domingo, maio 13, 2018

O mundo dos beija-flores

Os beija-flores, tão pequenos e belos, são popularmente conhecidos como colibris, pertencem à ordem Apodiformes e à família Trochilidae. Dentro desse grupo encontramos a menor ave conhecida: o colibri-abelha-cubano, com menos de 2g. As espécies de beija-flor vivem nas Américas. A maior diversidade encontrada está na região setentrional das Cordilheiras dos Andes, com 290 espécies. No Brasil, já foram identificadas 84 espécies. Os beija-flores não são aves sociáveis, apresentam poucos comportamentos cooperativos conhecidos. Um deles tende a ocorrer quando elas precisam se unir para expulsar predadores do seu território, defendem seu espaço por meio de vocalizações e também por confrontos diretos, mesmo quando sozinhos.  

Os machos atraem as fêmeas para acasalar usando "música", voos radicais quase indistinguíveis a olho nu e plumagens atraentes. A interação deles ocorre principalmente durante a reprodução, depois, a responsabilidade de construir ninhos, incubar os ovos e cuidar dos filhotes é da fêmea. 

O movimento de suas asas é tão acelerado que nossos olhos não são capazes de acompanhá-los; por isso os biólogos comumente utilizam câmeras de precisão, de alta velocidade, para estudá-los. Em reportagem da National Geographic Brasil (agosto/2017), ornitólogo Christopher Clark analisou os movimentos dos colibris-abelha-cubano - as manobras aéreas realizadas pelos machos durante o cortejo sexual, uma sequência de movimentos que não leva mais de um segundo, estes não distinguíveis a olho nu. Para a análise foi necessária uma câmera de precisão, que divide cada segundo de ação em 500 quadros, possibilitando uma observação detalhada dos movimentos aéreos. 

Durante o regime nazista, os primeiros helicópteros estavam em aperfeiçoamento. Nesse período, os beija-flores atraíram muito a atenção dos estudiosos. O conhecimento de tal complexidade poderia ser de grande importância para o desenvolvimento dessas máquinas, tendo em vista a capacidade dos beija-flores de pairar imóveis no ar por 30 segundos ou mais. 
  
Em julho de 2014, um estudo conduzido por David Lentink, professor assistente de engenharia mecânica em Stanford, trouxe novamente comparações e aprofundamentos da dinâmica do voo dos beija-flores com os helicópteros: análises quantitativas das asas dessas aves foram realizadas, indicando que elas geram sustentação de maneira mais eficiente que as melhores lâminas de micro-helicópteros. Tais descobertas podem ajudar na construção de veículos robóticos ainda mais potentes e inspirados nesses pássaros.
  
"Um helicóptero é realmente o dispositivo flutuante mais eficiente que podemos construir. Os melhores beija-flores são ainda melhores, mas acho incrível que estamos chegando perto. Não é fácil igualar o desempenho deles, mas se nós construirmos asas melhores com melhores desempenhos, poderíamos aproximar dos beija-flores " (LENTINK). 

Boa parte das aves produz força de sustentação com o movimento descendente das asas, o que as impele para a frente. Os beija-flores, diferentemente, geram forças de sustentação tanto ascendente quanto descendente, além de serem capazes de voar "de ré". 

Tyson Hedrick é pesquisador da Universidade de Carolina do Norte, especializado em biomecânica dos animais. Em uma de suas pesquisas, utilizou uma câmera capaz de filmar mil quadros por segundo, com um equipamento de raio X acoplado. Com isso, pôde observar os ossos das asas dos beija-flores em movimento, percebendo que eles não se movem para cima e para baixo com deslocamento vertical do ombro, durante o bater das asas, mas dão pequenos giros. Eles promovem sustentação movendo suas asas tanto para cima quanto para baixo, gerando vórtices - que são movimentos circulares ao redor de um centro de rotação. Assim, eles conseguem pairar e realizar manobras. 

Seu cérebro equivale em média a 4,2% do peso do corpo; proporcionalmente, é um dos maiores do reino animal.  Algumas das suas espécies são capazes de bater as asas até cem vezes por segundo. Durante o repouso, seu batimento cardíaco é de em média 500 a 600 vezes por minuto; quando em atividade, podem superar mil batimentos por minuto. 

De onde vem toda essa energia? 90% do seu alimento é néctar, que confere a manutenção para um metabolismo acelerado; os outros 10% são pólen e artrópodes, fontes de lipídios e proteínas.  

Essas aves são o grupo de vertebrados com a mais elevada taxa metabólica existente. Para repor suas energias, precisam alimentar-se a cada 10 ou 15 minutos. Com um hipocampo grande e volumoso, eles são capazes de lembrar a localização das flores em seu território, além de saber quando elas estarão com boa disponibilidade para a coleta do néctar. 

Se os beija-flores tivessem o tamanho de um ser humano de porte médio, teriam que beber uma lata de refrigerante a cada minuto que estivessem pairando no ar, devido ao acelerado consumo de calorias durante o voo. 

Conforme o site Stanford News, períodos superiores a 42 milhões de anos, com a ação da seleção natural, teriam "transformado" os beija-flores nos organismos voadores mais eficientes do mundo, especialmente pela sua capacidade de pairar no ar.  

Tamanha eficiência e complexidade poderiam ser resultado da ação de milhões de anos somados à ação da seleção natural? Esses dois fatores atuantes tornariam possível a origem dessa "máquina" com elevado grau de eficiência? 





                              
Macho de uma espécie de beija-flor tentando atrair a fêmea para acasalar 


Referências: 
GOLLER, Benny; ALTSHULER,Doug. Beleza Fugaz. Nacional Geographic Brasil Rumo à Lua. São Paulo, Abril Print, ano 18, nº 209, agosto,2017
SICK, H. Ornitologia Brasileira. Ed. Nova Fronteira S.A., Rio de Janeiro, Brasil, 1997. 
WILLIAMSON, S. A field guide to hummingbirds of North America. Houghton Mifflin Company, Boston, NY, USA,2002. 
Del HOYO,J.;ELLIOT,A.& SARGATAL, J. Handbook of  the Birds of The World. Vol. 5: Barnowls to Hummingbirds.Linxs Edicions,Barcelona, 1999. 
Animal Diversity Web - ADW, Trochilidae hummingbirds. Disponível em: http://animaldiversity.org/site/accounts/information/Trochilidae.html. Acesso em: 08 Mai 2018 
Beija-flores da Estação Experimental Cascata – Embrapa Clima Temperado / Bergmann …[et. al.] – Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2010. 
Standford News - Hummingbirds vs. helicopters: Stanford engineers compare flight dynamics. Disponível em: https://news.stanford.edu/news/2014/july/birds-versus-bots-073014.html. Acesso em: 10/5/2018.

(Moema Patriota é bióloga, graduanda em MBA em Gestão Ambiental, https://www.facebook.com/polegarverde/, https://www.youtube.com/channel/UCcv3W7tpnaDR1vYO2UfBp1w)

sexta-feira, maio 11, 2018

O valor do sábado da criação

Na visão de mundo bíblico-criacionista estão embutidos valores preciosos não encontrados em qualquer cosmovisão concorrente, os quais marcam a existência com as digitais do Criador. Originados no Ser Supremo, eles apontam para dimensões significativas da vida, imprimindo sentido, propósito, segurança e o senso de eternidade sobre nossa finitude e contingência. Somos constantemente lembrados, por meio do quarto mandamento, do mais alto desses valores sagrados: a devida adoração ao Deus invisível em espírito e em verdade.

