
Quando a indústria do tabaco e os fabricantes de clorofluorcarbonetos se viram lutando contra regulações preocupadas com fumantes passivos e a camada de ozônio, seus esforços se combinaram num ataque geral ao movimento ambientalista e às organizações regulatórias. As técnicas empregadas incluíam várias formas de desinformação combinadas com uma ferrenha tendência de se ater a argumentos desacreditados.
O livro realça a política envolvida nos debates e apresenta contradições interessantes. Pessoas que insistiam que era essencial sempre considerar a pior hipótese possível na tensão com a União Soviética, evitavam a todo custo se posicionar da mesma forma com relação ao meio ambiente. Nos debates, grupos de cientistas – reunidos em organizações criadas com o único propósito de combater as pesquisas científicas – questionavam resultados que pudessem ser perigosos para os interesses do capital e da segurança nacionais.
Os autores atacam o grau de exagero e manipulação de informações com os quais os cientistas tentaram criar incertezas ambientais. No entanto, não conseguem explicar inteiramente como, apesar desses e de outros fatores, a ação ambiental conseguiu prevalecer.
(Opinião e Notícia)
Nota: Se esse tipo de manipulação e essa tática de desinformação funcionaram com a indústria do tabaco e na defesa dos interesses econômicos relacionados com o meio ambiente, será que também não surtem efeito quando o assunto são os “pseudocientíficos” criacionistas? Graças a uma eficiente orquestração naturalista da mídia que deveria ser mais cética e perguntar mais, criacionistas hoje são vistos pelos menos informados como dogmáticos, pseudo-intelectuais, fanáticos, fundamentalistas e até mesmo bobos, esquizofrênicos e criminosos (não é, Gleiser?). Uma pena.[MB]
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