land vertebrates that might in time become as much of an evolutionary icon as the proto-bird Archaeopteryx.”

Nota Bene: Embora esse fóssil vá “muito longe” no preenchimento da lacuna no registro fóssil, esses dois críticos disseram que ele não vai em toda a extensão. O exemplo mais próximo disso seria o Elpistostege, um fóssil fragmentado considerado ser mais próximo dos tetrápodes do que o Panderichthys. Eles admitem que “os autores demonstraram convincentemente que o Elpistostege e o Tiktaalik ficam entre o Panderichthys e os tetrápodes mais antigos na árvore filogenética”.

Você pensou que era o fim da história, não é mesmo? Embora impressionados, esses dois críticos levantam algumas questões interessantes. Sobre os ossos das nadadeiras eles afirmaram:

“Although these small distal bones bear some resemblance to tetrapod digits in terms of their function and range of movement, they are still very much components of a fin. There remains a large morphological gap between them and digits as seen in, for example, Acanthostega: if the digits evolved from these distal bones, the process must have involved considerable developmental repatterning. The implication is that function changed in advance of morphology.”

Embora cada um dos fósseis encontrados pareça representar um mosaico de características em vez de uma linha direta de evolução, esses dois críticos prontamente concordaram que a criatura foi “evidentemente uma etapa verdadeira a caminho da água para a terra”, e “parece que os nossos ancestrais remotos eram peixes grandes, achatados e predadores, com cabeças tipo crocodilo e fortes nadadeiras peitorais tipo membros que os capacitaram a sair da água”.

Aqui um pouco de ceticismo se faz mister. Leve em conta que esse é apenas um espécime e são necessários muitos mais para a confirmação de um achado científico. Além disso, a criatura deve ser ser examinada no seu contexto. Quem sabe - e aqui serão emitidas mais notas promissárias epistêmicas - as formas transicionais mais importantes não serão descobertas no futuro? Ah, o futuro pertence a Darwin:

“Of course, there are still major gaps in the fossil record. In particular we have almost no information about the step between Tiktaalik and the earliest tetrapods, when the anatomy underwent the most drastic changes, or about what happened in the following Early Carboniferous period, after the end of the Devonian, when tetrapods became fully terrestrial. But there are still large areas of unexplored Late Devonian and Early Carboniferous deposits in the world – the discovery of Tiktaalik gives hope of equally ground-breaking finds to come.”

Conclusão: o “elo perdido” não é assim nenhuma Brastemp, como foi reportado na mídia!

[Artigo elaborado sobre "ombros de gigantes" e publicado no blog www.pos-darwinista.blogspot.com; reproduzido com autorização]

Notas:
[1] Daeschler et al., “A Devonian tetrapod-like fish and the evolution of the tetrapod body plan”, Nature 440, 757-763 (6 April 2006) | doi:10.1038/nature04639; Received 11 October 2005; ; Accepted 8 February 2006.
[2] Shubin et al., “The pectoral fin of Tiktaalik roseae and the origin of the tetrapod limb”, Nature 440, 764-771 (6 April 2006) | doi:10.1038/nature04637; Received 11 October 2005; ; Accepted 8 February 2006.
[3] Per Erik Ahlberg and Jennifer A. Clack, “Palaeontology: A firm step from water to land”, Nature 440, 747-749 (6 April 2006) | doi:10.1038/440747a.

terça-feira, julho 17, 2018

Estromatólitos: evidências da hidrologia pré-diluviana (parte 1)

Os estromatólitos representam alguns dos fósseis mais enigmáticos encontrados ao longo do registro geológico da Terra. Eles são bastante comuns nas rochas sedimentares mais antigas, e atualmente são encontrados exemplares vivos apenas em locais específicos do planeta. Algumas condições especiais estão atreladas ao seu “florescimento”, incluindo uma química incomum da água. Cientistas uniformitaristas têm lutado para tentar entender e explicar a abundância deles nas rochas antigas e sua escassez atualmente. O livro Glossary of Geology[1] define estromatólito como “uma estrutura organo-sedimentar produzida pelo aprisionamento, cimentação e/ou precipitação de sedimentos resultantes do crescimento e metabolismo de micro-organismos, principalmente cianobactérias.” O resultado é uma espécie de filme microbiano que aprisiona lama, que ao longo do tempo pode formar uma estrutura rochosa estratificada. Tal estrutura não é composta de bactérias em si, mas se trata de uma fina camada de sedimentos formada por “precipitação mineral induzida biologicamente”.[2]