A primeira semana do mundo encerra-se com a instituição do sábado, o sétimo dia separado, abençoado e santificado pela grandiosa Trindade. De um tempo de caos para um tempo de ordem, o mundo sai da solidão escura do primeiro dia para o sábado luminoso quando Deus, homem e natureza comungam para “descansar”. Nesse momento, “as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam” (Jó 38:7): em enaltecimento ao Criador de obras perfeitas e belas, uma explosão de louvor percorre o Universo admirado. O Céu, os mundos gloriosos e a Terra recém-formada dão as boas-vindas ao sétimo dia - o monumento temporal da criação e memorial de eterna lembrança da majestade, poder e amor do Ser infinito.


“Porque, em seis dias, fez o Senhor os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou” (Êxodo 20:11). Embora quase universalmente esquecido, o sábado permanece como um mandamento ainda a ser observado, abrangendo a dimensão física, psicológica e espiritual do ser humano. No aspecto espiritual, ele é um símbolo da graça, pois sendo o “santuário no tempo” está disponível a todos, vindo ao encontro das criaturas onde quer que estejam. Não há limitações geográficas, pois “o significado do sábado é celebrar o tempo em vez do espaço. Durante seis dias por semana vivemos sob a tirania das coisas do espaço; no sábado procuramos estar sintonizados com a santidade no tempo. É um dia no qual somos chamados a participar do que é eterno no tempo, de nos volvermos dos resultados da criação para o mistério da criação; do mundo da criação para a criação do mundo”.

Deus atua no espaço-tempo; está em todos os lugares e épocas, sendo uma constante e benévola presença. No sétimo dia, Ele Se revela de forma especial como o Pai da criação, o “Pai nosso”; contudo, nos círculos esotéricos e místicos, vê-se muito a expressão “Mãe Natureza”. Mesmo que tal expressão seja uma metáfora para indicar a relação próxima mantida entre o homem e o mundo natural, no perspicaz pensamento de Gilbert Keith Chesterton, “apenas o sobrenatural pode assumir uma visão sadia da natureza. A essência de todo panteísmo, evolucionismo e religião cósmica moderna está realmente nesta proposição: que a natureza é a nossa mãe. Infelizmente, se você considerar a natureza como mãe, vai descobrir que ela é madrasta. O ponto principal do cristianismo era este: que a natureza não é a nossa mãe [...]. Podemos sentir orgulho de sua beleza, uma vez que temos o mesmo pai; mas ela não tem autoridade sobre nós”. Concordando com Chesterton, em linguagem imbuída de profundo sentimento religioso, Ellen G. White acrescenta: “Poetas e naturalistas têm muito o que dizer acerca da natureza; mas é o cristão quem mais sabe apreciar as suas belezas, porque reconhece a obra de seu Pai, percebendo Seu amor em cada flor, arbusto ou árvore. Ninguém pode apreciar plenamente o significado de montes e vales, rios e lagos, se não os vê como uma expressão do amor de Deus aos Seus filhos.”

Por meio do sábado, o pensamento criacionista confere valor à natureza, indicando que toda a criação tem Pai, o Ser pessoal que a criou e a mantém protegida do controle destrutivo e avassalador do mal. Nesse sentido, sendo originalmente uma revelação perfeita do amor de Deus aos Seus filhos, a natureza, hoje vitimada pelo pecado, emite uma mensagem ambígua na qual o bem e o mal lutam em guerra incessante. No seu estado atual, a natureza nos fala com língua bifurcada: beleza e feiura, altruísmo e seleção natural, ordem e catástrofe, vida e morte. Na realidade, “quando observamos o pacífico cenário da planície ou os vales das montanhas envoltos no mágico encanto da tarde, vemos a aparência de uma harmonia que é quase edênica. Mas o estudante da natureza sabe muito bem que debaixo desse manto de paz, a batalha horrível de garra e pata se está travando. [...] No mundo natural Deus prefere contender com Satanás de modos naturais. [...] Um conhecimento deste equilíbrio dinâmico na natureza fortifica a confiança do homem na providência e no cuidado de Deus. Ele vê a operação de um Ser todo-sábio e todo-poderoso, que permite a desobediência para demonstrar sua insuficiência e futilidade, mas que cuida dos Seus enquanto essa demonstração está em processo, e torna suave a vida para Seus adoradores, embora eles vivam nas horas finais de um mundo terrivelmente maculado e desorganizado.”

Ainda que espancada pelos efeitos do pecado, consegue a natureza nos trazer à consciência a paternidade divina? Sim! Nela mesclam-se as mensagens da criação e da redenção, porquanto “o mundo, embora caído, não é todo tristeza e miséria. Na própria natureza há mensagens de esperança e conforto. Há flores sobre as ervas daninhas, e os espinhos estão cobertos de rosas”. Assim, semanalmente, observando o sábado, lembramos do “Pai Nosso” e, esperançosos, aguardamos o mundo ser redimido e restaurado à glória original, quando despontará o reinado pacífico em que “o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o Meu santo monte, porque a Terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:6-9).

O filósofo cético Bertrand Russel, em tom sinistro e desprovido de qualquer esperança, reconheceu o absurdo da vida guiada pela cosmovisão meramente científica. Ele declarou: “Ainda mais despropositado, mais vazio de sentido, é o mundo que a ciência apresenta para que nele creiamos. Em meio a um mundo assim, nossos ideais devem encontrar seu espaço daqui para a frente. Que o homem seja o produto de causas que não previam o fim a ser atingido; que sua origem, seu crescimento, suas esperanças e temores, seus amores e crenças sejam tão só o resultado de combinações acidentais de átomos; que nenhuma paixão, nenhum heroísmo e nenhuma intensidade de pensamento e sentimento possam preservar uma vida individual após a tumba; que todos os labores dos séculos, toda a devoção, toda a inspiração e todo o brilho meridiano do gênio da humanidade sejam destinados à extinção na vasta morte do sistema solar, e que o templo inteiro das conquistas do homem deva ser inevitavelmente sepultado sob os escombros de um universo em ruínas – todas essas coisas, se não são indiscutíveis, são, todavia, quase tão certas que nenhuma filosofia que pretenda rejeitá-las pode ter a esperança de permanecer. Somente junto aos andaimes dessas verdades, somente sobre o firme fundamento de um desespero obstinado, pode a habitação da alma ser edificada com segurança daqui para a frente.”

Contrariando essa desesperança de Russel está o sétimo dia, a nos lembrar de que há sentido cósmico e individual. O sábado oferece resposta para as três questões universais: De onde vim? Por que estou aqui? Para onde eu vou? Na perspectiva sabática do descanso divino, o passado, o presente e o futuro são instâncias do tempo circundadas pela esperança. Esse fragmento do tempo nos traz não só a recordação constante de que somos amados por Deus, mas também a promessa de dias melhores, dias eternos (Hebreus 4:9). Mais do que um dia comum, o sábado nos transporta para o “viver no espírito” no qual “o coração que ainda não se acha endurecido pelo contato com o mal está pronto a reconhecer aquela Presença que penetra todas as coisas criadas. O ouvido, ainda não ensurdecido pelo clamor do mundo, está atento à Voz que fala pelas manifestações da natureza. E para os [...] que necessitam continuamente dessa silenciosa lembrança das coisas espirituais e eternas, proporcionadas pela natureza, será o ensino desta não menos uma fonte de prazer e instrução”.

