Quebrado o último tabu |
No
último sábado, um pastor evangélico de 33 anos se “casou” com um cabeleireiro e
diácono de 31 anos, com quem já vivia fazia cinco anos. A cerimônia religiosa
foi realizada na Igreja Cristã Contemporânea, localizada no Barro Preto, região
Centro-Sul de Belo Horizonte, a única da cidade. “Quando me descobri gay
na adolescência, acabei me afastando da igreja por muito tempo, mas sempre
ficou aquele vazio. Sou de uma família tradicional evangélica. Nessa época, nem
a igreja nos aceitava nem a legislação. Ao encontrar a Igreja Cristã Contemporânea,
no Rio, me encontrei como pessoa e como cristão. Casar na igreja sempre foi um
sonho meu, mas eu sempre me senti privado disso”, conta o pastor. A novidade atraiu
novos e antigos fiéis que haviam desistido de suas crenças por não se sentirem
aceitos. Atualmente, a Igreja Cristã Contemporânea em Belo Horizonte conta com
a primeira diaconisa transexual da cidade.
Para
o pastor, que é de origem presbiteriana, a Igreja Cristã Contemporânea é tão
evangélica quanto qualquer outra. “A igreja tem todo o formato da igreja
evangélica, com exceção de não fazer distinção dos fiéis por orientação sexual”,
explica.
A
Contemporânea já conta com 14 templos espalhados pelo Brasil. O “casal” que
criou a igreja no Rio tem três filhos adotados, um de 13 anos, um de dez e a
caçula, de oito meses. Antes de ser pastor na Contemporânea, o fundador dela
foi pastor da Igreja Universal por dez anos.
O
pastor fundador diz que Jesus nunca condenou a homossexualidade, e diz ter
certeza de que, se Ele estivesse em seu lugar, faria a mesma coisa, ou seja, “celebraria
o amor”. E apela (para a ignorância): “A Bíblia não condena isso; em
Eclesiastes, por exemplo, ela diz que é melhor serem dois do que um. Mas não
diz que é melhor que seja um homem e uma mulher.”
Fora
do Brasil, uma notícia relacionada a isso também chamou atenção. Uma
denominação protestante britânica com cerca de 60 mil seguidores decidiu no
sábado passado permitir a celebração de “casamentos gays” em suas igrejas. Integrantes
da United Reform Church (URC), que surgiu da união de duas outras congregações
em 1972 e tem raízes no Presbiterianismo, tomaram a decisão em uma
assembleia-geral realizada em Southport, nos arredores de Liverpool (noroeste
da Inglaterra).
De
volta ao Brasil, quem colaborou, mais uma vez, para que o público aos poucos se
acostume definitivamente com as relações homoafetivas mostradas na tela foi a
maior emissora de TV do país, com cenas exibidas na novela “Liberdade,
liberdade”. Na terça-feira, dia 12, dois personagens do folhetim (um deles
coronel) protagonizaram cenas de sexo, tornando o assunto um dos mais
comentados nas redes sociais (onde fiquei sabendo do caso) e, como era esperado
e desejado, elevando às alturas o ibope da novela. Assim, o último tabu acabou
de ser quebrado, contando com a total dessensibilização dos telespectadores. Foi
um processo gradual, desde a primeira exibição de beijo lésbico no SBT (confira), anos atrás, passando por outra cena dessa natureza, na novela “Babilônia”
(confira), e culminando com a cena levada ao ar nesta semana.
Detalhe: há alguns sábados, a mesma emissora que trata a relação
homoafetiva com tanto respeito e tenta candura ironizou a volta de Jesus em um programa
humorístico.
A
que ponto chegamos? O conceito bíblico de casamento (a união heteromonogâmica
criada e celebrada por Deus) está sendo totalmente destruído, e com o
consentimento de pessoas que se dizem cristãs; que chegam ao ponto de supor que
Jesus celebraria um “casamento” gay! É óbvio que Jesus nunca condenou
homossexuais. A Bíblia não faz isso. Deus não faz isso, e ninguém tem o direito
de fazer. Mas Jesus condenou – como toda a Bíblia faz – as relações sexuais
ilícitas, como a fornicação (sexo antes do casamento), o adultério (sexo fora
do casamento), o incesto e outras distorções sexuais pecaminosas, como as
relações íntimas entre pessoas do mesmo sexo. Aqueles que persistem nesse tipo
de pecado, acabam condenados com seu pecado. É preciso diferenciar as pessoas
dos atos, mas não se pode passar por alto a pecaminosidade dos atos. Todos são
livres para escolher o caminho que querem trilhar e a vida que querem viver, só
não podem violentar o texto bíblico nem a pessoa de Jesus, fazendo com digam o
que nunca disseram.
O
abandono da cosmovisão criacionista e a relativização pós-moderna estão,
finalmente, dando seus frutos já maduros. A minoria que insistir em defender os
valores e os princípios bíblicos será cada vez mais considerada deslocada desta
“Babilônia” em que se transformou o mundo que só pensa em “Liberdade, liberdade”.
E isso é mais um sinal de que este planeta está com seus dias contados. [MB]
Leia também: “Casamento e sábado: duas instituições sob ataque”