
A grande questão é que o homem pós-moderno se vê numa grande encruzilhada. A máxima de que tudo é relativo é ilógica, pois ao universalizar o relativo acaba o transformando num absoluto. Nessa situação de grande desespero, o homem vive uma grande desesperança em relação ao futuro. Prova disso é nossa juventude menos idealista e politizada. Não encontra bandeiras pelas quais lutar. No entanto, no campo da religião, percebe-se um fenômeno interessante. Em pleno século 21, o homem nunca se mostrou tão espiritualizado. É verdade que essa religiosidade contemporânea se mostra muito light e relativa, mas aponta para um anseio humano que jamais pôde ser sufocado.
Isso me faz lembrar o texto de Eclesiastes 3:11. Ali o sábio Salomão, ao olhar para sua experiência de fracasso longe de Deus, resume a busca humana por felicidade como o vazio que Deus plantou em nosso coração. A melhor tradução para o texto seria infinito, e por isso Deus é o único que pode satisfazê-lo. Tudo que é finito, por maior e mais valioso que seja, diante do infinito não faz diferença. Somente Aquele que é infinito pode preencher essa angústia existencial. E o cristianismo, como nenhuma outra religião, pode atender a essa necessidade.
Mas você pode perguntar se qualquer manifestação religiosa resolveria. Não! Somente o cristianismo provê três características essenciais na relação do homem com o sobrenatural: superioridade (Deus está acima de nós, Se mostrando eterno, imortal, onisciente, onipotente e onipresente). Esses atributos divinos nos dão segurança, pois mostram que Ele está acima de nós, nos protege. Mas também Deus é imanente, ou seja, está próximo, pode ser acessível, Se importa; logo, podemos nos relacionar com Ele, temos a questão da intimidade preenchida. Por fim, o cristianismo apresenta a divindade que Se identificou com Seus adoradores, por meio de Jesus. Em Cristo, Deus vestiu a pele humana. Nele há perfeita identificação. Sendo assim, temos a quem imitar, pois Ele Se fez um de nós. Por fim, o cristianismo é aquela religião que se autoproclama exclusiva, absoluta.
Em tempos de pós-modernidade, é esta grande certeza que o homem precisa: de um porto. Num tempo em que o Estado rui com as privatizações e a globalização; a família, com os divórcios e a libertinagem; a escola, com a mercantilização do ensino e a subserviência ao vestibular e ao mercado; a Justiça se rende à corrupção e inoperância; a igreja com a concorrência religiosa. A fé encontrada na Bíblia se mostra a única rocha segura.
(Wendel Thomaz Lima, pastor e jornalista)