Em suma, a fim de nos guardar do vazio existencial e da filosofia do desespero, muito presentes no ser humano contemporâneo, foi o sábado especialmente separado por Deus para reafirmar nossa filiação divina e nos avisar de que não somos órfãos cósmicos, lançados na solidão da vida sem qualquer vislumbre do horizonte eterno. Que importância e valor temos? O sábado nos assegura de que não somos animais evoluídos descendentes de ancestrais simiescos, mas que temos origem diferenciada e especial. Somos filhos de Deus, formados à Sua imagem e semelhança. Por isso, o mandamento: “Lembra-te do dia de sábado...” (Êxodo 20:8), já que na memória precisa ficar gravada a história da criação, pois esquecer-se dela significa não perceber o sentido transcendente de nossa presença no mundo.

Durante as vinte e quatro horas sagradas, o Criador chama a atenção do ser humano, querendo-lhe, semanalmente, sinalizar a convicção: “Você é Meu filho. Eu o criei. Jamais esqueça isso!” Portanto, guardar o sábado vai além da abstenção de atividades seculares; observar o sétimo dia, na letra e no espírito, é lembrar que temos um Pai que nos valoriza. Significa estar selado como filho de Deus.

(Frank de Souza Mangabeira, membro da Igreja Adventista do Bairro Siqueira Campos, Aracaju, SE; servidor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Sergipe)

O avanço do evolucionismo-teísta no Brasil

Este é um tema que precisa ser mais bem divulgado pela comunidade criacionista no Brasil. Existem situações ainda pouco conhecidas a respeito de uma instituição brasileira divulgadora do evoteísmo. A meu ver, dentro do campo da ciência e religião, esse foi, é e será cada vez mais o maior problema que nós criacionistas literais enfrentaremos no anúncio das boas-novas de um Deus Criador em nosso próprio país. A estratégia usada nesse modelo é a de se misturar verdades com mentiras. Sabemos que esse problema não é novo. A Bíblia diz que o pai dessa ideia foi Satanás, ainda lá no Éden.

Eu sou até certo ponto tolerante e entendo a postura e o modo de pensar de evolucionistas sinceros, mesmo que estes ignorem os atuais dados científicos. Mas quando o assunto é evolucionismo teísta a coisa fica diferente. Saindo do campo científico, mesmo porque essa ideia não se apoia em evidências científicas, e entrando no campo filosófico e teológico (como humano, pessoa que sou), vejo que essa tem sido uma estratégia satânica, um modo de misturar a falsamente chamada ciência com péssima teologia. E esses argumentos evoteístas tem feito um estrago dentro da igreja cristã. Jovens têm sido seduzidos por argumentos que têm como fundamento a areia movediça.

Argumentos que tentam fazer com que jovens aceitem, por exemplo, o princípio da superposição, que diz respeito às diversas camadas geológicas que teriam sido depositadas ao longo de bilhões de anos, e com isso o aceite “lógico” de que Deus teria dirigido o processo de evolução em nosso planeta também ao longo de bilhões de anos. Na etapa seguinte, isso nos conduz para a aceitação de que a morte é parte do processo natural da criação de Deus, o que nos leva a um ponto crítico: se a morte não é resultado do pecado de Adão e Eva em desobedecer a Deus (como diz Gênesis), então concluo, dentre algumas possibilidades, que a linguagem do livro de Gênesis é simbólica e, portanto, esses personagens nunca existiram como fato histórico.

Na etapa seguinte o pensamento se propaga e enraíza destruindo toda a base da fé cristã. Isso porque, se a história de Gênesis não é real, então não haveria a necessidade de Jesus ter vindo morrer numa cruz a fim de salvar a humanidade de seus pecados e da morte, e tampouco voltar uma segunda vez para nos levar para a vida eterna. Opa, chega-se a um impasse! “Será que também todo o restante da Bíblia é simbólico?” Essa é a conclusão a que chegam os que aceitam o evoteísmo. Você consegue enxergar como esse pensamento vai minando desde o Antigo até o Novo Testamento?

Caso você queira conhecer em detalhes os inúmeros problemas teológicos, filosóficos e científicos que podem ser encontrados na perigosa proposta evoteísta, deixo como indicação o livro Theistic Evolution: A Scientific, Philosophical, and Theological Critique. Em relação a esse livro, o Dr. James N. Anderson, professor associado de Teologia e Filosofia no Seminário Teológico Reformado (Charlotte, EUA), comenta:

 “Os evangélicos estão experimentando uma pressão sem precedentes para fazer as pazes com a teoria da evolução darwinista, e números crescentes estão hasteando a bandeira branca. A trágica ironia é que a teoria neodarwinista está mais ameaçada do que nunca, em face de múltiplos desafios científicos e discordâncias crescentes. Até agora não houve uma resposta acadêmica consolidada à evolução teísta que combinasse – quanto às desse livro – críticas científicas, filosóficas e teológicas. Os editores reuniram um elenco impressionante de especialistas e o conteúdo é de alto nível. Evolucionistas teístas, e aqueles influenciados por seus argumentos, devem ler e digerir este compêndio de ensaios.” 

Hoje, ao que tudo parece, a maior instituição que propaga de forma implícita essas ideias no Brasil é a Associação Brasileira de Cristãos na Ciência (ABC2), com 27 grupos locais alcançando, principalmente, os grandes centros universitários. Apesar de seu intento em evitar mencionar sua proposta “evolucionista teísta”, conforme pode ser visto em “Quem somos”, ao mencionar um dos parágrafos de seu estatuto o qual diz: “Enquanto organização, a ABC² não toma posição quando há desacordo honesto entre cristãos em uma questão.”

Em uma notícia divulgada sobre o lançamento do Discovery-Mackenzie, a ABC2 também comenta sua estratégia e sua suposta imparcialidade quanto a se posicionar como evoteísta: “Temos procurado contribuir para o diálogo com a difusão de material da linha menos difundida no Brasil entre os evangelicais (a da criação evolucionária), sem, contudo, nos identificarmos com ela enquanto instituição. Pelo contrário, o que desejamos com isso é que todas as vertentes estejam mais bem representadas no país e aprendam a dialogar com mais profundidade e sem caricaturas.”

Porém, o jornalista Marcio Campos, da Gazeta do Povo, publicou uma matéria intitulada Criacionismo recua nos Estados Unidos, na qual faz o seguinte comentário acerca da ABC2: “A ABC2 afirma, sim, que o material que difunde pende para a linha da ‘criação evolucionária’, que é a menos popular entre os protestantes brasileiros, mas que a instituição está aberta a defensores de todas as correntes, e por isso a entidade dá as boas-vindas ao núcleo do Mackenzie, esperando que ele não adote uma posição de isolamento.”