Estromatólitos foram identificados pela primeira vez no início do século 20 em rochas do Paleoproterozóico, em Ontário, Canadá, por Charles Walcott, ex-diretor do Serviço Geológico dos EUA. Ele inicialmente idealizou que aquelas estruturas amontoadas eram algum tipo de recife antigo formado por algas. Foi na década de 1950 que os paleontólogos determinaram que os estromatólitos se tratavam, de fato, do produto de atividade biológica.[3] Essa conclusão foi confirmada pela descoberta de estromatólitos vivos na Austrália, na mesma década. Apesar disso, autores recentes têm sugerido uma possível origem não biológica para alguns desses fósseis.[4, 5]

Cientistas evolucionistas afirmam que os estromatólitos representam algumas das mais antigas formas de vida que surgiram na Terra, datando-os com cerca de 3,7 bilhões de anos.[6] Os fósseis mais antigos, do Grupo Warrawoona, na Austrália, são datados pelos cientistas evolucionistas em cerca de 3,3 a 3,5 bilhões de anos. Exemplares são encontrados ao redor do mundo em rochas carbonáticas (geralmente dolomitos) do Arqueano e Proterozóico, e, em menor extensão, em rochas do Cambriano e posteriores. Cientistas tentam explicar o rápido declínio de estromatólitos em rochas posteriores ao Cambriano, atribuindo esse fato ao súbito aparecimento de organismos pastadores, que se alimentariam das cianobactérias.[2]



O ENIGMA EVOLUCIONÁRIO DOS ESTROMATÓLITOS 

Ao acreditarem que os estromatólitos evoluíram há cerca de 3,7 bilhões de anos, os cientistas evolucionistas criam um problema para si mesmos no que se refere ao processo de origem da vida na Terra. Como as cianobactérias poderiam ter evoluído tão rápido? A vida teria que ter surgido e desenvolvido processos como a fotossíntese e colonização em menos de 1 bilhão de anos, assumindo que o planeta Terra surgiu há 4,55 bilhões de anos. Esses cientistas também acreditam que entre 4,1 e 3,8 bilhões de anos atrás a Terra foi massivamente bombardeada por meteoritos, evento denominado como Último Grande Bombardeamento.[4] Esse episódio é descrito como uma época em que muitos impactos de meteoritos atingiram a Terra e a Lua. Esses impactos teriam danificado consideravelmente a recém-formada crosta terrestre e destruído quaisquer formas de vida que existissem antes de 3,8 bilhões de anos atrás. Dessa forma, os pesquisadores colocam a si mesmos contra a parede. Como é possível explicar a formação de atmosfera, oceanos, o misterioso processo da abiogênese e a capacidade de realizar fotossíntese em uma “janela” de apenas 100 milhões de anos? A fotossíntese por si só é um processo extremamente complexo. Para a visão evolucionista, esse é um período de tempo extremamente curto para que todo esse conjunto de eventos possa ter ocorrido.[7, 8] 

OS ESTROMATÓLITOS SÃO FÓSSEIS VIVOS 

Embora os cientistas evolucionistas afirmem que eles remontam a bilhões de anos, os estromatólitos mostram pouca ou nenhuma evidência de evolução e também nenhuma indicação de longa idade. Os estromatólitos modernos são considerados fósseis vivos, como o celacanto. Eles mostram ter prosperado sem qualquer mudança evolutiva. Até o ano de 1956, os cientistas consideravam que os estromatólitos fossem formas de vida extintas. Foi quando ocorreu a descoberta de estromatólitos vivos florescendo em Shark Bay, Austrália, em ambientes de águas hipersalinas. Desde então, eles têm sido identificados em ambientes marinhos hipersalinos nas Bahamas e em atois na região do Pacífico Central. Foram também encontrados em lagos e cursos d’água na Espanha, Canadá, Alemanha, França, Austrália, Japão, etc. Embora esses sejam corpos de água doce, todos eles têm uma química da água incomum que permite que os estromatólitos prosperem.[2, 9] Pesquisadores estão encontrando colônias de estromatólitos vivos em ambientes cada vez mais diferenciados. A última descoberta identificou-os florescendo em terra na Austrália, em um ambiente caracterizado como pântanos ligados à turfa.[2]

Bernadette Proemse e seus colegas da Universidade da Tasmânia, Austrália, foram os primeiros a identificar estromatólitos vivendo como “tapetes lisos de estruturas globulares amareladas e esverdeadas crescendo na superfície molhada das barreiras de tufa”.[2] Os estromatólitos não estavam submersos em água, mas se elevavam acima dela, em um ecossistema rico em cálcio e alimentado por nascentes. Essa descoberta demonstra que estromatólitos recentes podem ser mais comuns do que se imaginava anteriormente. Pode ser que os cientistas e pesquisadores não os estejam procurando em terra, perto de nascentes de água doce. Continua...

(Texto original: Tim Clarey, PhD. Tradução e adaptação: Hérlon Costa e Thiago Soldani)