Também é importante mencionar que a ABC2 tem recebido recursos milionários da Fundação Internacional Templeton World Charity Foundation (TWCF), conhecida também como John Templeton Foundation. Dessa forma, eles têm organizado uma série de conferências em âmbito nacional e regional e produzido muitos materiais acessíveis como, por exemplo, cinco cursos a distância (EaD), texto escancaradamente evoteísta publicado em sua página sob o título “Criação,Evolução e Cristãos Leigos”, uma série de livros sobre ciência e religião, tal como o do título Deus e DarwinPensamento evolutivo e teologia natural, e documentários como “O Diálogo Entre Fé Cristã e Ciência no Brasil”.

Além disso, parece que a ABC2 tem flertado com a Biologos, instituição publicamente evoteísta fundada pelo Dr. Francis Collins, aquele do Projeto Genoma Humano. A Biologos admite o seguinte em seu “Quem somos”, no tópico “Missão”: “O BioLogos convida a igreja e o mundo a ver a harmonia entre a ciência e a fé bíblica à medida que apresentamos uma compreensão evolucionária da criação de Deus.” Uma coisa é certa: a ABC2 tem divulgado constantemente as conferências da Biologos.

Também tem traduzido e divulgado entrevistas com eminentes evolucionistas teístas em seu site como, por exemplo, a entrevista com Denis R. Alexander, autor do Livro Criação ou Evolução: Precisamos Escolher?, que chega a afirmar o seguinte em sua entrevista: “O que as igrejas precisam fazer é mostrar como a evolução, como uma teoria biológica, é perfeitamente compatível com uma fé cristã sólida. Isso significa que não há necessidade de rejeitar uma teoria tão bem fundamentada. Eu tenho sido um crente evangélico nos últimos 58 anos e nunca duvidei da teoria da evolução.”

Agora pergunto: Seria mera coincidência toda essa divulgação da ABC2 em prol do evoteísmo? Outra entrevista curiosa divulgada em seu site foi a realizada com o teólogo Dr. Gijsbert van den Brink da Faculdade de Teologia da Vrije Universiteit Amsterdam, na qual recomenda: “Os cristãos não deveriam investir energia no combate à teoria evolucionista, mas deveriam se concentrar em distinguir a sóbria teoria científica da evolução (grande parte dos quais são bastante convincentes) da ideologia anticristã do evolucionismo. É contra este último movimento cultural que a batalha espiritual tem de ser travada. Os cristãos não devem, no entanto, combater o que hoje em dia conta (por boas razões) como resultados estabelecidos da pesquisa científica.”

Recentemente, por fim, mais uma vez a mesma organização financiadora da ABC2 aqui no Brasil, a John Templeton Foundation, foi noticiada por meio de uma matéria na página do Instituto Smithsoniano, intitulada “Como falar com os evangélicos sobre a evolução”, como financiadora da popularização da macroevolução humana a partir dos fósseis de supostos hominídeos, lá nos EUA, para o público evangélico. A matéria diz: “Uma organização com bons recursos que apoia os esforços para trazer a harmonia entre a religião e a ciência.”

Mera coincidência ou decisões intencionais?

(Everton Alves)

Leia mais sobre evolucionismo teísta aqui.

sexta-feira, maio 04, 2018

A morte de Cristo e a incrível “coincidência” de terremotos em Jerusalém


Começarei este texto fazendo uma pergunta fundamental para a sociedade em que vivemos na qual a razão é posta acima de qualquer outro componente. Há evidências científicas sobre a crucificação de Jesus Cristo? Seria possível estudos científicos, 2000 anos depois, precisarem com exatidão a data em que tal evento aconteceu? A resposta é sim. Em 1983, artigo publicado na revista Nature, intitulado "Dating the Crucifixion" (Datando as crucificação, em português), escrito pelos astrônomos Colin Humphreys e Waddington, utilizaram dados históricos e astronômicos para se chegar a uma possível data (Humphreys e Waddington, 1983). O cálculo e outras investigações levaram os pesquisadores a concluírem que a provável data seria no dia 3 de abril do ano 33d.C., dia em que o fenômeno de uma "lua de sangue" devido a um eclipse lunar teria sido visível em Jerusalém.

Mas e quanto a narrativa bíblica de um terremoto? Há evidências de um terremoto em Jerusalém próximo a essa data? Bem, há quem diga que em Jerusalém não há movimentos sísmicos, falhas geológicas que possibilitem episódios de terremotos. Mas a Bíblia, especialmente no Evangelho de Mateus, capítulos 27:54 e 28:2, narra de forma sequencial a ocorrência de terremotos nos eventos da crucificação de Cristo e em Sua ressurreição. Ademais, também narra que, na crucificação de Jesus, próximo da hora “sexta” até a hora “nona”, houve “trevas”: “E, chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra até a hora nona” (Marcos 15:33). 

Evidências históricas confirmam o relato bíblico de um terremoto durante a morte de Cristo. O autor grego Flégon descreveu uma cronologia relacionada a um evento de terremoto que teria ocorrido durante a crucificação de Cristo, no tempo de Tibério César. Paul Maier, a respeito desse período de escuridão, em uma nota de rodapé do seu livro sobre Pôncio Pilatos (1968), diz: “Esse fenômeno, evidentemente, foi visível em Roma, Atenas e outras cidades do mediterrâneo. Segundo Tertuliano, [...] foi um evento ‘cósmico’ ou ‘mundial’. Flégon, um autor grego da Caria, escreveu uma cronologia pouco depois de 137 d.C. em que narra como no quarto ano das Olimpíadas de 202 (ou seja, 33 d.C.) houve um grande ‘eclipse solar’, e que ‘anoiteceu na sexta hora do dia [isto é, ao meio-dia], de tal forma que até as estrelas apareceram no céu. Houve um grande terremoto na Bitínia, e muitas coisas saíram fora de lugar em Nicéia’” (MAIER, Paul, Pontius Pilate, p. 366) (Strobel, 2001, p.86).

Se não bastasse, pesquisas científicas também têm corroborado os relatos históricos de Flégon, citado acima, bem como do historiador samaritano Talo, que escreveu em 52 d.C. acerca dessa mesma escuridão durante a morte de Cristo (McDowell, 1992). Ademais, os terremotos da Terra Santa têm sido evidenciados por escavações arqueológicas. Nenhuma outra região da Terra tem uma cronologia tão longa e bem documentada de grandes terremotos como a dessa região. Inclusive geólogos investigaram a cronologia de 4.000 anos das perturbações do terremoto nas camadas superiores de sedimentos laminados do Mar Morto (Ben-Menahem, 1991; Ken-Tor et al., 2001; Migowski et al., 2004; Agnon, Migowski e Marco, 2006).

Em 1994, a revista Israel Exploration Journal, editada pelo Instituto de Arqueologia da Universidade Hebraica publicou um artigo intitulado “Terremotos em Israel e áreas adjacentes: observações macrossísmicas desde 100 a.C.” Na página 265, eles listam um ligeiro terremoto em Jerusalém em 30 d.C. e um em 33 d.C., o que afetou a Judeia, Jerusalém, incluindo danos ao templo (Amiran, Arieh e Turcotte, 1994). 



Em 2012, um artigo publicado na revista International Geology Review apresentou evidências de um terremoto na Palestina por volta do ano 31 d.C., com precisão de ±5 anos (Williams, Schwab e Brauer, 2012). Levando em conta que o fim do ministério de Jesus é datado entre os anos 30 e 33 d.C., conforme artigo intitulado publicado na revista Nature (Humphreys e Waddington, 1983)e que o relato dos Anais do governador Tácito (XV, 44), além dos quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João)corroboram que a crucificação ocorreu em uma sexta-feira, num período quando Pôncio Pilatos era procurador da Judéia, ou seja, entre 26 e 36 d.C., temos aí mais evidências científicas para a confiabilidade histórica das Escrituras.

Mapa do mar morto e arredores mostrando a localização central em Ein Gedi e a localização do afloramento em Nahal Ze’elim

Além disso, existe uma ampla lista bem documentada (aqui e aqui) de vários outros terremotos que teriam ocorrido próximos daquela mesma região em diferentes momentos da história humana. Mas o que nos chama a atenção é realmente o fato de as descobertas atuais da ciência apontarem para uma incrível “coincidência” que demonstraria a autenticidade do relato bíblico em relação aos eventos associados à crucificação de Cristo.

(Everton Alves)

Referências:
Humphreys CJ, Waddington WJ. "Dating the Crucifixion." Nature. 1983; 306:743-746.
Strobel L. Em defesa de Cristo, Vida, 2001.
McDowell J. Evidência que exige um veredito. Candeia: 1992, p. 81.
Ben-Menahem A. “Four Thousand Years of Seismicity along the Dead Sea Rift.” Journal of Geophysical Research. 1991; 96(B12):20195-20216.
Ken-Tor R, et al. “High-resolution Geological Record of Historic Earthquakes in the Dead Sea Basin.” Journal of Geophysical Research. 2001;106 (B2): 2221-2234;
Migowski C, et al. 2004. “Recurrence Pattern of Holocene Earthquakes Along the Dead Sea Transform Revealed by Varve-counting and Radiocarbon Dating of Lacustrine Sediments”. Earth and Planetary Sciences Letters. 222(1):301-314.
Agnon A, Migowski C, Marco S. “Intraclast Breccias in Laminated Sequences Reviewed: Recorders of Paleo-earthquakes.” In: New Frontiers in Dead Sea Paleoenvironmental Research. Enzel Y, Agnon A, Stein M (Eds.). Geological Society of America Special Paper 2006, v. 401, 195-214.
Amiran DHK, Arieh E, Turcotte. “Earthquakes in Israel and Adjacent Areas: Macrosismic Observations since 100 BCE.” Israel Exploration Journal 1994; 44:260-305.
Williams JB, Schwab MJ, Brauer A. “An early first-century earthquake in the Dead Sea.” International Geology Review 2012; 54(10):1219-1228.

quinta-feira, maio 03, 2018

Ontologia, leis físicas e a “atemporalidade” de Deus


Nosso artigo que toca na questão da relação de Deus com o tempo gerou comentários bastante interessantes. Parte dos comentários refere-se à falta de profundidade no que foi dito sobre o debate teológico em si, com suas várias posições, argumentos e contra-argumentos que foram propostos ao longo da história, bem como as diversas ideias que foram consideradas e aceitas por uns e descartadas por outros. Não são apenas duas posições, mas um espectro de ideias. É verdade que deixamos de comentar (intencionalmente) todo esse rico debate, até porque não era esse o foco do artigo. O objetivo era dizer que existe esse debate com dois pólos principais em relação à questão da temporalidade de Deus e que em boa parte ele tende a apoiar-se no vazio quando não leva em conta a natureza do tempo. E levar em conta a natureza do tempo é algo difícil quando não se sabe o que é o tempo, detalhe que só foi descoberto no século 20 e ainda permanece desconhecido para a maioria das pessoas. O resultado inevitável são argumentos razoáveis misturados com falácias, as quais parecem ao senso comum tão razoáveis quanto o restante. Nosso foco continua sendo esclarecer alguns detalhes do conhecimento técnico que temos atualmente e deixar para os teólogos aplicar o assunto ao debate sobre a temporalidade de Deus. Como fizemos antes, podemos exemplificar consequências e reformulação de conceitos. Em particular, qualquer cenário ou ideia na qual Deus seja incapaz de agir na história, ao longo do tempo, entra em conflito com a Bíblia. Qualquer ideia que limite Deus a uma linha de tempo qualquer entra em conflito com o que sabemos sobre o tempo e sobre Deus. Deus necessariamente existe independentemente do tempo e além dele, mas a palavra “independentemente”, aqui, tem um significado técnico que pode ser diferente do que alguns esperariam em um debate filosófico. De forma alguma significa que Deus não interage com o tempo.

Outro detalhe importante é a inadequação de linguagens não formais (não matemáticas) para lidar com esse tipo de assunto. Quando falamos em “interagir com o tempo”, por exemplo, em linguagem comum, as pessoas tendem a pensar em um processo, parte do qual ocorre fora do tempo. Evidentemente, isso não faz sentido, mas nos referimos a um tipo de relação que, pelo ponto de vista de quem vive a passagem do tempo, corresponde a um processo ao longo dele. Uma parte desse aspecto foi discutida por Agostinho, com base apenas em uma boa intuição sobre o tempo. Hoje, porém, temos conhecimentos para tratar desse assunto em muito maior profundidade e entrar seguramente em detalhes que em épocas anteriores não eram imaginados ou, em alguns casos, eram meras especulações.

Alguns dos comentários feitos indicam que precisamos discutir também certas questões periféricas para que o tema seja mais bem entendido. As reais implicações sobre o que sabemos hoje a respeito da natureza do tempo não parecem ter sido plenamente avaliadas, mesmo por alguns dos nossos leitores mais competentes que conhecem o debate teológico, mas que se beneficiariam de uma intuição mais profunda de aspectos físicos do problema. Infelizmente, essa percepção tende a ser bloqueada por alguns conceitos filosóficos que precisam de alguns ajustes para se encaixar no que a natureza nos revela.

Ontologia

Uma das questões levantadas nos comentários é sobre a ontologia do tempo e das leis físicas. A título de exemplo, em nosso artigo mencionamos o princípio da ação mínima como um exemplo de entidade atemporal que não apenas interfere, mas rege o que acontece ao longo do tempo. Isso foi recebido com estranheza por alguns. Afinal, o princípio da ação mínima pode ser considerado uma entidade? E o tempo? Seria uma entidade ou apenas um atributo do Universo? Nesse ponto temos um conflito de jargões de diferentes áreas. Além disso, existe uma questão conceitual que transcende à diferença de uso de palavras. Por essa razão, mesmo antes de discutirmos jargões, procuraremos comentar de maneira informal essa questão ontológica. Adiantamos, porém, que o conceito de entidade que utilizamos aqui também é bastante geral. Um atributo de qualquer coisa (ou pessoa) é uma entidade matemática. Mas o assunto principal agora é ontologia.

Para quem não está familiarizado com esse termo filosófico, ontologia diz respeito à essência do ser, o que ele é de fato; como as entidades se classificam e se relacionam em função de sua natureza mais fundamental.

Na cultura do último século no estudo da Física, tipicamente reservam-se questões ontológicas para filósofos. Físicos preocupam-se com comportamentos, em sentido amplo. Forma, cor, características, por exemplo, são comportamentos. Comportamentos em relação ao tempo representam apenas um dos tipos que estudamos. A rigor, o físico não pergunta o que é um elétron em sua essência, mas como ele se comporta. Qualquer coisa que se comporte como um elétron será chamada de elétron, por definição. A classificação é feita por meio do comportamento. Mas o que é um elétron, em última análise? Em princípio, essa não é uma pergunta para a qual o físico se julgue competente para procurar uma resposta. Eu disse “em princípio”.

Descoberta de leis

Esse jogo de quebra-cabeças que consiste em reunir pistas sobre como funciona a realidade física apresenta uma “virada” interessante quando se ligam alguns pontos. Para explicar que virada é essa e em que se baseia convém trazer à tona alguns detalhes mais relevantes da história das descobertas na área da Física.

Seguindo a proposta de Galileu e outros, Isaac Newton deu largos passos rumo a adotar uma forma de estudar a natureza utilizando métodos matemáticos de maneira mais sistemática. No processo, descobriu o Cálculo Diferencial e Integral (assim como Leibniz, independentemente). Isso foi essencial ao progresso dos últimos séculos, pois o estudo da realidade física tem o Cálculo como pré-requisito e não há como ir muito longe no estudo das leis da natureza sem um conhecimento sólido de equações diferenciais, que dependem do Cálculo. Usando essas ferramentas matemáticas descobertas no próprio mundo físico, Newton conseguiu formular três leis da Mecânica. Essas mesmas ferramentas matemáticas revelam um rico infinito além, o qual ainda mantém físicos e matemáticos ocupados até os dias atuais. É difícil até mesmo dar conta da quantidade de informações que jorram abundantemente da natureza quando usamos esses métodos. Comparado com isso, o conhecimento humano adquirido ao longo de dois milênios corresponde apenas a gotas.

Juntamente com a Teoria da Mecânica de Newton (três equações e suas consequências) havia uma série de ideias extras mantidas pelo próprio Newton e por outros. Entre elas, a de que o tempo seria algo absoluto. Nada nas leis de Newton diz isso, mas essa ideia era tida como verdadeira e afetava a maneira como as pessoas utilizavam as equações de Newton.

No século 19, James C. Maxwell descobriu a Teoria Eletromagnética, composta de quatro equações diferenciais vetoriais que regem os fenômenos eletromagnéticos, isto é, quase tudo o que existe no cotidiano, incluindo a Química, a Biologia e a tecnologia de aparelhos elétricos e eletrônicos. Tornou-se viável construir aparelhos que processam informações sofisticadas graças a essa teoria. O problema é que as equações do eletromagnetismo nos dizem que a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas é absoluta. Três possibilidades foram imaginadas: (1) houve erro na dedução das equações, (2) existe um referencial absoluto e aquela forma das equações só funciona nesse referencial ou (3) o tempo é relativo, o espaço é relativo, mas o espaço-tempo é absoluto. Até onde se pode medir e testar, a proposta (1) é falsa; as equações são válidas. O item (2) também demonstrou-se falso; as equações valem em qualquer referencial inercial. O item (3) deu origem à Relatividade Especial, demonstrando-se verdadeiro em cada um dos milhões de instâncias testadas até hoje. Mas a Relatividade Especial parecia gerar resultados bem diferentes dos da Teoria de Newton a altas velocidades. Contraria também a intuição comum e até hoje sofre críticas por isso, tipicamente com argumentos falsos, mas que parecem razoáveis. Um exemplo é o famoso pseudo-paradoxo dos gêmeos, simples de resolver mas que confunde alguns.

No início do século 20, outra descoberta importante ocorreu: descobriu-se que átomos possuem um núcleo eletricamente positivo com volume insignificante comparado com o tamanho total do átomo. E o núcleo contém quase toda a massa do átomo. Ao redor, temos elétrons, negativos. Imaginou-se o átomo como sendo semelhante ao Sistema Solar, com o núcleo fazendo o papel do Sol e os elétrons orbitando o núcleo como planetas. Mas a Teoria Eletromagnética dizia algo importante sobre isso: se os elétrons se movessem em trajetórias curvas ao redor do núcleo, irradiariam sua energia cinética e logo cairiam sobre o núcleo. Os átomos não seriam estáveis. Mas os átomos são estáveis. O que estava errado? A Teoria Eletromagnética ou a Teoria de Newton? Por que elas pareciam incompatíveis? Imaginou-se então que, no mundo microscópico, as leis de Newton não valeriam e que novas leis entrariam em vigor.

Essas coisas causaram uma espécie de crise filosófica entre físicos. Como entender esse fracasso de teorias bem testadas? Propôs-se que o papel dessas teorias não seria o de descrever hipóteses ontológicas, mas o de produzir resultados observáveis dentro de uma região de validade. As leis de Newton, por exemplo, seriam válidas somente para baixas velocidades e para o mundo macroscópico. Felizmente, esse não foi o fim da conversa. Algo muito interessante ocorreu em seguida e impôs mais um corretivo ao pensamento dos físicos. Infelizmente, a maioria parece ter parado na fase anterior.

Antes de prosseguir, precisamos comentar brevemente uma estrutura matemática chamada de espaço de Hilbert. E antes de falar nisso, precisamos comentar o conceito de vetor. Quem teve a oportunidade de cursar o Ensino Médio deve ter aprendido algo sobre vetores. Nesse nível, tipicamente, diz-se que eles possuem direção, módulo e sentido. Um exemplo disso é a velocidade. Para uma descrição da velocidade de algo, precisamos pelo menos do valor dessa velocidade (módulo: quantos quilômetros por hora) e para onde está indo o objeto em movimento. Na verdade, esse é apenas um dos tipos de vetores que existem. Existe uma infinidade de tipos de vetores e os respectivos espaços nos quais eles existem. Esses espaços consistem em um conjunto de vetores (tipicamente em quantidade infinita) juntamente com escalares (que podem ser números) e operações internas e externas a esses conjuntos. Usamos definições matemáticas rigorosas para defini-los e teoremas para lidar com eles. Uma das famílias de espaços vetoriais são os espaços de Hilbert. Eles são extremamente úteis para representar situações (estados) de sistemas físicos, entre outras coisas. Outro conceito importante é o de operador. Podemos, por exemplo, representar a velocidade de um avião por um vetor. Mas como representar um giro na trajetória causado pelo piloto? Trata-se de uma transformação que muda a velocidade do avião de um vetor para outro. Matematicamente, descrevemos isso como uma operação que aplicamos sobre um vetor e cujo resultado é outro vetor. A entidade matemática responsável por essa operação chama-se operador.

Voltemos à história das descobertas. Encontraram-se duas maneiras de estudar as leis do mundo microscópico (mundo quântico). Essas maneiras pareciam totalmente diferentes, mas davam os mesmos resultados. Examinando ambas, é possível notar que são instâncias de diferentes representações de operadores e vetores em espaços de Hilbert. As abordagens usadas até então para estudar o mundo microscópico (quântico) eram apenas dois exemplos de um conjunto infinito de representações possíveis de espaços de Hilbert. Cada direção nesse espaço representa um estado físico (no sentido de descrição completa do sistema, não se é sólido, líquido ou gasoso). Os operadores, que transformam um vetor em outro, correspondem a mudanças de estado físico, como no exemplo do operador rotação faz um avião desviar-se de sua trajetória original.

O interessante é que, ao contrário do que pareceu antes, as leis de Newton continuam perfeitamente válidas no mundo microscópico. O que não é válido é representar grandezas mensuráveis somente por números. Nesses domínios, é importante representar o ato de medir, sendo o resultado da medida insuficiente para descrever o que ocorre. O ato de medir corresponde a operadores no espaço de Hilbert. As leis da Mecânica Quântica são as leis de Newton expressas como representações de relações entre operadores no espaço de Hilbert.

E quanto à Relatividade? A Teoria de Newton não diz que o tempo é absoluto? De maneira nenhuma! Quando corretamente expressas, as equações de Newton não dizem que o tempo é absoluto. De fato, a Relatividade Especial consiste nas equações de Newton acrescidas de dois novos postulados (duas leis extras). Nada deixou de valer. Aliás, nenhuma teoria baseada em métodos matemáticos corretamente usados jamais deixou de valer diante de novas descobertas. De fato, ao testar novas teorias, uma das primeiras coisas que os físicos fazem é verificar se elas passam no princípio da correspondência: se uma teoria nova possui intersecção com uma teoria já testada em sua região de validade, então a nova teoria precisa concordar com a teoria anterior na região da intersecção. A realidade não muda. O que já funciona não pode parar de funcionar porque algo novo foi descoberto. A ideia de que teorias aceitas hoje podem ser rejeitadas amanhã é válida no âmbito do que deveria ser chamado de pseudociência ou falsa ciência. Na Ciência formal isso não acontece.

De volta à Mecânica Quântica, apesar de não se pretender utilizá-la para resolver questões ontológicas, ela se desdobrou em tantas consequências interessantes que fez com que os físicos e filósofos ficassem a debater até hoje em busca de maneiras de colocar tais achados em algum arcabouço filosófico (o matemático baseado em espaços de Hilbert já estava lá e resolveu os problemas com facilidade). Embora esse não seja o trabalho do físico, é difícil resistir a um apelo assim. Afinal, alguém precisa traduzir uma parte do que o formalismo matemático diz para que o conhecimento se espalhe na sociedade. Traduzi-lo inteiramente para uma linguagem humana é impossível, mas é importante traduzir o que for possível. Entre esses desdobramentos, existem alguns com implicações sobre a ontologia de tudo o que nos cerca. Mesmo que não seja isso o que os físicos procurem, teorias e frameworks científicos são descobertos e não inventados (ao contrário das teorias e frameworks pseudocientíficos), de forma que possuem vida própria e podem contrariar até mesmo seus formuladores (aqueles que encontraram maneiras de escrever as relações descobertas em linguagem formal). Uma consequência disso é que teorias científicas podem trazer informações inesperadas sobre a realidade, surpreendendo até seus descobridores. Isso, de fato, acontece com certa frequência quando se usam métodos matemáticos da Ciência. Muitas entidades e fenômenos desconhecidos foram descobertos dessa maneira muito antes de serem observados na prática.

Mecânica Quântica e Ontologia

Tentaremos agora prover um vislumbre de um detalhe do mundo quântico que traz em seu germe profundas implicações ontológicas.

Em condições normais, em um espaço-tempo de uma dimensão de tempo e três de espaço, existem dois tipos de partículas fundamentais: férmions e bósons. Exemplos de férmions: elétrons, prótons, nêutrons, neutrinos, quarks. Exemplos de bósons: fótons, glúons, W, Z. O que os distingue é uma propriedade chamada spin. Bósons possuem spin inteiro (ex.: 0, 1, 2, ...). Férmions possuem spin na forma n+½ (ex.: 1/2, 3/2, ...). Parece algo sem maiores consequências, mas não é. Uma consequência importante e não óbvia é que dois férmions não podem ocupar o mesmo estado quântico ao mesmo tempo (“princípio” da exclusão, que na verdade é um teorema). Bósons não possuem tal restrição. É graças a esse comportamento dos férmions que a Química existe. Sem essa propriedade, não haveria níveis eletrônicos estáveis acima do 1s. Não haveria ligações químicas. Não haveria moléculas, nem reações químicas, nem sólidos ou líquidos. Só haveria fluidos semelhantes a gases. A vida seria impossível. Nós não existiríamos. Na verdade, as consequências vão além disso, pois até os núcleos atômicos teriam propriedades tais que toda a matéria do Universo tenderia a colapsar gerando buracos negros. Mesmo que não houvesse o colapso, não haveria estrelas.

Mas o que exatamente isso tem a ver com ontologia? Nossa intuição sobre o assunto molda-se em um ambiente no qual não existem dois objetos exatamente iguais. Cada objeto (no sentido mais amplo da palavra, que inclui pessoas) tem sua identidade e pode ser distinguido dos demais. Nossa intuição ontológica e a filosofia que desenvolvemos a partir dela baseia-se nisso. No mundo microscópio, a partir de certo nível, a situação se inverte. Por exemplo, férmions (ex.: elétrons) só respeitam o princípio da exclusão se forem absolutamente indistinguíveis. Isso é mais profundo do que parece. Para que o “princípio” da exclusão funcione, não pode haver qualquer diferença, conhecida ou desconhecida, entre dois elétrons, dois prótons, e assim por diante. Mais do que isso, é preciso ser impossível até rotular dois elétrons para se dizer qual é o elétron 1 e qual é o elétron 2. Isso necessariamente é impossível. Eles precisam ser indistinguíveis no nível ontológico. Se houver qualquer maneira de atribuir-lhes alguma individualidade, a Química deixa de existir, levando-nos com ela.

A indistinguibilidade de férmions tem consequências fundamentais para a existência de tudo o que a humanidade conhece e experimenta. Mas bósons também são indistinguíveis de outros do mesmo tipo. Isso é uma característica geral da realidade física. É como se não existissem muitos elétrons, mas muitas cópias do mesmo elétron, cópias que não podem sequer ser rotuladas por serem ontologicamente idênticas. Se uma cópia pudesse ser identificada e distinguida das demais, não estaríamos aqui.

Isso tem consequências para o que é composto dessas partículas (ex.: matéria). Dois átomos de um mesmo tipo (ex.: C-12) que estiverem no mesmo estado nuclear e eletrônico são absolutamente indistinguíveis.

Mas, então, como é possível haver objetos diferentes, distinguíveis? Estados podem ser identificados. Estados são informação. Informação permite ontologia física. Duas moléculas exatamente com a mesma composição, mas em estados diferentes são distinguíveis. Estados podem ser transferidos de um material para outro. Isso equivale a teletransporte, já que a ontologia está nos estados. Não são as partículas que nos compõem que nos conferem identidade. Nossa identidade compõe-se de informação, não de matéria.

São as propriedades e os estados dos sistemas físicos que lhes conferem identidade, que os tornam acessíveis a considerações ontológicas.

Nosso objetivo aqui foi o de dar um vislumbre sobre o tipo de coisas que encontramos no estudo da realidade física que nos forçam a repensar o que aprendemos em Filosofia e a utilizar novos conceitos ou a redefinir os antigos.

Propriedades, características, possuem, no mínimo, tanto direito a ser chamadas de entidades quanto partículas ou coisas compostas por elas. Isso inclui o tempo, que é uma propriedade do espaço-tempo, que é o “tecido” do qual o Universo é feito. As leis físicas também possuem existência bem real e são elas que permitem a existência de outras ontologias. Merecem ser chamadas de entidades, embora não sejam seres conscientes, mas apenas padrões matemáticos que permitem que tudo exista e funcione.

Deus é a entidade coerente máxima, o que Lhe confere não apenas consciência em um nível inatingível para seres finitos (onisciência), mas uma infinidade de outras características que sequer podemos imaginar, muitas das quais temos aprendido a estudar graças à enxurrada de conhecimentos específicos sobre o Criador proporcionados pela natureza, depois de destrancarmos a porta com a chave provida pela Bíblia, chave essa chamada Ciência formal (matemática). A onisciência divina é de tal natureza que dispensa o tempo de tal maneira que implica em que Ele tenha características de um Ser Pessoal. Uma familiarização com teoremas ontológicos e suas consequências torna isso até intuitivo. Contudo, precisamos ter em mente que a intuição não é um guia seguro fora dos domínios do cotidiano, o que nos força a depender muito mais da Matemática, que se tem demonstrado sempre confiável. Seres finitos não poderiam ter essa propriedade independentemente do tempo, pois dependem de processos mentais ao longo do tempo para ter consciência. Mas isso abre outra longa questão cuja complexidade técnica exige ainda mais esforço didático do que o que acabamos de apresentar.

(Eduardo Lütz é astrofísico e engenheiro de software)

Arqueólogos descobrem evidências do reino de Davi


Todo mundo que tem um pouco de familiaridade com a Bíblia já deve ter escutado falar da famosa disputa entre Davi e Golias. Um jovem pastor de Belém que derrotou o gigante filisteu para conquistar a confiança do rei hebreu Saul, tornando-se imperador entre os séculos 11 e 10 a.C., unindo o povo de Israel. Nas últimas décadas, porém, cada vez mais pesquisadores começaram a questionar a real existência do reino de Davi. Afinal, não havia evidências de construções reais no local onde o reino deveria ter sido erguido. Assim, concluíram que os governadores locais, naquele tempo, controlavam apenas a região de Jerusalém e as redondezas. Nada parecido com um grande e unido reino. O mais parecido com isso era a “Residência do Governador”, uma construção destruída no século 8 na invasão Assíria. As ruínas, porém, resguardam características da arquitetura típica dos povos de Israel, sem influência dos Filisteus, por exemplo, o que indica que só foi construída muitos séculos depois do reino de Davi.

Um estudo recém-publicado pelos arqueólogos Avraham Faust e Yair Sapir, no jornal Radiocabon, dá sobrevida à ideia da existência do reino. “Surpreendentemente, as datas de radiocarbono da fundação que foi colocada abaixo do piso indicam que o edifício já havia sido erguido no século 10 a.C., entre o fim do século 11 e o terceiro quarto do século 10 a.C.”, afirma Faust.

Segundo os pesquisadores, o engano foi causado pelo que conhecemos como “efeito casa velha”, no qual uma construção antiga existe por muitos séculos, porém guarda registros somente de sua última fase. “As fases anteriores são dificilmente representadas nas pesquisas, pouco estudadas e raramente publicadas”, diz o estudo.

Apesar do achado, ainda é pouco para garantir a existência real de um reino de Davi, mas serve como alerta para os arqueólogos de todo o mundo. “Nós sugerimos que o efeito casa velha influencia interpretações arqueológicas em todo o mundo, e é também responsável pelas recentes tentativas de rebaixar a complexidade social na Judá”, conclui a publicação.

quarta-feira, maio 02, 2018

A Bíblia e os unicórnios

Quando lemos as Escrituras Sagradas, encontramos termos interessantes que despertam a curiosidade. Às vezes, são simples problemas de tradução ou palavras que têm duplo significado. Um problema desses é referente ao "unicórnio bíblico". "Salva-me da boca do leão; sim dos chifres dos unicórnios… tu me respondeste", diz o Salmo 22:21. E em Salmo 29:6 lemos: "E os faz saltar como um bezerro, O Líbano e o Siriom como um filho de unicórnio." Esses textos foram tirados da versão King James em inglês e mostram a descrição de um animal que era chamado de "unicórnio". Porém, seria o animal mitológico que tinha a forma de um cavalo com um único chifre em espiral e possuía poderes mágicos?

Detalhe de um antigo mosaico do assoalho da Basílica de San Giovanni Evangelista, Ravenna, datado do ano 1213
O erro está na tradução para outras línguas. As Escrituras originais mencionam nove vezes um animal pelo termo hebraico re’ém, רֶאֵם (Isaías 34:7; Jó 39:9,10; Números 23:22; 24:8; Deuteronômio 33:17; Salmos 22:21; 29:6; 92:10).

A Bíblia Septuaginta grega trocou o termo re’ém para monokeros (mono = um; keros = corno ou chifre) dando o sentido de “um só chifre”, ou “unicórnio”.

A Bíblia Vulgata latina frequentemente traduz o termo re’ém para “rinoceronte”.

A Bíblia traduzida de Lutero (Luther Bibel 1545) traduz o termo re’ém para einhörner (ein = um; horner = chifre), que também significa único chifre, ou unicórnio.

Então, como vemos, o termo "unicórnio", na Bíblia, se referia a alguma espécie que tinha apenas um chifre. Poderia ter sido o rinoceronte ou alguma outra espécie extinta. O elasmotherium pode ter dado origem ao mito moderno do unicórnio, como descrito por testemunhas na China e na Pérsia.

Ilustração do elasmotherium
Ahmad ibn Fadlan, viajante muçulmano cujos escritos são considerados uma fonte confiável, diz ter passado por locais em que homens caçavam o animal. Fadlan, inclusive, afirma ter visto potes feitos com chifres do unicórnio.

Em 1663, perto de uma caverna na Alemanha, foi encontrado o esqueleto de um animal que, especulava-se, seria um unicórnio. As ossadas encontradas na Alemanha eram possivelmente de mamute com outros animais, montados por humanos de forma equivocada. A caveira estava intacta e com um chifre único no meio, preso com firmeza. Cerca de 100 anos depois, uma ossada semelhante foi encontrada perto da mesma caverna. Os dois esqueletos foram analisados por Gottfried Leibniz, sábio da época, que declarou que (a partir das evidências encontradas) passara a acreditar na existência de unicórnios.

A conclusão óbvia é que animais de um chifre só existiram e podem ter povoado a mente e as histórias de muitos. Sem nada místico ou mágico, apenas um animal.


Leia mais sobre o unicórnio aqui.

Estudo de Harvard conclui que dieta vegetariana pode prevenir uma em três mortes prematuras


Segundo um novo estudo da Universidade de Harvard, nos EUA, um terço de todas as mortes prematuras poderia ser evitado por uma dieta vegetariana. Essas descobertas indicam que temos subestimado enormemente os benefícios de uma dieta baseada em vegetais. Os resultados da pesquisa foram apresentados na 4ª Conferência Internacional do Vaticano na Cidade do Vaticano, pelo pesquisador Dr. Walter Willett, professor de epidemiologia e nutrição da Faculdade de Medicina de Harvard. Willett disse na conferência: “Acabamos de fazer alguns cálculos olhando para a questão de quanto poderíamos reduzir a mortalidade mudando para uma dieta saudável, mais baseada em vegetais, não necessariamente totalmente vegana, e nossas estimativas são de que cerca de um terço das mortes precoces poderia ser evitado.”


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